
Prometida ao Rei "Lordes Apaixonados - 1"
Capítulo 2
RICARDO
Aquela foi uma noite como todas as outras, comemos em família e debatemos novas rotas comerciais. Mamãe estava feliz e papai animado com as futuras mudanças.
Ele é um rei benevolente e zeloso com seus súditos.
Os dois foram submetidos a um casamento comum nos nossos termos, um acordo entre os reinos, mas descobriram juntos um amor único e os invejo por isso.
Estava em meu quarto, me preparando para uma possível viagem, que nunca viria a ocorrer de fato, quando ouvi um grito estridente vindo do final do corredor.
Saí correndo para saber o motivo de mamãe estar gritando e quando abri a porta de seus aposentos, meu mundo veio abaixo.
Papai estava espumando pela boca e tendo espasmos no chão. Nem o médico real poderia salvá-lo.
Era veneno e nem precisava de exames para confirmar.
Sabia que não estava pronto para sua morte, afinal não queria adotar tal responsabilidade. Entretanto, seria obrigado a assumir o reino, posto que fui preparado por toda a minha vida para assumir um dia.
Tenho uma irmã mais nova que está passando uma temporada com sua melhor amiga na França. Ela ainda não sabe da morte do papai porque as cartas demoram para chegar ao seu destino.
Ela até poderia assumir, mas nossa sociedade é patriarcal e nunca aceitaria uma mulher no poder.
Tive a difícil tarefa de enterrar meu pai e ser um rei que se não igual, superior a ele.
Mamãe ficou devastada, contudo, foi muito forte tendo em vista tudo o que aconteceu. Enquanto ela segurava minha mão durante o último adeus, fui obrigado a ser homem, mas após o enterro, jurei descobrir quem fez aquilo com meu pai.
Por dois meses, investiguei, refiz seus passos, ouvi os criados e pôr fim a verdade veio à tona, um hidromel envenenado.
O presente havia sido dado por seu melhor amigo, um rei de um reino vizinho que eu sabia ser ganancioso, mas nunca passou pela minha mente que ele seria capaz de tal ato.
— Vossa majestade?
A voz do conselheiro real me tira do devaneio que estava.
— Sim, Charles?
Todo o conselho dos oito reinos da província de Hudevenstor está presente, falta apenas o traidor.
Somente eu, mamãe e meus fiéis soldados sabemos o que eu farei hoje.
— O rei Edgard Cordell Lencastre acabou de chegar!
Excelente notícia, afinal hoje terei minha vingança a todo custo.
— Libere sua entrada!
Estamos no salão real, uma grande mesa com oito cadeiras. Estou sentado no trono enquanto mamãe está sentada ao meu lado.
— Vossa majestade!
A voz do traidor soa tão falsa quanto sua pretensão.
— Podemos enfim começar a reunião.
Percebo que alguns reis ficam incomodados com a presença da rainha, ignoro tal fato e antes que comecem os ataques, interfiro.
— A rainha irá me acompanhar nas sessões, ela tem poder e autoridade aqui. O primeiro a faltar com respeito ou questionar minhas decisões será morto!
Todos me olham incrédulos e vibro por dentro.
— Estamos curiosos pela sua convocação real!
Todos se sentam e me levanto. Pego o hidromel e coloco em cima da mesa.
— Esta garrafa contém o veneno usado para tirar a vida do rei e o traidor está entre nós.
Um alvoroço se forma na mesa.
É a vez da rainha impor sua voz.
— Calados! — Sua voz ecoa por todo o salão e as vozes se calam. — O traidor está aqui e não será julgado, será morto!
— Sábias palavras, minha mãe! — Caminho até o rei Edgar e ofereço a bebida em um cálice. — Beba e terá uma morte rápida. Seu reino irá para as mãos do seu filho que, ao contrário do pai, é um bom homem. Seus súditos serão poupados, afinal papai nunca me perdoaria se castigasse inocentes!
O homem me encara incrédulo e se joga no chão implorando clemência, mas antes de responder, as portas são abertas sem nenhum respeito.
Quando vou ralhar com a pessoa, vejo a loira na porta e perco a fala. Ela corre em minha direção com lágrimas nos olhos e a seguro em meus braços, a confortando.
— Ricardo, diz que é mentira, meu irmão!
— Infelizmente, não é! — Eu me viro para mamãe e peço: — Conforte minha irmã em seus aposentos e assim que terminar com este verme, poderemos chorar por nossa perda. — Chamo um dos guardas e pego sua espada.
Quando a ergo, um grito estridente me faz congelar no ar. Eu me viro para a porta e a criatura mais bela de todos os reinos entra correndo.
São segundos que mais parecem uma eternidade.
O vestido molda com perfeição suas belas curvas, que evidenciam ainda mais com a corrida que dá até o rei moribundo.
Seu longo cabelo preto parece sedoso e os olhos enraivecidos me encaram.
— Como ousa atentar contra a vida do meu pai? — A bela dama se ajoelha e abraça o homem.
É a princesa Amélia.
Mas a menina que lembrava era magricela e sem atrativos ou atributos.
Como não lembrei que ela estava com minha irmã?
A princesa me encara com raiva e respiro fundo.
Não posso machucá-la, muito menos tirar a vida dele na sua frente, mas explico com a voz alterada.
— Seu pai é um traidor.
A raiva em sua face dá lugar a uma expressão de frieza e surpresa.
— Atentou contra a vida do rei.
— Papai! — Ela agora se levanta com espanto e o encara. — Diz que é mentira, que você não fez sua família passar por essa vergonha.
Ele apenas chora como se estivesse arrependido, clamando por misericórdia.
— Ele fez. — Reparo mais atentamente em seu corpo.
Amélia é belíssima e sua bunda empinada me dá ideias interessantes.
Há um meio de subjugar a família toda e ainda domá-la na minha cama.
— Envenenou meu pai e estava para ser executado. Se afaste, pois terei minha vingança.
Ela apenas gira seu corpo, entrando na minha frente.
— Não irei permitir que aja como um bárbaro. — Cruza os braços, me desafiando e isso não ficará impune. — Não tem vergonha? Não deixarei que faça justiça sem um julgamento digno!
— Quem é você para responder ao seu rei?
— Meu nome é Amélia Charlotte Georgianna Lencastre e o único rei que respeito é meu pai. Você é rei do seu reino e não pertenço ao seu reino!
Audaciosa e com uma língua ferina...
Ela me deixa duro e a tomaria aqui mesmo se não fosse por minha família presente.
— Princesa, não pedirei de novo! — Começo a perder o que resta da minha paciência.
— Vai me matar?
“Só se for na cama e de prazer”.
Nego com a cabeça e mamãe interfere.
— Minha filha, sei que é difícil acreditar, mas é verdade e queremos justiça. — Sua voz meiga abala os ânimos e ela abraça Amélia. — Sei que é seu pai, mas temos provas e quero que se acalme.
— Todos saiam agora... Isso é um assunto familiar e íntimo! — interfiro e faço todos saírem.
— Meu filho, não é sábio da sua parte matá-lo. Não é respeitoso com a filha ver o pai ser morto diante de seus olhos.
Observo que mamãe parece estar calma com tudo isso.
— Ele matou meu pai e você quer misericórdia? Esqueceu do seu marido? — A raiva me cega e mamãe fica brava com minhas palavras.
— Não esqueci. Toda noite, eu sonho com ele.
Sua revelação me cala.
Seria fácil matar o traidor, mas não traria meu pai de volta e com a filha presente, teríamos uma guerra.
— Estou sendo racional!
— Desculpa, mamãe! — Volto encarar a princesa com a língua afiada que não parece estar abalada. — Está certa, preciso ser racional e não um bárbaro como bem lembrou a vossa alteza! — Dou a volta e ordeno aos guardas. — Levem este verme à masmorra, proíbo que toquem nele!
— Vai prender meu pai?
— Prefere que eu o mate? — Sorrio com sua expressão.
— Quer que me ajoelhe e agradeça?
Ela é ousada demais e nem seu pai acredita no que ouve.
— Em outras ocasiões, sim! — Noto que ela cora e sorrio. — Levem-no, agora! — Volto para mamãe e peço: — Leve Anastassia para o quarto, logo me reunirei a vocês!
— E quanto a minha amiga? — Anastassia quebra o silêncio temerosa.
— Irei debater com ela o futuro do seu pai e do seu reino.
A rainha segura meu braço entre os dedos.
— Não é prudente que fique sozinho com uma dama. Ela é uma princesa, meu filho, e com uma honra a se zelar.
Sorrio e informo:
— Eu sei, minha mãe, os súditos não sabem que o pai dela é o culpado. — Faço uma pausa e a encaro. — Mesmo que soubessem, nunca entregaria a princesa aos leões, muito menos violaria a minha futura noiva...
Não é engraçado, mas a mulher ri alto agora.
— Qual a graça?
— Não aceitei pedido algum, muito menos meu pai e...
Eu a interrompo, levantando um dedo e antes que os guardas retirem o rei da sala, indago:
— Rei Edgar, me dá a mão da sua filha em casamento?
Ele me olha sem entender e concluo:
— Prometo que viverá e seu reino, assim como sua família, não serão tocados. Prometo respeito à sua filha e serei um bom marido. Mesmo que não mereça minha benevolência eu o farei!
— Por que acreditaria em suas palavras?
Boa pergunta do rei.
— Porque terei minha vingança me casando com vossa filha e, melhor ainda. — Sorrio e me aproximo dela. — Poderei domá-la ao meu bel prazer como um homem tem direito.
— Não a machucará?
— Nunca. Minha vingança é você ser rebaixado e ser prostrado a mim, de brinde ganho uma noiva belíssima.
A princesa é linda demais e já a imagino nua em minha cama.
Caralho, o que está acontecendo comigo?
Nunca meu pau ficou duro apenas por desejar uma mulher.
— Preciso de uma esposa de acordo com a lei e como ela se prontificou a me desafiar, nada mais justo!
Ela nega com a cabeça e sorrindo, a observo implorar para o pai não cair nesse papo.
— Desculpa, minha joia preciosa, mas meu reino vem em primeiro lugar!
Ela é forte e não chora, mas também não aceita calada.
— Têm o meu consentimento, cometi um erro com meu amigo e preciso consertar isso agora. Mais tarde, Majestade, venha a minha cela discutir as bodas...
— Como pode fazer isso, papai?
Sei que estou sendo cruel e mesmo ela não merecendo, preciso impor minha soberania.
— Por favor, me perdoe, minha filha. Eu te amo demais para deixar você na miséria...
Dando as costas para o pai, ela conclui com amargura:
— Nunca o perdoarei, meu pai morreu para mim, hoje!
Com espanto dispenso a presença dos guardas.
— Minha filha, não seja cruel com seu pai. Ele só deseja o melhor para você! — Mamãe se aproxima e a abraça.
Noto que ela se afasta gentilmente da rainha.
— Um erro dele e sou eu que pago? O melhor para mim?
Sua ironia e sarcasmo me chamam atenção e me deixam em alerta.
— Me casar com um homem que deseja meu mal, que só está querendo satisfazer seu ego e capricho?
— É do rei que você está falando, senhorita. Rogo que pense nas palavras, pois, posso voltar atrás e matar os dois! — alerto e seu olhar me fuzila com raiva.
— Você só quer vingança e nada mais que isso! — Caminha na minha direção, me desafiando. — Não irei me submeter aos seus caprichos reais! Não serei sua submissa, sua marionete e muito menos um brinquedo na sua cama...
Confesso, a princesa é uma mulher muito adorável.
— Eu te odeio e não me casaria com você nem que fosse o último homem da face da Terra.
— Sua língua ferina não me dá medo. Será minha esposa, minha rainha e farei da sua vida um inferno. Seu pai matou o meu e como não temos o poder divino de trazê-lo de volta à vida, farei com que seu pai almeje cada dia estar naquele caixão — respondo à altura, dizendo como será seu futuro e ela responde sem se importar com quem fala.
— Você é um monstro!
— E você é um demônio em forma de mulher, revestida de anjo e terei o prazer de domar sua marra!
— Nunca serei sua! Nunca me deitarei com você!
Esse desafio infla meu ego a um ponto irreversível.
— Se me tocar, eu irei gritar. Corto fora este item minúsculo que possui no meio das pernas e você vai desejar nunca ter se casado comigo!
Agora, ela foi longe demais, pois, além da sua boca suja, ofende meu pau dizendo que é minúsculo.
— Veremos, minha doce noiva, desafio aceito. Irei apressar tudo, pois, mal posso esperar para tê-la em meus braços. Então, comece a se acostumar porque esse monstro fará de você uma mulher em todos os sentidos...
Ela abre a boca incrédula.
Nem eu pensei em ser tão cruel com as palavras, mas ela me irritou.
— NUNCA!
Desta vez minha irmã interfere, abraçando minha relutante noiva que esqueceu de sua posição diante do rei, mas relevarei ao menos agora.
— Rei Ricardo, nosso pai não o ensinou a tratar uma dama assim! De maneira desrespeitosa na frente os seus súditos e convidados — sendo enfática na minha atual posição como Rei, notei pelo seu tom de desaprovação que de certa forma estaria certa, mas jamais admitiria.
Tomo uma lição de moral da minha irmã e ela está certa.
— Deixa, Ana, ele não é homem e nunca será metade do homem que seu pai foi. O rei Philipe, sim, sabia como tratar uma dama!
Minha irmã nem me permite retrucar, se afasta com ela e minha mãe apenas diz:
— Sua irmã tem razão, você está sendo cruel com Amélia!
Eu me viro para responder à altura, mas a decepção implícita em sua face me envergonha.
Agi por impulso e não com a razão.
Admito que agi mais com a cabeça de baixo e com meu ego ferido.
— Eu pedirei desculpas no jantar, agi mal... Mas não voltarei atrás na minha decisão! — Nada me fará desistir dela, afinal eu a desejo e a tomarei para mim.
— Será uma nora agradável!
Começo a rir e ela conclui:
— Ela será uma bela rainha, agiu na raiva assim como você, só não esqueça o que me disse um dia. — Minha mãe alisa meu rosto e diz a frase que nunca me esquecerei: — "Quero um casamento como o seu, repleto de amor!"
Eu sempre afirmo isso aos quatro ventos e agora como irei ter isso?
— Agora não pode voltar atrás, já fez o pedido. Quero que se lembre que o casamento não é uma guerra!
Eu descobriria mais tarde o que ela queria dizer com isso.
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