
Prisão do Amor, Afogado em Falsidade
Capítulo 2
Alana Bastos POV:
A cerimônia estava a todo vapor, a voz do padre um zumbido contra o suave bater das ondas. Arthur estava no altar, uma figura impecável em seu smoking, Evelyn uma visão de branco ao seu lado. Ela era perturbadoramente parecida comigo, uma paródia grotesca do que um dia fomos. Minha respiração falhou. Este era o meu limite. Eu não podia deixar isso acontecer em silêncio.
— Arthur! — Minha voz, crua e rouca, rasgou o ar solene.
A cabeça dele se virou bruscamente, seus olhos arregalados de choque. Seu olhar encontrou o meu e, por um segundo fugaz, vi o pânico piscar em suas profundezas. Os convidados se agitaram, murmurando como uma colmeia perturbada.
— Quem é ela, Arthur? — exigi, minha voz tremendo com uma fúria que eu não sabia que ainda possuía.
Ele deu um passo em minha direção, a mão estendida.
— Alana, eu posso explicar...
— Não! — eu o cortei, minha voz afiada. — Não se atreva.
Evelyn, sempre a atriz, deu um passo à frente. Sua mão foi para o estômago, uma imagem de inocência frágil.
— Oh, Alana, querida. Por favor, não culpe o Arthur. A culpa é toda minha. Eu... eu engravidei. Eu o forcei a se casar comigo. — Sua voz era suave, tingida com uma vulnerabilidade ensaiada.
Uma risada amarga me escapou.
— Grávida? — zombei, meus olhos percorrendo-a. — Você acha que eu acredito nisso?
Ela sorriu então, um gesto sacarino que revirou meu estômago.
— Sabe de uma coisa? Você está certa. Eu vou embora. Você pode ficar com ele. Pode ficar com o casamento! — Ela começou a desabotoar o vestido, um gesto teatral projetado para chamar a atenção, para cimentar seu status de vítima.
Arthur a impediu, sua mão agarrando o braço dela. Seus olhos piscaram para mim, uma mistura complexa de culpa e algo que eu não conseguia decifrar.
— Alana — ele disse, sua voz baixa —, o posto de Sra. Montenegro ainda é seu. Sempre foi.
Eu ri, um som engasgado e choroso que ecoou o vazio em meu peito. Ele estava me oferecendo migalhas, um prêmio de consolação depois de cinco anos de inferno.
— Não — sussurrei, a palavra uma promessa dura como aço. — Eu não preciso disso. Não mais.
Virei-me para sair. Eu já tinha visto o suficiente. Ouvido o suficiente. Feito o suficiente. Mas Evelyn não tinha terminado. Sua mão disparou, suas unhas cravando em meu braço, uma pontada aguda de dor.
— Alana, por favor! — ela gritou, sua voz escalando, atraindo mais olhares. — Não vá! Não estrague tudo!
Então, em um movimento tão rápido e ensaiado que me gelou até os ossos, ela fingiu um tropeço. Seu corpo se desequilibrou, me arrastando com ela. Caímos no oceano gelado, o choque da água fria roubando meu fôlego. Eu me debati, engasgando, o pânico se instalando rapidamente.
Através da água turva, eu vi Arthur. Ele estava mergulhando. Meu coração deu um salto. Ele estava vindo me buscar. Estendi a mão, um movimento desesperado e instintivo. Mas ele passou nadando por mim, seus olhos fixos em Evelyn, aninhando-a em seu peito. Ele sussurrava palavras calmantes, acariciando seus cabelos. Ele nem sequer olhou na minha direção.
Meus pulmões queimavam. O frio se infiltrava em meus ossos. Suas promessas, seus votos, nosso futuro. Tudo era uma mentira. Ele era um mentiroso. E eu estava me afogando. Fechei os olhos, a luta se esvaindo de mim. Era isso. O fim.
Senti náuseas, enojada com a hipocrisia de Arthur.
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