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Capa do romance Preciso ser pai - parte 1

Preciso ser pai - parte 1

Vitor Carvalho é um empresário arrogante e focado apenas em riqueza. Sua vida vira do avesso ao descobrir que tem leucemia e que seu irmão, Bernardo, é incompatível para o transplante. A única esperança é gerar um filho. Ele então conhece Sophia Alves, uma jovem humilde que sustenta os avós. Vitor oferece uma fortuna para que ela gere seu herdeiro. Sophia aceita por necessidade, mas o destino reserva surpresas: o homem frio começará a sentir algo real por ela e pelo bebê.
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Capítulo 3

— Caralho, Bernardo! Besteira você ter me trazido a esta bosta de clínica! Eu já disse que estou bem! — reclamei. 

Estávamos numa sala esperando o médico, que foi buscar os exames. 

— Por conta disso, tive que desmarcar um almoço com uma loira. Porque meu querido irmão ficou preocupado com a minha saúde. 

— Pode parar, Vitor! Depois você marca com essa mulher de novo. Sabemos muito bem que não é importante… — disse o Bernardo me fitando.  

— Como não é importante? — o cortei. — Sexo é importante sim! Ou você acha que um homem do meu porte, vai ficar se masturbando igual um adolescente? Fala sério! — Ressaltei.

Ele abaixou a cabeça de um lado para o outro, não acreditando. 

— Escuta aqui, Vítor, faz dois meses que você não está bem. Cansado, dores fortes de cabeça, enjoos, dores nos joelhos…  — Desviou o olhar para a porta, para ver se o médico tinha chegado. Como não apareceu, voltou a olhar para mim. — Não esqueça que na frente dos fornecedores que tínhamos marcado naquela manhã,  seu nariz começou a sangrar no meio da reunião. Ou vai dizer que isso é normal? 

— Pode ser estresse no trabalho. Também… Levo aquela empresa nas costas… 

— CHEGA! — esbravejou. 

Perdi o equilíbrio pelo susto. Sem demora ele levantou, indo para o canto da sala. Levou a mão na parede apoiando, ficou por um tempo ali. Está angustiado, nunca o vi desse jeito. Claro, é normal ele se preocupar comigo,  pois ele só tem a mim.  Nossos pais não estão nem aí para mim e para o meu irmãozinho. Vivem viajando desde quando eu tinha dezesseis anos e Bernardo com quatorze. 

Nosso pai tomou conta da empresa por um bom tempo, bom, até que  eu completasse a maioridade  e depois de concluirmos a faculdade de administração e engenharia civil. Se não me engano, nesse momento eles estão em Cancún. Isso foi no mês passado, quando fizeram uma vídeo chamada. Nem perguntaram se estamos bem.

Não vou mentir, sinto falta deles, principalmente nesse momento. É estranho eu pensar neles agora? Nunca liguei para isso, mas estou tendo esse sentimento…  

Me virei e dei uma olhada para o meu irmãozinho, que continuava no mesmo lugar, ainda de cabeça baixa apoiado na parede. Acho que está tentando disfarçar…  Mas  sei que está segurando as lágrimas para parecer forte, porém, está com medo. 

Merda! E essa demora da porra do médico?  Com certeza isso não é bom. Soltei o ar e em seguida levantei da cadeira e fui em direção a ele. 

— Nado? — É assim que chamo quando quero me desculpar ou que não quero discutir com ele. — Vamos sentar ali. — Apoiei a mão no seu ombro. Ele levantou a cabeça e olhou para mim. — Por favor irmãozinho, prometo que não vou mais reclamar. 

Sacudiu a cabeça assentindo. Fomos até a cadeira e nos sentamos. Logo a porta se abriu e entrou o médico. 

Finalmente! Não aguentava mais esperar!

— Desculpe a demora, estava tirando uma dúvida  com um colega de trabalho.  Mas parece que é isso mesmo…  — disse o médico colocando uma pasta sobre a mesa e depois puxou a cadeira para se sentar. O fitei, confuso. Como assim tirar uma dúvida?  Que porra é essa? 

— QUE MERDA QUE O SENHOR DISSE? FOI TIRAR DÚVIDA? — Dei um salto da cadeira, apontando para ele. — O SENHOR É MÉDICO OU NÃO? 

— Se acalme, Vítor! — Pediu o Bernardo, puxando o meu braço para eu me sentar. O afastei e continuei olhando fixamente para o homem de jaleco branco na minha frente. Depois notei ele olhando para meu irmão. Depois olhei para o meu lado esquerdo e Bernardo parecia aflito, deve ser pela minha impulsividade. 

Tentei me acalmar. Fiz o que ele pediu e puxei a cadeira e me sentei. Pedi educadamente, é claro, para ele continuar. Não sei, mas tenho a impressão que não é nada bom. 

— Como estava dizendo até o senhor Carvalho me interromper…  — Inclinou-se para frente com os braços sobre a mesa. — E sim, sou médico, formado em medicina e especializado em oncologia. 

Ergui a sobrancelha. Que diabos! O que ele disse? Até poderia perguntar, mas preferi continuar quieto. 

— Queria ter certeza para dar esse diagnóstico… — Ele abriu a pasta, olhou um tempo os papéis, acho que são os exames e olhou para o meu irmão. 

— O senhor pode falar. Com certeza devo estar com estresse, também levo a empresa nas costas e tenho que resolver tudo sozinho… — falei sorrindo encostando na cadeira. — Olha para não perdemos mais o meu tempo. Escreve o meu remédio nesses bloquinhos que o senhor tem aí. — Avisei, apontando para sua mesa. Estávamos nos preparando para levantar quando o médico me impediu. 

— Acho que o senhor não entendeu! O senhor não está estressado. — Deu uma pausa. — O senhor está com leucemia. Está um pouco avançada… 

— O QUE DISSE? — o cortei.

Ele ia repetir, mas me levantei da cadeira e fiquei atrás dela. 

— NÃO PODE SER! NÃO, NÃO! 

Andei de um lado para o outro sacudindo a mão negatividade para ele. 

— Isso está errado! — murmurei. — ESSA MERDA DE EXAME ESTÁ ERRADO! — esbravejei. 

Estou muito puto! Olhei para o médico com indignação. Droga! Não posso acreditar nisso!

— Vitor, se acalma…  — Bernardo ergueu os braços e veio até mim, tentando me acalmar. 

— ME ACALMAR? ESSE MERDA VEM AQUI E FALA…  — Abaixei suas mãos e olhei para ele. — QUE ESTOU DOENTE? COM CÂNCER! ESSA PORRA É CÂNCER! — Me virei e apontei para esse babaca que diz ser médico. 

— Escuta aqui, senhor Carvalho. Até entendo o senhor estar desse jeito, mas não vou admitir ficar me ofendendo. — Ele avisou, apontando para mim. Quando ia pra cima dele dar uma bela resposta, meu irmão pegou no meu braço, fazendo me virar pra ele. 

— PARA! PARA AGORA COM ISSO, MERDA! — esbravejou. 

Olhei para ele aturdido. Nunca o vi desse jeito. Permaneci no mesmo lugar e ele levou suas mãos até o meu rosto e ficou me fitando. 

— Escuta, escuta bem, Vitor! — Sacudi a cabeça concordando. — Sei que está com medo… 

— Para com isso…  Esse merda errou…  — Ergui minha mão para tirar a sua. Depois olhei para o infeliz que estava ali na minha frente e apontei para ele. 

— VITOR ALBUQUERQUE CARVALHO! — Ele me chamou. 

Olhei pra ele na mesma hora. Lembrei que era assim que o nosso pai me chamava quando estava fazendo alguma arte quando era criança. 

Tendo a minha atenção, ele se aproximou e voltou a colocar suas mão no meu rosto. 

— Por favor…  Para com isso agora mesmo. Não adianta dizer que não, mas sei que está com medo…  — sussurrou. Olhei para o lado. 

— Nado…  — Voltei a olhar para meu irmãozinho. — Não quero morrer… — falei e a voz saiu tão fraca que não consegui me ouvir. 

— Você não vai! — Tirou sua mão do meu rosto e levou ao meu pescoço, me puxando para perto dele. 

Encostei minha testa na sua. Fechei os olhos e senti lágrimas caírem do meu cenho. 

— Vamos dar um jeito! Mas você não está sozinho. Estou aqui com você. — sussurrou. Sacudi a cabeça.  Depois ele se afastou e deu dois tapas no meu ombro. Logo voltamos a sentar na cadeira. Enxuguei o meu rosto e olhamos para o médico, que explicou tudo sobre essa doença. 

***

— Vou ter que fazer o quê? — perguntei, depois de ouvir ele explicar sobre a doença. E estava falando do tratamento. 

— Quimioterapia. Mas olhando aqui nos exames — disse o médico e deu mais uma olhada nos exames. — Não está avançada, acho que dá pra fazer. — Voltou a olhar pra mim. 

— O que diabos é isso? — indaguei. Estou encostado na cadeira com os braços cruzados. 

— Vou explicar. — Ele deu uma bufada de ar. — É um tratamento que utiliza medicamentos para destruir as células doentes que formam um tumor. Estes medicamentos se misturam com o sangue e são levados a todas as partes do corpo, destruindo as células doentes que estão formando o tumor e impedindo, também, que elas se espalhem pelo corpo. — Deu uma pausa. Arqueei a sobrancelha, estava desconfiado. Olhei para o meu irmão e depois olhamos para o médico. 

— O que foi? — perguntou o Bernardo, fitando o médico. 

— Tem  alguns efeitos colaterais da quimioterapia. — Me inclinei para frente, apoiando meus braços sobre a mesa. 

— Que efeitos colaterais? — perguntei, encarando-o. 

— Podem causar queda de cabelo, diarreia, vômito, ferida na boca… 

— Chega! Pode parar por aí mesmo! — Levantei a mão, fazendo ele parar de falar. Em seguida me levantei da cadeira, ficando atrás dela. 

— Vitor! Escuta o médico! — Pediu o meu irmão. Olhei para ele. 

— Já ouvi o suficiente. Não vou fazer isso! Prefiro morrer do que fazer esse tratamento horrível! 

— Mas tem outra maneira, né? — Bernardo virou o rosto e fitou o médico. 

— Sim. Podemos fazer exames para ver se o senhor é compatível e se for, pode ajudar o seu irmão, já que a leucemia está no início. — respondeu o médico. 

— Viu, Vitor! Vai dar tudo certo! — disse o meu irmãozinho que se aproximou de mim. Assenti, sacudindo a cabeça. Depois sorri pra ele. Nossa, tomara que sim. Não quero morrer…

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