
Proibida
Capítulo 3
Bronx? Assalto? Neil eu estou ficando preocupado. O que ainda está fazendo aí? — ele pergunta ansioso. — Eu estava esperando o maldito homem por mais de uma hora. Peter tem certeza de que era mesmo aqui? — Foi o que ele me disse — ele parece frustrado. — Eu deveria ter ido com você. — Bom, de qualquer maneira, não estou mais no Bronx e não tenho como explicar agora. Por favor, faça o que estou lhe pedindo e me retorne o quanto antes. Estarei em casa aguardando notícias suas— digo encerrando o interrogatório. — Ok. Vou ver o que posso fazer — ele diz e eu desligo. Capítulo Dois Chego a minha casa e me encaminho para verificar Anne. Ela dorme tranquilamente. Beijo-a na testa. Sigo para o banheiro e tiro minhas roupas. Preciso de um banho. Ligo o chuveiro e mal ele esquenta estou embaixo dele. Ponho minhas mãos na parede e deixo a água cair forte nas minhas costas. Ainda perdido em saber o que me atraiu tanto naquela bela jovem. Conheço e conheci mulheres muito bonitas, minha esposa é uma delas, mas nunca me senti tão perdido. Como nenhuma outra mulher me fez ficar. Mas eu não sou digno dela e mesmo que eu fosse não devo. Tenho complicações e cicatrizes demais, quem vêm acompanhadas de muita obscuridade, muitos erros, muitos arrependimentos. Qualquer pessoa que se aproxime de mim, com certeza sai ferida. E aquela jovem parece ter problema suficiente para si mesma. Possuir uma cegueira é fácil se comparada à escuridão em minha alma e as complicações que meu mundo traz. Comigo nunca haverá luz. Não há dias de sol, ele nunca brilhará. Desligo o chuveiro após ensaboar-me e lavar os cabelos. Pego uma toalha quente no toalheiro, passo sobre meu corpo rapidamente, envolvendo-a em minha cintura e sigo para o quarto. Confiro meu relógio e já se passou uma hora desde que falei com Peter. Verifico o celular, nenhuma ligação. Vou para a sala e decido me servir de uma dose de uísque enquanto espero por notícias. Ainda posso sentir aquele perfume. E aqueles olhos... Nunca mais os esquecerei. Ando de um lado pro outro na grande sala e o tempo parece não passar. Nenhuma notícia ainda. Sirvo-me de mais uma dose. Tomo quase que em um único gole e começo a ficar ansioso. Quanto tempo já se passou? Nenhuma notícia ainda. Será que ela chegou bem? Deveria ter ficado no Bronx e aguardado notícias de Peter. Inferno! Estaria mais perto e agora estou em casa, longe e sem notícias! Nunca me perdoarei se algo acontecer à ela. Deveria tê-la levado ao meu flat. Que estúpido que eu sou! Agora estou agoniado e de mãos atadas. Maldito Peter que não liga! Decido ligar para ele e exigir alguma notícia. Quando chego ao quarto para pegar o celular, ele toca. Atendo aliviado. — Peter! Você conseguiu o que eu te pedi? — pergunto apressado. — Hei cara! Calma aí! Por que essa agonia? — ele diz zombeteiro. — Peter, você conseguiu o que eu pedi ou não? Não brinque comigo — falo furiosamente. Estou mais preocupado do que achei que estivesse. — Sim, sim. Consegui — ele responde calmamente. — Então me passe o endereço, droga! — digo ríspido. —Um minuto, vou pegar uma caneta. Eu pego a caneta e um pedaço de papel. — Pronto, pode falar. Ele me passa o endereço, eu agradeço e desligo. Sigo para meu closet e rapidamente visto uma cueca boxer, uma calça jeans preta, uma camiseta também preta e um casaco cinza por cima. Desço as escadas rapidamente e chamo Calvin pelo interfone. — Sr. Durant. Algum problema? — ouço sua voz sonolenta pelo interfone. — Não, mas preciso que você me leve a um lugar agora. — Prontamente, senhor. Aguardo-o no carro. Pego minha carteira e sigo para a garagem. Calvin me aguarda do lado de fora do carro com a porta aberta. Entro no carro calado. Ele dá a volta e senta-se à direção. — Algum lugar em especial, senhor? — ele pergunta dando ré no carro. Passo o endereço que anotei no papel para ele. — Vá o mais rápido que puder — eu digo. Ele olha o endereço assentindo e pisa no acelerador. Já se passou meia hora quando Calvin finalmente estaciona em frente a um prédio velho, com a tintura desbotada e pedaços da mesma já caíram há muito tempo. — Você tem certeza de que é aqui, Calvin? — pergunto ao meu segurança e motorista. — Sim, senhor — ele assente. — Eu cresci nessa região, conheço o Bronx como a palma de minha mão. Olho mais uma vez para o prédio a minha frente e me pergunto se devo verificar ou não se a garota está bem. Ela disse que os pais morreram, mas deve existir alguém para cuidar dela. Tem que haver, ela não pode morar sozinha ali. — Inferno! — rujo completamente alheio ao Calvin que está ao meu lado de olhos arregalados. Não conseguirei voltar para casa sem saber ter alguma resposta como: O que os responsáveis por ela, se é que há algum, pensam morando em um lugar totalmente inseguro como este? Como podem deixa-la à mercê de todos os tipos de perigo? Conheço lugares como esse o suficiente para saber que é o lugar ideal para vagabundos, drogados e prostitutas. Olho o prédio mais uma vez, vejo que o portão está aberto, outra indicação que o lugar realmente não é seguro. Possui quatro andares. Por um lado é bom, porque é pequeno. Por outro lado, vou ter relativo trabalho para encontrar seu apartamento. Terei que bater de porta em porta, fazendo papel de idiota, para perguntar se alguém a conhece e já passa da meia noite. Certamente uma garota como ela não passa despercebida.
— Calvin — ele me observa impassível. — Vou me encontrar com uma pessoa aqui. Vá para um lugar mais seguro e aguarde meu telefonema, não vou demorar. Ele assente e eu desço do carro. Entro no prédio e subo para o primeiro andar. Bato na primeira porta com certo nervosismo, não apenas pela hora, mas por não saber o quê ou quem vou encontrar. Devo estar ficando completamente maluco! Sair de porta em porta atrás de uma garota é no mínimo estupidez. Penso em desistir e então a porta se abre. Uma loira, seminua, vestida em uma minúscula camisola e descabelada me olha de cima abaixo com interesse. — Entre, são sessenta dólares — ela fala meio grogue e segue para um sofá velho e encardido. Ela dá uma longa tragada em seu cigarro, olha pra mim novamente e diz. — Bem, pra você... — ela olha em direção a minha calça e dá um sorriso cínico. — Não cobraria nada. — Desculpe-me pela hora, senhora — digo olhando dentro do minúsculo apartamento, vejo que há duas portas à esquerda e me imagino se não vai sair dali um marido ciumento ou um cafetão. — Fico lisonjeado, mas não vim aqui para isso.
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