
PROIBIDO TE AMAR
Capítulo 2
NARRAÇÃO LUÍSA
Termino de colocar a mesa para o café e não consigo pensar em nada a não ser nas palavras do Fabrício ontem. Um filho! Ele quer um filho comigo e eu achando que nosso casamento havia acabado. Ele ainda me ama, mesmo tão distante. Sento em uma das cadeiras e encho minha xícara com café. Encaro o líquido escuro e tento de alguma forma entender o que sinto. A única coisa que sinto é que eu desejaria que fosse outra pessoa aos meus pés, dizendo que me ama e que quer um filho comigo. Não teria pensado duas vezes ao dizer sim, se fosse Danilo ali.
- Bom dia!
Fabrício aparece todo amassado na cozinha e vem até mim. Beija minha cabeça de forma demorada como faz todos os dias e senta ao meu lado. Bem! Aparentemente ele não se lembra sobre ontem à noite.
- Minha cabeça parece que vai explodir.
- Deixei perto da sua xícara um remédio pra dor de cabeça e outro pra ressaca.
- É por isso que te amo!
Se aproxima e cheira meu pescoço, deixando um beijo antes de se afastar.
- Me lembre de nunca mais sair com o pessoal do trabalho.
- Foi divertido pelo menos?
- Sim! Mas a dor de cabeça de agora não compensa.
- Deveria ter bebido menos. O problema não foi sair com seus amigos. A merda é que bebeu mais do que devia.
- Precisava beber.
Estamos nos olhando e ele suspira.
- Não estava bêbado o suficiente para esquecer o que te disse ontem à noite.
Ergue a mão e toca meu rosto, acariciando minha bochecha.
- Eu te amo!
- O que aconteceu ontem para descobrir agora que ainda me ama?
- Nada! Nunca deixei de te amar. Você que se afastou e me esqueceu. Não sei o que fiz de errado, mas faz tempo que você não me olha mais do mesmo jeito e não sorri para mim, feliz por estar ao meu lado.
Aproxima o rosto e cola sua testa na minha, fechando os olhos.
- Não sei o que fiz de errado, mas estou disposto a mudar se for eu o problema. Não quero te perder.
A vontade de chorar cresce em meu peito, mas me mantenho firme. Não foi ele que mudou, fui eu. Na verdade meu coração mudou e não pertence mais a ele.
- Quero reconquistá-la!
Abre os olhos e tem um lindo sorriso. Fabrício nunca foi um péssimo marido. Nós nunca tivemos discussões intensas, nunca brigamos por coisas banais. Sempre tivemos um casamento calmo e isso pode ter sido nosso erro.
- Quero um filho com você!
- Filhos não arrumam casamento.
- Eu sei!
Diz me dando um beijo delicado nos lábios.
- Mas quando voltar a me amar, vamos ter um bebê?
- Fabrício...
Me cala com seu dedo.
- Só estou te pedindo uma chance de não te perder.
Meu celular começa a tocar e imagino que seja José, nosso mestre de obras. Marquei com ele de ver uma obra finalizada, antes de começar a minha parte de fato no projeto.
- Preciso atender!
- Tudo bem!
Levanto e vou até meu celular sobre o balcão. O nome do José pisca na tela.
- Oi!
- Luísa, vou me atrasar um pouco!
- Não tem problema.
- Tive um imprevisto com o carro, mas já resolvi. A merda é que atrasarei um pouco.
- Estarei te esperando.
- Valeu!
- Tchau!
Desligo e percebo que Fabrício me observa. Tenho mais tempo com ele, mas não quero ficar aqui e ouvir dizer que me quer. Que resposta posso dar? Amo seu cunhado e não existe chance no momento de deixar de amá-lo. Talvez deva dar uma chance para esse casamento.
- Preciso ir! Já estão me esperando.
- Tudo bem! Conversamos mais no jantar.
Vou até ele e quando me curvo para apenas um beijo breve, ele segura meu rosto e me beija de verdade. Seus lábios estão intensos, mas não sinto nada. Tento devolver o beijo, mas sei que não consigo muito. Me afasta e olha fundo em meus olhos.
- Vou te reconquistar!
Me beija de novo, mas agora é mais rápido.
- Agora vai!
Saio da cozinha rumo ao nosso quarto me trocar.
************
Termino de olhar alguns projetos e meu estômago ronca. Já são quase quatro horas da tarde e ainda não almocei.
- Luísa!
Marcele surge na porta da minha sala.
- Oi!
Ela vem toda sorridente na minha direção e senta a bunda nos meus projetos.
- Vai estragar minhas coisas. Senta na cadeira ou no sofá.
- Chata!
Resmunga e sai da mesa, indo para o sofá. Se joga nele, ficando deitada e parece radiante.
- O que veio fazer aqui?
- Nada! Apenas terminei minhas coisas e decidi andar por ai.
- Vai pra casa, já que terminou tudo.
- Danilo vem me buscar, estou sem carro.
- O que houve com seu carro?
Abre um enorme sorriso.
- Quer mesmo saber?
- Não!
Respondo rápido e encaro o papel em minha mão. Não quero saber o que ela fez com o Danilo. É tortura demais.
- Danilo me pediu para ver com você quando será a visita em nossa casa.
- Estou livre hoje.
- Depois das 19h?
- Por mim tudo bem!
- Vou mandar mensagem pra ele. Quer ir no nosso carro e depois te deixamos aqui?
- Não! Vou com meu carro e de lá vou pra casa.
- Você quem sabe!
Pega o celular e começa a digitar. Para e espera uma resposta, acho. Seu celular apita e pelo seu sorriso, é a resposta dele. Eles são felizes. Muito felizes eu diria. Deus! Como eu posso desejar infelicidade no casamento da minha melhor amiga? Como posso amar o marido dela? A culpa é da Marcele que me fez sonhar com o Danilo em cada coisa que me contou dele nesses últimos tempos. Ele é gentil, amável, carinhoso, bom de cama e lindo. Incrivelmente lindo!
- Ele disse que tudo bem!
- Certo! Agora vai embora e me deixa terminar o trabalho.
- Te amo!
Grita ao se levantar.
- Também te amo!
***********
Paro o carro em uma das vagas na garagem coberta. Parece que Marcele e Danilo ainda não chegaram. A secretária da Marcele me disse que ela saiu cedo do escritório, mas não com o Danilo. Pego minha pasta e saio do carro. A garagem é uma das coisas que não preciso fazer nada. Diferente da casa principal e da estufa em frente ao lago. Entro na casa e decido arrumar tudo para esperá-los. No meio da vasta sala vazia tem uma mesa. Acomodo os projetos de cada parte da casa sobre a mesa. Prendo meu cabelo em um coque e vejo se está faltando algo. Procuro pelo meu estojo, caso eles queiram fazer alguma alteração e eu precise mudar. Ele não está na pasta e espero não ter esquecido na minha sala. Preciso ver se caiu no meu carro.
- Luísa!
Sua voz faz meu corpo todo arrepiar e minha mente perder o rumo. Ergo minha cabeça e ele está na porta, encostado nela com um sorriso lindo. Está sorrindo de mim e não para mim. Olho em volta e não vejo Marcele.
- Marcele?
É a única coisa que sai da minha boca e mesmo assim as palavras saem tremulas, como se eu fosse uma idiota apaixonada, com vergonha. De certa forma sou!
- Ela se rendeu as compras com a mãe dela e esqueceu da gente. Disse para me mostrar o que fez e que confia em você.
- Típico da Marcele se perder em compras.
Comento irônica e ele ri. O som mais lindo que já ouvi.
- O que tem pra mim?
Pergunta se aproximando e quero responder todo meu amor, mas decido apenas sorrir e aponto para os papéis. Danilo para ao meu lado, ficando próximo. Muito próximo eu diria e está focado nos papéis. Enquanto eu estou focada em seu cheiro delicioso.
- Aqui é a cozinha?
Pergunta se inclinando para mostrar o que viu e seu corpo toca o meu, me causando um arrepio na coluna. Fecho meus olhos e tento não suspirar.
- Sim!
Respondo suavemente e abro meus olhos. Um par de olhos cor de amendôas me encaram.
- Você está bem? Parece estranha.
- Estou bem! Só um dia cansativo.
- Entendo!
Sua mão toca meu braço e acaricia suavemente.
- Devia tirar umas férias da Marcele.
Comenta com humor e nós dois rimos.
- Tentadora essa idéia.
- Sabe o que acabo de perceber?
Pergunta e nego com a cabeça.
- Nunca ficamos sozinho assim, sempre estamos com nossos pares.
- Deve ser porque só nos conhecemos por causa deles, é nosso elo de ligação.
Cruza os braços e faz um lindo olhar pensativo. Algumas rugas se formam no meio de sua testa e quero beijá-las.
- Percebi que não conheço nada sobre você. Marcele é sua melhor amiga, mas não me conta nada sobre seus gostos e personalidade. Sempre sou eu que te ligo pra pedir ajuda e você nunca me ligou.
- Apesar de ser amigo do Fabrício, não acho que saiba mais sobre ele do que eu. Diferente de você com a Marcele, onde eu sei mais do que o próprio marido.
- Isso me machucou!
Diz rindo.
- Desculpa, mas é verdade!
- Eu sei!
Ergue as mãos se rendendo.
- Mas eu conheço o Fabrício, a minha mulher e não conheço você. Está sempre calada, sorriso tímido e nunca sei o que pensa.
- Meus pensamentos só cabem a mim.
Dou de ombros, pois não seria nada legal dizer que meus pensamentos são todos com ele.
- Seria justo que eu conheça melhor a amiga da minha mulher e esposa do meu amigo.
- Acho melhor não.
Volto a olhar para as coisas.
- Estou tentando te roubar como minha aliada nas brigas da família, mas pelo jeito, não me quer como amigo.
- Quero!
Respondo rápido e viro pra ele.
- Só não sou boa como fazer amigos.
Dou de ombros e ele estica a mão pra mim.
- Amigos?
Pego sua mão.
- Amigos!
- Agora para de se esconder de mim. Me mostre a verdadeira Luísa.
Você pode gostar





