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Capa do romance PROIBIDO TE AMAR

PROIBIDO TE AMAR

Luísa é uma arquiteta casada com Fabrício há quase quatro anos e sócia de sua melhor amiga, Marcele. Apesar de sua vida estável, ela esconde um segredo torturante: uma paixão avassaladora por Danilo. O desejo é proibido e impossível de realizar, não apenas por ele ser o melhor amigo de seu marido, mas principalmente por ser o esposo de Marcele. Presa em um dilema ético e emocional, ela vive o tormento de amar quem nunca poderá ter ao seu lado.
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Capítulo 2

NARRAÇÃO LUÍSA

Termino de colocar a mesa para o café e não consigo pensar em nada a não ser nas palavras do Fabrício ontem. Um filho! Ele quer um filho comigo e eu achando que nosso casamento havia acabado. Ele ainda me ama, mesmo tão distante. Sento em uma das cadeiras e encho minha xícara com café. Encaro o líquido escuro e tento de alguma forma entender o que sinto. A única coisa que sinto é que eu desejaria que fosse outra pessoa aos meus pés, dizendo que me ama e que quer um filho comigo. Não teria pensado duas vezes ao dizer sim, se fosse Danilo ali.

- Bom dia!

Fabrício aparece todo amassado na cozinha e vem até mim. Beija minha cabeça de forma demorada como faz todos os dias e senta ao meu lado. Bem! Aparentemente ele não se lembra sobre ontem à noite.

- Minha cabeça parece que vai explodir.

- Deixei perto da sua xícara um remédio pra dor de cabeça e outro pra ressaca.

- É por isso que te amo!

Se aproxima e cheira meu pescoço, deixando um beijo antes de se afastar.

- Me lembre de nunca mais sair com o pessoal do trabalho.

- Foi divertido pelo menos?

- Sim! Mas a dor de cabeça de agora não compensa.

- Deveria ter bebido menos. O problema não foi sair com seus amigos. A merda é que bebeu mais do que devia.

- Precisava beber.

Estamos nos olhando e ele suspira.

- Não estava bêbado o suficiente para esquecer o que te disse ontem à noite.

Ergue a mão e toca meu rosto, acariciando minha bochecha.

- Eu te amo!

- O que aconteceu ontem para descobrir agora que ainda me ama?

- Nada! Nunca deixei de te amar. Você que se afastou e me esqueceu. Não sei o que fiz de errado, mas faz tempo que você não me olha mais do mesmo jeito e não sorri para mim, feliz por estar ao meu lado.

Aproxima o rosto e cola sua testa na minha, fechando os olhos.

- Não sei o que fiz de errado, mas estou disposto a mudar se for eu o problema. Não quero te perder.

A vontade de chorar cresce em meu peito, mas me mantenho firme. Não foi ele que mudou, fui eu. Na verdade meu coração mudou e não pertence mais a ele.

- Quero reconquistá-la!

Abre os olhos e tem um lindo sorriso. Fabrício nunca foi um péssimo marido. Nós nunca tivemos discussões intensas, nunca brigamos por coisas banais. Sempre tivemos um casamento calmo e isso pode ter sido nosso erro.

- Quero um filho com você!

- Filhos não arrumam casamento.

- Eu sei!

Diz me dando um beijo delicado nos lábios.

- Mas quando voltar a me amar, vamos ter um bebê?

- Fabrício...

Me cala com seu dedo.

- Só estou te pedindo uma chance de não te perder.

Meu celular começa a tocar e imagino que seja José, nosso mestre de obras. Marquei com ele de ver uma obra finalizada, antes de começar a minha parte de fato no projeto.

- Preciso atender!

- Tudo bem!

Levanto e vou até meu celular sobre o balcão. O nome do José pisca na tela.

- Oi!

- Luísa, vou me atrasar um pouco!

- Não tem problema.

- Tive um imprevisto com o carro, mas já resolvi. A merda é que atrasarei um pouco.

- Estarei te esperando.

- Valeu!

- Tchau!

Desligo e percebo que Fabrício me observa. Tenho mais tempo com ele, mas não quero ficar aqui e ouvir dizer que me quer. Que resposta posso dar? Amo seu cunhado e não existe chance no momento de deixar de amá-lo. Talvez deva dar uma chance para esse casamento.

- Preciso ir! Já estão me esperando.

- Tudo bem! Conversamos mais no jantar.

Vou até ele e quando me curvo para apenas um beijo breve, ele segura meu rosto e me beija de verdade. Seus lábios estão intensos, mas não sinto nada. Tento devolver o beijo, mas sei que não consigo muito. Me afasta e olha fundo em meus olhos.

- Vou te reconquistar!

Me beija de novo, mas agora é mais rápido.

- Agora vai!

Saio da cozinha rumo ao nosso quarto me trocar.

************

Termino de olhar alguns projetos e meu estômago ronca. Já são quase quatro horas da tarde e ainda não almocei.

- Luísa!

Marcele surge na porta da minha sala.

- Oi!

Ela vem toda sorridente na minha direção e senta a bunda nos meus projetos.

- Vai estragar minhas coisas. Senta na cadeira ou no sofá.

- Chata!

Resmunga e sai da mesa, indo para o sofá. Se joga nele, ficando deitada e parece radiante.

- O que veio fazer aqui?

- Nada! Apenas terminei minhas coisas e decidi andar por ai.

- Vai pra casa, já que terminou tudo.

- Danilo vem me buscar, estou sem carro.

- O que houve com seu carro?

Abre um enorme sorriso.

- Quer mesmo saber?

- Não!

Respondo rápido e encaro o papel em minha mão. Não quero saber o que ela fez com o Danilo. É tortura demais.

- Danilo me pediu para ver com você quando será a visita em nossa casa.

- Estou livre hoje.

- Depois das 19h?

- Por mim tudo bem!

- Vou mandar mensagem pra ele. Quer ir no nosso carro e depois te deixamos aqui?

- Não! Vou com meu carro e de lá vou pra casa.

- Você quem sabe!

Pega o celular e começa a digitar. Para e espera uma resposta, acho. Seu celular apita e pelo seu sorriso, é a resposta dele. Eles são felizes. Muito felizes eu diria. Deus! Como eu posso desejar infelicidade no casamento da minha melhor amiga? Como posso amar o marido dela? A culpa é da Marcele que me fez sonhar com o Danilo em cada coisa que me contou dele nesses últimos tempos. Ele é gentil, amável, carinhoso, bom de cama e lindo. Incrivelmente lindo!

- Ele disse que tudo bem!

- Certo! Agora vai embora e me deixa terminar o trabalho.

- Te amo!

Grita ao se levantar.

- Também te amo!

***********

Paro o carro em uma das vagas na garagem coberta. Parece que Marcele e Danilo ainda não chegaram. A secretária da Marcele me disse que ela saiu cedo do escritório, mas não com o Danilo. Pego minha pasta e saio do carro. A garagem é uma das coisas que não preciso fazer nada. Diferente da casa principal e da estufa em frente ao lago. Entro na casa e decido arrumar tudo para esperá-los. No meio da vasta sala vazia tem uma mesa. Acomodo os projetos de cada parte da casa sobre a mesa. Prendo meu cabelo em um coque e vejo se está faltando algo. Procuro pelo meu estojo, caso eles queiram fazer alguma alteração e eu precise mudar. Ele não está na pasta e espero não ter esquecido na minha sala. Preciso ver se caiu no meu carro.

- Luísa!

Sua voz faz meu corpo todo arrepiar e minha mente perder o rumo. Ergo minha cabeça e ele está na porta, encostado nela com um sorriso lindo. Está sorrindo de mim e não para mim. Olho em volta e não vejo Marcele.

- Marcele?

É a única coisa que sai da minha boca e mesmo assim as palavras saem tremulas, como se eu fosse uma idiota apaixonada, com vergonha. De certa forma sou!

- Ela se rendeu as compras com a mãe dela e esqueceu da gente. Disse para me mostrar o que fez e que confia em você.

- Típico da Marcele se perder em compras.

Comento irônica e ele ri. O som mais lindo que já ouvi.

- O que tem pra mim?

Pergunta se aproximando e quero responder todo meu amor, mas decido apenas sorrir e aponto para os papéis. Danilo para ao meu lado, ficando próximo. Muito próximo eu diria e está focado nos papéis. Enquanto eu estou focada em seu cheiro delicioso.

- Aqui é a cozinha?

Pergunta se inclinando para mostrar o que viu e seu corpo toca o meu, me causando um arrepio na coluna. Fecho meus olhos e tento não suspirar.

- Sim!

Respondo suavemente e abro meus olhos. Um par de olhos cor de amendôas me encaram.

- Você está bem? Parece estranha.

- Estou bem! Só um dia cansativo.

- Entendo!

Sua mão toca meu braço e acaricia suavemente.

- Devia tirar umas férias da Marcele.

Comenta com humor e nós dois rimos.

- Tentadora essa idéia.

- Sabe o que acabo de perceber?

Pergunta e nego com a cabeça.

- Nunca ficamos sozinho assim, sempre estamos com nossos pares.

- Deve ser porque só nos conhecemos por causa deles, é nosso elo de ligação.

Cruza os braços e faz um lindo olhar pensativo. Algumas rugas se formam no meio de sua testa e quero beijá-las.

- Percebi que não conheço nada sobre você. Marcele é sua melhor amiga, mas não me conta nada sobre seus gostos e personalidade. Sempre sou eu que te ligo pra pedir ajuda e você nunca me ligou.

- Apesar de ser amigo do Fabrício, não acho que saiba mais sobre ele do que eu. Diferente de você com a Marcele, onde eu sei mais do que o próprio marido.

- Isso me machucou!

Diz rindo.

- Desculpa, mas é verdade!

- Eu sei!

Ergue as mãos se rendendo.

- Mas eu conheço o Fabrício, a minha mulher e não conheço você. Está sempre calada, sorriso tímido e nunca sei o que pensa.

- Meus pensamentos só cabem a mim.

Dou de ombros, pois não seria nada legal dizer que meus pensamentos são todos com ele.

- Seria justo que eu conheça melhor a amiga da minha mulher e esposa do meu amigo.

- Acho melhor não.

Volto a olhar para as coisas.

- Estou tentando te roubar como minha aliada nas brigas da família, mas pelo jeito, não me quer como amigo.

- Quero!

Respondo rápido e viro pra ele.

- Só não sou boa como fazer amigos.

Dou de ombros e ele estica a mão pra mim.

- Amigos?

Pego sua mão.

- Amigos!

- Agora para de se esconder de mim. Me mostre a verdadeira Luísa.

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