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Capa do romance Paixão Avassaladora

Paixão Avassaladora

Megan enfrenta um luto profundo e a falta de um lar, vendo na vaga de babá residente sua única chance de recomeço. O destino a leva para uma mansão isolada, onde nenhuma funcionária anterior conseguiu durar. Enquanto cuida das crianças, ela acaba derrubando as barreiras do pai delas, um homem de temperamento gélido e sombrio. Entre o isolamento e o dever, nasce uma conexão inesperada que mudará permanentemente a vida de todos naquela casa.
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Capítulo 2

Dois dias depois...

Megan jogou a bolsa sobre a mesa da cozinha e se deixou cair na cadeira, exausta.

Já era fim de tarde e estava cansada, faminta e completamente frustrada.

Em todos os lugares em que fora, imaginando que conseguiria um emprego decente, ela saíra decepcionada.

Nem mesmo sua experiência como enfermeira lhe ajudara desta vez.

Deitou a cabeça sobre os braços cruzados na mesa e deixou que os soluços extravasassem a miríade de sentimentos que tomavam conta dela naquele instante.

Raiva.

Solidão.

Tristeza.

Sem contar a frustração e decepção consigo mesma.

Após deixar com que as lágrimas aliviassem um pouco de toda aquela bagagem emocional, Megan se levantou e abriu a geladeira.

Tirando algumas garrafas de água e legumes murchos, não havia mais nada que pudesse comer.

Teria de se contentar com um macarrão instantâneo novamente, algo que estava comendo muito nos últimos dias e não lhe faria bem algum, mas que custava menos que uma refeição decente, algo que ela não podia pagar.

Desanimada, ela fechou novamente a geladeira e subiu para tomar um banho e pensar melhor no que fazer.

Flora lhe oferecera ajuda.

Talvez fosse a hora de deixar o orgulho de lado e aceitar o que a bondosa senhora lhe oferecia.

Talvez, uma semana dormindo no quartinho vazio que ela tinha em casa, fosse tempo o suficiente para encontrar um emprego. Enquanto isso, poderia fazer alguns bicos aqui e ali para ajudar a senhora e o marido com as despesas.

Assim que saiu do banho, se vestiu rapidamente e desceu a fim de ir até à casa de Flora, mas quando estava atravessando a sala, a campainha tocou.

Confusa, pois não estava esperando nenhuma visita aquela hora, Megan caminhou até a porta e abriu apenas o suficiente para que pudesse ver quem estava lá fora.

— Olá, querida. Desculpe vir assim de repente, mas estava esperando que voltasse para falar com você. — Flora disse, parecendo eufórica.

Surpresa pela visita inesperada, mas feliz por ser a Flora, Megan abriu a porta e permitiu que ela entrasse.

— Não se preocupe. Na verdade eu estava indo nesse instante falar com a senhora... — disse. — Se sua oferta ainda estiver de pé, acho que vou aceitar aquele quartinho vago que me ofereceu. Vou precisar de um pouco mais de tempo para encontrar um emprego.

Flora sorriu abertamente.

— Claro que minha oferta continua de pé, querida. — ela disse, entregando uma sacola que, até aquele momento, Megan não havia notado em suas mãos. — Esse é o seu jantar, imagino que esteja faminta após passar o dia todo procurando emprego.

Megan sentiu o cheiro maravilhoso da comida e sua barriga roncou no mesmo instante.

— Flora, não precisava…

Flora a interrompeu com um gesto.

— Claro que precisava. Olha só para você, está muito mais magra do que quando a conheci. — ela resmungou, empurrando-a para a cozinha e apontou para a cadeira para que Megan se sentasse e comesse. — Quanto ao quarto, você sempre será bem vinda. Mas acho que não será mais necessário. Encontrei a solução perfeita para você.

Megan, que abria a embalagem de comida, parou e a encarou, entre confusa e curiosa.

— Como assim...?

Flora se sentou ao seu lado, muito animada.

— Uma amiga minha me disse que estão precisando de uma babá na casa onde ela trabalha. — Flora contou. — O trabalho é em período integral e você pode morar na casa, claro. Você teria um emprego e um lar. E ainda poderia juntar uma grana para quando decidir seguir outro caminho...

— Mas, Flora, eu nunca cuidei de uma criança em toda a minha vida! — Megan disse, em pânico.

Claro que a oferta era maravilhosa.

Teria um salário, comida na mesa e ainda um teto sobre sua cabeça.

Mas ela não tinha experiência com crianças, a não ser pelo pouco contato que tivera com elas quando ainda era enfermeira.

Flora revirou os olhos.

— Querida, não é um bicho de sete cabeças.  Você cuidou de sua mãe doente durante todo esse tempo e ainda possui conhecimentos médicos.

Megan ainda estava em dúvida, apesar de completamente interessada na oportunidade.

Sem contar que seria mais uma experiência para acrescentar em seu currículo.

— Quantas crianças? — quis saber e Flora sorriu, percebendo que alcançara seu objetivo.

— São três. A menor tem um ano, mas os gêmeos tem nove.

Megan franziu o cenho.

— E os pais das crianças? — quis saber. Quanto mais informações tivesse, melhor.

— A mãe morreu no parto da mais nova e desde então as crianças ficam com uma babá. — Flora explicou. — O pai passa a maior parte do tempo no trabalho, para manter os negócios da família. Sai cedo de casa e volta apenas no fim do dia, quando as crianças já estão na cama.

Megan fez uma careta de desgosto, enquanto começava a comer.

Esse era o momento em que um pai deveria ser mais presente na vida dos filhos, já que perderam a mãe tão cedo. Mas ao invés disso, o homem se enterrava no trabalho enquanto as crianças ficavam com estranhos.

De repente, ela sentiu um desejo imenso de cuidar daqueles pequenos e dar a eles a atenção que mereciam.

Dar-lhes carinho, assim como sua mãe lhe dera até o seu último suspiro.

Era disso que elas precisavam naquele momento, e não do distanciamento frio do pai delas.

E, talvez, era disso que ela mesma precisava naquele momento, algo em que pudesse se concentrar para se esquecer da dor que sentia.

Decidida, Megan assentiu em concordância para Flora.

— Se me considera capaz de fazer isso, então sim. Eu quero esse emprego.

Não era como se tivesse muitas outras opções, na verdade.

Só de saber que teria um teto sobre sua cabeça, pelo qual não teria que pagar nada, era o que tornava aquele emprego ainda mais atraente aos seus olhos. Poderia juntar o seu salário até ter o suficiente para comprar uma casinha pequena para si mesma, ela pensou, ainda mais animada com aquela oportunidade que aparecia.

Só esperava que Flora estivesse certa quanto a sua capacidade de cuidar daquelas crianças e não cometesse erro algum, pensou ela.

Flora bateu palmas, animada, e se levantou rapidamente da cadeira onde se sentara.

— Vou agora mesmo ligar para minha amiga e contar que encontrei a pessoa certa para o trabalho. O senhor Howard lhe deu carta branca para a contratação, já que não poderá participar das entrevistas.— ela contou, caminhando para fora da cozinha. — Aconselho a ir fazendo as malas, querida!

Flora gritou da sala, antes de Megan ouvir o ruído da porta se fechando.

Deu mais alguma colheradas na comida, enquanto imaginava como seria no novo emprego e mais uma vez sentindo pena daquelas crianças. O pai nem mesmo se daria ao trabalho de entrevistar a pessoa que cuidaria dos próprios filhos! Ela pensou, indignada, e torcendo para que tudo desse certo.

Não fique tão nervosa, você consegue! Ela disse a si mesma.

Pelo menos alguma coisa boa acontecera em sua vida e, diferente das outras duas noites, Megan adormeceu mais tranquila apesar da tristeza em seu coração.

Pois aquela, talvez, seria a última noite que passaria naquela casa que um dia ela chamara de lar.

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