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Capa do romance Onde o destino me levou

Onde o destino me levou

Manuela perdeu sua família em um atentado terrorista e jurou vingança transformando o mundo em um lugar melhor. Após iniciar sua trajetória na polícia combatendo crimes hediondos, ela conquista uma vaga na Interprise, a maior potência em segurança do país. Determinada, ela mergulha nessa nova fase sem imaginar que o destino reserva segredos e reviravoltas profundas. Manuela precisará de coragem para superar obstáculos e, finalmente, encontrar a felicidade.
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Capítulo 2

Heitor

Chego na sala e já estão todos reunidos tomando café. Somos cinco amigos que além de trabalhar juntos decidimos dividir a vida também. Moramos, trabalhamos e compartilhamos tudo.

Marcus, nosso chefe nos propôs sociedade há muitos anos atrás numa empresa de segurança. Aceitamos e assim nos tornamos a Interprise: a maior e mais importante empresa de segurança do país.

Somos contratados ao redor do mundo para resolvermos problemas que nenhum outro órgão de segurança consegue. E estamos indo bem, 100% dos casos solucionados com muita descrição e comprometimento.

Ao chegar na sala encontro Caio sentado na banqueta da cozinha com a ficha e currículo de todos os recrutas deste ano. Vinte no total, para que sejam escolhidos apenas cinco. Esses agentes são selecionados por suas instituições e aqui passarão por um treinamento e no final, uma peneira.

Sento ao lado dele e falo. – Esses são as cobaias?

-Sim, são eles. Amor, porque mesmo que você tirou as fotos dos currículos este ano? – (pergunta Caio para Melissa.)

-Para que vocês dois não avaliassem os recrutas pela aparência e sim pela competência, antes de conhecê-los. (Responde Melissa dando uma piscadinha.)

-Quando fizemos isso? (Pergunto muito sério)

-Ano passado quando resolveram dar uma segunda chance para aquela rabuda e ela fez um escândalo quando

quebrou a unha. (diz Melissa séria)

Marcus solta uma gargalhada, sentado na mesa lendo o seu jornal.

- Rabudas são boas de olhar... Vai me dizer que você não ficou impressionada também? (Retruco muito sério)

Melissa revira os olhos e continua concentrada no seu café e no computador em cima da mesa.

Caio me cutuca e fala... – Olha essa...

- “Manuela Soares, 25 anos, 1.60 e 50 kilos”. -Leio em voz alta e logo depois digo:-Porra, é um Pokémon?

Todo mundo cai na gargalhada novamente.

-Provavelmente sim... Aí diz que a baixinha ganhou uma condecoração aos 23 anos por salvar um refém de um assalto ao caixa eletrônico. (diz Caio compenetrado)

-Como? Superpoderes? (Pergunto)

-Não. Um tiro certeiro na testa do infeliz. (Diz Caio)

-Já gostei dela. (Diz Beth bebericando seu café sentada ao lado do Marcus.)

-Bom, já que as crianças estão animadas com os novos recrutas, não me resta mais nada, a não ser ir para um monte de reuniões chatas com possíveis clientes. Me desejem boa sorte! (Diz Marcos levantando, dobrando seu jornal e pegando sua pasta.)

-Amor, você não vai dar Boas vindas a eles esse ano?! (Pergunta Beth)

-Não posso, outro dia apareço por lá... Esses dois dão conta!

- Eu também estarei lá, prometi a psicóloga dar uma ajuda com o polígrafo na entrevista. (Diz Melissa levantando e fechando seu computador)

-Então não vai ao escritório? (Pergunta Marcus.)

- Vou agora organizar algumas coisas, volto para o balcão e à tarde estarei no escritório novamente. (Diz apressada o acompanhando.)

-Caio vou precisar de você também de tarde para analisar aquele contrato. (Marcus diz da porta.)

- Depois que minha avaliação terminar, estarei lá. (Diz Caio ainda olhando os currículos.)

-Tchau amores. (Diz Beth para Marcus e Melissa. Os dois soltam beijos e vão.)

Olho pra Beth e pergunto.

-Você também não vai no balcão?

-Não. O que vou fazer lá? (Pergunta me olhando...)

-Avaliação médica também é hoje. (Digo)

-Sou médica legista e microbiologista, então eu vou repetir a pergunta. O que vou fazer lá?

- Você também é responsável pela área médica, achei que quisesse avaliar os recrutas pessoalmente. (Digo mais uma vez)

- Não, não tenho tempo pra isso. Mandarei um médico e um técnico. E tá tudo bem! (revira os olhos e se levanta para seguir seu rumo)

-Tchau meus amores... Tomem café, D. Helena fez esse bolo maravilhoso e vocês estão aí, perdendo tempo e não comeram nem um pedacinho. Olha o desperdício!

- Tá bom, neurótica da comida!!! (Falo brincando e ela revira os olhos novamente)

-É Caio, acho que hoje vai ficar tudo na nossa mão. (Digo sentando na mesa e comendo um pedaço de bolo.)

Sou obediente? Sou... Não discuto com Dona Beth.

-E você ainda tinha dúvidas? (Caio ri bebericando o café.)

- Pronto para dar porrada naqueles novatos? (Digo animado)

-Prontíssimo...

- Vamos que vamos...

***********************

Interprise é um prédio de vinte andares. Aqui funciona toda estrutura da empresa, e no último andar está localizado nosso apartamento e refúgio. Decidimos compactar tudo, porque fica mais fácil de administrar e ficar com os olhos atentos, além de economizar com o combustível e horas no trânsito.

No subterrâneo está a garagem e a piscina onde é feito alguns treinamentos.

No segundo andar, que chamamos de balcão, estão as salas de aula, treinamento e refeitório.

O terceiro andar, academia e alojamento dos recrutas.

Do quarto andar em diante é que a empresa funciona com seus determinados setores. Laboratório de informática e biologia. Enfermagem. Administração e Direito. Alojamentos dos agentes, banheiros e refeitórios.

Tudo se desenvolve aqui. Assim conseguimos manter a segurança, e o sigilo que precisamos para trabalhar.

Chegamos no segundo andar e todos os recrutas já estão na sala aonde vai ser feito a reunião de apresentação.

Participarão apenas eu e Caio. Na verdade, esta hora é importante para sentirmos o clima dos recém chegados.

-Bom dia Filipe. Está tudo pronto? - Pergunto a um dos professores que organizou a chegada dos recrutas.

-Sim Senhor. Todos chegaram no horário. Se o Senhor quiser começar, já pode. (Balanço a cabeça confirmando.)

Entro na sala, acompanhado de Caio e sentamos na mesa de frente a eles.

-Bom dia. Sejam bem vindos a Interprise. Sou o Oficial de armas Heitor Martínez e este é o oficial de defesa pessoal Caio Antunes. Estamos aqui para apresentar a empresa a vocês e tirar algumas dúvidas que possam surgir.

Me calo e dou a palavra ao Caio.

-Bom dia. Como vocês sabem hoje o dia será dedicado a avaliações físicas e psicológica, para que possamos começar a formar os grupos de treino. Precisamos que sejam honestos em suas entrevistas, pois passarão pelo polígrafo da verdade (invenção desta mente que vos fala). Muitas vezes eliminamos candidatos apenas com a entrevista, então sejam honestos com suas respostas, atitudes e responsabilidades. Façam o seu melhor, porque aqui só ficarão os melhores. Dos vinte, apenas cinco seguirão conosco. Na parte da manhã será feita a entrevista e avaliação médica, de tarde serão feitas as avaliações com seus professores de armas, mergulho, luta, pontaria, etc. Então não comam muito no almoço, não queremos ninguém vomitando.

Houve um burburinho nesta parte, sempre há, mais que cessou ao olharem minha cara feia.

- Agora o professor Filipe passará para vocês o termo de confidencialidade. Devem ler, assinar e rubricar todas as folhas. Será dado dez minutos para que façam está tarefa. Não preciso nem dizer, que tudo que for falado aqui e comentado, é sigiloso, e este termo garante a Interprise, que vocês obedecerão às regras. Quem se recusar a assinar será automaticamente desclassificado. Alguma pergunta?

Olho para eles e no fundão vejo uma mãozinha pequena levantando pedindo permissão para falar. Nem preciso olhar pra criatura para saber que aquela é Manuela Ferreira.

-Pode falar...

Ela levanta e é aí que eu tomo o primeiro baque. Uma menina com rostinho de anjo e os olhos mais lindos que já vi na minha vida. Não pode ser possível que tenha 25 anos. Rosto em forma de coração, ornado com uma boca pequena e vermelha. Cabelos preto presos num rabo de cavalo, daqueles que a gente quer puxar para deixar de joelhos. Muito pequena, tão pequena que dá vontade de carregar no colo para sempre. Há muito tempo que não vejo uma menina com uma beleza angelical, dessas que a gente quer bagunçar só para ver como é que fica depois. Olho para ela com a cabeça de lado esperando que ela fale...

Ela arranha a garganta e fala:

-No telefonema que recebi, não disseram que precisaríamos trazer roupas para treino.

Como eu fiquei meio tonto. Caio respondeu por mim ...

-Senhorita?

- Manuela Ferreira

-Senhorita Manuela Soares, você não precisará de roupas extras. Todos receberão o uniforme na hora de cada avaliação.

-Obrigada!

E se senta novamente. Caio me cutuca e eu falo.

-Ok! Pode distribuir Filipe.

Filipe pega os termos e chama cada um dos vinte, para levantar e buscar.

A menininha levanta, pega seu termo, se abaixa na mesa em minha frente com uma caneta na mão. Assina e rubrica todas as folhas sem ao menos conferir se seus dados estão corretos, então se levanta olha pra mim e me estende o contrato.

-Senhorita Manuela, você não vai ler seu termo?

- Não preciso Senhor Heitor, estar aqui hoje é o sonho de toda minha vida, não vai ser um termo de confidencialidade que me fará desistir deste sonho.

Olho para ela assustado, e vejo o brilho que irradia de seus olhos quando diz essas palavras. Como se tivesse vivido a vida toda apenas por aquilo.

Caio percebe o meu assombro, pega o contrato das mãos dela e agradece.

-Obrigada Senhorita. Pode se dirigir a sala ao lado para seus exames médicos.

Depois da atitude daquele pequeno Pokémonl, todos os outros resolvem fazer o mesmo.

Caio olha pra mim e fala baixo:

-Estamos testemunhando uma líder se formando?

- Provavelmente. Que pirralha abusada!

Caio gargalha, junta os termos e sai da sala.

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