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Capa do romance Preso por Atração

Preso por Atração

Marina vê sua tranquilidade à beira-mar ser abalada por Javier, um policial cuja presença desperta uma atração avassaladora. O desejo mútuo logo enfrenta barreiras rígidas: o ciúme de Antonio e a desaprovação de uma família conservadora. Entre segredos do passado e pressões sociais, o casal luta contra tudo o que ameaça separá-los. Será que essa paixão resistirá aos conflitos e tradições, ou o destino provará que esse amor é um erro impossível de ser vivido?
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Capítulo 2

Naquela noite, Marina não conseguiu dormir.

Ele foi para a cama cedo, seu corpo ainda salgado e sua mente em turbulência. Ela fechou os olhos e voltou várias vezes ao momento exato em que ele se sentou ao lado dela. Ao seu lado. Na sua mesa. Como se fosse a coisa mais natural do mundo. Como se o universo tivesse escolhido aquele exato dia, aquela exata hora, para romper com o costume e alterar o roteiro habitual.

Ele se revirou nos lençóis, sentindo como se algo importante tivesse acontecido, como se o dia não tivesse terminado ali, como se sua história tivesse acabado de começar com uma cena inesperada.

Da sua janela, o som do mar continuava como um eco de fundo, como uma presença fiel. As ondas quebravam com a mesma cadência de sempre, mas agora falavam com ele de forma diferente. Eles trouxeram consigo uma imagem, uma voz, um olhar verde que ele não conseguia tirar da cabeça. O vento noturno entrava pela janela entreaberta e acariciava seus tornozelos nus, tão parecido com o vento que havia penetrado pelas dobras úmidas de seu vestido naquela tarde.

Xavier.

Até o nome parecia forte para ele. Concreto. Como ele.

Ele sentou-se na cama e apoiou os pés no chão frio. Ela caminhou descalça até a cozinha e se serviu de um copo de água. Ele segurou-a nas mãos por um longo tempo antes de bebê-la, como se precisasse esfriar por dentro. Eu ainda sentia a presença daquele homem, sua voz profunda e calma, suas mãos grandes e seu jeito de olhar. Uma mistura impossível de firmeza e doçura, autoridade e ternura. Parecia-lhe incrível que um único encontro pudesse deixá-lo com tantas sensações.

Não havia passado nem uma hora quando, ao chegar em casa, ele anotou o número dela na agenda do celular. Ele fez isso sem pensar muito, como se estivesse tentando salvar algo valioso que não queria perder. Ela o registrou sob o nome "Javier Policía" e, ao fazê-lo, sorriu sozinha, um daqueles sorrisos que saem suavemente, sem força, mas com significado.

Eu não sabia se ele esperava que eu lhe escrevesse. Ela nem tinha certeza se eles se encontrariam novamente. Talvez tenha sido apenas uma cena passageira, uma tarde diferente que depois se dissolveria como a espuma do mar. Mas ainda assim, era dele. Já fazia parte da história deles, mesmo que fosse apenas um pequeno capítulo.

Ele voltou para a sala de estar, acendeu uma luminária baixa e sentou-se no sofá, com as pernas cruzadas. Seu cabelo ainda estava molhado, e o vestido que ela usou na praia estava pendurado no encosto de uma cadeira. O cheiro do mar ainda estava presente, impregnado em sua pele, em suas roupas, em todo o apartamento. Mas não era só o mar. Era ele. Era a imagem de seu uniforme, aquele azul que teria parecido intimidante em qualquer outra pessoa, mas que em Javier era misteriosamente sedutor. Como se a autoridade tivesse corpo e alma.

Ele se lembrou do sorriso dela. O tom exato com que ele disse a ela que agora ela tinha "uma linha direta com a lei". Sua resposta foi uma risada leve, mas no fundo ele achava que também tinha uma linha direta para a tentação.

A cena exata em que ele se sentou ao lado dela voltou à sua mente. Aquele momento suspenso quando a rotina foi quebrada. As gotas ainda escorriam pelas costas, o vestido úmido, os cabelos emaranhados pelo vento... e ele, com aquele ar firme, perguntando com toda naturalidade se poderia acompanhá-la. Como se se conhecessem. Como se eu o estivesse procurando entre as mesas.

Ela não pôde deixar de se perguntar se ele já a havia notado antes. Talvez ele a tivesse visto entrar, talvez seu olhar a tivesse seguido até aquela mesa à beira-mar. Mas ele não tinha como saber disso.

Ele pensou em Antonio novamente.

Seu gesto desconfortável quando se aproximava, seu olhar irritado fixo em Javier, seu silêncio denso quando se sentava sem ser convidado. Antonio sempre esteve lá, como uma sombra amigável, mas persistente. E embora nunca tivessem dito nada de concreto um ao outro, Marina sabia que ele nutria sentimentos por ela. Eu vi isso em suas atenções, nos pequenos ciúmes mal disfarçados, na maneira como ele sempre parecia disponível. Mas a verdade é que ela nunca sentiu por Antonio o que aquele desconhecido, Javier, havia despertado nela em uma única conversa.

Não se tratava de comparar. Era sobre sentimento.

E o que eu sentia agora era um formigamento diferente. Uma mistura de surpresa, desejo e uma espécie de intuição profunda que lhe dizia que aquele homem não era apenas mais um. Que sua presença não foi acidental. Que havia algo além da coincidência de datas, além do uniforme ou de seus olhos hipnóticos.

Ele se levantou, foi até o quarto e pegou um pequeno caderno que sempre deixava no criado-mudo. Um daqueles em que ele anotava ideias aleatórias, cenas para histórias ou frases que lhe vinham à mente no meio da noite. Ele abriu numa página em branco e, sem pensar muito, escreveu:

"Há pessoas que vêm como a maré. Não pedem permissão. Não perguntam se você está pronto. Elas simplesmente tocam a costa da sua vida e, quando recuam, nada é o mesmo."

Ele fechou o caderno. Eu ainda conseguia sentir o sal na minha pele, mas não era mais apenas sal marinho.

Ele deitou-se novamente. Desta vez com uma calma morna, com uma espécie de expectativa que não tinha nome. Ainda ela não sabia se o veria novamente, se ele pensava nela da mesma forma, se aquela centelha tinha destino ou se seria apagada pela brisa do dia seguinte. Mas a verdade é que, a partir daquele momento, algo mudou.

E quando ela finalmente adormeceu, ela o fez com uma imagem: dois olhos verdes olhando para ela como se a conhecessem de outra vida.

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