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Capa do romance Peça-me oque Quiser

Peça-me oque Quiser

Com a morte do pai, o empresário Eric Zimmerman viaja à Espanha para gerir as filiais da Müller. Em Madri, ele se encanta por Judith, uma funcionária sagaz que logo cede ao seu magnetismo. Juntos, mergulham em um universo de fantasias eróticas, explorando o voyeurismo e as dinâmicas de poder entre dominantes e submissos. No entanto, conforme a paixão cresce, Eric teme que um segredo obscuro venha à tona, ameaçando destruir o intenso laço que os une.
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Capítulo 3

Na manhã seguinte, quando chego ao escritório, a primeira pessoa que encontro ao

entrar na cafeteria é o senhor Zimmerman. Noto que ele ergue o olhar e me observa,

mas eu me faço de sonsa. Não estou a fim de cumprimentá-lo.

Agora já sei quem ele é, e sempre acreditei que os chefões, quanto mais longe

estiverem, melhor. Sem-vergonha, safado... Mas a verdade é que esse homem me deixa

nervosa. Do seu lugar e escondido atrás de um jornal, intuo que está me observando,

que está me estudando. Levanto os olhos e... não é que tenho razão? Bebo rapidamente

o café e vou embora. Preciso trabalhar.

Durante o dia volto a esbarrar com ele em vários lugares. Mas, quando assume a

antiga sala de seu pai, que fica bem em frente à minha e ligada pelo arquivo à da minha

chefe, quero morrer! Em nenhum momento se dirige a mim, mas posso sentir seu olhar

onde quer que eu esteja. Tento me esconder atrás da tela do computador, mas é

impossível. Ele sempre arruma um jeito de cruzar o olhar com o meu.

Quando saio do escritório, vou direto para a academia. Uma aula de spinning e um

tempinho na jacuzzi me tiram todo o estresse acumulado, e chego em casa superrelaxada, pronta pra dormir.

Nos dias seguintes, mais do mesmo. O senhor Zimmerman, esse chefão gato com

quem comecei a sonhar e que o escritório inteiro venera e puxa o saco, aparece por

todos os lados aonde quer que eu vá, e isso está me deixando nervosa.

É um cara sério, antipático, e se limita a sorrir. Mas percebo que me procura com o

olhar, e isso me desconcerta.

Os dias vão passando e, finalmente, uma manhã a gente se esbarra e troca

sorrisinhos. Mas o que estou fazendo? Nesse dia ele já não fecha a porta de sua sala, e

seu ângulo de visão é ainda melhor. Consegue me ter totalmente sob controle. Que

agonia, meu Deus!

Como se não bastasse, a cada dia que cruzo com ele na cafeteria, ele me observa...

me observa... e me observa. Se bem que, quando me vê com Miguel ou os outros caras,

vai embora depressa. Que coisa!

Hoje estou atoladíssima com as pilhas de papel que a maníaca da minha chefe me

pediu. Como sempre, parece esquecer que Miguel, embora seja o secretário do senhor

Zimmerman, é quem deve se ocupar de cinquenta por cento da papelada que

gerenciamos.

Na hora do almoço aparece no escritório o objeto dos meus sonhos úmidos e, após

cravar seu olhar insistente sobre mim, entra na sala da minha chefe sem bater na porta,

e dois segundos depois eles saem juntos e vão almoçar.

Quando fico sozinha, me sinto enfim aliviada. Não sei o que acontece, mas a presença

desse homem me dá calor e faz meu sangue ferver. Depois de arrumar um pouco a

minha mesa, decido fazer o mesmo que eles e ir comer. Mas é tamanha a confusão de

papéis que me esperam que, em vez de usar minhas duas horinhas para o almoço, saio

apenas por uma hora e volto em seguida.

Ao chegar, enfio minha bolsa no gaveteiro, pego meu iPod e coloco os fones de

ouvido. Se há algo de que gosto nesta vida, é música. Minha mãe ensinou a meu pai,

minha irmã e a mim que quem canta seus males espanta. Este é, entre outros tantos, um

de seus legados, e talvez por isso adoro ouvir música e passo o dia cantarolando. Após

ligar meu iPod, começo a cantar enquanto me ocupo dos papéis. Minha vida se reduz à

papelada!

Entro carregada de pastas na sala da maníaca da minha chefe e abro uma espécie de

aparador que usamos como arquivo. Esse aparador se comunica com a sala do senhor

Zimmerman, mas, como sei que ele não está, relaxo e começo a arquivar enquanto

cantarolo:

Te regalo mi amor, te regalo mi vida,

a pesar del dolor, eres tú quien me inspira.

No somos perfectos, somos polos opuestos.

Te amo con fuerza, te odio a momentos.

Te regalo mi amor, te regalo mi vida,

te regalaré el Sol siempre que me lo pidas.

No somos perfectos, sólo polos opuestos.

Mientras que sea junto a ti, siempre lo intentaría

¿Qué no daría...?

— Senhorita Flores, a senhorita canta muito mal.

Essa voz. Esse sotaque.

Assustada, derrubo no chão a pasta que eu segurava. Me abaixo para pegá-la e, putz!,

dou uma topada nele. No senhor Zimmerman. Com a angústia que tenho estampada na

cara pela quantidade de gafes que estou cometendo com esse superchefão alemão...!

Olho para ele e tiro os fones do ouvido.

— Me desculpe, senhor Zimmerman — murmuro.

— Não tem problema. — Toca meu rosto e pergunta com familiaridade: — Você está

bem?

Como um bonequinho, desses instalados na parte traseira de alguns carros, faço que

sim com a cabeça. Outra vez me pergunta se estou bem. Que fofo! Sem poder evitar,

meus olhos e todo o meu ser o examinam em profundidade: alto, cabelo castanho com

mechas louras, trinta e poucos anos, musculoso, olhos azuis, voz profunda e sensual...

Convenhamos, um espetáculo.

— Lamento tê-la assustado — acrescenta. — Não era minha intenção.

Volto a mover a cabeça como um boneco. Como sou boba! Levanto com a pasta nas

mãos e pergunto:

— A senhora Sánchez veio com o senhor?

— Veio.

Surpresa com a informação, já que não a vi entrar em sua sala, começo a tentar sair

do arquivo, quando o alemão agarra meu braço.

— O que você estava cantando?

Aquela pergunta me pega tão de surpresa que estou prestes a soltar: “E o que você

tem com isso?” Mas, felizmente, contenho o impulso.

— Uma música.

Ele sorri. Meu Deus! Que sorriso!

— Eu sei... Gostei da letra. Que música é essa?

— Blanco y negro, de Malú, senhor.

Mas parece que está achando engraçado. Será que está rindo de mim?

— Agora que você sabe quem eu sou, me chama de senhor?

— Desculpe, senhor Zimmerman — esclareço com profissionalismo. — No elevador eu

não o reconheci. Mas, agora que já sei quem é, devo tratá-lo como merece.

Ele dá um passo na minha direção e eu dou outro para trás. O que está fazendo?

Ele dá mais um passo e eu, ao tentar fazer o mesmo, me grudo ao aparador. Não

tenho saída. O senhor Zimmerman, esse cara sexy em cuja boca enfiei há alguns dias um

chiclete de morango, está quase em cima de mim e se agacha para ficar da minha altura.

— Eu gostava mais quando você não sabia quem eu era — murmura.

— Senhor, eu...

— Eric. Meu nome é Eric.

Confusa e descontrolada pela excitação que esse cara imenso está me despertando,

engulo a enxurrada de sensações que formigam por todo o meu corpo.

— Me desculpe, senhor. Mas isso não me parece correto.

E, sem me pedir permissão, tira a caneta que prendia meu coque, e meu cabelo liso e

escuro cai sobre meus ombros. Eu o encaro. Ele me encara também. E nossos olhares são

seguidos por um silêncio mais que significativo, durante o qual nós dois ficamos com a

respiração entrecortada.

— O gato mordeu sua língua? — me pergunta, rompendo o silêncio.

— Não, senhor — respondo, à beira de um colapso.

— Então onde escondeu a garota brilhante do elevador?

Quando vou responder, ouço as vozes de minha chefe e Miguel, que entram na sala.

Zimmerman cola seu corpo ao meu e me manda ficar quieta. Sem saber muito bem por

quê, obedeço.

— Onde está Judith? — ouço minha chefe perguntar.

— Deve estar na cafeteria. Foi tomar uma Coca. Vai demorar — responde Miguel e

fecha a porta da sala da minha chefe.

— Tem certeza?

— Tenho — insiste Miguel. — Vamos, vem cá e deixa eu ver o que você está usando

hoje debaixo da saia.

Meu Deus! Isso não pode estar acontecendo!

O senhor Zimmerman não deveria ver o que eu acho que esses dois estão prestes a

fazer. Penso. Penso em como distraí-lo ou despistá-lo, mas nada me ocorre. Aquele

homem está quase em cima de mim, sem parar de me olhar.

— Tudo bem, senhorita Flores. Vamos deixar que eles se divirtam — me sussurra.

Quero morrer!

Que vergonha!!

Instantes depois, não se ouve nada exceto o som das bocas e línguas deles dois se

encontrando. Assustada com aquele silêncio incômodo, espio pela abertura da porta do

arquivo e tapo a boca ao ver minha chefe sentada sobre sua mesa e Miguel acariciandoa. Minha respiração se acelera e Zimmerman sorri. Passa a mão pela minha cintura e me

puxa ainda mais para si.

— Excitada? — pergunta.

Olho para ele e não digo nada. Não pretendo responder essa pergunta. Estou

envergonhada pelo que estamos presenciando juntos. Mas seus olhos curiosos se cravam

em mim e ele aproxima sua boca da minha.

— O futebol a deixa mais excitada do que isso? — insiste.

Ai, Deus! Ele é que me deixa excitada. Ele, ele e ele.

Como não ficar excitada com um homem como esse em cima de mim e diante de uma

situação como essa? Que se dane o futebol! No fim, volto a fazer que sim com a cabeça

como um bonequinho. Que sem-vergonha eu sou.

Zimmerman, ao me ver tão alterada, também move a cabeça. Espia pela fresta e me

arrasta até ficarmos os dois diante do vão da porta. O que vejo me deixa sem palavras.

Minha chefe está de pernas abertas sobre a mesa, enquanto Miguel passeia sua boca

com vontade no meio das coxas dela. Fecho os olhos. Não quero ver isso. Que vergonha!

Instantes depois, o alemão, que continua me segurando com força, me empurra de novo

contra o arquivo e me pergunta ao pé do ouvido:

— Está assustada com o que vê?

— Não... — Ele sorri e eu acrescento, cochichando: — Mas não acho certo a gente ficar

espiando, senhor Zimmerman. Acho que...

— Espiá-los não vai nos fazer mal e, além do mais, é excitante.

— É minha chefe.

Faz um gesto afirmativo e, enquanto passa sua boca por minha orelha, sussurra:

— Eu daria tudo para que fosse você que estivesse em cima da mesa. Passearia minha

boca por suas coxas, para depois enfiar minha língua dentro de você e te possuir.

Boquiaberta.

Perplexa.

Alucinada.

Mas... o que foi que esse homem disse?

Impressionada e absurdamente excitada, me preparo para dar uma resposta atrevida

quando, de repente, todo meu corpo reage e eu sinto meu ventre se contraindo. O que

esse homem acaba de dizer está mexendo comigo e eu não consigo disfarçar, por mais

grosseiro que tenha sido o comentário dele. Então, o percurso de seus lábios se detém

diante da minha boca. Sem tirar os olhos de mim, põe para fora sua língua molhada,

passa por meu lábio superior, depois pelo inferior e, finalmente, me dá uma leve e doce

mordidinha no lábio.

Não me mexo. Não consigo nem respirar!

Ao ver que estou ofegante, volta a esticar a língua e, sem pensar, eu abro a boca.

Quero mais. Suas pupilas se dilatam. Confiante, enfia a língua na minha boca e, com uma

habilidade que me deixa atordoada, começa a movê-la até me fazer perder os sentidos.

Esquecendo tudo, correspondo a suas exigências e em seguida sinto que sou eu quem

se aperta contra seu peito musculoso em busca de algo mais. Me deixo levar pelo meu

desejo. Durante alguns segundos, nos beijamos apaixonadamente no mais absoluto

silêncio, enquanto escutamos os gemidos da minha chefe. Meu corpo treme ao contato

de seu corpo. Sinto suas mãos agarrando minha bunda e tenho vontade de gritar... mas

de prazer! Logo retira sua língua da minha boca e, sem tirar de mim seus olhos azuis,

pergunta:

— Janta comigo?

Volto a balançar a cabeça, mas desta vez para negar. Não pretendo jantar com ele. É

o chefão, o dono da empresa. Mas minha resposta não parece agradar, e ele afirma:

— Sim. Você vai jantar comigo.

— Não.

— Gosta de me contrariar?

— Não, senhor.

— Então?

— Não janto com chefes.

— Comigo sim.

Sua proximidade é irresistível, e o novo ataque à minha boca é arrebatador. Se antes

houve faíscas, agora é puro fogo. Ardor... Calor... E, quando consegue me ter derretida

em suas mãos, tira novamente a língua da minha boca e insinua um sorriso. Adoro essas

insinuações!

Sem fala e perturbada, eu o encaro. Que merda estou fazendo? Sem se mexer um

milímetro sequer, pega do bolso um Blackberry preto e começa a digitar. Minutos depois,

ouço baterem na porta da minha chefe, ao mesmo tempo que ele me pede silêncio.

Miguel e ela se recompõem rapidamente e eu não consigo deixar de me surpreender com

sua capacidade de reação. Segundos mais tarde, Miguel abre.

— Desculpe, senhora Sánchez — diz uma voz que não reconheço. — O senhor

Zimmerman quer tomar um café com a senhora. Está esperando na cafeteria do nono

andar.

Através da porta entreaberta e ainda com o alemão em cima de mim, vejo Miguel indo

embora e minha chefe tirando uma nécessaire de uma das gavetas de sua mesa. Retoca

o batom rapidamente e, depois de ajeitar o cabelo e a roupa, sai da sala. Nesse

momento, sinto que a pressão desse homem sobre mim diminui, e ele me solta.

— Ouça, senhor Zimmerman...

Mas ele não me deixa falar. Volta a pôr um dedo na minha boca. Sinto vontade de

mordê-lo, mas me contenho. E, após abrir as portas do arquivo, me olha e diz:

— Tudo bem. Não nos trataremos por “você”. — Caminha até a porta e acrescenta

com uma segurança esmagadora: — Passo na sua casa às nove. Esteja linda, senhorita

Flores.

E eu fico olhando para a porta como uma idiota.

Mas qual é a desse cara?

Quero gritar “não!”, mas, se eu fizer isso, o escritório inteiro vai me ouvir. Cheia de

calor e agitada, saio do arquivo e, enquanto caminho até minha mesa, meu celular apita.

Uma mensagem. Abro e fico espantada quando leio: “Sou seu chefe e sei onde a

senhorita mora. Nem pense em não estar pronta às nove em ponto.”

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