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Capa do romance Preso por Atração

Preso por Atração

Marina vê sua tranquilidade à beira-mar ser abalada por Javier, um policial cuja presença desperta uma atração avassaladora. O desejo mútuo logo enfrenta barreiras rígidas: o ciúme de Antonio e a desaprovação de uma família conservadora. Entre segredos do passado e pressões sociais, o casal luta contra tudo o que ameaça separá-los. Será que essa paixão resistirá aos conflitos e tradições, ou o destino provará que esse amor é um erro impossível de ser vivido?
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Capítulo 3

Javier ficou mais um pouco na viatura, ainda de uniforme, com a camisa desabotoada no pescoço, os botões marcando a tensão no peito. Não era o cansaço que o mantinha ali, mas algo mais difícil de explicar. Ele fechou os olhos por um momento e viu o rosto dela. O rosto dela. A mulher na mesa.

A mulher do mar.

Ele recostou a cabeça no assento e deixou o corpo relaxar, embora sua mente ainda estivesse ativa. Algo nele havia mudado naquela tarde. Ele soube disso assim que se sentou ao lado dela, como se uma parte dele, adormecida há anos, tivesse despertado de repente. A imagem se repetia com clareza: ela, com a pele salgada, os cabelos molhados caindo desgrenhados sobre os ombros, os lábios entreabertos num sorriso nervoso, e aquele vestido leve que ainda retinha o peso da água.

Nunca vi ninguém tão bonito. Não é bonito no sentido comum, é superficial. Era outra coisa. Ele tinha uma presença viva e natural, como se o mar estivesse grudado em seu corpo. Uma mistura de força e suavidade, de confiança e timidez. Uma mulher que parecia não pertencer inteiramente ao mundo cotidiano. Como se tivesse saído diretamente de um poema.

Ele ligou o ar condicionado do carro, mas não baixou as janelas. Lá fora, o mar continuava falando com ele com sua voz de ondas. A poucos metros de distância, eu ainda conseguia ouvir a música suave vinda do restaurante. Eu o conhecia bem. Nos últimos sete meses, desde que foi transferido para a sede da polícia na praia, ele passou por lá muitas vezes. Às vezes apenas para um café rápido, outras vezes para uma refeição no final do turno. Mas ele nunca parou por tempo suficiente. Eu nunca a tinha visto.

Até hoje.

Hoje o lugar era diferente. Hoje não foi uma parada qualquer, mas sim o cenário de algo que eu ainda não conseguia explicar. E tudo começou quando ele a viu sentada sozinha, com a toalha no ombro e as sandálias na mão, olhando o mar com a paz de quem pertence à paisagem. Ele se sentiu atraído sem saber por quê. Talvez fosse o seu jeito de estar ali, de não procurar nada, mas ter tudo. Ela era linda, sim, mas o que o levou a se aproximar dela foi algo mais sutil. Era uma energia, uma força calma e gentil.

E então, sem pensar muito, ele se aproximou.

-Este lugar está ocupado? - ele perguntou com uma voz profunda e suave, cuidadosa com cada palavra.

Ela olhou para cima e foi então que sentiu. Um clique, uma vibração interna, alguma coisa. E quando ele disse que não, que podia sentar-se, ele o fez sem hesitar. Mas ele escolheu sentar-se ao lado dela, não na frente dela. Não por estratégia, mas porque parecia natural. Como se daquele lugar eu pudesse compartilhar melhor a vista, o vento, a conversa.

De perto, ela era ainda mais cativante. Havia gotas de água salgada escorrendo pelo seu pescoço, seu vestido grudado no corpo, seu cabelo despenteado pela brisa do mar. Cheirava a mar, a sol, a algo fresco. E ainda assim, ela não parecia desconfortável. Ela se movia com aquela facilidade que só quem conhece o próprio corpo e a própria beleza tem. Sem esforço, sem artifício.

Eles conversaram mais do que eu esperava. Mais do que falei com qualquer pessoa nas últimas semanas. Ela era inteligente, isso era evidente. Ele tinha um jeito de falar lento e claro, como quem escolhe as palavras sem pressa, mas com precisão. Ela lhe disse que era escritora. Isso o deixou sem palavras por um momento. Nunca conheci nenhum. Exceto uma como esta. Suave e profundo. Feliz e melancólico ao mesmo tempo.

Ele falou com ela também. Sobre seu trabalho, o mar, os longos turnos e o quanto ele gostava de patrulhar perto da costa. Sobre como em algumas manhãs ele gostava de parar o carro da polícia, desligar o motor e ouvir apenas o som das ondas. Sentindo que tudo fazia sentido, pelo menos por alguns minutos.

No meio daquela conversa tranquila, Marina se levantou da mesa e foi até o balcão onde as bebidas eram servidas. Ele deu apenas dois passos, mas naquele curto caminho, Javier sentiu o tempo passar mais devagar. O olhar dele a seguiu, inevitável. Ela seguiu em frente com uma confiança natural, sabendo que estava sendo observada. E então, pouco antes de chegar à pousada, ela virou o corpo levemente, como por acaso, permitindo que ele a visse de perfil, depois quase de frente, como se lhe mostrasse todo o seu corpo por um momento.

Era uma daquelas poses que não são planejadas, mas nascem do instinto. Marina apoiou o cotovelo no balcão, deixando sua silhueta falar sem dizer uma palavra. Javier sentiu o ar ficando mais denso e quente. Não se tratava apenas de desejo. Houve admiração, puro espanto. Como se estivesse pensando em algo que não sabia que precisava até aquele momento.

E então, quando eu senti que o momento era tão perfeito que tinha que acabar logo, ela voltou, sentou-se e pediu o número dele.

Ele fez isso como alguém que joga uma rede macia no mar. Não desajeitadamente, nem de brincadeira. Ele perguntou se ela tinha um número "caso precisasse de alguma informação ou detalhe de segurança". Uma desculpa tão óbvia quanto bonita. E ele deu a ele, é claro. Enquanto ela marcou com o dedo ainda molhado, ele brincou:

-Agora você tem uma linha direta com a lei.

Ela sorriu, e por um momento ele pensou ter visto algo mais naquele sorriso. Algo que ele não disse, mas que pareceu um eco. Como uma cumplicidade que acaba de nascer. Talvez fosse imaginação dele. Ou talvez não.

E então aquele outro homem apareceu.

Javier já tinha notado isso. Desde o momento em que ela entrou, ela o viu no bar, olhando para ela com uma mistura de intensidade e possessividade. O cara não era qualquer um. Ele tinha uma história com ela, ele soube disso imediatamente. E quando ele se aproximou e sentou-se também - mesmo que por pouco tempo - o ar mudou. Ficou mais denso. Mais conteúdo.

Ele se levantou com a intenção de dar espaço a ela, de não criar tensão. Mas também com a esperança de marcar seu lugar, de deixar claro que ele não era apenas mais um estranho. Ele perguntou se poderia comprar o café da manhã para ela. Um convite simples, honesto e sem enfeites. Mas ela disse não. Sua voz era suave, mas firme.

Javier não se incomodou. Ou pelo menos era isso que ele queria acreditar. Ele sabia ler os sinais. E esse não foi um "não" definitivo. Era um "agora não". Era um "este não é o momento".

Ele se despediu com um leve sorriso, um último olhar e foi embora do restaurante.

Agora, em sua patrulha, enquanto o céu ficava azul escuro e o mar respirava ao longe, Javier não pensava em nada além de vê-la novamente. Eu não iria apressá-la. Eu não iria forçar nada. Mas ele tinha certeza de uma coisa: nunca havia conhecido uma mulher assim duas vezes na vida.

E se o destino lhes deu essa coincidência - os mesmos sete meses, o mesmo lugar, o mesmo mar - foi porque algo mais queria nascer.

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