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Capa do romance Proibida

Proibida

Em Nova York, 1990, Neil tenta evitar a crueldade do impulsivo Nathan, mas um conflito por um brinquedo termina em tragédia. Após Nathan afogar o filhote de Neil na piscina, o jovem manipulador inverte a culpa, convencendo Lilian de sua inocência. Diante da injustiça e do favoritismo da mãe, que pune o filho errado, Neil rompe os laços afetivos. Esse trauma marca o início de uma mágoa profunda e de uma rivalidade familiar que mudará para sempre o destino dos dois irmãos.
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Capítulo 2

Meus pais estão mortos! — ela diz como se estivesse sentindo dor. Em seguida, começa a chorar copiosamente como se só agora percebesse o perigo que havia corrido. Eu a abraço apertado, enquanto ela chora em meus braços. Sinto um nó na garganta. — Tudo bem — sussurro acariciando os seus cabelos, tentando confortá- la. – Tudo bem. Alguns minutos depois, ela vai se acalmando e seu choro viram suspiros sentidos. Ergo lhe o rosto com o dedo, fascinado por aqueles olhos, que banhados de lágrimas ficam ainda mais hipnotizantes. — Você tem certeza de que não quer mesmo dar queixa à polícia? — digo docemente. — Aquele homem solto é um perigo para outras mulheres inocentes como você. — Por favor, não... — ela suplica. Enrugo a testa. Por que ela insiste em não prestar queixa? Deve algo às autoridades? Rio internamente do absurdo daquele pensamento. Claro que não! O que uma jovem frágil e indefesa como ela poderia fazer contra a lei? Mas há algo ali. Será que aquele homem é alguém conhecido? Um amigo ou namorado? O simples pensamento incomoda-me muitíssimo. — Tudo bem. Mas vou levá-la para casa então, não posso deixá-la sozinha com esse homem à solta — digo firmemente. — Não aceitarei recusa de sua parte. – Não é preciso. Leve-me ao ponto de ônibus aqui perto — ela pede. – Não! — eu urro. — Ou me deixa levá-la até sua casa ou iremos à delegacia. Mas não a deixarei sozinha no ponto de ônibus — digo incisivamente. — E eu não vou entrar no carro de um estranho! — ela rebate esfregando as mãos. — Façamos o seguinte... — suspiro tentando controlar a ira que começa a me dominar. — Eu chamo um táxi para levá-la, tudo bem? — digo em um sussurro. Ela parece refletir por alguns instantes. — Tudo bem, pode chamar o táxi — ela consente. — Venha — digo guiando-a pelo ombro. — Espere um momento. Após esperarmos um carro passar, atravessamos a rua. Faço sinal para um táxi que passa alguns minutos depois e enquanto converso com o motorista, vejo-o observá-la e fico incomodado novamente. Ela está ereta e rígida como uma rainha e é linda, não há como negar isso. Alguns fios de cabelo caem sobre o seu rosto dando-lhe um toque angelical. Só agora noto que o cabelo dela é longo, caindo abaixo da cintura de forma sensual. Nunca tive fetiche por cabelos, mas aqueles mexem e muito com a minha libido. Posso facilmente imaginá-la deitada nua em lençóis negros de seda e com aqueles cabelos ruivos espalhados, chamando por meu toque. Balanço a cabeça para afastar tal pensamento inoportuno. Após combinar com o motorista, retorno até ela, que segura à bengala com tamanha força, que as juntas de seus dedos estão brancas, desmentindo sua altivez anterior. — Venha — seguro sua mão gelada. — O táxi já está aqui. Tem certeza que não quer prestar queixa ou que eu a deixe em casa? — pergunto esperançoso. Ela volta a ficar pálida. Há alguma coisa ali? Seria o homem um namorado? Outra vez o pensamento me incomoda. — Não! — ela se apressa. — Acho que ainda não agradeci — ela sorri tristemente. — Obrigada. — Cuide-se! O táxi já está pago — Acaricio sua bochecha com um toque leve como uma pluma, mas que a faz estremecer e dar um passo para trás com a respiração ofegante. Medo ou prazer? A pergunta martela em minha mente. Pelo seu rosto corado acredito que seja a segunda opção e isso me deixa fodidamente excitado. Inferno! O que estou fazendo? Afasto qualquer pensamento indecoroso e ajudo-a entrar no carro. Observo-a conversar com o motorista, possivelmente passando o endereço. Ouço alguma coisa sobre Edifício Boulevard no Bronx e então o taxista começa a dirigir. Olho para o táxi por alguns instantes e sigo apressadamente para meu carro, que por incrível que pareça, ainda está intacto, estacionado no mesmo lugar, apesar do perigoso bairro. O carro por si só indica perigo. Nenhum delinquente ousaria mexer ou furtar um Jaguar XF prata, uma indicação claramente que seu dono só não é alguém que você gostaria de enfurecer. Enquanto dirijo, penso na jovem intrigante. Nem sequer perguntei seu nome. Penso com amargura que deveria ter insistido mais sobre o homem. Será que ela realmente o conhece? E se conhece que tipo de relação teria com ele? Não muito boa, na certa, pois ele a agrediu e a roubou. E ainda por cima seus pais estão mortos! Com quem será que ela vive? Quem cuida dela? Por que ela estava sozinha em um lugar como aquele? Eu quero ter tudo e todos em volta de mim sobre controle e todas essas incógnitas em volta dessa jovem estão me deixando louco! Tenho que vê-la novamente, mas como? Pelo menos ouvi vagamente sobre o edifício que ela mora. Sim! Vou pedir ao Peter que investigue e descubra ainda hoje seu endereço. Carregaria outra enorme culpa dentro de mim se algo acontecesse a ela. Apesar de ter dado dinheiro suficiente ao taxista, mas ainda assim... Droga! Não deveria tê-la deixado ir sozinha de táxi. Agora não ficarei tranquilo enquanto não souber se ela está bem, em segurança, em casa. Decido ligar para Peter imediatamente. — Peter, sou eu, Neil — cumprimento-o meio angustiado após ser atendido no segundo toque. — Olá, Neil! Está tudo bem? Você me parece apreensivo — ele pergunta preocupado. — Sim, está tudo bem. Quer dizer, bem, mais ou menos. Acabo de ajudar uma moça que estava sendo assaltada e deixei-a em um táxi para levá-la em casa. Insisti para fazer isso, mas ela não quis arriscar sair com um estranho. No entanto, agora estou preocupado por saber se ela chegou até sua casa em segurança. Você pode verificar isso? Ouvi-a dizer ao taxista que morava no Edifício Boulevard, mas não ouvi o nome da rua. Encontrei-a no Bronx, ela deve morar por perto. – digo em um só fôlego.

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