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Capa do romance Prazer Infinito

Prazer Infinito

Magno é um viajante temporal que reencontra Ilana em múltiplas eras e realidades. Suas memórias se fundem enquanto ele redescobre o desejo em cenários distintos, desde os engenhos coloniais do Brasil até festas libertinas com Dom Pedro e a Marquesa de Santos. Perseguidos por religiosos ou vivendo o auge do século XX, os amantes enfrentam perigos e prazeres intensos. Como esses destinos cruzados se conectarão através dos séculos em uma busca incessante?
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Capítulo 2

As marcas das unhas nas minhas costas, as de chupadas nas suas coxas diziam um pouco de como havíamos chegado até ali.

Deitados, um do lado do outro, acabados, exaustos mas completamente realizados, ambos sorriam refazendo mentalmente toda a ação.

Mas não tinha sido só prazer até ali. Foi tensão além de tesão. Briga e discussão.

Nem sabíamos mais o motivo, nenhum motivo realmente era o motivo. Mas era um inferno! Do calor do inferno, em algum momento, conseguíamos queimar no paraíso.

Gritos que aumentavam a voz do outro. Palavras não ditas, algumas vezes malditas, mal ditas.

Até que as desculpas viravam beijos. Beijos, mordidas. Línguas, de vez em quando risos com cócegas. Que criavam uma invertida, mãos entrelaçadas. Quem estava em cima, jogado por baixo. Mas que sensação era aquela do contato dos nossos corpos? Toda vez era incrível, toda vez nos causava isso. Eu quero, nós somos, tudo posso. Apertava sua bunda e contraia seu corpo junto do meu e seus suspiro entre suas lábios fazia um som que declarava seu sorriso de satisfação.

Seus seios encontravam meu peito e no movimento, podia sentir que o leve toque de seus mamilos entre subidas e descidas complementavam o prazer. Os pés de um tocavam os pés do outro, pressionando, como se ajudassem, como se dissessem, como se quisessem.

A respiração! Como podia? Ao natural ser tão gostosa? O cheiro e o gosto da sua boca, de sua pele. Minha excitação, minha vontade, minha atitude ficavam muito além do meu próprio prazer. Aquilo tudo vinha da sensação que eu tinha do que ela estava sentindo. O quanto se entrega, o quanto me deseja, o quanto aquilo tudo é absolutamente prazeroso para ela.

E no ápice eu diminuo o ritmo. Beijo profundamente. Mudo o tempo que já não existia a nossa volta. Mas era intenso. Forte! Totalmente desprevenida. Os gemidos altos a cada vez, mais e mais altos. Na surpresa também sou surpreendido, agora é ela quem inverte, me joga e controla. O novo ritmo é totalmente acelerado. Uma cavalgada de corrida. Como se logo ali fosse a linha de chegada. E

O pódio nós iriamos também dividir. Ao mesmo tempo! Não restava ali mais nada. Só a plenitude alcançada.

Depois de um longo dia de trabalho, cansados, direto para a cama, abraçados, o sono nos guia depois de um desejo de boa noite. O pensamento sobre aquele momento encantado pela manhã foi pleno. Pois o sexo era maravilhoso, mas o amor estar ali sem ele era algo ainda mais incrível. E essa conclusão criou o clima perfeito pra acontecer o que não tinha ocorrido. Aquele corpo que eu tanto desejava, ali, ao meu lado, maravilhosa. Parecia um anjo. Sua pele pedia o toque da minha mão, suave. Com ele o arrepio instantâneo se refletiu por todo o corpo. Os beijos que comecei pelos pés e foram subindo, traziam um início de consciência, o final do sono, mas a chegada da minha boca no meio de suas pernas e a sensação do prazer instantâneo com aquilo, de ambos, foi o suficiente para despertar de vez. E dessa vez não foi rápido. Tudo foi com calma, lento, tão suave quanto o primeiro toque. E minha língua que a tocava, sentia algo profundamente surreal. O processo era quase tântrico. Ao final do auge do seu prazer, que fazia seu corpo ficar ainda mais belo, coroado com seu sorriso de satisfação eu também no ápice da minha excitação, fiz diferente dessa vez. Sentei por trás, encaixei seu corpo no meu, comecei a beijar seu pescoço e a declamar poesias que havia escrito por sua inspiração. Entre elas, declamava também o prazer despudorado, sem medida, repleto de indecências e pornografias. Então, o encaixe se fez ainda mais perfeito e agora sentada em mim, rebolava lentamente. Eu movimentava no mesmo ritmo para cima e para baixo. A combinação dos movimentos e das palavras entrava em outro patamar quando me respondia. Com um despudor ainda maior que o meu, dizendo o quanto desejava, com qual profundidade toda, aquela intensidade. E isso foi aumentando nosso ritmo, aumentando, aumentando, de forma que as mãos já ficavam as unhas em minhas coxas, enquanto as minhas entre apertar seus seios, acariciar seus mamilos, apertar seu quadril, deixando os primeiros, agora, saltarem livremente. Eu começo a morder seu pescoço e seu gemido alto, seu tremor dos músculos pelo corpo todo começam a me indicar que seu prazer extremo vai inevitavelmente me levar ao meu também. Aquele era o momento mais mágico, o de te sentir no máximo e isso me proporcionar a mesma experiência, ao mesmo tempo. Era uma manhã qualquer, depois de um dia qualquer, antes de um outro dia qualquer. Mas nós dois um para o outro, definitivamente, nunca seríamos quaisquer.

Mas num piscar de olhos, eu estava sozinho, sem seus abraços, sem seu carinho, sem seus beijos, sem o simples fato de estar na sua companhia. De poder chamar seu nome, te chamar de meu amor, dizer um "eu te amo". Algumas vezes eu não percebia e te via como apenas um sonho. Como se minha cabeça tivesse apenas criado você. Tudo era tão perfeito que até mesmo seus defeitos pareciam complementares às qualidades. Todo seu jeito, a preocupação, as necessidades. Se tivesse sido computadorizada, não seria tão perfeita.

A realidade que dizia que a distância, às vezes, era necessária, era uma falácia. Pois quanto mais tempo eu estivesse ao seu lado, mais tempo eu gostaria de estar. Se houvessem muitas vidas assim, muitas vidas com você eu gostaria de passar. Na era das cavernas, dividindo o fogo, que não nos falta nunca. Na idade média, provavelmente pagão e bruxa. Talvez, revolucionários algum dia, talvez camponeses. Quem sabe até alguma espécie de pássaro. Quem sabe até em outro planeta. Não passava um minuto sequer que eu não imaginasse que em algum momento, se outras vidas houvessem, estaríamos juntos em algum momento. Sempre iríamos nos procurar e nos encontrar. Sempre estivemos tão próximos. Talvez almas que se chamam.

Mas naquele momento, abri os olhos e não te vi. Respirei e não senti seu cheiro. Me movi e não encontrei seu toque nem sua pele.

Ia te encontrar. Eu sei que ia. Mas o sentimento de que um dia poderia ser definitivo apertava o peito. Até que percebi que não era nada disso que eu sentia. Meu prazer não estava superficialmente no seu toque, no seu cheiro, no seu gosto. Meu prazer era ela me possuindo, dentro de mim. Não fisicamente, mas me preenchendo. Ela está e estará em mim, mesmo se não estiver comigo.

E esse pensamento despertou tudo. Sensações e memórias se materializaram. A gravidade não me puxava mais para o solo. A dor não existia, nem o medo.

Eu continuava querendo lhe dar tudo, de mim e do mundo. Mas sabia que ela também sentia que ter esse meu desejo sincero já era o seu tudo.

Ainda assim, estávamos nesse universo cruel, de dúvidas e problemas que nunca se escapavam.

Sabia que muitas vezes minha caminhada solitária deveria prosseguir, mas esperando que ela também sentisse, minha presença constante, como eu sentia a sua.

Numa sinfonia de anseios e desejos que nos moviam e nos faziam acordar para mais um dia, para mais uma batalha, para mais um chegar, um eterno reconquistar de espaço e de tempo, eu seguia e o meu retornar era o que sempre me mantinha são.

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