Capa do romance Propriedade do Alfa Supremo

Propriedade do Alfa Supremo

8.7 / 10.0
Vendida para quitar uma dívida, Aurora Frost torna-se propriedade de Dominic Volkov, o temido Alfa Supremo. O trato é frio: um herdeiro por proteção. Contudo, Aurora desperta o poder lendário da Loba de Ouro, atraindo guerras e o Conselho. O contrato de milhões perde o valor diante de um laço de alma indomável. Entre profecias e sombras, Dominic deve escolher entre seu trono e a mulher que o destino impôs, enquanto Aurora abraça sua força para sobreviver.

Propriedade do Alfa Supremo Capítulo 1

Capítulo 1: O Preço do Sangue

Aurora Frost

O silêncio na biblioteca de Dominic Volkov não era um silêncio comum. Era pesado, denso, como o ar antes de um tornado tocar o chão. Eu conseguia ouvir o tique-taque ritmado de um relógio de pêndulo em algum canto da sala, e cada batida parecia um martelo golpeando o pouco que restava da minha dignidade. 

O couro da poltrona de carvalho onde eu estava sentada parecia frio demais contra a minha pele, apesar do calor que subia pelo meu pescoço devido ao nervosismo. 

Eu me sentia minúscula naquela sala monumental. As estantes de madeira escura subiam até o teto, carregadas de livros que pareciam observar meu julgamento. O cheiro de sândalo, papel antigo e algo puramente masculino, o cheiro dele inundava meus pulmões, tornando difícil a tarefa de respirar com normalidade.

À minha frente, sobre a mesa de ébano polido, o documento de dez páginas repousava como uma sentença de morte. Ou de vida, dependendo de quem olhasse.

- Assine logo, Aurora. Não temos o dia todo e o senhor Volkov é um homem ocupado - a voz do meu pai veio de algum lugar atrás de mim.

Havia uma impaciência covarde no tom dele. O grande Alfa da alcateia Frost, que um dia foi um homem de honra, agora não passava de um viciado em apostas que não conseguia sequer me olhar nos olhos. 

Ele me trouxe aqui como quem leva um cordeiro para o abate, esperando que o meu sacrifício limpasse a sujeira que ele mesmo criou.

Eu não respondi. Meus olhos estavam fixos no homem sentado atrás da mesa.

Dominic Volkov. O Alfa Supremo.

Ele não tinha dito uma única palavra desde que eu cruzei o batente da porta. Ele apenas me observava, com aqueles olhos cinzentos que pareciam duas pedras de gelo esculpidas no coração do inverno. Ele lia cada reação minha, cada tremor involuntário das minhas mãos, cada vez que eu engolia em seco. 

Ele era maior do que as fotos nas colunas sociais sugeriam. Os ombros largos preenchiam perfeitamente o terno cinza-chumbo sob medida, e a aura de dominância que emanava dele era tão física que minha loba, aquela parte de mim que nunca despertou, que todos diziam ser "defeituosa" parecia querer cavar um buraco e se esconder no fundo da minha alma.

- Dez milhões - eu disse. Minha voz saiu mais firme do que eu esperava, quebrando o silêncio como um cristal se estilhaçando no chão. - É por isso que você está me comprando, não é? Pelo valor de uma dívida de jogo que nem é minha?

Dominic inclinou a cabeça levemente para o lado. Foi um movimento puramente predatório, como um lobo avaliando se a presa valia o esforço da caçada.

- É o valor da dívida da sua alcateia, Aurora - a voz dele era um barulho grave, um trovão baixo que vibrou no meu peito. - Para mim, dez milhões é apenas um número em uma planilha. Para você, é a diferença entre a sobrevivência dos seus e a extinção completa.

- E o herdeiro? - As palavras amargaram na minha boca como bile. Eu me forcei a dizer a cláusula que mais me assombrava. - O contrato diz que, assim que a criança nascer e for desmamada, eu recebo minha carta de alforria. Eu recebo o dinheiro e vou embora.

- Exatamente - ele respondeu, sem um pingo de emoção.

- Você fala como se estivesse comprando uma reprodutora, Alfa. Não uma esposa, nem mesmo uma companheira de fachada.

Pela primeira vez, um lampejo de algo passou por aqueles olhos gélidos. Não era pena, nem de longe. Era algo mais escuro, uma intensidade que fez os pelos dos meus braços se arrepiarem.

- Você não será minha esposa, Aurora. O título de "Luna" será apenas para manter as aparências diante do Conselho e da imprensa. O que acontecer entre as quatro paredes deste quarto será uma transação biológica para garantir a continuidade da linhagem Volkov. Eu preciso de um herdeiro forte, e seu sangue, apesar da sua... condição, ainda carrega uma linhagem antiga que me interessa. Não espere jantares, não espere flores, e acima de tudo, não espere afeto.

Eu senti um nó apertar minha garganta, ameaçando me sufocar. A ideia de carregar um filho por nove meses, senti-lo crescer dentro de mim, dar à luz e depois ser descartada como um objeto usado, era uma tortura psicológica que eu ainda não conseguia processar completamente.

- Eu não sou a favor de abandonar um filho, Alfa Dominic - afirmei, sustentando o olhar dele. - Você pode comprar meu tempo, pode comprar meu útero, mas não pode me obrigar a ser indiferente ao que é meu. Se eu vou assinar isso, saiba que não estou fazendo por você ou por este império frio. Estou fazendo pela minha mãe, que não tem culpa de ter um marido que a apostou em uma mesa de cartas.

- O motivo não me interessa - ele declarou, levantando-se da cadeira.

Ele era assustadoramente alto. Quando ficou de pé, pareceu que a luz da sala diminuiu, como se ele consumisse todo o espaço ao redor. Ele contornou a mesa com passos silenciosos, como se suas botas nem tocassem o tapete persa.

Meu pai se encolheu um pouco mais no canto da sala, mas eu me recusei a desviar o olhar. Peguei a caneta tinteiro que estava sobre a mesa. O metal estava gelado, combinando com a temperatura da alma do homem à minha frente.

Com a mão tremendo apenas o suficiente para que só eu percebesse, assinei meu nome no rodapé de cada página. 

No último traço do "t" de Frost, uma sensação estranha me atingiu. Foi como um choque elétrico que partiu da ponta dos meus dedos e subiu pelos meus braços, atingindo meu coração com a força de um soco.

Um aroma súbito inundou meus sentidos. Chuva fresca, terra molhada e algo cítrico, como bergamota. Era um cheiro delicioso, inebriante, que me fez querer fechar os olhos e inspirar profundamente. Vinha dele.

Dominic parou a poucos centímetros da minha cadeira. Ele se inclinou, apoiando as mãos nos braços da poltrona, me cercando completamente. Eu estava encurralada entre o couro e o corpo dele. Pude sentir o calor que emanava dele, uma fornalha escondida sob o terno elegante.

Nossos olhos se prenderam. Por um segundo eterno, as pupilas dele dilataram até que o cinza quase desaparecesse, restando apenas um abismo negro de desejo e... surpresa?

- Bem-vinda à sua nova vida, Aurora - ele sussurrou perto do meu ouvido. O hálito quente causou um arrepio violento que desceu pela minha espinha. - A partir de agora, você me pertence. Cada centímetro do seu corpo, cada respiração, cada pensamento.

- Eu pertenço ao contrato, Dominic. Não a você - retruquei, embora minha voz estivesse falha pela proximidade.

Ele soltou uma risada curta, seca, que não chegou aos olhos.

- Veremos. Tente não se apaixonar por mim, Aurora. Seria um desperdício de tempo e de lágrimas. Eu não tenho um coração para lhe oferecer em troca.

Ele se afastou abruptamente, como se o contato com o meu espaço pessoal o estivesse queimando. Sem olhar para trás, ele caminhou até a porta da biblioteca e a abriu.

- Kael! - ele chamou o Beta, que apareceu instantaneamente no corredor. - Leve a Senhorita Frost para os aposentos dela. E certifique-se de que ela entenda que não deve circular pela casa sem autorização.

Meu pai tentou se aproximar de mim, talvez para um adeus ou um último pedido de desculpas, mas Dominic o barrou com um braço firme.

- Você recebeu o que queria, Frost. Agora saia da minha propriedade antes que eu decida que a dívida de sangue é mais interessante do que o dinheiro.

Eu vi meu pai fugir como um cão castigado, sem olhar para trás uma única vez. Eu estava sozinha. Vendida. Marcada por um papel, mas sentindo que algo muito mais profundo tinha acabado de mudar dentro de mim.

Kael, um homem de aparência mais jovem e olhos gentis, entrou na sala e me ofereceu um sorriso triste.

- Por aqui, senhora. Vou levar suas malas.

Eu me levantei, sentindo minhas pernas pesadas como chumbo. Ao passar por Dominic na porta, nossos ombros se roçaram por um milésimo de segundo. O choque voltou, mais forte dessa vez, fazendo meu coração martelar contra as costelas.

Eu não sabia o que era aquilo. Eu era uma Ômega "fraca", sem loba desperta, sem dons. Mas naquele momento, enquanto eu caminhava para a minha prisão de luxo, algo no fundo da minha mente sussurrou que o contrato de Dominic Volkov era apenas o começo de uma guerra que nenhum de nós estava preparado para vencer.

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