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Capa do romance Onde I destino me levou, e eu fiquei

Onde I destino me levou, e eu fiquei

Manu segue sua carreira na espionagem enquanto desfruta da vida familiar com Heitor e seus filhos. No entanto, novos eventos abalam sua confiança, fazendo-a questionar cada decisão do passado. Nesta sequência, o grupo de amigos encara desafios inéditos que misturam investigação, aventura e perigo. Em meio a dilemas e tramas de espionagem, o amor permanece como o alicerce fundamental para manter essa família nada convencional unida contra as adversidades.
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Capítulo 1

***Num futuro não muito distante...

- Vai me dizer que eu quero, ou eu vou ter que tirar suas unhas uma por uma, pra saber?

-Vai para o Inferno!

-Já estou nele, e você também... Não percebeu?

Eu respiro com dificuldade, não consigo mais ver muita coisa. Meu dois olhos estão muito inchados e há muito sangue.

Há horas estou sendo torturado e provavelmente, não vou conseguir sair daqui vivo. Meus braços e pernas estão presos numa cadeira, já não os sinto mais. Como eu queria ter a habilidade da Manu agora, de me desligar de tudo que está acontecendo.

Mais continuo lúcido em todos os momentos.

- Aonde está o carregamento que vocês roubaram de mim?

-Ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão!

Ele agarra o meu queixo, com agressividade e diz:

-Você se acha muito espertinho não é mesmo? Eu não tenho mais nada a perder, você destruiu minha vida uma vez, não vai destruir novamente. Eu não tenho coração, e eu estou doido para matar outro agente do governo.

- Você está perdido... Mesmo que me mate... mais dia, menos dia irão te achar. E o seu destino, dessa vez não será a cadeia.

Ele solta meu maxilar e diz:

-Soltem o braço, vamos ver como se sente perdendo as unhas.

Vejo um de seus brutamontes vir em minha direção. Ele me solta, e eu tento me soltar dele, mais sinto muitas dores.

Ele segura uma das minhas mãos, enquanto o meu carrasco segura a outra. Com um alicate ele começa a tirar minhas unhas.

-Você vai apodrecer no Inferno!

De repente ouvimos um estrondo e eu perco os sentidos.

Acho que chegou meu fim...

***********************

*****Presente 

**Manuela

-Você vai ter 10 minutos apenas Manu, para entrar , copiar os arquivos e sair. Esse é o intervalo que vamos conseguir na segurança do prédio.

Fala Filipe, enquanto eu ponho o cronômetro no pulso e abaixo a máscara que cobre todo meu rosto, deixando apenas meus olhos de fora.

-Não esqueça de ligar o cronômetro, assim que eu sinalizar pelo ponto.

Diz Mel sorrindo pra mim...

Ela está em campo hoje, porque precisávamos de suas habilidades para entrar no circuito da segurança do prédio.

-Ok!

-Pronta? -Pergunta Filipe.

Confirmo com a cabeça, saindo de dentro do furgão.

Estamos investigando uma empresa de TI, que presta serviço para o governo e está sob investigação, devido a um vazamento de informações para terroristas locais. Ela foi investigada incansavelmente até aonde as leis de nosso país permitiram, como não acharam nada, chamaram os mocinhos da Interprise para dar um jeito.

A missão de hoje é, copiar os arquivos do computador central, já que existem suspeitas que os que foram entregues para a investigação, não estavam completos.

Como o prédio tem cinco andares e um esquema de segurança eficiente, resolvemos invadir no hora de troca de turno, ou seja, começo da madrugada mais precisamente, meia noite. Melissa congelará as imagens para que eu entre e suba até o quinta andar, aonde o computador principal está.

O térreo da empresa não tem janelas, apenas uma porta central aonde todos passam por ela, e o basculante dos dois banheiros da recepção. Como a troca de guarda é daqui a dois minutos, a ideia é entrar no elevador neste momento, quando fica apenas um guarda na guarita. Subir até o quinto andar, entrar na sala do computador, copiar os arquivos, descer novamente e me esgueirar para o banheiro. Sendo que tenho que fazer isso em dez minutos, que é o tempo em que os guardas se organizam e as câmeras estarão congeladas .

Vejo o basculante e me encaminho para lá atenta a tudo que acontece a minha volta. A rua em que estou é deserta, o que facilita a minha entrada. Dou impulso no corpo para me pendurar no basculante, abro e enfio minha cabeça, escorregando até o chão do banheiro.

Uma das vantagens de ser pequena é exatamente está, nos esgueiramos e entramos em lugares minúsculos, sem ser notados ou percebidos.

-Entrei. -sussurro no ponto.

Espero na escuridão as ordens do Filipe e Mel. Depois de alguns segundos intermináveis, ela diz:

-Cronômetro Manu.

-Feito.

Ligo o cronômetro e começo a minha saga. Abro a porta do banheiro e não vejo ninguém no corredor. O elevador está no térreo, entro nele sem ser notada, e aperto o botão para o quinto andar.

Rapidamente chego.

-Cheguei. -murmuro novamente.

-Segundo o mapa, é porta 1 B.

Diz Melissa do outro lado do comunicador.

Me encaminho para a porta,  pego a ferramenta para abrir a fechadura, e começo a trabalhar, abrindo sem nenhuma dificuldade.

-Desligou o alarme Mel?

-Claro, acha que ia te deixar na mão?

-Só checando.

Entro na sala deixando a porta encostada, para facilitar na hora de sair.

Escaneio a sala toda e encontro o que procuro.

-Manu é o que está ligado a três servidores.

-Já vi.

Vou para lá e pego as pastilhas que farão as cópias, dentro do bolso. Ativando-as simultaneamente.

-Você precisará de dois minutos com essas.

-Ok.

Olho para o meu cronômetro e faltam cinco minutos para meu tempo terminar, ou seja, terei três minutos para sair do prédio antes que a guarda retorne aos seus postos.

-Manu, tem um guarda se encaminhando para o corredor. Ele estava dentro de uma das salas.

-Merda! Ele se atrasou?

-Acho que sim.

A porta está entreaberta, se ele for um bom observador ele vai ver.

-Continua me informando o que ele vai fazer Melissa.

Olho para a sala toda e vejo um arquivo/armário gigante sem pastas nenhuma entreaberto. Não penso duas vezes, entro dentro da última prateleira e fecho o mais rápido que eu posso a porta.

-Ele viu a porta Manu.

- Estou segura.- sussurro.

Ele entra dentro da sala, olha tudo e não vê nada. Sai da sala me trancando lá dentro novamente, e ativando o alarme.

-O alarme Mel.

-Já estou trabalhando.

Não posso me mover enquanto ela não desligar o alarme, por causa do sensor de movimento.

-Pronto.

Saio do arquivo, pego as pastilhas e começo a abrir a porta novamente. Dessa vez, levo mais tempo do que da primeira vez.

-Descendo as escadas.

-O que houve com elevador? -Melissa pergunta.

-Ele usou, até o elevador retornar, acabou meu tempo.

Olho para o relógio e só faltam um minuto e meio. Começo a correr tentando não fazer muito barulho na escada, para não chamar atenção de ninguém.

-Manu 40 segundos, me diz que vc já chegou no banheiro... -pergunta Filipe.

-Estou no terceiro andar.

-Merda! Devo preparar o resgate?

-Não, eu vou conseguir.

Começo a correr o máximo que posso. Chego no térreo faltando dez segundos antes da câmeras serem religadas, e os seguranças retornarem. Olho para os lados, antes de me enfiar no banheiro com a respiração difícil.

-Manu, fala comigo...-diz Filipe.

-Estou no banheiro.

-Você ainda me mata do coração. Sai logo daí.

Eu sorrio e saio pelo mesmo lugar que entrei sem dificuldade nenhuma. Estou eufórica, sempre fico depois de missões regadas a adrenalina.

Ele me pega na esquina e eu entro no furgão, ainda com dificuldade para controlar minha respiração.

Melissa e ele me olham em espectativa.

Abro as mãos e amostro as pastilhas pra eles.

Melissa grita:

-Isso!!!!

Eu começo a ri e o Filipe também.

-Missão cumprida!

Filipe e Mel batem na minha mão. E me debruço para bater na mãos do Bruce também, que hoje está na direção do furgão.

A Interprise continua sendo uma agência com 100% de aproveitamento das missões. Passamos por maus bocados, mais no final, vencemos todas as vezes.

E eu tenho muito orgulho de fazer parte dela, a três anos.

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