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Capa do romance Pacto com a Máfia

Pacto com a Máfia

Isabella vê sua vida mudar ao socorrer Lorenzo, um homem ferido em um beco. Sem saber que ele é uma figura central da máfia, ela acaba mergulhando em um submundo perigoso. Enquanto sentimentos surgem, a jovem se torna alvo de criminosos que a usam como peça de manipulação contra Lorenzo. Agora, em meio a segredos e riscos mortais, ela precisa decidir se busca sua própria segurança ou se arrisca tudo por esse amor proibido dentro da hierarquia do crime.
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Capítulo 2

Era de se esperar pelo horário, que meu pai estivesse em casa. Em minha cabeça o plano que elaborei em minutos, parecia fácil e não teria como dar errado, mas na prática nunca era assim.

- Isabella? - Ele me chama assim que entro em casa, em passos silenciosos e faço menção em ir para a cozinha, aonde Lorenzo me esperava ao lado de fora da casa - É você? - Ele sabia que era eu, mesmo assim, perguntava.

- Sim. Sou eu - Olho para a cozinha, antes de andar até a sala, o encontrando no mesmo lugar de sempre: sentado em sua poltrona gasta, em frente a Tv, assistindo ás últimas notícias.

Seus olhos me varrem de cima a baixo e pela primeira vez, por estar escondendo alguma coisa dele, eu gelo, temendo que ele descobrisse que havia um gângster do lado de fora sangrando e que queria colocar ele para dentro.

- Como foi seu dia? - Ele pergunta de repente, para meu alívio.

- A mesma coisa de sempre - Dou um rápido sorriso - Está com fome? Vou fazer o jantar - Não espero que ele responda, giro meu corpo em direção da cozinha.

- Passei no supermercado na vinda e comprei comida congelada - diz ele alto o suficiente para que ouvisse. As sacolas sobre a pia comprovavam isso, mas nem me aproximei, ando em passos largos até a porta, encontrando Lorenzo no mesmo lugar, só que um um pouco mais debilitado.

Passando novamente o braço dele por cima dos meus ombros, amparo ele para longe da cozinha, necessariamente para o único lugar naquela casa que meu pai não entrava: meu quarto. Meu quarto era no sótão desde que me lembrava, acredito que por gostar do espaço otimizado e da vista que eu tinha.

O mais difícil naquele momento, só foi subir a escada em caracol com um peso maior com meu corpo.

Lorenzo geme de dor quando o coloco sentado na poltrona perto da janela, mesmo com seus olhos semicerrados e o rosto ainda mais pálido, noto que ele olha com atenção o cômodo. Entretanto, o mesmo se assusta quando volto do banheiro com uma toalha de rosto e tento erguer sua camisa para pressionar a toalha ali.

- Vou precisar ver o ferimento - digo baixo, pressionando a toalha, tendo meu olhar sustentado por ele.

- Só promete que não vai me deixar morrer - diz ele num sussurro, sem forças.

Engulo em seco, me sentindo nauseada com o odor de sangue.

- Não sou médica, lembra? E você se nega a ir para um hospital - Lembro.

- Hospital não - diz ele ao menos sem pensar.

- Então vai ter que confiar em mim e nas minhas habilidades - Aquela não era a primeira vez que via tanto sangue. Eu cresci vendo sangue e não estou falando sobre filmes sangrentos, mas pelo fato do meu pai ser da polícia e ser teimoso como Lorenzo, acreditando que poderia sozinho lidar com ferimentos causados por armas de fogo.

Meu pai, Romero, sempre se sentiu alto suficiente. Não era o tipo de pessoa que gostava de pedir ajuda e sentia que poderia resolver todo tipo de problema, muitas vezes com a minha ajuda. Na época, ainda uma criança.

Lorenzo olha para o lado no momento que ergue um pouco a camisa encharcada e em meio a pele suja de sangue, percebo um pequeno buraco sutil, o que me faz o inclinar para frente, a procura de um mesmo furo daquele.

- Não tem saída - diz sem me olhar - A bala ainda está dentro de mim - Seus olhos voltam a encontrar os meus.

Fico ereta em sua frente analisando o que tinha diante de mim. Seria uma boa notícia e ao mesmo tempo não, se o projétil tivesse saído sem atingir nenhum órgão, mas como continuava dentro dele, na lateral do flanco, as chances de ter atingido algum órgão, ainda existia, só que não eram grandes.

Saio do quarto sem dizer uma palavra, mentalmente concentrada em pegar a caixa metálica, que continha tudo que precisava para situações como aquela na lavanderia.

Quando meus dedos tocaram a superfície fria, senti que o plano estava correndo até bem.

- Não disse que ia fazer o jantar? - A voz de Romero faz com que eu paralise, precisando agir com rapidez mas sutilmente, a escondendo na roupa.

- É comida congelada - digo me virando para ele - Só colocar no forno - Passo por ele rapidamente, andando o mais rápido que posso de volta para meu quarto.

Meu coração estava prestes a sair pela boca, quando entrei no meu quarto. Mais alguns segundos diante de Romero e ele descobriria todo meu plano, era o que ele considerava o lado bom em anos sendo um policial.

Lorenzo estava com a cabeça apoiada na poltrona de um jeito estranho, que para mim era como se tivesse morrido. Atravesso rapidamente segurando seu rosto com uma das mãos, esperando desesperadamente que ele não tivesse morrido naquele meio tempo, pois não tinha ideia do que fazer com um corpo, muito menos como explicaria como ele havia ido parar em meu quarto.

- Ainda estou vivo - diz ele com os olhos fechados. Suspiro alíviada, soltando seu rosto, tentando o tirar da poltrona.

- Preciso que deite na cama - Ele não diz nada, apenas usa o restante da força que ainda tinha, para se deitar em meio aos travesseiros e almofadas que havia na minha cama de solteiro.

Sem ao menos pedir permissão, começo a desabotoar a camisa, deixando aos poucos visível um peitoral definido, o que para mim significava que pelo menos ele se exercitava. Pegando meio que sem jeito a pistola que havia em sua cintura, a colocando em baixo da cama, aonde me parecia ser o lugar mais seguro naquele momento.

- Bebe isso - Aproximo o cantil com conhaque de seus lábios, não recebendo resistência, pelo contrário, ele bebe boa parte do líquido, o que o deixa ainda mais grogue.

Após limpar todo o local, pego a pinça depois de esterilizar, lembrando das palavras costumeiras de Romero: “Esterilizar é sempre essencial, não vai querer que ninguém morra e manter a ferida sempre limpa, também é algo essencial”.

Lorenzo franze o cenho quando começo a mexer na ferida, em busca do projétil. Até aquele momento, nunca havia sido baleada, mas Romero costumava dizer que era uma dor desagradável e poderia ser mais, dependendo do local. Minhas mãos tremiam como da primeira vez, aonde Romero praticamente me forçou a tirar um projétil de seu braço e considerei os quarenta minutos seguintes, como os piores e mais tensos da minha vida, enquanto Romero não parava de me dar ordens e dizia a todo tempo que só iria sair dali quando terminasse.

Depois daquele episódio, não consegui comer carne por duas semanas.

Continuo movendo a pinça, o mais suave e o mais profundo que eu consigo, tentando não desistir ao notar a profundidade daquele buraco. Lorenzo se contorce mais um pouco, quando a pinça entra mais, meus olhos se focam por um momento nele, enquanto espero ele se acostumar com a dor, antes de prosseguir.

Estava quase concluindo que talvez tivesse que recorrer a Romero, quando sinto o projétil e com o coração na boca, começo a puxar para fora. Vejo o alívio estampado no rosto de Lorenzo quando o tiro e o olho fixamente, analisando como era pequeno e o estrago que havia feito.

Deixo a bala de lado, quando a ferida volta a sangrar, o que era péssimo, dada a quantidade de sangue que Lorenzo já havia perdido. Nos passos seguintes, me encarrego em estancar mais uma vez o sangramento e dessa vez a fazer uma sutura, o que particularmente já havia ficado muito boa nisso. Lorenzo só iria ficar com uma leve cicatriz, se sobrevivesse.

Tampo a boca dele com a minha mão suja de sangue, quando um gemido alto de dor escapa de seus lábios, quando a agulha atravessa sua pele. Olho para a porta, esperando ouvir passos na escada, sentindo o suor escorrer pelo meu rosto, grudando ali fios de cabelo.

Pego a toalha limpa ao lado e sem pensar duas vezes, a enfio na boca de Lorenzo, fazendo ele engasgar.

- Me desculpa. Me desculpa - Peço coma voz trêmula, percebendo o quanto agressivo aquele gesto foi, voltando a me concentrar no que estava fazendo. A morfina ainda não havia feito efeito por completo e infelismente, não poderia esperar muito, já que era essencial fechar aquela ferida.

Gradativamente os gemidos de dor de Lorenzo foram diminuindo, o que ajudou com que eu terminasse mas, logo isso se tornou um alerta e temendo que dessa vez tivesse morrido, me inclino sobre ele, tirando a toalha de rosto de sua boca, sentindo sua respiração fraca ao aproximar meu rosto do dele.

Ele estava vivo, concluo alíviada mais uma vez, entretanto esgotada, levantando da beirada da cama, com meus olhos vagam pela bagunça que havia feito ao redor da minha cama e as toalhas que precisavam ser lavadas o mais rápido que podia, de preferência não deixando nenhum rastro de sangue para trás e que pudesse levantar suspeitas.

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