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Capa do romance Onde o destino me levou

Onde o destino me levou

Manuela perdeu sua família em um atentado terrorista e jurou vingança transformando o mundo em um lugar melhor. Após iniciar sua trajetória na polícia combatendo crimes hediondos, ela conquista uma vaga na Interprise, a maior potência em segurança do país. Determinada, ela mergulha nessa nova fase sem imaginar que o destino reserva segredos e reviravoltas profundas. Manuela precisará de coragem para superar obstáculos e, finalmente, encontrar a felicidade.
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Capítulo 3

Manuela 

Que manhã agitada, e não era nem 10 h. Ainda bem que não sofro do coração, porque já estive algumas vezes a ponto de ter um ataque cardíaco. Desde a recepção da Interprise, até este momento, eu só tive palpitações.

Primeiro foi a chegada ao prédio.

Você não tem noção da grandiosidade das coisas que está vivendo, até se dar conta disso.

A recepção era enorme e luxuosa. Ali recebemos um cartão de identificação e o número do elevador que deveríamos usar, pois teríamos acesso apenas até o terceiro andar. E que prédio!

Ao chegar no andar dos treinos, cada um recebeu um armário que era aberto com nossos cartões de identificação. Ali poderíamos guardar celular, bolsa e outras coisas. Adentramos um salão redondo com alguns colchonetes empilhados, um ringue de boxe, um tatame e um saco de areia no centro. Este salão era cercado por salas que cabiam umas trinta pessoas em cada. No outro canto via-se banheiros e um vestiário. E esse era só o segundo andar!

Fomos encaminhados pelo professor de armas Filipe, a uma sala com cadeiras enfileiradas e uma mesa grande com duas cadeiras a frente dela.

Em falar em professor Filipe, será que todas as pessoas que trabalham aqui são modelos? É um eita atrás de eita! Coisa boa poder trabalhar e admirar.

E os dois oficiais que nos recepcionaram na apresentação? Minha Nossa Senhora, me proteja dos maus pensamentos.

Dois "homão da porra".

O oficial de armas, o tal do Heitor: alto, ombros largos, barriga de tanquinho, Moreno de olhos e cabelos castanhos. Usa uma calça cargo marrom, botas e camisa de malha preta com o logotipo da Interprise. Possui uma aura de dominador, daqueles que te olham e você não consegue esconder mais nada dele.

E o tal Caio? Não ficava atrás. Loiro, alto, corpo escultural, de calça preta, botas e a camisa do uniforme. Com os olhos verdes mais doces que já vi.

Não sou nenhuma santa e nem quero ser, e nem quero arranjar sarna para me coçar, mas não sou de ferro. É homem pra mais de metro!

Sei apreciar belos exemplares quando encontro alguns, e esses, estão de parabéns!

Fiquei um pouco apreensiva quando disseram que nossas avaliações seriam práticas. Eu logo pensei, "como vou lutar se não trouxe roupa de treino ou nadar se não trouxe maiô", mais quando Senhor Caio disse que ganharíamos uniforme relaxei um pouco, só um pouco, porque uniformes para meu tamanho, são problemáticos.

Não vamos sofrer antes do tempo, não é mesmo?

Também pensei que levaria uma bronca quando assinei o contrato sem assinar. Sou meio impulsiva às vezes, faço ou falo coisas sem pensar.

As pessoas não entendem que quando se trata de sonhos, não é qualquer coisa que nos fazem desistir! E eu sou a prova viva disso.

Agora estou aqui esperando minha vez para a entrevista com o polígrafo. Sei que serão perguntas íntimas e pesadas. Sei que terei que falar de coisas que não gosto de lembrar. Mais se tenho que passar por isso para atingir meus objetivos, passarei.

- Oi, meu nome é Mariana, nervosa?

(Uma das recrutas sentada ao meu lado fala sorridente. É uma moça muito bonita. Loira, alta, magra e sorridente.)

- Um pouco, sou Manuela.

- Somos as únicas mulheres no grupo. Percebeu?

-Sim, isso te intimida?

- Um pouco, mais não totalmente. Gosto de pensar que sou uma das únicas que teve coragem de chegar aqui e isso pra mim, basta.

- Gostei de vc. Aconteça o que acontecer, estaremos juntas.

- Com certeza!

- Mariana, sua vez! (Disse uma moça bonita de terninho rosa na porta da sala)

- Boa sorte!

Mariana riu e deu tchau.

Vinte minutos depois sou chamada. Respirei fundo, estufei o peito e fui com toda garra que era possível naquele momento. Seja o que Deus quiser!

********************

Heitor

Começamos a entrevista em ordem alfabética. Caio ficou com os dez primeiros e eu com os dez últimos. Melissa estava na sala ajudando a nossa psicóloga, Dra. Andréia, com o polígrafo, e Caio, sentado ao meu lado fazendo anotações. Esta sala era diferente da outra. Tinha uma mesa enorme de reuniões e dez cadeiras. Melissa e Dra Andréia estavam sentadas de um lado da mesa, e, eu e Caio do outro lado. Os candidatos entravam na sala, eram conectados ao polígrafo por Melissa, e se sentavam ao lado da mesma.

Chegou a vez da Pokémon . E não vou dizer que não estava ansioso. Porque essa menina me intrigava e me deixava muito confuso. Acho que esta entrevista será definitiva para por meus pensamentos em ordem. Caio estava curioso, mais como impulsividade não combinava com ele, estava na dele só esperando para tirar suas próprias conclusões.

Melissa se levantou, muito elegante no seu terninho rosa e escarpins brancos de saltos mediano. Um coque mantinha seu cabelo enorme contido. E que cabelo gostoso de puxar. Hoje ela estava gostosa demais!

Voltando a entrevista.

- Srta Manuela Soares? Sua vez...

Falou Melissa da porta da sala. Ela veio caminhando, seguiu Melissa e se sentou ao seu lado. Melissa explicou o procedimento, conectou a máquina a ela e disse:

- Para regular a máquina, preciso que você me diga seu nome todo e sua idade.

- Certo.

Tirou alguns fios de cabelo da testa que se desprenderam do rabo de cavalo e disse:

- Sou Manuela Soares e tenho 25 anos.

Melissa olhou para o computador e olhou para ela e disse:

- Nervosa? Você está com 120 de batimentos cardíacos. Quer uma água ou uma pausa?

- Aceito uma água. Mais estou bem, posso continuar.

Caio levantou foi até o frigobar tirou uma garrafinha de água de lá e a arrastou na mesa em direção a ela.

- Obrigada! - ela disse

Caio balançou a cabeça com um sorriso nos lábios, como se tivesse incentivando.

Esperei ela tomar um pouco da água e disse.

-Podemos?

Ela confirmou com a cabeça.

- Como podemos te chamar Srta. Manuela? Qual vai ser seu nome na Interprise.

Ela me olha e diz:

- Manu, se não tiver ninguém usando este nome.

- Posso saber porquê?

- Meu pai me chamava assim.

Relaxei na cadeira, e olhei para aqueles olhos azuis que diziam tudo e mais um pouco.

Sou treinado para descobrir a índole das pessoas através do olhar, e este olhar é inacreditavelmente puro. Seria um problema se ela trabalhasse disfarçada.

- Temos alguma Manu, Caio?

- Não.

- Então oficialmente declaro que você será a nossa Agente Manu. (Dei uma pausa e continuei)

- Manu você já conhece nosso oficial Caio, agora quero te apresentar nossa psicóloga Dra. Andréia e nossa Gerente de telecomunicações Sra. Melissa Trindade. Elas analisarão nossa entrevista.

Depois dos cumprimentos, damos inicio a entrevista.

- Você disse na apresentação que seria um sonho realizado, fazer parte do nosso quadro de funcionários. Pode falar um pouco sobre isso?

- Quero ajudar a combater o mau que existe no mundo! Que alicia crianças, que as sequestra e que as mata. Quero fazer a diferença e a Interprise, poderá me ajudar com isso.

- Você sabe que não é uma escolha fácil! Para ser uma agente da Inter você terá que abrir mão de sua vida pessoal, amigos e familiares, todos eles não poderão fazer parte mais da sua vida como antes, pela segurança da empresa, pela sua segurança e pela deles também. Por isso que nossos agentes moram aqui e se relacionam com pessoas de dentro. Porque é seguro! Lá fora não será mais seguro pra vc. Entende isso?

- Sim, eu entendo. Eu não tenho parentes vivos...

- Sabemos, e um dos nossos requisitos para essa seleção é exatamente este. Mas e os amigos...namorado?

- Não tenho amigos e nem namorado. Ninguém que eu queira manter na minha vida.

Intrigante, no mínimo!

- Porque?

- Porque me preparei para ser uma agente da Inter e sabia que não teria nada para abrir mão se não fizesse amigos. Por isso não fiz.

Confirmei com a cabeça, e continuei:

-Pode me falar sobre a morte de seus pais e irmão?

- Sim claro. Os perdi num ataque terrorista quando tinha quinze anos. Era para eu ter morrido também, se minha professora de piano não estivesse se atrasado para me liberar. Quando cheguei ao restaurante o caos já estava instaurado. Foi um carro que explodiu no local, meus pais estavam sentados na varanda do restaurante, bem ao lado do carro.

Melissa enxuga uma lágrima que escorreu em seu rosto e diz:

- Sinto muito

- Tudo bem, já faz um tempo!

Arranhei a garganta e disse:

- E o que aconteceu depois disso?

- Fui encaminhada para um orfanato e o advogado de meu pai vendeu meus bens e guardou o valor de tudo numa poupança, para que eu pudesse reaver quando completasse dezoito anos. Fiquei neste orfanato até os dezoito e de lá, fui encaminhada para um projeto social ligado a polícia militar, onde iniciei minha caminhada até aqui.

- Sua ficha diz que você possui um apartamento financiado em oito anos e um carro popular. Nenhuma poupança ou investimento. Desculpe Srta, mais tenho que perguntar, e a herança de seus pais?

- O advogado sumiu com ela. (Uma lágrima solitária cai de seu rosto neste instante, e vejo a decepção em seu olhar, mais logo depois ela é substituída pela esperança novamente. A esperança de fazer diferente.)

- Ao sair do orfanato a primeira coisa que fiz foi procurá- lo. Ele sumiu com tudo que meu pai me deixou, se não fosse este projeto social que a diretora do orfanato me encaminhou, eu teria morado na rua e passado fome.

- E ainda assim, depois de passar por isto tudo, da vida ter sido cruel com você, ainda pensa em fazer a diferença, em fazer a vida das pessoas melhores?

- Sim. Eu prometi aos meu pais, ao lado de seus caixões, e vou cumprir!

Peguei uma caneta na mão e comecei a mexer de um lado para o outro. Por que essa menina mexia tanto comigo? Histórias tristes a gente ouvia o tempo todo nessas entrevistas, mesmo porque, a maioria dos candidatos eram órfãos. Mais porque com ela eu sentia um bolo na boca do estômago, que não saia de jeito nenhum?

Tinha vontade de proteger, de ter o poder de tirar todo seu sofrimento de uma vez.

- Pode contar sobre o episódio do refém?

- Claro! (Limpou os olhos e continuou)

-Estava passando pelo caixa eletrônico no meu dia de folga à noite, quando vi um cara pelo vidro do caixa abraçando uma senhora pelas costas e desconfiei. Me encaminhei para a porta com minha arma em punho, ele não me viu porque estava de costas, mais eu vi a arma dele encostada na cintura dela e ouvi ele a ameaçando. Mirei minha arma e atirei, logo depois pedi ajuda pelo celular, aos meus colegas e o caso foi resolvido.

- Atirou pelas costas?

- Sim. Ele estava com a refém na mira, não tinha porque pensar duas vezes.

-Era um sequestro relâmpago?

-Sim.

- E se ele tivesse um comparsa esperando no carro?

- Ele tinha... Na hora que o outro me viu com a arma em punho, fugiu. Mais foi pego numa barreira mais a frente.

- Você tem consciência, de que isso poderia ter dado muito errado?

- Sim tenho, mais sei que se eu não tivesse agido com rapidez, ele ia matar aquela Senhora. Ela não tinha a quantia de dinheiro que eles queriam e já a estavam ameaçando.

- Quando recebeu a promoção para sargento?

- Aos vinte e três anos, devido a este episódio.

- Acha que foi cedo demais ou foi na hora certa.

- Acho que foi na hora certa, porque se não fosse está promoção eu não estaria aqui hoje.

- O que você tem a nos oferecer agente Manu?

- Muita força de vontade, muita vontade de aprender...

- Espero que você seja resiliente e obediente. Na Inter trabalhamos em grupo, se você não souber trabalhar assim, não durará nem três meses. Aqui não tem lugar para individualidade.

- Serei Senhor, saberei ser grata por todo aprendizado.

- Deseja acrescentar algo Caio?

-Não, apenas desejar um bom curso na Inter. Seja bem vinda!

-Obrigada!

-Agente Manu, seja bem vinda! Aproveite o intervalo do almoço para se alimentar e pegar seus uniformes. O período da tarde promete ser intenso. Amanhã pela manhã, teremos uma reunião de boas vindas. Vocês devem estar aqui as 8 h apenas com pertences higiênicos, roupas íntimas e material de estudo. O resto será fornecido pela Inter como uniformes em geral. Terão folgas nos finais de semana, mais no domingo a noite todos devem retornar a seus postos. As aulas começam no período da tarde de amanhã. Cronogramas e divulgação de grupos, serão resolvidos nesta reunião de amanhã. Alguma pergunta?

- Não Senhor, tudo foi bem explicado e esclarecido.

- A primeira avaliação da tarde será de defesa pessoal com o Caio, então esteja preparada. Bom almoço!

Me levanto, estendo a minha mão para apertar a sua e recebo um choque. Eita que ela sentiu também! Que foi isso?

Na mesma hora, ficou com as bochechas vermelhas e deu um sorrisinho de lado. Que fofa!

Deu tchau para todos e saiu.

E eu fiquei igual um bonecão, parado no meio da sala.

- Caio pode fazer a próxima entrevista, preciso ligar para o Marcus.

- Algum problema? (Me olhou preocupado.)

- Você não sentiu?

- O quê?

Ele ficou sem entender. Não querendo falar mais nada na frente de Dra. Andréia, lhe disse:

-Nada, só me dá este intervalo, ok?

- Ok.

- Marcus não vai te atender agora, está numa reunião! (Diz Melissa sem entender nada.)

- Se não atender subo para falar com ele. Olha, eu só preciso falar com ele, depois vocês vão entender!

Saio da sala e entro numa outra vazia, pronto para fazer a ligação.

Chama, chama e ninguém atende. Na terceira tentativa ele atende:

"Espero que seja assunto de vida ou morte!

- Eu achei...

"O que?!?"

- Eu achei o que a gente procurava todo esse tempo.

"Do que você está falando cara?!?"

- Eu achei Marcus, eu achei aquela que faltava...

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