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Capa do romance Pacto com a Máfia

Pacto com a Máfia

Isabella vê sua vida mudar ao socorrer Lorenzo, um homem ferido em um beco. Sem saber que ele é uma figura central da máfia, ela acaba mergulhando em um submundo perigoso. Enquanto sentimentos surgem, a jovem se torna alvo de criminosos que a usam como peça de manipulação contra Lorenzo. Agora, em meio a segredos e riscos mortais, ela precisa decidir se busca sua própria segurança ou se arrisca tudo por esse amor proibido dentro da hierarquia do crime.
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Capítulo 3

Mexia frenéticamente meu pé com meus olhos fixos na televisão a frente. Como de costume, todas as noites, após o jantar nos sentávamos diante da tv para assistir a novela favorita de Romero.

Fingia prestar atenção atenção no desenrolar da cena de ação, mas na verdade não parava de pensar em Lorenzo desacordado em meu quarto.

Sempre depois da novela, Romero dava boa noite e ia para seu quarto, estava esperando por isso na verdade mas, parecia que aquela novela mexicana, cheia de traições e reviravoltas, nunca iria acabar. Além de tudo isso, ainda precisava lutar contra meu cansaço físico, após um dia de plantão cheio de atendimentos.

Ser enfermeira não era bem o que meu Romero queria para mim, esperava desde sempre que pelo menos a caçula seguisse seus passos, mas para mim ser enfermeira era mais vantajoso, pelo menos para ele mesmo. Evitando que dessa forma, que ele se matasse tentando se salvar.

Quando ele solta um suspiro repentino, paro de mexer meu pé e o olho no mesmo instante.

- Não vá dormir tarde, pêssego - diz ele ao se levantar devagar, usando os braços da poltrona para se levantar, arrastando os pés para a escada lateral.

Espero mais alguns segundos para desligar a tv, o necessário para ter certeza que Romero não voltaria para a sala. Com a tv desligada, vou para a cozinha, aonde me movimento de um lado para o outro, tentando preparar uma rápida refeição para Lorenzo, enquanto torcia mentalmente que continuasse vivo. Por sorte, encontrei um pouco de sopa da noite anterior.

Respirava pelos lábios entre abertos, quando abro a porta do meu quarto, olhando fixamente para a minha cama, encontrando ali Lorenzo ainda desacordado. Ou morto.

Me senti completamente hesitante em me aproximar, a porcelana redonda começava a queimar lentamente minha mão, enquanto tomava coragem para me aproximar. Se fosse num ambiente hospitalar, com máquinas e todo o equipamento que Lorenzo precisaria, não estaria tão receosa; Mas havia tirado uma bala de seu corpo e suturado, da forma mais amadora possível, já que não tinha utensílios necessários e mesmo fazendo isso já algumas vezes, nunca Romero havia ficado naquele estado.

Depois de quase um minuto ou mais, fecho a porta atrás de mim e me aproximo, colocando a sopa sob o móvel, toco o rosto de Lorenzo e suavemente desço dois dedos até abaixo de sua mandíbula, encontrando ali batimentos cardíacos. Gentilmente dou leves tapas em seu rosto, esperando que dessa forma ele acordasse, controlando o pânico quando ele demora para responder.

Finalmente quando Lorenzo semicerra os olhos, concluo que não morreria mais, pelo menos do coração não.

- Você precisa comer - digo baixo - Está fraco e dessa forma não irá se recuperar - Pego a sopa ao lado, colocando um pouco do líquido na colher. Seus lábios se abrem quando aproximo a colher e pouco a pouco, dessa forma, começa a comer, engasgando em alguns momentos e recuperando o fôlego em outros.

A sopa não estava nem pela metade, quando simplesmente ele virou o rosto, respirando pela boca, com os olhos fechados.

- ... não consigo mais - sussurra. Aproximo o copo com canudo de sua boca e ainda com os olhos fechados, ele bebe um pouco do líquido - Estou com frio - diz com as pálpebras pesadas.

Automáticamente minha mão vai até sua testa, percebendo que estava quente, não só o rosto, como o restante do corpo.

- Você está com febre - digo irritada comigo mesma, por não imaginar que algo poderia acontecer - Preciso abaixar a febre - Vou até a caixa metálica, procurando um antitérmico, bufando quando não encontro nenhum - Merda - Xingo baixo, deixando a caixa sobre a escrivaninha bruscamente.

Volto a olhar para Lorenzo, percebendo que só tinha uma opção naquele momento.

- O que está fazendo? - Ele pergunta, quando abro o zíper de sua calça, após tirar seus sapatos sociais.

- Tirando sua roupa - digo concentrada.

- Se fosse em outro momento, me sentia lisonjeado com isto. Mas no momento...

- Não é o que está pensando - digo o interrompendo, erguendo o olhar para ele - Estou tentando salvar sua vida - Termino de tirar sua calça, tentando não olhar diretamente para a cueca boxe apertada que ele vestia, cuja cor era...azul.

Lorenzo segura um gemido de dor, quando o ajudo a se sentar, para em seguida o ajudar a levantar. Pouco a pouco, começamos a andar em direção ao banheiro, que para duas pessoas era estreito e pequeno. Eu teria que tomar muito cuidado, para não deixar Lorenzo cair e nem o machucar na quina do lavatório, muito menos na porta.

Estou quase sem fôlego, quando chegamos no box do banheiro. Rapidamente sem o soltar, tiro as botas que calçava, as deixando de lado, entrando no espaço naquele momento apertado. Com uma mão, abro as torneiras e encaro a água encher a banheira, aonde considerava o limite, desligo as torneiras e entro na banheira, trazendo Lorenzo junto comigo.

O ar sai rapidamente dos nossos pulmões, quando a água gélida tem contato com nossos corpos, inspiro e expiro lentamente, esperando meu corpo se acostumar com a água que lembrava facilmente cubos de gelos. Lorenzo segura com força as bordas da piscina no meio das minhas pernas, de costas para mim, me dando uma visão completa de suas costas, cujo havia uma tatuagem do que deveria ser uma Fênix ou um dragão, nunca soube os diferenciar muito bem, mas parecia ser uma Fênix.

Ele continua inspirando e expirando, com força, enquanto jogo água em sua cabeça e observo a água descer pelo seu pescoço e costas.

- Para alguém que não salva vidas, você parece entender muito bem do assunto - diz ele, com a cabeça inclinada para trás, apoiada em meu ombro.

- Parece que hoje é seu dia de sorte - digo num tom sério brincalhão.

- Apesar de tudo, parece mesmo - Ele abaixa a cabeça, o que me faz continuar com o que estava fazendo - Devia ter dito que não morava sozinha - Ele me olha de lado, tentando encontrar meus olhos - Não quero arrumar mais problemas - Um leve sorriso surgiu em meu rosto.

Não queria contar toda minha vida para um desconhecido, mesmo sabendo que este desconhecimento poderia morar naquele bairro e com pouca dificuldade, poderia descobrir tudo sobre mim. Ou quase tudo.

- Você prometendo ir embora, quando se sentir melhor, não vai me arrumar problemas - Mesmo eu sabendo que já estava correndo este risco, não conseguia avaliar em quanto tempo Lorenzo estaria em condições de ir embora ou fora de perigo. Eu só recebia ordens de médicos.

- Anotado - diz inspirando profundamente.

Pelos minutos seguintes, ficamos sentados na banheira. Em determinado momento, meu corpo começou a tremer levemente, diferente de Lorenzo, cujo corpo já tremia algum tempo mas, ainda continuava quente, o que para mim continuava preocupante.

- ... você vai me matar de hiportemia - diz ele com o queixo tremendo.

- Sei o que estou fazendo - Inspiro profundamente, lutando contra o frio.

- Você não é médica - Um sorriso tremula em seu rosto - Como... sabe o que está fazendo? - Abraço o corpo dele, por trás, imaginando que dessa forma iria conseguir fazer com que a febre cedesse.

Por um momento, Lorenzo não tem qualquer reação, não tenta tirar meus braços ou qualquer outra coisa. Encosto meu queixo em suas costas e tento me concentrar em qualquer outra coisa, que não fosse o frio e deu certo, por talvez cinco minutos ou menos. Finalmente sinto a febre ceder e logo sua pele estava tão fria quanto a minha e concluí que já era o momento de sairmos da banheira.

O mais complicado foi ajudar Lorenzo a sair da banheira, sem romper nenhum dos pontos da sutura. Em pé dentro da banheira, ele veste o roupão rosa claro e se apoiando em mim e na parede ao lado, sai da banheira e juntos, novamente, saímos do banheiro e ajudo ele a se deitar novamente na cama, me adiantando em ligar o aquecedor portátil que havia no canto do quarto, que usava com frequência em dias intensos de inverno.

Arrumo o cobertor sobre o corpo dele, dessa vez tentando normalizar sua temperatura.

- Se quiser eu fecho os olhos - Olho para ele no mesmo instante, ao ouvir sua voz. Franzo levemente o cenho, balançando a cabeça de um lado para o outro, sem entender o que queria dizer - Para você se trocar - Foi então que entendi o que queria dizer. Ainda estava com as roupas molhadas e isso não era muito bom, poderia pegar um resfriado.

- Só estou me certificando que está aquecido - digo antes de me afastar, agora voltando para o banheiro, para um banho, suficientemente quente que pudesse aquecer não apenas minha pele, mas também meus ossos.

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