
Presa nas garras do inimigo
Capítulo 3
Pamela apertava o próprio braço, andando de um lado para o outro na sala de reuniões da mansão.
O silêncio ali era desconfortável, pesado, quase sufocante. A madeira escura das paredes parecia observar, julgando-a, como se a casa soubesse de tudo e estivesse pronta para revelar seus segredos mais sombrios.
O som da porta se abrindo quebrou o clima. Pamela se virou rapidamente e encontrou Martins entrando, acompanhado dos dois homens que havia visto mais cedo.
— Senhorita Pamela — anunciou Martins, de maneira formal. — Esses são os homens que seu pai escolheu para sua proteção. — Ele fez um gesto com a mão. — Leonardo e Nicolau.
Leonardo foi o primeiro a se aproximar, mas ela já o conhecia bem. Alto, corpo definido, olhos verde-musgo que pareciam analisar cada movimento dela. Seu rosto era sério, quase frio. Sua expressão transmitia disciplina, controle… e algo mais, algo que Pamela não conseguiu decifrar de imediato.
Nicolau, ao lado, era mais robusto, levemente mais velho, expressão séria, mas sem aquele peso no olhar. Seu jeito parecia mais tranquilo, porém firme.
Leonardo estendeu a mão, rígido.
— Leonardo. A partir de agora, minha vida está comprometida em manter a sua.
O jeito direto dele fez Pamela engolir seco, mas ela estendeu a mão, apertando-a, e percebeu que aquela não era uma mão comum. Era a mão de alguém que já segurou armas, já sobreviveu à guerra... alguém que sabia exatamente o que fazia.
— Pamela — respondeu, firme. — E espero que não precise colocar sua vida em risco.
Ele arqueou levemente uma sobrancelha, como se o comentário fosse ingênuo demais.
— Espero que sim, senhorita. Mas, infelizmente, já estamos nesse jogo.
Nicolau se adiantou, apertou a mão dela com mais gentileza.
— Nicolau. Conte conosco. — Sua voz era grave, mas havia nela uma ponta de humanidade que Leonardo parecia não demonstrar.
Leonardo voltou a falar, direto, eficiente, como um soldado dando instruções.
— Preciso que a senhora entenda que, a partir de agora, sua rotina muda. Sem saídas sem aviso, sem encontros não autorizados, sem lugares públicos sem segurança reforçada.
Pamela cruzou os braços, estreitando os olhos.
— Eu não sou uma prisioneira.
Leonardo a encarou, sério, frio.
— Está mais perto disso do que imagina.
Por alguns segundos, eles ficaram assim. Olhar contra olhar. Desafio contra disciplina. E, no fundo daquela tensão, havia uma centelha estranha... algo que nem ele nem ela estavam prontos para admitir.
— O que quer que eu faça, então? Me tranque num quarto e espere? — rebateu Pamela.
— Quero que esteja viva. — A resposta dele veio seca, direta, sem espaço para contestação. — É isso.
O silêncio se instalou mais uma vez, até que Martins pigarreou.
— Bem... acredito que podemos começar com uma atualização da situação atual.
Leonardo respirou fundo, desviou o olhar dela como se precisasse se recompor, e então voltou ao modo profissional.
— Temos suspeitas de que o atentado contra seu pai não foi uma tentativa isolada. E... também não foi obra de amadores.
Pamela franziu o cenho.
— Então você acha que...
— Acredito que... — Leonardo cruzou os braços, olhando diretamente nos olhos dela. — ...isso é só o começo.
E, naquele exato instante, Pamela entendeu que o homem à sua frente não era apenas um segurança. Era uma barreira viva entre ela e a morte.
Mas o que ela ainda não sabia... era quem acabaria salvando quem nessa história.
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