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Capa do romance Preciso ser pai - parte 1

Preciso ser pai - parte 1

Vitor Carvalho é um empresário arrogante e focado apenas em riqueza. Sua vida vira do avesso ao descobrir que tem leucemia e que seu irmão, Bernardo, é incompatível para o transplante. A única esperança é gerar um filho. Ele então conhece Sophia Alves, uma jovem humilde que sustenta os avós. Vitor oferece uma fortuna para que ela gere seu herdeiro. Sophia aceita por necessidade, mas o destino reserva surpresas: o homem frio começará a sentir algo real por ela e pelo bebê.
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Capítulo 2

― NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FEZ ISSO, VITOR! INACREDITÁVEL! ― Meu irmão levantou da mesa de jantar. Parece bem irritado depois do que aconteceu na reunião que tive com o senhor Monteiro.

Enquanto estava gritando sobre a mesa, eu continuava saboreando o meu carré de cordeiro. Tenho que dizer, está uma delícia! Maria, a nossa empregada, arrasou.

― Que maravilha! Estou aqui falando que não devia ter feito isso com o nosso cliente mais antigo e você está aí, saboreando o cordeiro! ― Me fitou.

― Está magnífico! Você tem que experimentar! A Maria arrasou nesse cordeiro! Chega está desmanchando na boca. ― Peguei a minha taça e dei um gole no meu chateau latour.

― Vitor, o senhor Monteiro é nosso cliente mais fiel. Você pediu uma garantia! Não se exige ações como garantia! Aí não satisfeito, fez ele assinar um contrato sem ter falado com o advogado dele! É muita… 

Ergui o dedo indicador apontando para ele, com a taça na minha mão.

― Esperteza. Não precisa agradecer ainda, se o novo projeto não der certo, vamos sair ganhando, né? ― Terminei de beber o meu vinho e depois coloquei a taça sobre a mesa. Limpei a minha boca com meu guardanapo de seda.

― Cara, como consegue dormir à noite? Não tem empatia pelo próximo? Só pensa em dinheiro e poder? ― Apoiou as mãos sobre a mesa, me fitando. Estou farto dessa ladainha! Meu irmão é politicamente correto. Odeio isso! Me levantei da cadeira e joguei o meu guardanapo na mesa.

― Que se foda essa empatia! Quero saber de ganhar o meu pão de cada dia. Vou te falar que não é barato e outra coisa… ― Dei a volta na nossa mesa de jantar, que é bem grande por sinal. 

Quando nossos pais jantavam aqui nessa mansão, até fazia sentido, mas agora que eles estão viajando pela sua… Seria sua terceira lua de mel? Que se dane! 

Fui até o meu irmãozinho, que se virou, ficando na minha frente. 

― Ele estava devendo faz três meses, precisava dar um tranco. E outra, sou o dono dessa empresa e faço o que tem que fazer! Não sei por que toda essa preocupação. As ações são só uma garantia para ele pagar no prazo. Está ficando chato já, Bernardo! 

Me virei dando as costas para meu irmãozinho. Estava ficando zangado. Quando estava indo para o meu quarto, parei e levei a mão até minha cabeça. 

― Que merda! De repente senti uma dor de cabeça… ― murmurei. 

― O que foi, Vitor? ― Bernardo se aproximou, tocando nas minhas costas e me fez virar para ele. ― Caramba, você está suando! Não está nada bem, melhor levá-lo para o hospital… ― Ameaçou tirar o celular do bolso da calça, mas consegui pegar da sua mão, o impedindo.

― Que exagero! Não precisa tanto. Só estou com uma dor de cabeça. ― Avisei e coloquei o celular sobre a mesa. 

Droga! Está ficando forte essa merda! Ainda com a mão na minha cabeça, me encostei na mesa de jantar, por causa da dor, estou vendo tudo embaçado.

― Mas é claro que não está! Deixa eu levá-lo para o hospital? ― Insistiu. 

Estava na minha frente, a minha visão estava voltando e a dor de cabeça estava diminuindo. Consegui levantar a cabeça e o encarar. 

― Não precisa, só foi uma coisa boba. Estou pronto para outra. ― Dei meia volta e voltei para o caminho que estava indo, meu irmão disse algo, porém o ignorei, deixando-o ali na sala de jantar.

Quando cheguei no meu quarto, tirei a roupa e fui para o banheiro para aliviar essa dor de cabeça. Depois desse banho, já me sentia melhor. Estava me dando um sono. Essa discussão com meu irmão me deixou até cansado. Mas antes fui escovar os dentes, estava com a toalha enrolada na cintura. Fui até o lavabo, passei a mão no espelho que tinha embaçado por conta do calor do chuveiro e levei um susto. Que porra é essa? 

Que manchas roxas são essas no meu peito?

Sophia

Tinha acabado de sair da farmácia, precisava correr porque estou na hora do meu almoço, faltava meia hora para voltar para a lanchonete. A sorte é que um colega de trabalho me emprestou a bicicleta. Tenho que levar esse remédio do coração para o meu avôzinho. 

Acabei de chegar em casa. Abri a porta e minha avó levou um susto quando me viu em casa.

― Querida, o que está fazendo aqui? Não devia estar no trabalho? ― questionou. 

Ela está sentada no sofá assistindo o jornal de meio dia, tinha acabado de almoçar, pois seu prato estava em cima do sofá. Pelo cheiro, era lasanha de bolonhesa.

― Sim.... ― Sentei no sofá para recuperar o fôlego, vim com pressa para entregar o remédio. ― Mas tinha que passar na farmácia para comprar o remédio do vovô ou esqueceu que se ele não tomar, pode piorar sua saúde?

― Não precisava fazer esse esforço. Eu ia pegar amanhã no posto. Com isso nem deu tempo de almoçar, não é? ― perguntou olhando para mim. 

Me levantei e peguei o seu prato, fui para a cozinha deixá-lo dentro da pia. Ela veio atrás de mim.

― Vó, não precisa se preocupar. Eu comi algo lá na lanchonete ― disse para ela, que cruzou os braço e ficou me fitando. ― Aqui está o remédio do vovô. ― Entreguei o saco com o remédio e passei por ela, que ergueu o braço e pegou na minha mão. 

— Vai mentir pra sua vó? Por favor, fala a verdade. — Olhei para ela. — A verdade. 

— Está bem. Comi um pão com mortadela. Aproveitei que o senhor Joaquim tinha saído. Vó, não se preocupe. É sério! Estou bem. 

Levei as mãos até as suas e fiz carinho, tentando acalmá-la.

— Isso é comida para almoçar? _ Ela se afastou e encostou na pia e ficou um tempo pensativa. 

Me aproximei e notei que caiu uma lágrima e escorreu por seu rosto. 

— Vó por que está chorando? — perguntei. Estou preocupada, nunca vi desse jeito. 

— Depois que perdi minha filha e meu genro por conta daquela tragédia... — Deu uma pausa. — Prometi que ia cuidar da minha neta, que nada ia faltar pra você... Mas, a minha aposentadoria, muito mal dá para comprar os remédios do seu avô. Agora, você trancou sua faculdade para trabalhar. Eu não consegui. — Tirou os óculos e caiu em prantos. Dói meu peito ver minha avó desse jeito. Depois que perdi meus pais, ela e meu vôzinho ficaram com minha guarda por serem parentes mais próximos. 

Quando eu tinha quinze anos, minha avó já estava aposentada e meu avô não conseguiu se aposentar pelo INSS. Por conta da sua doença, foi negado. Então vivemos só com a aposentadoria da minha avó e o meu salário. É muita luta para colocar comida dentro de casa e para comprar os remédios do vovô. Se ele não tomar... Nem quero pensar. 

Abracei a minha vózinha, tentando acalmá-la. 

Peguei o celular para ver a hora e já estava atrasada. Me despedi dela e voltei para o trabalho. Com certeza vou levar aquela bronca do senhor Joaquim. Mas vai valer a pena, pelo menos consegui levar o remédio do vovô.

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