
PROIBIDO TE AMAR
Capítulo 3
NARRAÇÃO LUÍSA
- O que?
- Tenho a sensação que sempre se priva dos pensamentos, do que gosta, por causa da Marcele e do Fabrício.
- Não!
Digo nervosa e tento me lembrar se faço isso.
- Você nunca contraria ninguém! Qualquer coisa que é dita, você só sorri e parece ignorar que às vezes é uma bosta o que falaram.
- Melhor ignorar que perder tempo com Marcele e Fabrício, tentando fazê-los entender que o que querem não vai dar certo. Eles são teimosos e chatos demais em alguns momentos.
E algumas vezes eu não faço idéia do que falaram, porque fiquei atenta a você, Danilo. Quantas vezes me peguei sorrindo para ele, alheia a quem estava a minha volta.
- Luísa!
Sua mão segura meu braço e seus olhos estão nos meus.
- É por não dizer nada que eles acham que podem tudo. Marcele é extremamente mimada e egoísta. Isso às vezes é uma merda.
- Eu sei!
Reviro meus olhos e ele sorri. Merda de sorriso que faz o ar sumir de meus pulmões e meus pés perderem o chão.
- E mesmo assim faz tudo que ela quer?
- A verdade é que ela acha que faço tudo do jeito dela, quando na verdade sai tudo do meu jeito.
Faz cara de que não entendeu e quero beijá-lo. Beijá-lo todinho agora.
- Ela da a idéia, que as vezes é uma merda. Sei que debater é me desgastar a toa. Finjo que gostei, faço do meu jeito e no fim ela nem lembra o que tinha falado e ama como ficou.
- Isso pode funcionar pra você, mas pro nosso casamento não.
- Então o problema é com vocês. Se vira com o terremoto que casou.
Ele ri e solta meu braço.
- Você tem humor e aparentemente uma calma invejável. Viu só tudo que descobri sobre você em cinco minutos de amizade? Coisas que eu nunca soube em dois anos na família.
- Você mesmo disse que nunca tivemos esse tempo a sós. Também não sei muito sobre você. A não ser o que Marcele me conta.
E tudo que ouvi da boca dela, me fez te amar. Amar como eu nunca amei Fabrício ou qualquer outro homem. Como posso amar alguém dessa forma, que nunca me tocou?
- Precisamos mudar isso. Fique aqui!
Sai do espaço onde estamos e vai para fora. Escuto o som do alarme do seu carro e em pouco tempo está de volta. Segura uma garrafa de vinho na mão.
- Ganhei hoje de um cliente.
Se aproxima e vejo que é um espumante.
- Vamos comemorar essa amizade.
- Achei que iríamos ver como vai ficar sua casa.
- Podemos fazer as duas coisas.
Explode a rolha do espumante e incrivelmente não derrama uma gota.
- Tem problema em dividir a boca da garrafa comigo?
- Acho que não.
Será o mais próximo de sua boca que chegarei e isso já me alegra.
- Primeiro as damas.
Me passa a garrafa e a seguro.
- Vira!
- Calma! Estou vendo se isso é bom. Se for ruim eu viro só um pouco e uma vez só.
- Entende de vinho?
- Sim! Sou apaixonada e normalmente é a única coisa que bebo.
- Você quem escolhe os vinhos das festas da família?
- Sim! A mãe do Fabrício me liga pedindo ajuda.
- Bom saber! Pedirei sua ajuda também, quando precisar.
Pisca pra mim e minhas pernas tremem. Caramba! Respiro fundo e decido virar a garrafa na boca, sem nem ver nada e beber um belo gole pra aguentar ficar perto dele.
- Me deixa um pouco!
Ele brinca e tiro a garrafa da minha boca.
- Desculpa!
- Imagino que seja um vinho bom.
- Espumante de média qualidade. Seu cliente ou não gostou muito do que fez ou não tinha dinheiro para um melhor.
- Nas condições que ele se encontra, me dar um mediano é sinal que gastou mais do que devia.
Vira a garrafa na boca e fico apenas admirando a cena, como uma adolescente boba vendo seu amor platônico.
- É gostoso.
Fala com os lábios molhados e quero beijá-lo muito e sentir o sabor do espumante em sua boca.
- Por que seu cliente te deu isso?
Pergunto tentando esquecer sua boca tentadora.
- Em três meses o ajudando a não perder a empresa, esse foi o primeiro mês em que lhe sobrou algo.
- Nossa!
- Sobrou o suficiente para comprar um vinho mediano.
Fala rindo e me pego rindo com ele.
- Então esse vinho é muito valioso.
- Sim.
Pego de sua mão e dou outro gole.
- Espero que passe por essa situação difícil logo.
Digo devolvendo a garrafa.
- Eu também!
Danilo é contador em uma empresa grande do Rio de Janeiro. Seus olhos encaram a garrafa e solta um longo ar.
- Às vezes me sinto sozinho!
Confessa de cabeça baixa.
- Por que?
Olha pra mim e tem um sorriso de canto de boca.
- Larguei tudo pela Marcele. Realmente deixei minha vida por ela. Vim de Minas Gerais para viver esse amor.
Meu coração acelera. Ele faria qualquer coisa por Marcele e isso me quebra por dentro. Como posso desejar tê-lo pra mim, quando ele ama e é amado? Que egoísta eu seria em desejar esse homem pra mim, sendo ele já feliz!?!?
- Recomecei em um novo emprego. Refiz minha vida ao lado dela, mas...
- O que foi?
- Sinto falta às vezes da minha família e dos meus amigos.
Oh Deus! Ele faz olhinhos tristes e tento me segurar para não abraçá-lo e apertá-lo forte contra o meu corpo.
- Fabrício é um cara legal, mas não é um bom amigo. Ele e Marcele são...
- Egoístas na amizade.
Completo e ele confirma com a cabeça.
- Querem que a gente escute tudo sobre eles, mas quando é nossa vez de desabafar, eles não possuem paciência para ouvir.
- Exato! Sinto falta de alguém que me escute, que me dê conselhos e broncas quando for preciso.
Coloca a garrafa de vinho sobre a mesinha e estamos nos encarando.
- Marcele sempre te elogia nessa parte. Diz que você é uma ótima amiga e confidente.
Dá um passo em minha direção e prendo o ar por segundos.
- Pensei que talvez...
Dá de ombros e parece sem graça.
- Eu pudesse ser uma boa ouvinte pra você.
Digo em um sussurro.
- Sim...
- Mas não quero ser apenas o que fala. Pode contar comigo quando quiser desabafar. Sou bom ouvinte.
Sua mão toca a minha sobre a mesinha.
- Sou boa ouvinte, mas não uma boa narradora.
Confesso e ele sorri.
- Pode aprender comigo.
- Talvez...
Sou surpreendida por um abraço forte. Meu nariz está em seu pescoço, enterrado em sua pele e posso sentir seu cheiro. Céus! Isso é tão divino.
- Obrigado!
Agradece e o calor de sua boca na minha pele me faz arrepiar toda.
- Não precisa agradecer. Quando precisar de uma amiga, é só me chamar.
Me solta de seu abraço e sinto um vazio. Danilo segura meu rosto em suas mãos e beija minha testa de forma carinhosa.
- Prometo que não serei muito chato com meus desabafos.
Fala ao soltar meu rosto.
- Prometo que se for chato, dormirei como forma de protesto.
Ele ri e sua mão bate no espumante, derrubando sobre o meu projeto.
- Ai caralho!
Diz tentando conter o líquido que estraga tudo.
- Tudo bem!
Seguro seu braço e tiro sua mão da sujeira.
- Não tem como salvar isso mais.
- Ferrei seu trabalho!
- Não ferrou! Apenas não tenho mais como mostrar, mas posso contar como estava, enquanto andamos pela casa. Vem!
Com uma coragem estranha, pego sua mão e o arrasto para mostrar como pensei cada ambiente.
Mostro a sala e indico tudo em cada pequeno detalhe. Passo pela cozinha e sala de jantar. O escritório dos dois que imaginei fazer de forma compartilhada o espaço. Subimos a escada e ele não questionou ou disse qualquer coisa até agora. Mostro o quarto de hospedes, a vista dele para a área onde vai ficar o descampado. Mostro o quarto do casal e com cada pequeno detalhe foi pensando para manter a individualidade do casal.
- No fim do corredor tem mais dois quartos. Marcele os chama de quartos extras, mas eu os chamo de quarto das crianças.
Abro a primeira porta.
- Esse eu imaginei em tons claros, caso vocês tenham uma menina. Vou pedir para fazerem uma pequena bancada embaixo dessa janela, para que seja usada como banco ou sofá para quando ela sentar para ver essa linda vista.
Paramos em frente à janela e a vista mesmo na escuridão é linda. A lua ilumina o canto do pequeno lago. Sinto ele atrás de mim.
- Marcele não quer filhos.
Viro e o vejo com o olhar triste para a janela. Ela nunca me disse isso.
- Ela não quer?
Olha pra mim e move a cabeça de forma negativa.
- Essa é nossa maior discussão no momento. Sou louco pra ser pai.
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