
Prisão do Amor, Afogado em Falsidade
Capítulo 3
Alana Bastos POV:
Acordei com um suspiro, o gosto de sal ainda na minha boca. Meus olhos se abriram para um teto familiar, um quarto familiar. O quarto de Arthur. As cortinas, os móveis, o cheiro de madeira cara e um leve perfume de colônia – tudo estava exatamente como eu me lembrava. Por um momento, um momento fugaz e traiçoeiro, quase acreditei que os últimos cinco anos foram um pesadelo.
A porta rangeu ao se abrir, me puxando de volta para a realidade brutal. Arthur estava lá, seus olhos se desviando dos meus no momento em que se encontraram. Um lampejo de algo – culpa? vergonha? – cruzou seu rosto, mas foi rapidamente mascarado.
— Evelyn... ela teve algumas complicações — disse Arthur, sua voz plana, desprovida de emoção. — Ela precisa descansar. Você vai levar um pouco de mingau para ela. — Não era um pedido. Era uma ordem.
Meu sangue gelou. Ele queria que eu a servisse? A mulher que roubou minha vida, que acabou de tentar me afogar? A humilhação era uma ferida aberta. Eu queria gritar, quebrar alguma coisa. O que ele estava fazendo? Era algum tipo de punição distorcida?
— Seu temperamento — continuou Arthur, sua voz endurecendo —, sempre te mete em confusão. Você não deveria ter aparecido.
Suas palavras foram um soco no estômago. Ele costumava dizer que minha teimosia era o que ele amava em mim, que isso me tornava forte. Agora era uma falha. Uma razão para sua crueldade. Senti um calafrio percorrer meu corpo, entorpecendo meus membros. Não adiantava discutir. Não havia mais força para lutar.
Levantei-me lentamente, meu corpo doendo, e peguei a bandeja. O mingau fumegava, inocente e sem graça. Caminhei em direção ao quarto de hóspedes que Arthur havia preparado para Evelyn.
A porta estava entreaberta. Evelyn estava recostada em travesseiros de seda, uma imagem de sofrimento delicado. Ela olhou para cima quando entrei, um sorriso de escárnio brincando em seus lábios antes de torcê-lo em uma careta de dor.
— Oh, Alana. É tão gentil da sua parte me trazer comida depois de tudo. Meu pobre bebê, foi um susto tão grande. — Sua voz, embora suave, carregava uma sutil nota de triunfo.
Coloquei a bandeja na mesa de cabeceira. Quando estendi a mão para a tigela, a mão de Evelyn disparou. Não foi um acidente. Ela deliberadamente derrubou a tigela, fazendo o mingau escaldante espirrar sobre meu antebraço. Um grito agudo me escapou quando o calor queimou minha pele. Uma mancha vermelha e ardente floresceu instantaneamente.
Evelyn gritou, uma performance teatral.
— Oh, Alana! Como você pôde?! Você tentou me machucar! Meu bebê! — Ela agarrou o estômago, seus olhos arregalados de terror fingido.
Arthur invadiu o quarto, seu rosto contorcido de fúria. Ele correu para o lado de Evelyn, suas mãos verificando-a gentilmente.
— Você está bem, meu amor? O que aconteceu?
— Ela... ela tentou me queimar — soluçou Evelyn, apontando um dedo trêmulo para mim. — Ela está com tanto ciúme, Arthur. Ela quer machucar a mim e ao nosso bebê.
A cabeça dele se virou bruscamente, seus olhos em chamas.
— Alana! — ele rugiu, sua voz carregada de veneno. — Como você pode ser tão cruel? Você é um animal!
Meu rosto estava pálido, meu braço latejando.
— Eu não fiz isso — eu disse, minha voz mal um sussurro. — Ela fez de propósito.
Mas ele não estava ouvindo. Sua raiva eclipsava tudo.
— Saia! — ele gritou, agarrando meu braço, seus dedos cravando em minha pele em carne viva. Ele me empurrou para fora do quarto, batendo a porta com um baque retumbante. — Vá para o meu escritório! Fique lá e pense no que você fez!
O impacto enviou uma nova onda de agonia pelo meu braço. Eu tropecei, a pele se rasgando, uma nova bolha se formando. No escritório, encostei-me na parede fria, minha cabeça girando. Puxei a manga para trás. A queimadura estava feia, já infeccionando. Eu podia ouvir as palavras abafadas de conforto de Arthur para Evelyn do quarto ao lado. Sua voz gentil, acalmando-a, enquanto eu estava sozinha, sangrando.
Um impulso sombrio e desesperado me tomou. Toquei a ferida, pressionando, acolhendo a dor aguda. Era uma distração, um escudo contra as feridas mais profundas e invisíveis. O mundo girou. Minhas pernas cederam. A escuridão me consumiu.
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