Capa do romance Presa nas garras do inimigo

Presa nas garras do inimigo

9.1 / 10.0
Pamela Montenegro vê sua vida de elite ruir após segredos sombrios sobre a corrupção e violência de sua família virem à tona. Em meio a perseguições e sequestros, ela precisa encarar perigos externos e traumas internos. Ao seu lado surge Leonardo, um ex-militar marcado por batalhas próprias. Juntos, eles enfrentam um destino caótico onde alianças inesperadas e sacrifícios testam seus limites, provando que o amor é a única arma capaz de trazer redenção.

Presa nas garras do inimigo Capítulo 1

O ronco grave do motor do carro ecoava na noite, ritmando o som ansioso do coração de Pamela enquanto a cidade desfilava lentamente ao seu lado, cada luz, prédio e sombra um convite desconcertante para encarar um passado que ela julgava ter deixado para trás. Algo dentro dela se agitava, uma mistura inquietante de expectativas e medos, à medida que a estrada serpenteava rumo à mansão que ela não via desde tantas luas atrás.

Segurava o celular com unhas brancas, sua única conexão com uma realidade que teimava em se desfazer. As mensagens da assistente do pai brilhavam dolorosamente na tela — lembretes insistentes e urgentes da tragédia que se abatera sobre sua vida. A voz daquela auxiliar, outrora firme e profissional, tremia agora, carregando nas sílabas a sombra do temor.

— Senhorita Pamela, seu pai sofreu um atentado. A senhora precisa voltar imediatamente.

Aquelas palavras ecoavam em seus ouvidos como um martelo que não queria cessar, e a incerteza vinha junto, invadindo seu peito como uma tempestade silenciosa. O que acontecera? Como aquele homem que ela havia conhecido como forte e invulnerável estivera tão vulnerável? Fugir para longe já não parecia uma opção, embora o desejo de escapar daquele mundo sufocante e cruel ardia em cada fibra do seu ser.

Enquanto o carro tomava a última curva, Pamela ficou presa num torvelinho de sentimentos: a nostalgia gostosa das lembranças boas que não sabia se ainda existiam, a angústia daquilo que provavelmente encontraria e a raiva latejante de ter sido afastada de tudo por tanto tempo.

O peito apertava tanto que parecia querer implodir; nessa junção de emoções conflitantes, o passado, presente e futuro se misturavam como chamas que ameaçavam consumir o que restava de seu mundo seguro.

Quando os imensos portões da mansão rangendo lentamente se abriram, foi como se estivesse cruzando a entrada para um túmulo onde jaziam todas as esperanças que tinha. A cena que a aguardava não era de boas-vindas, mas a fria realidade de uma guerra invisível travada há muito tempo.

Em volta, homens de terno trajavam semblantes impossíveis de decifrar; viaturas com luzes intermitentes desenhavam sombras dançantes nas estruturas elegantes da casa. No centro da agitação, um lençol branco cobria um corpo que – num golpe surdo ao seu coração – ela reconheceu como sendo o pai.

Martins: — Senhorita Pamela, sou Martins, chefe da segurança. Seu pai pediu que trouxéssemos a senhora com urgência.

Ela ergueu o olhar, lutando para que a frieza não a dominasse, e então seus olhos caíram sobre a figura do pai. Pálido, inconsciente, suas feições beijadas pelo fio escuro da dor, seu sangue manchando o silêncio ao redor. A força que outrora sentira parecia agora um eco distante.

Pamela: — Pai...

Martins: — Ele está vivo, mas sua condição é grave. Tentaram assassiná-lo — pausou, fazendo o peso da verdade cair. — E não é seguro que a senhora permaneça aqui desprotegida.

Pamela: — Quem teria coragem para fazer isso? Quem tentaria tirar a vida do meu pai?

Martins: — Precisamos descobrir quem está por trás disso, senhorita.

Antes que pudesse formular mais perguntas, um carro preto parou bruscamente. Duas figuras surgiram do veículo com passos firmes, rosto fechado, e olhares tão afiados que pareciam cortar o ar.

O primeiro era robusto, com expressão de aço, olhos que pesavam cada movimento de Pamela. O segundo, alto, com cabelo desalinhado e olhar intenso, fez seu fôlego falhar.

Martins: — São Leonardo e Nicolau. Seus novos seguranças.

O nome Leonardo reverberou na mente de Pamela, enquanto o confronto silencioso daquele olhar gélido a atravessava, trazendo um misto de temor e esperança.

Leonardo: — A partir de agora, sua segurança é nossa prioridade absoluta.

Ela respirou fundo, sentindo que a vida que conhecera se despedir em silêncio, e que a guerra que enfrentaria seria maior do que tudo que imaginava.

— Bem-vinda de volta ao inferno, Pamela — sussurrou a própria escuridão que a aguardava.

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