Capa do romance Prometida para o Alfa

Prometida para o Alfa

7.9 / 10.0
Em Prometida para o Alfa, Luna é a última de sua linhagem real e luta para não ser domada. Nesta romance novel de werewolf e fantasy, ela desafia o Alpha Supremo Peter Ballard para mudar tradições e proteger sua família. Leia novels online e descubra se a liberdade vencerá o destino.
Resumo de Prometida para o Alfa
Última de sua linhagem após uma guerra brutal, Luna vive livre na selva com seu irmão. Ela jurou jamais ser domada, mas sua herança real atrai o Alpha Supremo, Peter Ballard. Diante desse homem poderoso e dominante, Luna resiste ao controle enquanto luta para sobreviver. Em um mundo primitivo governado por homens, ela desafia tradições antigas para restaurar a igualdade, proteger sua família e garantir que as mulheres finalmente tenham voz no sistema.
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Prometida para o Alfa Capítulo 1

POV LUNA SWAN

Despertei sentindo os primeiros raios do sol em meu rosto, me aquecendo. O cheiro da mata me invadiu de imediato, a terra úmida abaixo de mim já não me incomodava mais, estava acostumada a acordar daquela forma durante os últimos anos.

Abri meus olhos, grunhindo em seguida quando a luz solar me atingiu em cheio, fazendo meus olhos lacrimejarem, os fechei rapidamente. Odiava aquela sensibilidade da forma humana.

Resmunguei um xingamento baixo, voltando a me deitar na terra com o corpo encolhido por causa dos ventos gélidos daquela manhã. O familiar canto dos pássaros já soava como um alarme natural em meus ouvidos, acompanhado do barulho da água caindo em um pequeno riacho perto de onde eu estava, tinha o usado algumas vezes para tomar banho.

Ouvi passos se aproximando, abri meus olhos, minhas pupilas já dilatadas pela aproximação repentina. Mas relaxei ao reconhecer aquele cheiro familiar.

—Foram duas luas fora de casa, preciso admitir que sua selvageria me surpreendeu. —Proferiu calmamente, a voz grossa fez os pássaros pararem de cantar, reconhecendo a dominância daquele predador. Virei meu corpo em sua direção e o encontrei encostado em uma árvore com um sorriso presunçoso no rosto. Os cabelos castanhos como os meus caíam em sua testa e seus olhos claros brilhavam pela luz natural do sol.

Levantei parte do meu corpo dolorido e lembrei que havia corrido até cansar noite passada e simplesmente desmaiei no meio da floresta, meu corpo fez a transformação enquanto dormia. Estava totalmente coberta de terra e folhas.

Pisquei algumas vezes, atordoada. Depois de dias em minha forma animal, voltar ao corpo humano era estranho e demorava alguns minutos para me acostumar.

—Melissa está enlouquecendo pela falta de notícias suas, Luna. —Meu irmão não hesitou em tentar me repreender. Ele e sua proteção excessiva.

Soltei um longo suspiro, o suave cheiro da floresta invadiu minhas narinas e encheu meus pulmões. Minha pele se arrepiou levemente, mas não me importei.

A natureza era meu lar, o único lugar que não me julgariam pelo que eu realmente havia nascido para ser, uma criatura selvagem.

—Voltarei para casa hoje, não precisava ter vindo atrás de mim como um cão farejador. —Declarei rouca, passando as mãos em meus cabelos embaraçados e cheios de folhas. 

—Sabe que não consigo evitar.

Meus dedos ficaram presos entre os fios rebeldes de meus cabelos, bufei alto. 

—Preciso de um banho o mais rápido possível. —Resmunguei colocando a blusa moletom que Lucca lançou em minha direção, vestindo o short jeans em seguida.

Me levantei do chão e tentei impedir que os fortes raios solares me cegasse, estiquei meus braços e espreguicei—me, respirando o ar puro da manhã.

O céu não estava completamente limpo, mas o sol era intenso naquela parte da floresta. Vi os primeiros raios solares nascendo dentre as colinas e montanhas no horizonte.

—Ainda me reconhece como seu irmão ou virei apenas uma fera inimiga?—Perguntou se aproximando com cautela e abrindo os braços, como se estivesse de frente a um animal selvagem e precisasse deixar claro que não era uma ameaça.

Revirei os olhos fortemente, mas não escondi o sorriso que se abriu em meus lábios e avancei em sua direção, havia sentido sua falta nas últimas semanas.

Apesar de preferir correr sozinha pela floresta.

—Não seja tão melancólico, Lucca. —Disse com a cabeça enterrada em seu peito, ele me apertou forte, me tirando o ar e eu arfei baixo. Precisei bater em seu ombro para que Lucca me soltasse de seus braços e ainda assim, ele bagunçou meus cabelos e fez uma careta quando seus dedos ficaram enrolados em meus fios.

—Seu cabelo está um ninho—gracejou ele com ironia. —Já viu se não tem algum bicho preso nessa teia de aranha?

—Agora me recordo o motivo de preferir estar entre os animais da floresta do que ao seu lado. —Resmunguei o provocando. Lucca soltou uma estridente gargalhada e me deu um leve empurrão com o ombro, me indicando o caminho de casa.

Comecei a acompanhá—lo, sentindo meus pés descalços afundarem na terra úmida.

—Estou morrendo de fome. —Choraminguei olhando para os galhos das árvores, em busca de algum fruto. Meu estômago se contorcia como uma minhoca no chão.

Esse era um dos benefícios de viver em meio a florestas, sempre estava rodeada de alimentos deliciosos.

—Você está caçando há dois meses, Luna!—Exclamou incrédulo com minhas palavras. —Como consegue ainda ter fome?

—Me refiro a fome de comida humana, idiota. —Ralhei com ele e lhe dei um leve tapa na cabeça. Lucca resmungou baixo e esfregou o local atingido. Continuei a olhar para os galhos das árvores e avistei uma maçã no topo de uma árvore.

Minha boca salivou ao ver a fruta vermelha e suculenta.

"Acredito que continuar encarando a maçã não fará que ela magicamente caía da árvore, estou certa?"

Ouvi minha loba chiar em minha mente com todo seu mau humor matinal. Corri até estar próxima o bastante da árvore e peguei impulso pulando até a fruta em uma altura impressionante para um humano. Agarrei a maça e voltei para o chão, dei uma boa mordida na fruta, sentindo seu gosto doce em minha boca.

—Como está Sarah?—Perguntei após terminar de comer a fruta, que como esperado, não havia saciado minha fome.

Sarah era a companheira de Lucca e minha melhor amiga nas horas vagas. Ela, felizmente, não é uma Ballard, mas é filha de um Alfa de uma alcateia no Alaska. Seu pai era um desgraçado que a culpou pela morte de sua companheira que havia morrido no parto de Sarah. Para escapar dos maus tratos causados pelo homem, ela foi obrigada a fugir e hoje vivia conosco.

—Planejando sua morte de forma bem dolorosa por ter quase a matado de preocupação. —Proferiu num tom de deboche frio e eu sacudi os ombros.

"Sempre essa preocupação desnecessária. Somos capazes de nos defender sozinhas."

—Quando drama—debochei observando o horizonte além das montanhas.

—Você ficou muito tempo fora, ela tem culpa por se preocupar com você?—Me perguntou, tirando um galho do nosso caminho para passarmos.

—Não existem motivos para toda essa preocupação desnecessária. 

Lucca ficou em silêncio.

—Você sabe que nunca estaremos em segurança, Luna, nossa mera existência é uma ameaça para as matilhas.

Um gosto amargo surgiu em minha boca.

—Não tivemos nenhum ataque nos últimos meses.

—Isso não significa que não estamos sendo caçados como animais selvagens.

Lançei um sorriso coberto de sarcasmo para meu irmão.

—E quem disse que não somos bestas selvagens em pele humana?

Lucca negou com a cabeça, soltando um fraco riso pelo nariz. Quando ele voltou a fitar meu rosto, tentei ignorar a amargura escondida detrás da sua feição.

—O que acha de uma corrida até o vilarejo?

Lambi os lábios.

—Tente me alcançar, irmão.

Lucca e eu disparmos em alta velocidade pela floresta, meus pés descalços pisavam na terra úmida. Meu irmão rompeu em um grito de êxtase, o som alegre vibrando em minhas veias. Um sorriso cresceu em meus lábios com a sensação de liberdade bombeando em meu coração, pulsando vida dentro de mim.

O vento puro e fresco da manhã acariciava meu rosto como um beijo da natureza, aumentando a adrenalina que pulsava em meu interior. Ansiava por sentir meus cabelos voando enquanto corria, trazendo consigo vários odores misturados.

O cheiro do sangue dos animais há quilômetros de distância, dos frutos, o cheiro das flores, das árvores, dos peixes e o cheiro de cachorro ao meu lado. Meus pés batiam com força em meio aos galhos e folhas secas no chão, fazendo a terra úmida voar conforme passava por ela.

A corrida fazia meus músculos relaxarem e minha mente se esvaziar, dando lugar a sensação que eu tanto amava, liberdade.

Acelerei meus passos, saltando por cima de uma árvore caída que tinha em minha frente, graças à tempestade da noite passada. Lucca não teve nenhuma dificuldade em me acompanhar, porém, usei minhas habilidades lupinas para ultrapassar meu irmão. Lucca podia ser mais forte pela sua herança Alfa e experiente em caça, mas eu conseguia superá—lo em facilmente em velocidade, selvageria e inteligência.

Eu havia nascido para ser uma loba pura, estar conectada com minha essência selvagem, no meu habitat natural. Era naqueles momentos que me sentia invencível, como se nada no mundo pudesse me derrubar, nem mesmo o passado que me perseguia todos os dias.

Um odor forte pairava no ar e atingiu minhas narinas bruscamente, o que me fez parar subitamente, derrapando na terra e quase tropeçando em meus próprios pés. Lucca parou ao meu lado, os olhos brilhantes como os meus. Ele também estava sentindo aquele cheiro que fez os pelos do meu corpo se arrepiaram ao reconhecê—lo.

—É sangue!

Sem pensar nas consequências, avancei em direção ao odor marcante. Tinha consciência que era perigoso, podia ser uma armadilha para nos atrair, mas não conseguia conter minha curiosidade ou o instinto protetor que me dominou naquele momento. O cheiro estava nas redondezas de nosso lar, precisava garantir a segurança de nossa aldeia.

Lucca não tentou me impedir, compartilhando daquele mesmo sentimento.

O cheiro metálico ficava mais forte a cada passo, meus instintos selvagens ganharam mais força e minha loba forçou a manter o controle comigo, o que fez meus sentidos ficarem mais aguçados e minha visão se aperfeiçoar durante o percurso. 

♡♡♡♡

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