
Qual dos Irmãos é o Pai
Capítulo 2
Marina estava apavorada. Tinha quase certeza de que eram aqueles homens, chefiados pelo irmão do CEO, que estavam por trás dos roubos e maquiagens da contabilidade. Por isso seus nervos tremiam e sua mente tentava formular um plano de fuga, mas nada do que pensava, era viável diante daqueles homens truculentos, com armas de fogo em suas cinturas.
Pensou até em fingir um tropeço e pegar uma das armas, mas podiam dar um tiro nela antes do pretendido por eles e antecipar os acontecimento, não era o seu intento.
" Me manter viva, é isso que preciso." Pensava ela.
Foi arrastada até uma sala confortável dentro do iate, e jogada sobre um sofá. Demétrius mandou que os homens saíssem e olhou sério para ela. Ela não aguentou a arrogância do homem e jogou em sua cara:
— Você é um bandido arrogante e hipócrita, fingindo estar ajudando as empresas e está usando ela para seus negócios sujos. Não pense que ficará impune, pois não ficará. — Esbravejou ela, quase cuspindo em sua cara, já que havia levantado e falava de frente para ele.
Ele apenas se afastou e pegou a bolsa dela, que estava jogada no sofá e despejou, ali mesmo, todo o conteúdo, procurando um pendrive, fita ou papéis comprometedores. Não havia nada ali e nem no forro da bolsa, então foi até ela e começou a examiná-la, soltou seu cabelo, tirou seu óculos, quebrando-o e não encontrando nada, começou a despi-la.
Marina gritou, socou e esperneou, mas nada o parou ou demoveu da idéia de despi-la. Quando ele sentiu a dificuldade porque ela não parava de lutar, então deu-lhe um tapa no rosto, a derrubando no chão e puxou suas roupas, as rasgando e verificando cada pedaço do tecido, até que achou o objeto, na dobra da bainha, costurado. Olhou para o corpo dela, encolhido, se escondendo.
Pegou-a pelo braço, a suspendeu e colocou-a no sofá. Ela levantou a cabeça e seus fios longos, grossos e ondulados, emolduraram seu rosto, caindo pelos ombros. Seus olhos verdes, brilharam de raiva ao fitá-lo. Ele fitou aquele rosto belo, o corpo esculpido como o de uma vênus e percebeu a beleza única daquela mulher. Estava oculta, escondida, atrás de uma fantasia desleixada.
— É sério isso? Você escondia toda essa beleza, atrás de uma aparência fora de moda e esdrúxula.
— Não é da sua conta, idiota. O que faço ou deixo de fazer é só da minha conta.
Ele deixou ela lá sentada olhando para ele e foi até o bar, serviu dois copos com duas doses de whisky, estava nervoso, não estava nele a vontade de sentir atração por uma mulher,as era o que estaba sentindo nessa hora, voltou até ela.
— Beba! — Ordenou ele passando um dos copos para ela e bebericando o outro.
Marina ficou tão espantada, que não recusou o copo, mas não bebeu.
— Beba tudo, agora! — Ordenou, segurando o rosto dela e apertando, para que abrisse a boca.
— Nãã ooo
Ele derramou o conteúdo do copo através dos lábios dela, obrigando-a a beber, queria que relaxasse. Ela engasgou, tossiu, mas não bebeu e ele a soltou. Depois, pegando o copo que estava nas mãos dela, agarrou seus cabelos e puxou sua cabeça para trás. Automaticamente ela abriu a boca para gritar e ele aproveitou para despejar a bebida, que desceu fácil por sua boca. Ela engoliu, tossindo, sentindo a queimação arder em sua traquéia e não estava entendendo por quê ele queria embebedá-la.
Ele pousou os copos em uma mesinha e a puxou pelo braço, pondo-a de pé e com o balançar da embarcação, ela cambaleou e percebeu que já estava zonza. Ele a segurou para não cair e levou-a para a cabine principal, jogando-a na grande cama do local. Ela foi perdendo cada vez mais a lucidez e não conseguia focar a vista e nem elaborar um pensamento coerente.
Marina não era acostumada com bebida e a quantidade que tomou, deixou-a muito mal, a ponto de não conseguir perceber o que o homem estava fazendo e se defender. Sentia seu corpo ser manipulado e quando a dor chegou, misturou-se com o mal estar da bebida e ela só conseguiu ficar parada, esperando terminar.
Apagou.
O iate continuou cortando as águas, até ancorar próximo a orla de uma certa residência. Talvez por estranhar a suavidade da embarcação parada e o cessar do barulho do motor, Marina acordou, sua cabeça doía muito, estava enjoada e tentou levantar, vomitando ao lado da cama, deixando tudo sujo. Sentiu uma melhora na tontura e olhando a sua volta, viu o homem dormindo e percebeu o que tinha acontecido.
Percebeu que era a oportunidade única, dela sair dali e resolveu aproveitar. Levantou, sem se preocupar com sua nudez, foi tateando e tropeçando até chegar a área externa e conseguir subir na balaustrada e pular. Um dos homens ouviu o som e correu, vendo o corpo afundar e começou a atirar. Os outros ouviram e vieram também, mas não conseguiram ver mais nada nas águas escuras.
— O que houve aqui? — Demétrius chegou, vestindo só uma calça de moletom e descalço.
— Ela conseguiu fugir, senhor. Pulou na água e sumiu. — Informou o que atirou.
— Você atirou nela? Porquê? — Perguntou o chefe, furioso.
— Ué, era pra deixar ela fugir?
Demetrius nem respondeu, ficou olhando para as águas ao redor do barco, mas não apareceu nem um corpo flutuando, talvez tivesse sido arrastado pela correnteza abaixo da superfície. Passou a mão pelos cabelos, aborrecido. Não imaginava que ela fosse tão fraca para bebida e nem tão pouco, virgem. Só percebeu ao ver o sangue no próprio corpo e no lençol.
— Inferno!
Estava revoltado consigo mesmo, por ter violentado a mulher mais linda que já conhecera na vida. Linda, inteligente e pura. Inferno! Blasfemou novamente. Entrou e foi até a sala, juntou os pertences dela, colocando um por um, na bolsa, depois de examinar. Sua carteira com os documentos, do pai e da mãe, endereço, aparelho celular e objetos pessoais, tudo muito simples.
Se enganou profundamente com aquela jovem mulher. Quando iria imaginar que ela era virgem? Normalmente, jovens bonitas, da idade dela, estavam sempre em baladas e barzinhos com as amigas e tinham vários homens aos seus pés. Mas ela não aguentou as doses de whisky e já era tarde, quando percebeu que era virgem. A bebida era só para amansá-la, mas ela quase entrou em coma alcoólica.
Esperaria uns dois dias, antes de procurar o seu irmão e relatar o que estava acontecendo. Já estavam descarregando o material que tinha ido por engano para o galpão. Estava farto de fazer esse serviço. Era tudo a troco de dinheiro. O dinheiro trás poder, quanto mais se tinha, mais poder e controle sobre as pessoas. Não tinha felicidade nas coisas que fazia e nem tão pouco tempo para desfrutar férias.
Tirou o lençol sujo e colocou em um saco de lixo. Chamou o faxineiro para limpar o vômito que já fedia o quarto todo e voltou para a sala, colocou uma dose de whisky do copo e finalmente tomou, tentando esquecer toda a agressão que cometeu. Tudo aquilo ficaria em sua mente por muito tempo. Acabou dormindo no sofá, bêbado, sabendo que os homens não ousariam fazer nada de diferente do que sempre faziam.
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