Capa do romance Prometida ao Irmão Errado

Prometida ao Irmão Errado

9.5 / 10.0
Em Prometida ao Irmão Errado, uma jovem aceita um contrato de casamento para salvar a mãe. Entre o dever e a paixão pelo herdeiro arrogante, este romance apresenta escolhas intensas. Leia livros online grátis e descubra o desfecho desta ficção juvenil repleta de segredos e desejos.
Resumo de Prometida ao Irmão Errado
Para salvar a vida de sua mãe, uma jovem aceita um casamento por contrato com o herdeiro mais novo de uma mulher influente. O acordo sem amor parecia definitivo até o retorno do filho mais velho, um homem arrogante e irresistível que desperta nela uma paixão proibida. Agora, ela está presa entre a gratidão do dever e a intensidade de um desejo perigoso. Entre a promessa feita e o amor verdadeiro, ela deve decidir se seguirá as regras ou seu coração.
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Prometida ao Irmão Errado Capítulo 1

Cora

Eu estava vivendo um pesadelo.

Só podia ser.

Em algum momento eu iria acordar naquela cadeira desconfortável do hospital, com a cabeça apoiada na cama da minha mãe e o cheiro de remédio impregnado nas roupas. Em algum momento alguém pisaria no meu pé sem querer, uma enfermeira me chamaria para atualizar o estado dela e tudo isso acabaria.

Mas quanto mais o tempo passava... mais eu percebia que aquilo era real.

E pior:

Eu estava presa naquele inferno.

De um lado estava minha vida.

Do outro, a vida da minha mãe.

Eu seria egoísta e cruel se escolhesse a mim mesma... e infeliz se escolhesse salvar minha mãe.

Só que aquilo nem sequer era uma escolha.

Eu jamais deixaria minha mãe morrer.

Não depois de tudo o que ela fez por mim.

Não depois das noites em claro.

Dos empregos humilhantes.

Da comida dividida ao meio para fingir que já tinha jantado.

Não depois dela destruir a própria saúde para me criar sozinha.

- A proposta é essa, Cora. - Dona Alma disse friamente.

Ela estava parada bem na minha frente no corredor do hospital, elegante demais para aquele lugar cinzento e frio. O salto fino ecoava no piso claro enquanto ela segurava a bolsa cara em uma mão e o celular na outra, como se estivesse resolvendo um simples negócio.

Porque era exatamente isso que aquilo era para ela.

Um negócio.

Atrás de mim, minha mãe lutava para respirar em um quarto de hospital.

Na frente... estava o contrato que decidiria meu futuro.

- Isso é uma tremenda loucura... - minha voz falhou.

Ela arqueou uma sobrancelha perfeitamente desenhada.

- Não. Loucura seria deixar sua mãe morrer por orgulho.

Aquilo acertou meu peito em cheio.

- Você precisa de dinheiro para pagar o tratamento da sua mãe. - ela continuou calmamente. - E eu preciso de uma nora.

Meu estômago revirou.

- Dante está noivo. - ela disse. - Então preciso casar Otto. Existem negócios envolvidos nisso, alianças importantes... e você é uma garota simples, educada e fácil de moldar. Não leve para o lado pessoal, querida, mas quando dinheiro entra... amor sai.

Meu Deus.

Meu Deus...

Aquilo não podia estar acontecendo.

Eu tinha acabado de completar dezoito anos.

Dezoito.

Enquanto outras garotas estavam escolhendo faculdade, roupas para festas ou o garoto que queriam beijar... eu estava sendo negociada no corredor de um hospital.

- Senhora... eu não posso simplesmente casar com alguém que eu nem conheço.

- Pode. E vai.

A segurança cruel na voz dela fez minhas mãos tremerem.

Antes que eu respondesse, a porta do quarto da minha mãe se abriu abruptamente.

O médico apareceu com expressão séria.

E naquele instante eu soube.

Meu coração despencou.

- Senhorita Cora, sua mãe precisa ir para cirurgia agora. Se não operarmos imediatamente... ela não passa desta noite.

O mundo parou.

Literalmente.

Tudo ficou silencioso.

O ar sumiu dos meus pulmões.

Eu olhei para o médico.

Depois para Dona Alma.

Depois novamente para o médico.

- A cirurgia... - minha voz saiu trêmula. - Quanto custa?

O silêncio dele respondeu primeiro.

E aquilo destruiu o pouco que ainda existia dentro de mim.

Eu fechei os olhos por um segundo.

Só um segundo.

Mas foi o suficiente para entender que eu já tinha perdido.

- Vá. - falei baixo. - Pode levá-la.

Abri os olhos e encarei Dona Alma.

Ela já estava sorrindo discretamente.

Como se soubesse desde o início que venceria.

- A Dona Alma vai fazer o pagamento.

O médico assentiu imediatamente.

Tudo aconteceu rápido demais depois disso.

Enfermeiros correram.

Macas passaram.

Minha mãe foi levada às pressas enquanto eu segurava o choro até sentir o peito doer.

- Boa escolha, querida. - Dona Alma comentou enquanto digitava algo no celular. - Depois da cirurgia sua mãe será levada para uma casa de repouso particular. Enfermeiras disponíveis vinte e quatro horas por dia.

Eu devia me sentir aliviada.

Mas me sentia vendida.

- Você vai comigo hoje. - ela continuou. - Não adianta ficar aqui. A cirurgia vai demorar e precisamos começar os preparativos.

- Preparativos...?

- Seu banho de loja. - respondeu naturalmente. - E preciso apresentar seu futuro marido.

Meu coração quase saiu pela boca.

- Pretendo fazer o casamento dos meus dois filhos em seis meses.

- Seis meses?! - praticamente engasguei.

Ela pareceu achar graça.

- Não sou tão desumana assim, Cora. Vou dar tempo para vocês se conhecerem melhor. Pela lógica humana, casais levam cerca de três meses para se apaixonar. Vocês terão o dobro disso.

Eu queria rir.

Ou gritar.

Talvez os dois.

- Isso é absurdo...

- Bem-vinda à alta sociedade, querida.

---

A mansão dos De Luca parecia saída de um filme.

Não.

Nem filmes mostravam algo daquele tamanho.

Os portões gigantes se abriram lentamente enquanto o carro avançava por uma estrada cercada de jardins impecáveis.

Fontes.

Estátuas.

Luzes douradas.

Aquilo não parecia real.

Parecia o tipo de lugar onde pessoas como eu jamais deveriam entrar.

Segurei minhas mãos nervosamente no colo enquanto o carro estacionava diante da escadaria principal.

Meu reflexo apareceu no vidro.

Cabelos presos de qualquer jeito.

Olhos inchados de chorar.

Moletom velho.

Eu parecia uma intrusa.

Quando saí do carro, duas garotas já nos esperavam na entrada.

Bonitas.

Elegantes.

Ricas.

Uma delas tinha cabelos castanhos longos e postura delicada. A outra usava preto da cabeça aos pés e tinha um olhar divertido e perigoso ao mesmo tempo.

- Cora. - Dona Alma anunciou. - Essas são Judith e Kami. Amigas de infância dos meus filhos. Cresceram praticamente como irmãos.

As duas sorriram para mim.

Judith primeiro.

- Prazer em conhecer você.

Kami veio logo depois.

- Relaxa, você parece que vai desmaiar.

Eu quase ri de nervoso.

- Talvez eu vá.

Ela soltou uma gargalhada.

- Gostei dela.

Dona Alma entregou a bolsa para uma funcionária.

- Elas vão ajudá-la em tudo o que precisar para se tornar uma futura De Luca.

A palavra futura pesou no meu peito.

Futura De Luca.

Meu Deus.

Eu realmente tinha vendido minha vida.

---

Duas horas depois eu estava dentro da loja mais cara que já tinha visto.

Tudo brilhava.

Sapatos.

Joias.

Vestidos.

Perfumes.

Até o ar parecia caro.

Eu me sentia completamente deslocada enquanto uma mulher mexia no meu cabelo e outra tirava minhas medidas.

Kami estava jogada em uma poltrona mexendo no celular.

Judith analisava vestidos em um catálogo.

- Preto valoriza mais ela. - Judith comentou.

- Vermelho. - Kami rebateu imediatamente. - O corpo dela fica perfeito em vermelho.

- Vocês estão falando como se eu fosse uma boneca.

Kami ergueu os olhos.

- Bem-vinda ao mundo dos ricos.

Revirei os olhos.

- Vocês são malucas.

As duas riram.

- Ainda nem começou. - Kami disse.

Uma atendente apareceu com vários vestidos.

Quando percebi, estavam me empurrando para um provador.

- Experimenta esse primeiro. - Judith pediu gentilmente.

- Não tenho escolha, né?

- Não muita. - Kami respondeu sorrindo.

Bufei.

Minutos depois saí usando um vestido preto justo que eu jamais teria coragem de tocar em uma loja comum.

As duas me olharam em silêncio.

E então:

- Meu Deus. - Kami arregalou os olhos. - Otto vai enlouquecer.

Corei imediatamente.

- Para com isso.

Judith sorriu.

- Otto é um amor, Cora. Sério. Você deu sorte.

- Sorte? - quase ri. - Fui obrigada a casar.

- Entre os De Luca... você realmente deu sorte. - Kami respondeu.

Aquilo me fez franzir a testa.

- O que isso significa?

As duas trocaram um olhar rápido.

- Significa que poderia ser o Dante. - Kami respondeu.

Só pela forma como ela falou o nome dele... algo mudou no ar.

- O irmão mais velho? - perguntei.

- Sim. - Judith respondeu calmamente. - E acredita em mim... seria muito mais difícil.

- Por quê?

Kami riu baixo.

- Porque Dante De Luca não nasceu para pertencer a ninguém.

Não sei por que aquilo arrepiou minha pele.

Talvez pelo jeito que ela falou.

Talvez pelo mistério.

Ou talvez porque, pela primeira vez naquela noite... senti curiosidade.

- Otto é diferente. - Judith explicou. - Gentil, educado, tranquilo. Ele vai cuidar de você.

- E Dante? - perguntei sem pensar.

Kami sorriu de lado.

- Dante é o tipo de homem que destrói vidas sem perceber.

Meu coração falhou estranhamente.

Ridículo.

Eu nem conhecia aquele homem.

- Vocês falam dele como se fosse um vilão.

- Não. - Judith respondeu. - Só como alguém perigoso.

A atendente apareceu novamente com mais vestidos.

Mas minha mente já estava longe.

Em Dante De Luca.

No homem que eu ainda nem conhecia.

- Isso ainda é loucura. - murmurei enquanto olhava meu reflexo no espelho. - Casamentos arranjados... promessas... negócios... vocês vivem em outra realidade.

Kami cruzou as pernas elegantemente.

- Vivemos.

Judith assentiu.

- Aqui funciona assim, Cora. Famílias ricas fazem alianças o tempo todo.

- Isso é horrível.

- Talvez. - Judith respondeu. - Mas fomos criadas assim.

Kami deu de ombros.

- Eu mesma já estou prometida.

Arregalei os olhos.

- O quê?!

Ela começou a rir da minha reação.

- Viu? Ela é engraçada.

- Isso é surreal!

- O cara é bonito pelo menos. - Kami respondeu naturalmente.

Judith riu baixo.

- Meu pai escolheu alguém importante para os negócios da família também.

Eu encarava as duas sem acreditar.

- Vocês aceitam isso normalmente?!

- Você se acostuma. - Judith respondeu.

- Eu nunca vou me acostumar.

Kami se aproximou sorrindo.

- Vai sim.

- Não vou.

- Vai. Principalmente quando conhecer a mansão em Capri.

- Existe uma mansão em Capri?!

Ela gargalhou.

- Meu Deus, eu amo gente pobre feliz com o mínimo.

- KAMI! - Judith repreendeu, chocada.

Eu comecei a rir pela primeira vez naquele dia.

Uma risada verdadeira.

Fraca.

Cansada.

Mas verdadeira.

E talvez aquilo tenha sido o pior.

Porque, em algum lugar dentro de mim...

Eu estava começando a perceber que aquele mundo absurdo agora fazia parte da minha vida.

{...}

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