
Quando a Febre Arde, e o Amor Esfria
Capítulo 2
No dia do meu aniversário de casamento de três anos, o meu marido, Pedro, desapareceu.
Liguei-lhe dezenas de vezes, mas o telemóvel dele estava sempre desligado.
A nossa filha de dois anos, a Lia, estava com febre alta, nos meus braços, a chorar sem parar.
Eu estava desesperada.
O hospital estava caótico e barulhento, cheio do cheiro a desinfetante.
Finalmente, às três da manhã, a febre da Lia baixou. Exausta, adormeci na cadeira ao lado da cama dela.
No dia seguinte, o Pedro ainda não tinha aparecido. O telemóvel dele continuava desligado.
Comecei a sentir um pânico que me sufocava.
Pensei em todas as possibilidades. Um acidente de carro? Um assalto?
Liguei para a polícia, mas disseram-me que só podia ser considerado desaparecido após 24 horas.
Liguei para a minha sogra, a mãe do Pedro.
Assim que a chamada foi atendida, a voz dela soou fria e distante.
"Se não há nada de importante, não me ligues. Estou ocupada."
"Mãe, o Pedro desapareceu! Não consigo encontrá-lo desde ontem!"
A minha voz tremia.
"Desapareceu?", ela riu-se com desdém. "Ele é um homem adulto, não uma criança. Provavelmente só está farto de ti e foi espairecer."
Fiquei sem palavras.
"Além disso, a Sofia não está a sentir-se bem, está no hospital. Ele provavelmente está a cuidar dela. Não o incomodes com os teus disparates."
Sofia.
A ex-namorada do Pedro.
O meu coração afundou-se.
"Ele está com ela?", perguntei, a minha voz mal audível.
"E se estiver? A Sofia é frágil e está doente. Precisa de alguém para cuidar dela. Tu és tão forte, consegues tratar de ti e da criança, não consegues?"
Com isso, ela desligou.
Olhei para o ecrã escuro do telemóvel, sentindo um frio que me percorria os ossos.
Lia, no seu sono, murmurou "Papá... Papá...".
As lágrimas que eu tinha segurado finalmente rolaram pelo meu rosto.
Eu e o Pedro estávamos casados há três anos. Ele sempre tinha sido um marido atencioso e um pai amoroso. Eu nunca pensei que ele me abandonaria, a mim e à nossa filha doente, para ir cuidar da sua ex-namorada.
A mulher que, segundo ele, era apenas "uma amiga que precisa de ajuda".
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