Capa do romance Paixão Perigosa

Paixão Perigosa

8.8 / 10.0
Ana Liz sempre sonhou com um amor simples e pé no chão, mas sua realidade muda drasticamente ao conhecer Artur Johnson, um herdeiro bilionário. Envolvida em uma trama de segredos e mentiras, ela acaba beijando o homem errado por engano. Esse encontro inesperado desencadeia uma busca implacável, levando-a a experimentar sentimentos intensos e perigosos. Agora, ela precisa lidar com o delírio sublime de uma paixão repleta de riscos e obscuridade.

Paixão Perigosa Capítulo 1

A primeira vez que vi Arthur Johnson eu era nova em Las Vegas, nasci em São Paulo, mas  no fim da adolescência meus avós se mudaram para Salvador, meus avós maternos são bilíngues, eles eram professores de língua e desde cedo aprendi não apenas com eles, como nas escolas com mensalidades caras que eles pagavam, e graças a isso, hoje, consigo falar inglês muito bem, e moro aqui a cinco anos.

Conheci Artur.

Embora nosso estilo de vida seja muito diferente, nos entendemos. Artur me ama. E eu a ele. Hoje em especial ele me convidou para um jantar com sua família, estamos juntos a seis meses e nunca recebi um convite para conhecer seus pais.

Me sinto feliz por isso, porém achei que a festa seria mais reservada, e acho que ele notou meu desconforto.

Uso um vestido cor bege, simples, com algumas miçangas imitando pérolas nas mangas dele. Meus cabelos estão presos em um coque afofado, deixando-os mais livres com suas ondulações de fios castanhos bem claros.

Artur com seus vinte e um anos tem os olhos verdes, expressivos, alto e magro, barba bem ralas, cabelos loiros e ama jogar tênis.

Artur conversa com a secretária do pai dele por alguns minutos, ela é jovem e bastante atraente, Hilary  a mãe do Artur  tem ciúmes dela, Artur já me disse isso algumas vezes, embora garanta que o seu pai não tenha nenhum caso com a secretária, depois ele vem até mim com uma taça de champanhe que acabou de pegar, me entrega e diz:

— Você é a melhor coisa que me aconteceu. Te amo Liz.

O pai de Artur não tira os olhos de mim, embora essa seja minha primeira vez nessa casa, não é a primeira vez que ele bateu de frente comigo. Ainda não tive coragem de revelar para Artur que o seu pai esteve algumas semanas atrás na minha casa me pedindo para eu me afastar dele.

Como se Artur não fosse grandinho o suficiente para tomar suas próprias decisões.

Esse homem é terrível.

Bruce Johnson é dono de uma rede de hotéis e acha que me aproximei do seu filho por dinheiro, quando na verdade foi o oposto partiu do Artur se aproximar de mim.

Ainda bem que ele não puxou ao pai, para ser sincera estou torcendo por isso, pois até agora ele sempre me tratou de maneira gentil, pego sua mão e lhe dou um leve aperto, lhe assegurando que ele me tem independente de qualquer coisa.

— Eu também. — Digo, me sinto segura ao seu lado.

Ele se afasta de mim, me deixando sozinha em meio as pessoas que não conheço, passo o olhar pela sala de visitas, é como se eu não existisse, como se fosse algum adereço medíocre fazendo parte da decoração. 

Engulo o champanhe com raiva.

Noto em uma silhueta masculina e corpulenta no meio da multidão, ao lado de uma senhora mais velha, com cabelos esvoaçado em um penteado exótico, assim como a maquiagem e o vestido numa pegada mais futurista, ela tem olhos puxados e pele negra,   a senhora sorri de maneira graciosa para o que parece ser seu acompanhante, ele mantém uma postura fechada, ranzinza.

Sua mão grande segura com força uma taça de cristal, seus cabelos tem fios escuros, sedosos, seu rosto carrega uma fisionomia impenetrável, queixo quadrado e rude, uma barba mais espessa que a do Artur contorna seu rosto, lábios grossos e pele levemente morena. E detalhe, o homem está vestido todo de preto.

 Chego a conclusão que ele tem um ar perigoso, como se estivesse totalmente deslocado nesse lugar, mesmo a senhora o guiando, e nisso eu o entendo, me sinto deslocada também e para completar Artur me deixou sozinha.

Ele cruza os braços grandes e definidos através do terno, sinto meus pelos eriçarem quando ele se vira e me nota.  Nossos olhos se cruzam, ele franze o cenho um pouco, eu me sinto desconfortável. E coloco a taça vazia na bandeja de um garçom.

Não encontro mais Artur em lugar nenhum, prendo a mão no meu vestido, quero ir embora.

Meu rosto fica em chamar com a persistência do homem em me olhar, me deixa um pouco fora de mim. Por que ele ainda está me olhando? Não posso mais continuar no mesmo ambiente que ele. Deus. Por que diabos fui reparar nele? Passo por uma mesa de bufê. Penso que posso pegar algo e disfarçar, pelo menos farei alguma ação — a de comer, e não ficar parada em um canto como uma estátua. É, faço isso, pego algumas coisas e como e ao passar o olhar pelo ambiente eu não vejo mais aquele homem, nem seu olhar perseguidor. 

Deixo o prato vazio de lado, saio beirando as laterais do recinto, encurralada, e a procura de um lugar menos barulhento possível.

Abro uma porta, e entro em uma sala pouco iluminada com uma sensação tênue do silêncio me acalmando, a sala está escura também e acho que me encontro em um escritório, fecho a porta atrás de mim e tateio a parede em busca do interruptor.

— Deixe apagada. — Me assombro ao ouvir o som de uma voz masculina, e um tanto impaciente.

O cheiro da sua colônia fica cada vez mais próxima, recuo o dedo da parede, assim como o meu corpo que choca com algo firme, meus tornozelos tocam no tecido da sua roupa.

— Eu sinto muito, não queria interromper, só estava à procura de um lugar calmo.

Minha boca está seca, estou completamente amedrontada de ficar trancada no escritório com um estranho, não consigo vê-lo, mas a sua respiração ainda continua muito próxima de mim.

— Aqui tem tudo, menos calma. — Ele cheira a partilha de hortelã e a tabaco.

— Eu vou sair, desculpe.

— Fique. 

 Posso não ver muito bem, há uma fraca iluminação vindo do jardim, as  persianas da janela estão abertas, o barulho de algo se chocando na porta, posso imaginar que seja sua mão.

Estremeço, deixo um fraco lamento sair entre os lábios. Movo minhas mãos pela porta e encontro a fechadura, destravo e uso toda minha força para abri-la, porém não funciona. O suor pinica em minhas axilas, expelindo meu medo por cada poro da minha pele.

— Deixe-me ir. — Peço em um sussurro.

— você é a garota que estava me olhando. — Ele diz, passa a mão em meu braço, toca nas pérolas do meu vestido, produz um som de deleite. — É você.

 Faz essa afirmação antes de tocar em minha cintura, até meus quadris, vira meu corpo, e mesmo sobre o tecido, me desconcentro com seu toque. Que inferno ele está fazendo?

— Deixe-me ir. 

 Devo admitir que gosto do seu cheiro, e sua voz, e logo me lembro da figura sombria que me observava, másculo e enigmático, e agora que ele está tão perto sinto algo diferente de tudo que sentir, ele me causa isso, é  como um dia  ensolarado sendo apreciado da areia da praia. Obviamente a temperatura está quente. 

Mas eu tenho que parar isso o quanto antes...

— Não quero. — Ele diz, e enfia os dedos na minha nuca, bagunçando meu coque até soltá-lo. Inferno. Ele acabou de me despentear… qual o problema dele? Sei que isso é errado, tenho um namorado, ainda assim esse "algo errado" me atrai. — Quero fazer qualquer coisa, exceto deixar você sair por essa porta, linda.

Pisco atordoada.

Mesmo nesse vestido sem graça, nada em mim chama atenção, já ele, é um homem sedutor, ele penteia os fios do meu cabelo com os dedos, e minha cabeça move minha para trás. Desde quando sou tão descarada em deixar um homem me tocar assim? 

— Eu preciso ir ago...

Não me deixa completar, pois toca ao redor dos meus lábios com o polegar, mantenho os lábios entreabertos, ele vai além e me beija, indo mais fundo com sua língua, me beija de maneira avassaladora, tento me ajeitar, tremendo na base entre os saltos, com o medo de ser pega. E isso é excitante, mas por que? Por que eu me sinto excitada com essa ideia? Quem sou neste momento? Eu não sou assim. Juro que não. o prazer parece se expandir cada vez que ele dá voltas com sua língua, tento acompanhá-lo, mas me sinto precipitante tanto na arte de ceder ao perigo, como na de beijar tão bem quanto ele.

Meus lábios se estremecem em sua boca, suas mãos vasculham em minhas costas parecem procurar minha pele, meu vestido não tem brecha alguma, ele morde meu lábio inferior que arde, como se fosse para se vingar por não ter tanta liberdade ao me tocar.

Mas seu beijo compensa qualquer toque,  se bem que queria mais, toco em seu rosto para afastá-lo, mas ao sentir a textura da sua barba grossa esqueço dos últimos minutos de existência, de pensamentos, do que me trouxe aqui, e até mesmo o porque não posso beijar outro cara, porque isso é tão bom, tão envolvente que me inebria, o que me faz retribuir o beijo com ânsia, ele exprime um som de um gemido. Meu corpo esquenta como um inferno. Ele está gostando desse beijo tanto quanto eu? Porque eu devo estar no chão, derrubada e desmaiada tendo um sonho bom.

O homem misterioso separa os lábios e eu reclamo devolvendo a mordida que ele deu enquanto me beijava, ele rir descaradamente nos meus lábios, e não desiste da ideia de interromper o beijo. Dizem que tudo o que é bom dura pouco, não é? 

Entretanto, ele prolonga os beijos até meu  pescoços, arqueio com a mente confinada em seus toques, suga minha pele e merda isso vai deixar uma marca, toco em seus ombros o afastando.

— Me diga seu nome. — Ele diz, sua voz está rouca e controlada. Enquanto continua me beijando na região do pescoço me fazendo arrepiar com sua boca em minha pele, e os pelos da sua barba.

— Não. Melhor não.

Segura meu pulso colocando contra a porta.

— Não vai sair daqui enquanto não souber seu nome.

— Vão sentir minha ausência, vão vim me procurar, me deixe ir.

Ele salta uma lufada descrente, me encolhi mais ainda. Adotando postura de presa, ele é um caçador, mas creio que esteja caçando a pessoa errada. Sou uma mulher simples, não ousaria largar minha vida banal para me envolver com ele. 

— Não vão vim e você sabe disso, ninguém parecia se importar com você na festa. Então por que está aqui?

— Não é um problema seu.

Tento ocultar meu medo na grosseria. Meu orgulho também, pois ele tem razão ninguém ali além do Artur se importa comigo.

— Me diga seu nome. — Fala em um tom mais exigente.

— Liz.

— E o que mais?

— Ana Liz.

— Isso... — Se cala e afasta seus lábios da minha pele. — Ana Liz de quê?

Meus avós escolheram esse nome, Ana era o nome da minha mãe. Tento me desvencilhar do seu aperto, consigo livrar minha mão, mas ainda estou imobilizada entre a porta e ele.

— Martins.

— Ana Liz Martins. — Ele segura meu queixo, ergue e o morde. — Eu vou encontrar você. Agora pode sair. Eu posso lhe dá tudo, menos tranquilidade.

Abro a porta bruscamente, me sentindo tirada da minha zona de conforto, da segurança da minha tranquilidade. Quem era aquele homem? Não sei nada sobre ele, mas pode ser algum amigo de negócio do pai do Artur espero que, o que aconteceu entre a gente permaneça entre essas paredes.

Espero nunca mais vê-lo.

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