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Capa do romance Prometida ao Rei "Lordes Apaixonados - 1"

Prometida ao Rei "Lordes Apaixonados - 1"

Ricardo tornou-se um homem gélido e calculista após ser traído, vivendo apenas pelo desejo de revanche. Contudo, seu plano de vingança toma um rumo inesperado ao cruzar o caminho de uma mulher obstinada. Sob uma aparência frágil, ela esconde uma língua afiada e uma sensualidade perigosa, lutando ferozmente para escapar do altar e da cama dele. Nesse jogo de sedução e poder, Ricardo arriscará sua sanidade e seu coração para dominar quem se recusa a ser sua.
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Capítulo 3

AMÉLIA

Saio batendo os pés.

Sei que fui imprudente ao me referir daquela forma a um rei, mas não poderia me calar diante da sua postura. Ele me desafiou em um grau tão elevado que mal consegui raciocinar.

Anastassia vem logo atrás com passos rápidos.

Ela me puxa para seu quarto, me guia para a cama e nota meu nervosismo devido ao meu corpo trêmulo.

— Você está maluca, minha amiga?

— Não! Estou furiosa com o seu irmão. Ele acha que só porque é rei tem direito a ser meu dono?

Sim, eu sei que ele tem direito, que pode fazer o que quiser e até mesmo me obrigar a me casar e ser sua esposa.

— Meu pai errou, mas eu e minha família não temos nada a ver com os erros dele!

— Calma, minha amiga, discutir agora com os ânimos inflamados não irá ajudar em nada!

Reviro os olhos e me afasto dela, indo até a mesa de centro. Como possui uma jarra de vidro com água em cima dela, me sirvo de um copo, na tentativa falha de me acalmar.

— Vamos esperá-lo se acalmar e pediremos uma sessão com ele para expor seus pensamentos...

— Ana, em qual conto de fada você vive? Nós, mulheres, servimos apenas como procriadoras de nossos futuros maridos. Vamos à Corte para conseguir um bom pretendente e voltamos de lá com ao menos um cortejo enviado a nossa família.

Há alguns pensamentos sobre a mulher, mas nada concreto e viável. Somos propriedades de nossos pais e depois de um bom dote e uma boa negociação, somos propriedades dos nossos maridos.

— Eu sempre converso com meu irmão. Ele diz que um dia poderei escolher meu marido e ter minha liberdade como sempre tive!

A inocência de minha amiga é tão louvável para nossa sociedade, mas ela é cega demais quanto a estas questões.

— E você acha que ele cumprirá? Está tomado por ódio e deixou claro que deseja vingança!

Às vezes, Ana é tão bobinha, mesmo sendo dois anos mais velha do que eu e estando na idade de se casar perante a sociedade altamente patriarcal.

— Não seja boba! Acha que depois de tudo o que meu pai fez, o rei irá permitir o cortejo do meu irmão? Que ele dará sua mão?

— Sim, ele vai. Meu irmão me ama e sabe que minha felicidade importa!

Ao ouvir suas palavras, noto o quanto ela não está entendendo meu nervosismo. Certamente, a bolha de vidro em que vive a impede de ver o mundo real.

— Assim como ele te fará feliz. Será um casamento dos sonhos amiga! Sua atitude agora a pouco foi apenas movida pela raiva.

Lágrimas caem em minha face e a encarando de forma nervosa, indago:

— E a minha felicidade? Ela não importa?

Ana sabe que falou demais porque a calo no mesmo instante.

— Estamos vendo um lado apenas. Ele me quer como um troféu pelos erros do meu pai, não é por amor. Pelo que vejo, ao invés de um final feliz, terei um inferno! — Eu me afasto do seu toque e saio do quarto batendo a porta.

Tantas vezes vim neste castelo e tantas foram as vezes que brincamos juntas. Ricardo nunca nos importunou, apenas nos olhava de longe.

Eu sentia aquele olhar intenso e por anos me senti atraída por um homem que é um monstro.

Saio sem rumo pelos jardins do palácio, sentindo as lágrimas rolarem pelo meu rosto.

Como posso mudar meu destino?

Vejo de longe um banco e me sento para olhar o belo jardim. Suspirando alto, desejo que o passado possa voltar e que as minhas preocupações sejam apenas qual boneca irei levar para brincar ou qual será a próxima travessura.

Meu destino parece ser tão cruel, tão infeliz, que eu me vejo perdida.

Um rei maluco querendo que me case com ele, além de ser obrigada a seguir com minhas obrigações de filha perfeita e mulher de família, isso me dói demais.

Ouço passos vindos em minha direção e ergo a cabeça para pedir que Anastassia me deixe sozinha, mas vislumbro um olhar tão intenso me encarando que até perco o fio da meada.

Não irei me ajoelhar ou me deixar abater.

O sol está quente, afinal a manhã está sendo a mais quente do ano.

Ele se aproxima rapidamente e eu me levanto, tentando me afastar, mas sua mão prende meu pulso e me puxa para encará-lo.

— Precisamos conversar!

Nego com a cabeça e ele continua:

— Conversei com minha mãe que disse que agi muito mal e que este não é o legado do meu pai.

Ele estava me liberando do compromisso?

— Então vai me deixar partir?

Seu sorriso malicioso me faz estremecer.

— Será minha esposa, mas não quero começar uma guerra com minha futura rainha.

Ele não desistiu do casamento e após tudo que me disse, eu iria apenas deletar da sua mente.

— Não deveria me perguntar se eu quero? — Puxo o pulso e sinto seus dedos lentamente em contato com minha pele.

— Quer seu pai vivo ou morto?

Seus olhos de predador me deixam sem ar, lágrimas querem rolar, mas as impeço e dou dois passos para trás.

— E eu pensando que havia mudado... — Eu me afasto dele, mas sou seguida mesmo assim.

— Não dê as costas ao seu rei!

Abro a boca incrédula e respiro fundo com a sua tentativa de mostrar quem é que manda.

— Então aja como um rei, não como um homem cego por seu ódio!

Ele tenta me segurar, mas não permito seu toque.

— Não ouse me tocar, não temos intimidade e não sou nada sua...

Cada dois passos dados para trás ele me acompanha, até que sinto meu corpo bater em uma superfície dura.

Acabo ficando sem saída quando seus braços fortes me rodeiam, me prendendo ali.

— Mas vai ser.

Ele como rei pode fazer o que quiser, até mesmo me possuir ali sem que ninguém me ajude. Por isso, o medo me consome.

— Minha mulher, minha rainha e minha vingança!

Suas palavras doem, me acertam como se fossem tapas que me deixam inertes nessa situação.

— Não serei sua! Prefiro a morte. — Minhas lágrimas tomam conta de mim.

— Não irá morrer, não até que seja minha e que me dê um herdeiro!

Tento empurrá-lo para longe, mas suas mãos seguram meus pulsos acima da minha cabeça. Tento xingá-lo, mas seus lábios calam os meus em um beijo que me faz perder o rumo.

Nunca provei nada igual, apenas li em livros, mas esses nem chegam perto do que ele me dá. É molhado e sua língua alisa a minha, me fazendo abrir a boca. Solto um gemido com o contato, sentindo como se algo dentro de mim se entregasse a ele. Suas mãos soltam meus pulsos e descem lentamente pelo meu corpo.

Ele está me marcando como sua.

Seu toque deveria me causar repulsa, mas apenas me deixa mais perdida. Sinto uma umidade entre as minhas pernas e não consigo explicar o que sinto. Então espalmo seu peitoral e tento recobrar a sanidade.

Eu sei que alguns livros falam que deveria continuar e ceder, mas uso meu instinto e acerto o que ele tem entre as pernas.

Colocando ambas as mãos onde o acertei com o joelho, ele se afasta urrando de dor.

— Sua louca! — exclama alto.

Percebo no mesmo instante que rejeitar o rei pode me levar até a forca.

Tento me acalmar e saio correndo dali.

Ainda sinto meu coração disparar.

Entro no quarto de Anastassia, pois preciso fugir rapidamente, mesmo que ele venha atrás de mim.

Meu corpo está mais quente que o normal, o gosto do beijo e seu toque ainda são sentidos por mim.

— Amélia, o que houve?

Nego com a cabeça e me jogo na cama chorando. Deixo as lágrimas tomarem meu ser, assim como a dor que sinto enquanto ela me abraça.

— Eu quero ir embora...

A porta abre, a rainha entra e nem forças possuo para encará-la, afinal dor é tamanha.

— Minha doce Amélia, sinto muito por tudo, mas sabe que não pode ir embora. Como rei, meu filho precisa demonstrar que não pode perdoar seu pai sem que haja algo em troca.

— E a minha felicidade, Vossa Majestade? Eu devo pagar pelos erros do meu pai? — Sento na cama e ela alisa minha face docemente.

— Não deveria, mas quem sabe essa sua doçura e esse seu jeito forte não domem meu filho. — Um sorriso brota em sua face. — Uma mulher tem, acima de tudo, poder sobre um homem que muitas não sabem. Então, irei ensiná-la a fazer com que ele faça tudo que você almeje, mesmo ele não querendo!

— Até desistir de se casar? — Tento me agarrar a um fio de esperança, mas ela nega, me abraçando. — Eu não quero ser infeliz, não que acredite em contos de fadas, nem em um casamento feliz, mas ao menos imaginei poder estudar e fazer o que quisesse.

— Minha filha, quanto mais cedo aceitar, menos doloroso será.

Eu me entrego a dor e ao desespero.

Logo ele adiantará o casamento e me obrigará a ser dele, é injusto tudo isso.

A rainha tenta me confortar, mas estou irredutível.

Quando chega a hora do almoço, noto a presença de um guarda que diz estar ali para impedir minha fuga. Quero dar uma boa resposta, mas apenas bato a porta com força.

Elas vão almoçar e como não sinto fome, dispenso a refeição.

É claro que uma serva vem trazer a comida, mas a ignoro e me nego a me alimentar. Ela leva a bandeja intocada por mim.

Mal se passa uma hora e Anastassia entra como um furacão no quarto.

— O que aconteceu, minha amiga? — pergunto ao ver seu estado.

Nunca a vi tão chorosa desde a morte do seu pai, onde segurei sua mão até nossa chegada hoje ao palácio.

— Você tinha razão, ele não me ama, nem preza por minha escolha... Está cego por seu ódio e vingança!

Levanto e a abraço.

— Calma, ficará tudo bem! — Talvez fique, talvez não e isso é algo que destruirá sua alma pura. — Quem pediu sua mão?

— Um rei com mais de sessenta anos. Sei que às vezes é comum, mas não terá amor e será apenas para engravidar. Depois, se ele morrer, serei entregue ao seu irmão!

É comum a prática do cunhado tomar a viúva. Além do mais, embora tenha herdeiros masculinos, a mulher não manda em nada.

— Ele já aceitou?

— Não, mas vai aceitar. Ele disse isso na frente de Bernard. Temo que meu irmão nos afaste se ele pedir a minha mão.

Eu sempre soube que os dois se amavam, desde os quatorze anos eles trocam mais que abraços e beijos. Minha amiga pode até ser inocente, mas sabe bem o que é a vida de casada e sei bem que o medo dela é outro.

Respiro fundo.

Sei que meu destino está traçado, mas ao menos posso ver minha amiga e irmão felizes.

Eu me afasto, vou até à mesa do almoço e ele não está ali, mas com meu irmão em sua sala particular.

Ignoro os chamados da rainha e rumo até o quarto do rei.

Irei pedir a mão de minha amiga em nome do meu irmão.

O rei quer algo de mim que não darei tão facilmente, mas isso não significa que não possa negociar com ele em nome da minha melhor amiga.

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