
Paraíso Escondido: O Berço da Vingança
Capítulo 2
Sofia desligou o telefone, um sorriso discreto nos lábios.
"Paraíso Escondido está pronto, Sra. Sofia."
A voz do consultor ainda ecoava em sua mente.
Sua fazenda exclusiva em Minas Gerais, um refúgio.
O serviço de "companhia ideal" personalizado também estava confirmado.
Ela agendou a ida para dali a quinze dias, logo após a festa de noivado.
Quinze dias.
Uma contagem regressiva para algo que ela ainda não nomeava.
Seu olhar se perdeu pela janela do escritório de arquitetura.
São Paulo se estendia abaixo, um mar de concreto e ambição.
Ambição.
Ricardo.
O nome dele era um gosto amargo que ela aprendera a disfarçar.
Conheceram-se na faculdade, ela já herdeira, ele de origem humilde, faminto.
Sofia, a romântica, vira nele um potencial que ninguém mais enxergava.
Ou talvez, apenas o que ela queria ver.
Ela se esforçara para conquistá-lo, um esforço unilateral.
Pagou cursos caros para ele, no Brasil e no exterior.
Deu-lhe um carro importado, porque o dele "não condizia com sua nova posição".
Adiantou dinheiro para projetos que nunca saíram do papel.
E o mais recente, o apartamento de luxo onde moravam, estava no nome dos dois, embora cada centavo tivesse saído da conta dela.
Um presente de noivado antecipado, ele dissera com um sorriso charmoso.
Ela acreditara.
O pedido de casamento fora um espetáculo.
Réveillon na Baía de Guanabara.
Drones formando "Casa comigo, meu amor?" no céu estrelado.
Um vestido de noiva de um estilista renomado já estava encomendado, escolhido por ele, claro.
Ricardo sabia como encenar a perfeição.
Uma semana antes daquele telefonema sobre a fazenda, Isabella ressurgiu.
Ex-namorada de Ricardo da faculdade, agora uma influenciadora digital, ou modelo, Sofia não sabia ao certo.
Sabia apenas que era a antiga paixão dele, aquela que ele jurava ter esquecido.
Ricardo começou com desculpas esfarrapadas, "compromissos de trabalho", "reuniões urgentes".
Sofia sentiu o cheiro da mentira, um odor familiar e enjoativo.
Ele sempre fora um péssimo mentiroso, mas ela sempre fora boa em fingir que acreditava.
Até agora.
Então, as fotos chegaram.
Um número desconhecido.
Ricardo e Isabella.
Não em um motel barato, mas em um dos hotéis mais luxuosos da cidade.
Fotos íntimas, explícitas.
O rosto de Ricardo contorcido em um prazer que Sofia raramente via direcionado a ela.
O estômago dela revirou.
A arquiteta renomada, a herdeira, a noiva.
Reduzida a uma espectadora de sua própria humilhação.
Ela não pensou.
Correu para o carro, o celular com as imagens esmagado na mão.
Precisava ver. Precisava ouvir.
O corredor do hotel era silencioso, acarpetado.
Ela parou em frente à suíte indicada na mensagem anônima.
A porta estava entreaberta.
Vozes.
A risada de Isabella, estridente.
A voz de Ricardo, baixa, conspiratória.
"Claro que vou casar com a Sofia, meu bem. Você acha que eu ia perder essa bolada? Mas isso não muda nada entre a gente. Podemos continuar nosso caso em segredo, como sempre."
Sofia sentiu o ar faltar.
Apoio-se na parede, o celular gravando tudo.
Cada palavra, uma facada.
Ele não a amava. Ele nunca a amara.
Era tudo pelo dinheiro.
Ela era um meio para um fim.
"Ela é fácil de enganar", ele acrescentou, e Isabella riu com gosto.
Fácil de enganar.
Aquelas palavras ecoariam em sua mente por muito tempo.
Sofia viu a maçaneta girar.
Escondeu-se em um vão de serviço, o coração martelando contra as costelas.
Viu os dois saindo, de braços dados, rindo.
Ricardo passou a mão pelo cabelo de Isabella, um gesto íntimo.
Um gesto que ele nunca fazia com Sofia.
Ela esperou que sumissem no elevador.
Então, correu para o banheiro mais próximo e vomitou.
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