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Capa do romance Perdidos em um Sonho

Perdidos em um Sonho

Após um grave acidente automobilístico, as trajetórias de Ethan e Alicia colidem de forma inesperada. O destino os une em uma trama envolta em mistérios profundos e um romance surpreendente. Diante de revelações impactantes e segredos guardados, o casal enfrenta o desafio de decifrar o incompreensível. Eles precisarão de coragem para lutar pelo inimaginável enquanto tentam entender a nova realidade que os cerca nessa jornada intensa e cheia de reviravoltas.
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Capítulo 2

Um novo dia se inicia, eles não têm sido fáceis, muitos conflitos, desconfianças e crises de ansiedade.

Deixar o passado para trás e reescrever uma nova história tem sido mais complicado do que Alicia imaginava. Recomeçar é a palavra que mais a define nesse momento. Ela havia deixado todo o seu passado para trás e decidido se reinventar. Não existia mais o noivado ou a carreira. Os sentimentos esfriaram, as amizades acabaram e a família estava um caos disfarçado.

Alicia se olha no espelho esperando ver aquela de que todos tanto falam, tocando suas cicatrizes ela vê apenas uma Alicia, a mulher que busca se encontrar numa nova identidade, mesmo que digam que ela não era assim. Disposta a se afastar de tudo e de todos que tentarem impor a ela uma vida que já não existe mais.

Sentada em sua poltrona, olhando pela janela os raios do sol adentrar e perdida entre seus pensamentos, lembranças ou desejos, não havia percebido que seu interfone tocava insistentemente.

 Alô.

 Bom dia, por favor a senhorita Alicia Curts.

 Sim!

 Sou entregador, e tenho uma encomenda para a senhorita.

 Tudo bem, um momento que já vou descer.

Alicia correu até o quarto e pegou um suéter e saiu, descendo os degraus rapidamente.

 Olá.

 Olá, senhorita. Aqui esta sua encomenda. Por favor, assine aqui e aqui.

 Claro, e o senhor Adams?

 Quem?

 O senhor Adams, o carteiro que sempre atende essa região.

 Ahhh.. Sim! Sou de uma empresa terceirizada.

 Claro! Que pergunta besta a minha, é que você está sem uniforme.

 Quanto ao uniforme, ficaria muito grato se a senhorita não abrisse uma reclamação. Sabe como é final de semana neh!

 Claro. Não se preocupe.

Enquanto ela segurava a prancheta com o formulário da entrega, seus olhos se perderam olhando o rosto de Ethan. Aqueles óculos escuros impediam de ver a cor de seus olhos, fazendo com que seus pensamentos se perdessem enquanto seu coração batia acelerado, um nó na garganta se formava e isso lhe deixava desconcertada.

 A senhorita poderia me devolver a prancheta?

 Ohh... Desculpe-me mais uma vez minha distração. Mas, preciso perguntar-te algo.

 Por favor.

 Tenho a impressão de que já nos conhecemos. Qual é o seu nome?

 Meu nome é Ethan. Ethan Muller.

 Ethan... Não me é estranho esse nome. Mas...

 Sim... ?

 Não. Desculpe-me não o conheço, devo ter ouvido esse nome em algum lugar.

 Acontece senhorita Alicia. Tenha um bom dia.

 Igualmente senhor Ethan.

Alicia pegou sua encomenda e ficou observando Ethan entrar no carro, sem muita demora apenas se virou e subiu novamente até o seu apartamento. Durante o caminho até o seu apartamento ficou curiosa com a caixa que acabara de receber, e mais ainda com o entregador.

Subindo as escadas, Ethan não saía da sua cabeça. Virando a caixa a procura de remetente finalmente Alicia chega ao seu apartamento.

 Que homem estranho, senti que o conhecia. Mas, deve ser minha cabeça mais uma vez, me pregando uma peça. – Pensou Alicia.

Ao entrar em seu apartamento Alicia ouviu que seu telefone tocava e apressou-se para atendê-lo.

 Alô.

 Oi Alicia.

 Oi Ale. Tudo bem com você?

 Sim! Tudo bem e você?

 Estou bem sim!

 Como esta no apartamento novo?

 Está ótimo. Adaptando-me a cada dia.

 E como está o nosso bebê?

 Crescendo muito. Não vejo à hora de ver o rostinho dela.

 E eu também. Minha primeira sobrinha. Quando vocês virão me visitar?

 Vou ver com Jeremy, eu queria ir no próximo fim de semana, mas, Jeremy está passando a direção do hospital para o Lyne e não sei quanto tempo ainda ele terá que cumprir a jornada.

 Humm... Mas, eu espero que venham logo.

 Como você tem se sentido?

 No geral bem. Desde que me mudei não tive nenhuma crise de ansiedade. A cabeça um pouco lenta ainda. Não tive nenhuma lembrança até agora. Tenho alguns flashes, mas, parecem fragmentos de sonho mesmo.

 Que bom lembra que te disse que havia algumas coisas que deveríamos conversar?

 Sim.

 Com certeza faria você entender muita coisa.

 Me diga então.

 É complicado mana, não é algo que deveríamos falar por telefone. Quando eu for te visitar poderemos conversar.

 Entendi, só estou meio cansada de todo mundo dizer o que devo ou não fazer, não conseguia mais ficar com a mamãe, ela queria que eu me casasse com Brian por obrigação. Que eu ficasse sempre do lado dela, para que pudesse me vigiar constantemente. Do que ela tem tanto medo?

 É apenas super proteção. Ela passou por dias terríveis enquanto você estava em coma.

 Entendo, mas, ela poderia me dar mais espaço.

 Poderia sim, mas, e o Brian?

 Conversamos por telefone. Às vezes ele vem aqui. Não sinto mais nada do que carinho por ele e claro agradecimento por ter me cuidado todo esse tempo.

 Sim, entendo.

 Ainda assim sinto como se estivesse traindo a confiança dele. Porque ele me esperou todo esse tempo. E eu acordei e, não sou mais a mesma pessoa. Eu tenho sonhos...

 Não, não se culpe por isso. Ele entenderá com certeza.

 Sim, ele é maravilhoso. Ele me ajudou com a mudança, e sempre me liga para saber como estou. Acho que ainda levará um tempo para me acostumar. Penso que ele ainda nutre alguma esperança.

 E ele tem alguma chance?

 Eu não vou falar que nunca. Mas, acredito que não. Eu ainda não entendo meus sentimentos direito, e não posso me entregar a uma relação com dúvidas. Nos relacionamos muito jovens, éramos amigos e isso facilitou muito o sentimento um pelo outro. Não quero continuar apenas por isso sabe, apenas pela amizade linda que construímos nesse tempo.

 Claro, começar algo baseado apenas no desejo de uma pessoa não vai dar certo.

 Isso mesmo. Mas, mudando de assunto, recebi uma caixa hoje.

 Ahh... Sim e de quem?

 Não tem remetente. Ainda não abri.

 Humm... Fiquei curiosa.

 Você já olhou para uma pessoa e teve a impressão de já tê-la visto em algum lugar?

 Sim.

 Nossa, quando eu olhei para o entregador, parecia que eu o conhecia há muito tempo, muito estranho. Até tentei forçar a cabeça, mas, acho que foi só uma impressão mesmo.

 Isso é muito natural para qualquer pessoa, não é algo exclusivo de alguém que tenha tido um traumatismo. E como era o nome dele, você perguntou?

 Ethan.

 Ethan???

 Sim, você conhece algum? Vai que eu conheci antes do acidente.

 Conheço sim, mas, faz um tempo que não o vejo. Ele te falou alguma coisa?

 Na realidade conversamos pouco apenas me entregou a caixa e saiu sorrindo.

 O que tem na caixa?

 Ainda não abri.

 Então vou te deixar tranqüila. Só liguei para saber como você estava mesmo. Estou doida para te ver.

 Eu também. Te amo mana, manda um beijo para o Jeremy. E cuida bem dessa pequena ai.

 Pode deixar. Tchau.

Alicia olhou para aquela caixa, olhou todos os objetos. Pegou um cd e colocou em seu aparelho para tocar. Ouvindo atentamente a música que se iniciou, pegou novamente a caixa, colocou-a sobre uma pequena mesinha, sentou-se no chão e pegou o cartão que havia na caixa.

“Querida Alicia, tive que encontrar muita coragem para preparar essa caixa, e mais ainda para entregá-la. Pensei em várias maneiras de te contar um pouquinho da minha história, e o momento em que ela se cruza com a sua história. Peço que tente entender o que estou prestes a dizer, não só entender, mas, estar aberta a algo incrivelmente inimaginável. Essa é uma caixa com vários itens que em algum momento significaram alguma coisa para você ou para mim. Eu espero que alguma dessas coisas te faça relembrar parte dos últimos meses antes que acordasse. Parece loucura, mas, loucura seria se eu não tentasse fazer com que o seu coração se lembrasse de mim.”

Sem acreditar no que estava lendo. Alicia piscou várias vezes e voltou a ler a primeira parte daquele cartão e assim prosseguiu até o final.

Sem compreender do que se tratava aquela encomenda, Alicia começou a passar a mãos pelos objetos, tentando decidir o que faria. Últimos meses era o que havia mencionado na carta. O que teria acontecia nesses últimos meses? Mesmo temerosa de que tudo aquilo não passasse de uma brincadeira ou de que fosse mais uma tentativa de Brian de lhe conquistar, ela continuou olhando as coisas que havia na caixa.

Havia também um postal de uma praia que lembrava muito sua infância, os bons momentos que você viveu com sua irmã e seu pai. Atrás desse cartão havia uma pequena mensagem:

“A primeira noite que passamos juntos—ao menos dormindo lado a lado e tivemos a esplêndida chance de ver o nascer do sol nesta praia tão linda.”

E antes de continuar lendo, Alicia pegou cada item na caixa e observando cuidadosamente, procurando algo do que se lembrar. Ela então pegou o suéter, olhou-o de todos os lados, levou-o junto ao rosto e inspirou profundamente, era um perfume suave e gostoso. Mas, isso não foi familiar e nem mesmo a fez se lembrar de nada. Ainda confusa por não compreender o que essas coisas fariam, ela pegou então um envelope onde havia uma carta.

“Tenho tanto para te falar, tenho tanta vontade de falar sem rodeios, mas, só o farei se você quiser me ouvir. Quisera que as palavras saltassem da minha boca em harmonia como uma suave melodia. É difícil ter tanto para falar e ter tanto medo de como isso vai parecer. Só falarei se você estiver disposta a realmente me ouvir, não com os ouvidos do corpo, mas, com os ouvidos da alma, porque somente assim você será capaz de compreender tudo o que aconteceu. Na caixa coloquei alguns itens que considerei importantes para nós em algum momento da nossa história. Um suéter, que foi uma peça de roupa que você usou quando esteve comigo, lembro-me de haver dito que tinha gostado do perfume que havia nele. Também coloquei um livro, porque sei que adora ler. E esse especificamente te chamou bastante atenção. Você adorou esse livro. Apesar de não ter tempo de terminá-lo, porque foi embora antes que pudesse concluí-lo. Leia-o, e conte-me como tudo acabou. Nunca tive coragem de lê-lo, pois terminá-lo seria como se estivesse terminando a minha história com você e essa eu não queria que acabasse jamais. Sei que tudo isso esta confuso para você, e mais ainda ficará. Mas, você precisa ao menos desconfiar de que um dia, estivemos juntos, e de que a resposta que tanto procura pode estar comigo, porque poder te contar a minha história fará toda a diferença em nossas vidas. Não espero que você se apaixone por mim, nem mesmo que acredite em tudo o que tenho para lhe dizer, apenas espero que você aceite que tudo isso foi possível. Que tudo o que vivemos foi real, tão real quanto possamos querer que tenha sido. Que você um dia me conheceu. Apenas peço que faça um esforço, que pense em cada detalhe que te enviei. Espero que possamos nos encontrar, e então poderei te dizer tudo o que desejar saber...

Ao pegar o envelope grosso com o que ela imaginava serem fotos, assustou-se tremendamente quando viu o que havia no envelope. Eram cartões postais, com as mais belas paisagens. Paisagens essas que viviam em seus sonhos, em suas lembranças adormecidas.

...Sei que você acabará se lembrando, porque fizemos uma promessa um para o outro, e eu sei que foi o destino que uniu os nossos caminhos, ainda que tortuosos. Espero ansioso o dia em que você olhará em meus olhos e verá através de mim, assim como eu vi através de você. Eu estarei aqui sempre a te esperar.

Com amor,

Ethan Muller

E como se seus braços estivessem cansados Alicia deixou-os cair juntamente com o que acabara de ler. Havia lido certo? Era esse mesmo o nome do entregador? E esse nome ficou soando em sua cabeça.

 Ethan Muller, o entregador. Como não me passou pela cabeça? – Pensou Alicia

Instintivamente Alicia foi até a janela olhar para rua a procura do entregador, qual não foi sua surpresa ao olhar para baixo o viu parado na porta de seu carro, notando que ela olhava para ele, simplesmente entrou no seu carro e partiu.

 Ele voltou, sabia que eu olharia isso tudo agora. – Pensou Alicia.

Sem saber o que fazer, leu uma vez mais a carta e tentou, tentou ao máximo possível lembrar-se de alguma coisa. Mas, não conseguiu, pensou que aquilo deveria ser uma alucinação dele, já que ela não se lembrava nem mesmo de seu nome. Meses antes de acordar? Como seria isso possível, estava ela em coma.

Alicia apenas ficou observando e pensando no pequeno diálogo que tivera com Ethan há poucos minutos. Olhando os objetos, refletindo sobre o sentido de todas essas coisas e só então se deu conta que talvez ele pudesse ter razão, lembrou-se de quando o olhou pela primeira vez, do nó em sua garganta e do seu coração a palpitar. E se tudo isso fosse para ajudá-la a se lembrar?

Pegou o livro em suas mãos e ficou analisando a capa e o seu título: “Diário de uma Fênix”. Mas, não o leu, apenas deitou-se no sofá com ele em suas mãos e ficou olhando para o teto.

 Estou sonhando, ou melhor, estou delirando. – Pensou Alicia.

Alicia levantou-se e foi até a janela e permaneceu olhando em direção ao carro que Ethan havia ido, enquanto tocava em seu aparelho uma de suas músicas favoritas, sentiu que a melodia fazia seu coração palpitar, como se estivessem se lembrando do que sua cabeça não lembrava.

Olhando para fora todo aquele brilho do sol tocando as árvores, tocando os carros, tocando as pessoas. Não conseguia aceitar que havia perdido lembranças importantes. Lembranças essas que ainda nem havia decidido se eram reais ou não, mas, estava certa que de um jeito ou de outro Ethan fazia parte delas.

Com o livro na mão folheou-o diante da janela esperando ter um lapso de memória, mas, nada aconteceu. Apenas achou uma página marcada, onde claramente podia-se ler:

“A verdade estava diante dos meus olhos, apenas não estava preparada para aceitar a verdade que poderia mudar quem eu fui, quem eu sou e quem ainda viria a ser.”(Diário de uma Fênix)

Fechando rapidamente o livro, Alicia esperava ansiosamente que as respostas viessem a seu encontro. Lamentava-se cada minuto por não conseguir toda a explicação que necessitava. Alguém teria que dá-las. Alguém que estivesse ao seu lado em todos aqueles momentos.

 Alexandra!!! – Disse levantando-se rapidamente do sofá.

Seu nome veio como um raio em sua cabeça.

Alicia pegou o telefone e discou uma série de números. Mas, quando tocou a primeira vez ela desligou. Colocou o telefone de volta em sua base, foi até o quarto e pegou uma bolsa, e foi colocando dentro dela peças de roupas, e objetos que julgava necessário para uma pequena viagem.

Colocou todos os objetos na caixa novamente e fechou-a. Retirou o cd do aparelho e colocou-o juntos aos outros. Certificou-se que todas as janelas estavam fechadas, que tudo estava trancado. Pegou sua carteira, sua bolsa e a caixa e colocou tudo no carro.

Voltou para a sala e olhou-a novamente como se estivesse querendo dizer algo, mas, as palavras não saiam. Entrou no carro e mesmo imaginando que estava indo atrás de uma ilusão, decidiu que este seria o último nó a ser desatado antes de seguir com a sua nova vida.

Virou-se para o banco de trás e abriu a tampa da caixa. Pegou o cd e colocou-o para tocar. Ali começaria a sua viagem com destino a uma nova realidade. Uma viagem que poderia mudar sua vida para sempre.

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