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Capa do romance Paixão Perigosa

Paixão Perigosa

Ana Liz sempre sonhou com um amor simples e pé no chão, mas sua realidade muda drasticamente ao conhecer Artur Johnson, um herdeiro bilionário. Envolvida em uma trama de segredos e mentiras, ela acaba beijando o homem errado por engano. Esse encontro inesperado desencadeia uma busca implacável, levando-a a experimentar sentimentos intensos e perigosos. Agora, ela precisa lidar com o delírio sublime de uma paixão repleta de riscos e obscuridade.
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Capítulo 3

Sei que Artur é um homem ocupado, e achei muito fofo da parte dele me enviar algumas flores, pego as rosas na portaria, depois chamo o elevador, cheiro as rosas enquanto o elevador sobe, suspiro e não tenha dúvidas que Artur é a minha melhor escolha.

Leio o bilhete escrito:

Hoje eu busco você para jantarmos, há algo que preciso contar.

Um misto de ansiedade, apreensão, e muita curiosidade para saber o que ele precisa me contar.

Meu apartamento é pequeno, mas ajeitei ele, meus avós me mandando alguns trocados para ajudar na compra da mobília, quando me mudei tinha apenas o necessário para sobrevivência.

Agora tenho um sofá em um tom rosa bebê, e de frente para ele um puff quase da mesma cor, eu ainda quero colocar esse puff em meu quarto e no lugar dele colocar uma poltrona, que ficará encostada na pilastra, que separa minha pequena sala da cozinha americana. Nessa pilastra fica um humilde painel com a minha TV. Há uma pequena estante onde ficam meus livros, minha samambaia.

E na cozinha há uma mesa compacta com duas cadeiras, há uma porta para o meu quarto, outra para o meu banheiro, entre a cozinha e o banheiro há uma minúscula área de serviço.

Não é o lugar mais lindo do mundo, mas é o meu cantinho onde convivi todos esses meses.

Tomo um banho, depois levo um tempo ajeitando meus cabelos e me maquiando, olho para minhas unhas e fico desanimada, pois não há vestígios de vaidade nelas, resta apenas os cotocos.

Escolho um vestido preto bem básico, meu orçamento é pouco para gastar em roupas, pois cada centavo faz diferença. Para uma garçonete em restaurante e estudante universitária, bolsa, notas... só é pensar em faculdade que começo a ter dor de cabeça.

Por fim, passo um batom rosa, pressiono os lábios e espero que isso seja o suficiente.

Deixei meu celular na bolsa em cima do sofá, e vejo  algumas ligações não atendidas da minha avó.

Pela hora ainda tenho tempo de retornar à ligação e é o que eu faço.

Ela me atende, mas antes de dar atenção ao celular, ela fala alguma coisa para meu avô sobre a gata chamada Francisca que ela cria como se fosse uma filha.

— Oi gatona, vi sua ligação. — Falo, sobrando o ar na mão constatando a eficácia da minha escovação e enxaguante bucal.

— Até que fim atendeu alguma ligação minha! — fala, sabendo que não faz nem dois dias que nos falamos. — E como você está minha filha?

— Ando bem, e a senhora?

Rodopio na sala correndo para a cozinha, umedeço um pano de prato e passo na mancha de base no meu vestido, sou muito desastrada quando o assunto é maquiagem.

— Ah, minha filha, eu estou levando as coisas, você sabia que seu avô quase matou a Francisca intoxicada com a inseticida?

Ela sempre fala sobre esses assuntos... não a condeno, pois são aposentados e vivem procurando coisas para fazer,  mesmo achando que eles merecem um descanso, são os melhores avós do mundo.

— Sério?

— Sim, saímos e ele resolveu colocar o remédio com a gata dentro de casa, Francisca respirou tudo... Mas mudando de assunto como vão as coisas com você e o Artur?

— Indo muito bem, já disse que somos noivos...

— Nem me fale, seu avô achou uma falta de respeito isso! Artur nem sequer ligou para conversar sobre a decisão de noivar com a nossa neta!

Mordo os lábios rindo um pouco. É, a gente entrou nessa conversa novamente, sinceramente eu queria muito que ele pedisse minha mão em casamento para eles. Ou conversasse com eles sobre isso.

Artur disse que no casamento eles estarão presentes, mas ainda assim algo me diz que não é o suficiente. Eles me criaram, quando minha mãe me entregou para eles, logo após a morte do meu pai. Meu pai morreu em um acidente após meu nascimento.

Deixo o pano em cima da pia e respondo:

— Com certeza a senhora iria dizer para ele que sou uma péssima candidata — brinco — ia dizer para ele cair fora.

— Claro que não, só acho que devemos participar desse negócio aí.

Acho graça do "negócio aí", rio e digo:

— A senhora nunca vai ficar fora da minha vida, certo? Agora tenho que ir, beijos, linda. 

— Tudo bem, vê que se cuida!

Desligo a ligação, sento-me no sofá e calço as sandálias, prendo as fivelas. Artur é sempre pontual, pego uma bolsa de mão e enfio meu celular dentro, e o batom, aceno para o porteiro, atravesso a rua com a Mercedes-Benz de Artur buzinando, com o vidro abaixado, ele está com a cara de quem aprontou ou vai aprontar alguma coisa.

— Oi amor. — Digo ao entrar no carro, beijo sua bochecha.

— Você está linda.

— Ah, obrigada.

Ele pisca, dirigi até um restaurante muito longe de onde moro, é o que costumamos frequentar. Se ele tivesse me levado no restaurante onde trabalho além de não demorar tanto no trânsito eu poderia ter meu desconto de 15% para funcionários, mas Artur detesta o restaurante e já deixou claro inúmeras vezes, acho que os pais deles já tiveram algum tipo de desentendimento com o chefe.

Enfim, melhor não estragar nossa noite sugerindo para ele ir lá.

Ao chegar, saio do carro, ele pede para eu ir na frente então eu vou, não demora muito para ele me alcançar.

Nos sentamos na mesa reservada, essa é a única vez que ele puxou a cadeira para mim e começo a estranhar, pois de repente ele criou senso de cavalheirismo?

Faço meu pedido, Artur escolhe o vinho. Noto suas mãos nervosas ao servir o vinho na minha taça.

— Então, eu disse que ia contar algo importante para você.

— E fiquei curiosa desde então...

Sorvo o vinho, um sabor mais encorpado desce até minha garganta, o vinho é bom. Ótimo. Talvez o melhor vinho que já provei em algum jantar com o Artur.

E para mim coisas boas só acontecem em datas especiais, na maioria das vezes me contento com o que dá, o que tem.

— Eu fui promovido de gerente de hotel a um dos assistentes do dono que é o meu pai.

Se eu ouvi bem ele é "um dos" não que não seja um cargo importante é mais um passo na vida dele e estou feliz por isso, meneio a cabeça sorrindo.

— Parabéns!

Ele solta um riso, e essa é a primeira vez que o vejo sorri desse jeito. Presumo que ficar perto do pai e dos negócios dele é realmente algo muito importante para ele.

— Sim, só precisava disso. — Abre as mãos e coloca em cima da mesa uma caixinha — podemos nos casar, comprei um anel novo e mais caro.

— Eu já tenho um anel. — Digo sem saber como reagir, as coisas estão indo um pouco rápidas demais. Casar agora?— Artur, eu... nem sei o que dizer.

— Diz que sim! Pelo amor de Deus, ainda dá tempo, você pode pensar que tudo está acontecendo rápido demais, mas preciso de você... Vamos morar em um lugar maior que aquele seu quartinho desconfortável.

Isso é irritante, ele chamar meu apartamento de "quartinho desconfortável", pois é confortável o suficiente para eu dormir, comer e viver!

— Eu vou pensar.

— Você já aceitou ser minha noiva. — Fala convencido, desabotoando um botão do seu terno — aceita querida. Eu te amo, — pega minha mão e beija — não há nada que nos impeça, sou fiel a você, ao nosso amor...

Engulo em seco, me lembrando daquela maldita festa que beijei um estranho.

— Preciso lhe contar algo.

— Sou todos ouvidos.

— Eu beijei um cara, na festa na casa dos seus pais, não sabia quem era, entrei no escritório e ele estava lá, não me deixou sair e nos beijamos. — Não quero parecer a dramática ou fingida, mas meus olhos marejam.

Artur se afasta,  acho que essa história de casamento não vai ir além, na verdade acho que ele vai terminar comigo. E eu não quero que isso aconteça, mas ele não é obrigado a perdoar uma traição.

— Por que só disse isso agora?

— Eu sinto muito Artur, fiquei apavorada que terminasse comigo, eu te amo e se vamos nos casar quero que saiba disso.

Cerra os olhos, com ar de desconfiança, percebo raivas também, porém ele só me encara de volta.

— Eu te amo, eu vou te perdoar. Aceita se casar comigo?

Fico balançada pela sua atitude, eu posso ser movida pela emoção, meus sentimentos, para dizer:

— Eu aceito, mas preciso conhecer seus pais e você meus avós.

— Claro, vamos todos nos conhecer melhor. Mas acho que somos adultos para fazermos nossas escolhas.

— Meus avós são importantes para mim. — Me lembro que eles sempre estiveram comigo, nas dificuldades, nos conselhos, nas receitas bobas do vovô para manter um homem mal caráter longe de mim. — São muito importantes para mim.

Olho para a comida sem vontade alguma de comer.

— Eu entendo, mas não acha que eles vão se cansar fazendo uma viagem do Brasil até Las Vegas apenas para me conhecer?— Na verdade, eu estava pensando que ele faria a viagem até o Brasil para conhecê-los — quando terá todo tempo do mundo, na festa de casamento, por exemplo. Pense sobre isso.

— Eu aceito casar com você, mas sobre as outras coisas eu vou pensar melhor. Chegaremos a uma solução.

O jantar com ele não teve mais nenhuma novidade, apenas a sua promoção no trabalho e o pedido de casamento.

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