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Capa do romance Perdemos nosso bebê, descobrimos a traição dele

Perdemos nosso bebê, descobrimos a traição dele

No quinto ano de casados, a alegria da gravidez de Dante e sua esposa vira tragédia. Enquanto ela sofre um aborto sozinha após o desprezo do marido e as provocações da assessora dele, Camila, Dante a acusa de mentir por atenção. Forçada a ir a uma festa, ela perde o bebê publicamente. O descaso dele atinge o ápice no hospital, revelando que ele prioriza os gostos de Camila. Diante de tamanha negligência e traição, ela decide que o divórcio é o único caminho.
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Capítulo 1

No nosso quinto aniversário de casamento, eu segurava o teste de gravidez positivo pelo qual tínhamos rezado. Preparei o prato favorito dele, mas meu marido, Dante, nunca voltou para casa.

Ele estava trabalhando até tarde com sua gerente de campanha, Camila. O estresse de suas mensagens frias e do post arrogante dela no Instagram me causou uma dor aguda e lancinante no estômago. Eu desabei no chão, sangrando.

Quando liguei para ele do hospital, ele me acusou de estar fingindo para chamar atenção.

"O que foi dessa vez? Uma dor de cabeça?", ele debochou. "Você faz qualquer coisa por atenção, não é?"

No dia seguinte, ele me arrastou para uma festa em homenagem a Camila. Na frente de todo mundo, tentou me forçar a beber uísque. O estresse, a queda... foi demais. Perdi nosso bebê milagroso ali mesmo, no chão da galeria.

Seu pedido de desculpas foi me levar uma pizza de calabresa na cama do hospital. Eu sou alérgica a pimenta da calabresa. Foi a primeira coisa que contei a ele em nosso primeiro encontro. Ele não se lembrava disso, mas sabia que Camila preferia leite de aveia em seus lattes.

Ele tinha acabado de provar que não merecia nosso filho. Ele nem sequer me merecia.

Quando ele finalmente apareceu, com o rosto coberto por uma máscara de falsa preocupação, eu o encarei nos olhos. "Acabou. Quero o divórcio."

Capítulo 1

Ponto de Vista de Elisa Torres:

Eu tinha o teste de gravidez positivo na mão, aquele pelo qual rezamos por cinco longos anos, na noite em que percebi que meu marido nunca me amaria.

A picanha estava malpassada, no ponto perfeito, repousando sobre uma cama de purê de batatas com alho. Uma única vela tremeluzia entre duas taças de Malbec, lançando um brilho quente sobre nossa pequena mesa de jantar. Tudo estava perfeito. Exatamente como ele gostava.

Tirei uma foto, a luz suave fazendo a refeição parecer algo saído de uma revista, e mandei para ele.

Minha legenda era simples: Feliz aniversário. Estou te esperando.

Meu celular vibrou quase instantaneamente. Um nó de esperança e excitação se formou no meu peito. Talvez ele tivesse se lembrado, afinal. Talvez estivesse do lado de fora da porta.

Dante: Não vai dar. Camila e eu estamos finalizando o discurso da iniciativa de transporte. Reunião importante com doadores amanhã.

Meus dedos ficaram gelados. O nó de esperança no meu peito se desfez, substituído por uma dor oca e familiar.

Eu: É o nosso aniversário, Dante.

Dante: Eu sei, amor. Me desculpe. Comemoramos no fim de semana. Eu prometo. Isso é importante demais.

Fiquei olhando para a tela, lendo suas palavras repetidamente. Isso é importante demais. Mais importante que cinco anos de casamento. Mais importante que a promessa que ele fez na semana passada de estar em casa na hora certa hoje, não importava o que acontecesse.

Uma risada amarga escapou dos meus lábios. Levantei-me, raspei todo o conteúdo do prato dele – a picanha perfeitamente grelhada, o purê cremoso – na lata de lixo. O som do garfo arranhando a cerâmica foi alto no silêncio do apartamento vazio.

Ele não tinha esquecido nosso aniversário. Ele simplesmente escolheu ignorá-lo. Assim como ignorou meu aniversário no mês passado, enviando flores com um cartão assinado por sua assistente.

Mas ele nunca esquecia nada para Camila Viana. Ele sabia que ela preferia leite de aveia em seus lattes, que era alérgica a frutos do mar, que sua caneta favorita era uma Pilot G2, 0.5 milímetros, tinta preta. Ele conhecia esses detalhes minúsculos e insignificantes sobre sua gerente de campanha, enquanto eu não era importante o suficiente nem para receber uma ligação.

Meus olhos caíram sobre o bastão branco na bancada de granito. As duas linhas rosas eram nítidas, inegáveis. Depois de anos de consultas, procedimentos invasivos e resultados negativos desoladores, finalmente tinha acontecido. Naturalmente. Uma chance em um milhão, o médico havia dito. Um milagre.

Eu tinha planejado contar a ele hoje à noite, deslizar o teste positivo pela mesa enquanto ele dava a primeira garfada na picanha. Imaginei seu rosto se iluminando, a surpresa e a alegria apagando as linhas de estresse de seu rosto. Imaginei ele me puxando para seus braços, como costumava fazer.

Meu celular vibrou de novo. Não era o Dante. Era uma notificação do Instagram. Um novo post de Camila Viana.

Minha mão tremeu enquanto eu abria o aplicativo. Era uma foto deles no escritório dele, as cabeças muito próximas sobre uma pilha de papéis. Dante estava sorrindo, um sorriso genuíno e relaxado que eu não via direcionado a mim há meses. A legenda dizia: Virando a noite com o próximo prefeito desta cidade. Algumas coisas valem o sacrifício. #DantePrefeito #FazendoHistória

A xícara de café na mesa ao lado dele era a que eu lhe dei de Natal. A que ele disse ser sentimental demais para o escritório.

Eu soube, com uma certeza que me gelou até os ossos, que eles estavam juntos. Talvez não fisicamente, ainda não. Mas emocionalmente, ele já tinha me deixado por ela. Ele trocou meu apoio silencioso e inabalável pela ambição implacável e brilhante dela.

Meu estômago revirou, uma onda de náusea tão intensa que minha cabeça girou. Eu tinha que comer. Pelo bebê. Nosso bebê.

Forcei-me a sentar em frente ao meu próprio prato, a comida agora parecendo fria e sem graça. Peguei meu garfo e dei uma mordida. O sabor rico da carne, que deveria ser uma delícia, cobriu minha língua como cinzas.

O cheiro – o alho, a carne grelhada, o vinho – de repente se tornou insuportável. Empurrei a cadeira para trás, minha mão voando para a boca enquanto um violento reflexo de vômito tomava conta.

Uma pontada aguda e cortante se aprofundou na minha barriga. Não era a dor surda da negligência a que eu estava acostumada; esta era uma dor física, lancinante. Dobrei-me ao meio, o fôlego preso na garganta.

Tropecei em direção ao banheiro, minha visão embaçando nas bordas. Outra cãibra, mais violenta que a última, me fez bater contra a parede do corredor. Deslizei até o chão, meu corpo inteiro tremendo.

Quando olhei para minhas mãos, eu vi. Uma umidade pegajosa e quente se espalhando pelo tecido do meu vestido.

Uma mancha carmesim.

Não. Não, não, não.

O milagre. Nossa chance em um milhão.

Eu tinha que protegê-lo. Eu tinha que ir para o hospital.

Tentei me levantar, mas meus membros pareciam pesados, inúteis. A dor era uma onda implacável, me puxando para o fundo. Peguei meu celular, meus dedos desajeitados na tela. Eu precisava ligar para o 192. Eu precisava de ajuda.

Mas a tela estava escura, meu reflexo um rosto pálido e aterrorizado. A dor atingiu o pico novamente, e um grito rasgou minha garganta, cru e animalesco. Encolhi-me no chão frio de madeira, agarrando minha barriga.

O cheiro do jantar de aniversário que eu preparei com tanto cuidado vinha da cozinha, uma zombaria cruel da vida que eu pensei que estávamos construindo.

Meus dedos roçaram a porta do corredor. Arranhei-a, tentando me arrastar para fora, para conseguir ajuda. Minha visão estava se fechando.

Justo quando a escuridão ameaçava me engolir por completo, a porta do apartamento em frente rangeu ao abrir.

"Elisa? Você está bem?"

Era meu vizinho, Jace. Eu mal o conhecia, apenas cumprimentos educados no elevador.

Eu não conseguia formar palavras. Só pude olhá-lo, meus olhos suplicando, enquanto outra onda de agonia me rasgava e o mundo ficava preto.

Acordei com o cheiro estéril de antisséptico e o bipe rítmico de uma máquina. Uma médica com olhos gentis estava de pé ao meu lado.

"Sra. Mendes", disse ela, com a voz suave. "Você tem uma ameaça de aborto. Demos algo para parar as contrações, mas você precisa de repouso absoluto. Sem estresse. Absolutamente nenhum estresse."

Eu assenti, as lágrimas que eu não percebi que estava chorando escorrendo pelas minhas têmporas e entrando no meu cabelo.

"Seu marido está a caminho?", ela perguntou, seu olhar varrendo o quarto vazio. "Ele deveria estar aqui. Você vai precisar do apoio dele."

Um soluço seco e engasgado escapou dos meus lábios.

Ele está onde sempre está. Em algum lugar mais importante.

"Você precisa ligar para ele", disse a médica, sua voz gentil, mas firme. "Agora mesmo."

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