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Capa do romance Por favor, papai

Por favor, papai

Grace vê sua vida ruir ao descobrir a verdade sobre o noivo. Em uma noite de embriaguez, ela acaba por erro na cama de Apollo Reed, um homem gélido e poderoso com o dobro de sua idade. Após uma entrega intensa e proibida, ela descobre que o estranho que a despertou para o prazer é seu novo chefe. Entre o desejo e o risco, Grace deve decidir se cederá novamente ao controle de Apollo ou se fugirá de uma paixão que exige um preço alto demais.
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Capítulo 1

Garcia

"Meu noivo é gay..."

Essa frase martelava na minha mente enquanto eu encarava a cena que jamais conseguiria esquecer. Charles estava completamente entregue a um êxtase que eu nunca havia visto.

Esse era meu noivo, o homem com quem eu deveria me casar em cinco dias e com quem compartilhei uma cama, um futuro e uma vida por cinco longos anos. No entanto, lá estava ele, entregue a uma intimidade que nunca teve comigo.

Eu não conseguia mais respirar, e tudo ao meu redor começava a girar. Queria desviar o olhar, mas não conseguia. Meus olhos estavam vidrados, como se meu cérebro não conseguisse processar que aquilo era real.

"Hum, Mark... sim", murmurou Charles, suas palavras me acertando como um soco no estômago.

Levei a mão à boca, a apertando com força para conter a náusea. Meu coração parecia ter sido arrancado do meu peito e jogado num moedor de carne. Será que isso era um pesadelo? Será que eu acordaria no nosso apartamento, ao lado dele, com seus braços ao meu redor e nada disso sendo real?

A resposta do outro homem foi um grunhido baixo e abafado, que não consegui ouvir direito.

Lágrimas ardiam por trás dos meus olhos. Meus joelhos fraquejaram, e estendi a mão para me apoiar no batente da porta. Ele nunca pareceu tão envolvido comigo, e nossos momentos eram sempre breves e apressados. Sempre que eu buscava mais conexão, ele se afastava, alegando cansaço ou simplesmente se virando para o outro lado.

Minha mente estava num turbilhão, fora de controle.

Ele era gay? Bissexual? Ele sempre foi assim? Ele estava fingindo comigo? Por todos esses anos? Cada beijo, cada vez que ele dizia "eu te amo", cada plano que fazíamos para o futuro... tudo isso era uma mentira?

Me senti humilhada, enojada e completamente enganada.

Como alguém poderia lidar com isso? Como se agiria ao descobrir a traição do seu parceiro dias antes do casamento?

De repente, senti algo molhado nas minhas bochechas, me fazendo levar a mão até o rosto. Nem havia percebido que estava chorando.

Na cama, Charles soltou um último gemido baixo.

Balancei a cabeça lentamente, como se sacudi-la com força suficiente pudesse me fazer acordar dessa realidade distorcida. No entanto, a cena continuava lá.

Soltando uma risada amarga, eu disse com a voz rouca, mal passando de um sussurro: "Sabe de uma coisa? Você é inacreditável, Charles."

Nesse momento, eles congelaram, e Charles virou a cabeça bruscamente na minha direção, seus olhos arregalados de pânico. Afastando-se às pressas daquele homem, ele pegou o cobertor mais próximo e se cobriu.

"G-Gracie...", ele gaguejou, sua voz embargada. "O que... o que está fazendo aqui?"

Me encostei na parede, ainda enxugando as lágrimas com as costas da minha mão trêmula enquanto tentava me manter de pé.

"O que estou fazendo aqui?", perguntei lentamente, olhando nos seus olhos. "É isso que você tem a dizer depois de eu ter te pegado nessa situação?"

Ele balançou a cabeça, ainda segurando o cobertor. "Não. Não, não é... não é o que parece."

"Não é o que parece?" Minha voz se elevou. "Não é o que parece?!"

Me afastei da parede, minhas pernas bambas e as mãos cerradas. "Charles, você está me traindo na nossa cama, na casa que compramos para o nosso futuro. E tem a audácia de me dizer que não é o que parece? O que é, então?"

Ele abriu a boca, sem dizer nada. Seu rosto se contorceu enquanto ele me olhava com vergonha, culpa e, principalmente, medo.

"Você é um covarde", eu disse entre dentes. "Depois de tudo o que fiz por você, depois de cinco anos de lealdade, paciência e planejamento do nosso futuro juntos, é isso que recebo? É assim que você é quando não estou por perto? Como pôde fazer isso?"

O outro homem se sentou com um suspiro e, enquanto vestia suas roupas, murmurou: "Isso é uma bagunça. Não quero me meter nisso, Charles. Estou indo embora."

Charles se virou para ele, em pânico. "Mark, espere... me desculpe. Eu não sabia..."

Mark o interrompeu com um aceno de desdém. "Tudo bem."

Foi então que algo dentro de mim se rompeu, e todo o meu corpo se estremeceu de raiva. Por que eles estavam agindo com tanta naturalidade? Esse Mark nem parecia surpreso, o que indicava que ele sabia de mim.

"Você não tem vergonha!"

Dominada pela raiva, avancei, mas antes que eu pudesse alcançá-lo, Charles agiu rapidamente.

"Pare com isso, Gracie! O que está fazendo?!", ele gritou, segurando meu pulso para me impedir.

"O que estou fazendo?!", cuspi, meus olhos em chamas. "Me solte! Isso também envolve ele!"

Quando tentei ir até Mark, Charles se colocou na minha frente, bloqueando meu caminho, e disse num tom tenso: "Pare com isso. Não faça isso!"

Meu coração se apertou, percebendo que ele estava o protegendo.

O homem com quem ele me traiu, o homem que agora nos observava com uma expressão indiferente.

"Por quê? Por que está o protegendo? Depois do que fez comigo? Você não deveria estar tentando consertar isso?", sussurrei, atônita.

Atrás de Charles, Mark ajeitou a camisa. Então, ele olhou para mim com um olhar frio e disse, dando de ombros:

"Por que está tão chocada? Você realmente achou que isso era sobre você? Use a cabeça."

Minha boca se abriu, mas nenhuma palavra saiu.

Mark continuou: "Se não fosse pelas pressões externas, você acha mesmo que estaria aqui agora?"

Minha visão ficou turva de raiva, e pude sentir o sangue pulsando nos meus ouvidos. Tentando libertar meu braço, gritei entre dentes cerrados: "Me solte! Me solte, Charles!"

"Não! Se acalme!", ele gritou de volta.

Na minha luta, o empurrei, o fazendo cambalear para trás. Quando dei um passo à frente novamente, Charles rapidamente se colocou entre nós. No calor do momento, sua mão se ergueu bruscamente para me bloquear, atingindo meu braço com força.

"Não toque nele!", Charles gritou, sua raiva se intensificando.

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