
Prisioneira do CEO
Capítulo 2
Isabella
Acho que meus argumentos não a convenceriam.
Me despeço, e sigo com Tomas para o ponto de ônibus.
Não iria me dar o luxo de descansar todo o final de semana, usaria um pouco do tempo livre para ficar com Tomas , organizar o caos que estava minha casa e a noite tentaria conseguir com Eden algo para noite.
Eden e Silvie são minhas melhores amigas, somos um trio desde o colégio. As duas são irmãs com um ano de diferença, moramos no mesmo bairro desde que nascemos. A família de delas trabalha com buffet de eventos, e já trabalhei com eles algumas vezes.
E tentaria conseguir algo para o final de semana, pois a nossa vizinha poderia ficar de olho em Tomas enquanto eu trabalho.
Precisava juntar dinheiro para que Tomas continuasse acompanhamento psicológico.
O ônibus não demora em passar. Tomas está entretido com fones de ouvido vendo um vídeo sobre buracos negros no meu celular.
Escoro a cabeça na janela do ônibus, olhando a cidade iluminada, pingos de chuva começam a se chocar contra o vidro. Mordo o lábio e procuro pelo guarda-chuva na bolsa, bufo ao ver que não havia trazido. Me restava agora torcer para que não estivesse mais chovendo quando chegássemos ao nosso destino.
***
— Acorda Bella — A voz de Tomas me faz despertar.
Acabei adormecendo durante o percurso.
Meu irmãozinho está com os olhinhos assustados e percebo que estamos no meu bairro. Por pouco não passa do lugar que desceríamos.
Meu corpo necessitava de algumas horas de sono para voltar a funcionar.
— Você está com sono Bella? — Tomas pergunta balançando as nossas mãos enquanto caminhamos lado a lado.
— Só um pouquinho — respondo juntando o indicador ao polegar.
Era um quilômetro do ponto de ônibus até a nossa casa. Meus pés estavam me matando e eu só queria um banho. Pelo menos a chuva tinha passado.
— Quando eu crescer eu vou trabalhar e você não vai precisar ficar tão cansada — diz, me fazendo parar.
Tomas é uma criança mais que especial, ele é único.
Fico em sua frente e me abaixo até estar com os olhos rente aos dele.
— Você não tem que pensar nisso ok? — ele é pequeno demais para querer algo assim.
Se depender de mim, ele terá um futuro lindo, jamais vai precisar desistir dos seus sonhos porque eu vou me esforçar que eles possam ser realizados.
— Sardinhas! — Ele fala empolgado, apontando com o indicador.
Me levanto e me viro, vendo Eden vindo em nossa direção.
Tomas a chama de sardinhas e Silvie de irmã da Sardinhas, Eden é ruiva e tem o rosto coberto por sardas, a primeira vez que ele a chamou pelo apelido eu quase morri de vergonha, mas minha amiga achou fofo, e desde então ela é a Sardinhas.
— Toca aqui cara! — estendeu a mão para Tomas dar um tapinha — O que você fez com o seu celular garota? — me pergunta.
— Está na aqui — Tomas me estende o celular.
— Você não respondeu nenhuma mensagem, eu e Silvie ficamos preocupadas — diz seria.
— Meu celular ficou o dia todo com Tomas . E ele não disse nada sobre você ter me mandado mensagens — digo, abrindo o WhatsApp.
— Mas você disse que não posso ver suas mensagens — ele levanta as mãos e dá de ombros.
Eden dá uma risadinha.
Vejo que ela havia me mandado algumas mensagens falando de um cara que ela queria me apresentar. Ainda bem que não vi as mensagens, estou fugindo de qualquer coisa que envolva troca de saliva.
— Estava me esperando chegar? — pergunto. Já que a encontramos assim que descemos do ônibus.
— Só assim para eu falar com você, não é?
— Onde está Silvie? — pergunto, voltando a caminhar — Vamos Tomas .
— Foi jantar na casa da namorada — revira os olhos — E eu estava te esperando porque estou determinada a te ajudar a tirar essa teia de aranha da boca.
— Eden! — a repreendo acenando com a cabeça para Tomas .
— Você tem teia de aranha na boca Eden? Isso não é normal!
— Está vendo? E só uma brincadeira querido — torço o nariz fazendo um careta.
Eden resolveu mudar de assunto e falar sobre seus planos de fazer um intercâmbio para o Brasil até chegarmos em casa. Eden estava terminando a faculdade de gastronomia, e seu maior sonho era conhecer a culinária de cada parte do mundo, enquanto Silvie terminava relações internacionais.
Era bom vê-las realizadas e felizes.
Eu sempre soube que seria impossível eu fazer uma faculdade, não teria tempo ou dinheiro. Mas no fundo, bem fundo mesmo, ainda existe o desejo de estudar artes visuais.
Assim que chego próximo a minha casa peço para Tomas entrar, para conversar com Eden por alguns minutos.
— Já te disse para prestar atenção no que fala na frente do Tomas — cruzo os braços.
— Desculpa amiga, e que eu estou empenhada...
— Nem comece com esse assunto. Eu não quero conhecer ninguém — afirmo.
Ela revira os olhos.
— Meu Deus Isabella! Dar uns beijinhos não arrancar pedaço não. Você acha que algum dos personagens do seu livro vau aparecer montado em um cavalo branco? — bate o indicador na minha fronte — Acorde!
Bufo.
— Eu não sou tão ingênua assim — ela dá um sorriso — Mas não quero sair me agarrando com qualquer um. Eu ainda vou conhecer alguém especial e vou me apaixonar.
Pode parecer antiquado e bobo, mas eu sou do tipo romântica, que sonha com um relacionamento Clichê em que a garota conhece o gentil e bondoso príncipe encantado, eles se apaixonam e vivem felizes para sempre. E tinha esperança de que esse príncipe fosse parecido com o Henry Cavill, não faz mal sonhar.
É uma ideia um tanto idiota? É.
Mas eu não quero ficar com vários caras e me sentir mal por isso.
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