Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Oito Perdas, Uma Última Esperança

Oito Perdas, Uma Última Esperança

Arthur destruiu oito gestações minhas, alegando proteger nosso amor. Agora, grávida pela nona vez, descubro sua traição cruel: ele apresenta Giselle como a nova esposa e me humilha diante de todos. Fui apenas um peão em sua vingança contra meu pai, e meus filhos perdidos foram chamados de erros. Diante do desprezo do homem que prometeu me amar, preciso fugir para salvar a única vida que me resta e escapar desse ciclo de dor e mentiras.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

O sono foi um estranho naquela noite. Eu me revirava na cama, o colchão um leito de espinhos, minha mente um mar agitado de traição e medo. Toda vez que eu fechava os olhos, via o braço de Arthur ao redor de Giselle, seu desprezo frio por mim.

Em algum momento na calada da noite, a porta rangeu ao se abrir.

Eu congelei, meu corpo enrijecendo. Uma sombra caiu sobre o quarto, e então a cama afundou ao meu lado.

Era Arthur.

Seu cheiro familiar, uma mistura de colônia cara e algo unicamente dele, encheu meus sentidos. Era um cheiro que costumava significar segurança. Agora, apenas cheirava a mentiras.

— Você não jantou — ele murmurou, sua voz um ronco baixo na escuridão. Ele tocou meu ombro, um gesto casual e possessivo.

Minha pele se arrepiou. Eu me afastei de seu toque.

Sua respiração estava quente na parte de trás do meu pescoço, e eu podia sentir o calor de seu corpo se infiltrando pelo tecido fino da minha camisola. Ele costumava me abraçar assim todas as noites, seus braços uma jaula que eu confundira com um lar. Esta noite, meu coração era uma pedra no peito, frio e pesado. Não havia palpitação de excitação, nem aceleração do meu pulso. Havia apenas um vasto e vazio deserto onde meu amor costumava estar.

Tentei me sentar, para colocar distância entre nós.

— Estou cansada.

— Fique — ele ordenou, seu braço apertando minha cintura, me puxando de volta contra ele. — Só por um instante.

Seus lábios roçaram meu pescoço, movendo-se com uma confiança preguiçosa em direção à tatuagem sobre o meu coração. Minha marca. A reivindicação permanente que ele tinha sobre mim.

Uma onda de humilhação me invadiu, tão forte que me deixou tonta. Esta marca, antes um símbolo do meu amor eterno, agora parecia a marca de uma escrava. Um lembrete da minha própria estupidez.

Ele conhecia cada centímetro do meu corpo, cada curva secreta e ponto sensível. Sua mão se movia com uma familiaridade experiente que me dava vontade de gritar.

— Por favor, Arthur — sussurrei, minha voz trêmula. — Não.

Ele me ignorou, seus dedos traçando o contorno do meu quadril. Seu toque era clínico, praticado e totalmente desprovido da paixão que eu um dia imaginei que existia.

Ele estava prestes a me tomar, aqui e agora, como se nada tivesse mudado. Como se seu "verdadeiro amor" não estivesse dormindo no quarto principal, no fim do corredor.

Então, quando senti seu peso se acomodar sobre mim, ele parou.

— Sua menstruação está atrasada — ele disse, seu tom casual, quase entediado.

A raiva, fria e afiada, cortou meu medo. Ele nem se lembrava. Todas aquelas vezes, toda aquela dor, e nem sequer registrava. Para ele, meu corpo era apenas um calendário, uma coisa a ser gerenciada e controlada. Eu não era nada mais que um recipiente, uma conveniência.

O pensamento era tão vil que me deu enjoo. Empurrei seu peito, minha voz carregada de uma fúria que eu não sabia que possuía.

— Você não deveria estar com sua noiva? Tenho certeza de que a Giselle está esperando por você.

Isso funcionou.

O nome Giselle foi como um balde de água fria. Ele enrijeceu, cada músculo de seu corpo ficando tenso. Por um longo momento, ele não se moveu. Então, ele rolou para fora de mim, o calor de seu corpo substituído por um vazio súbito e arrepiante.

Ele se levantou, uma silhueta alta contra o luar que entrava pela janela.

— Você tem razão — disse ele, sua voz plana e fria. Ele saiu do quarto sem outra palavra, fechando a porta suavemente atrás de si.

Alguns minutos depois, ele voltou. Estava carregando uma bandeja. Nela, uma tigela de sopa de peixe, do tipo que ele sabia que era a minha favorita, do tipo que minha mãe costumava fazer.

Eu encarei a sopa. Ele tinha até tirado todas as espinhas minúsculas, como sempre fazia. Lembrei-me de uma das primeiras vezes que ele fez isso. Eu tinha dezesseis anos, lutando com um pedaço de bacalhau, e ele pegou meu prato sem dizer uma palavra, seus dedos longos e elegantes removendo metodicamente cada espinha antes de colocá-lo de volta na minha frente.

Foi uma das mil pequenas gentilezas que me fizeram apaixonar por ele.

Ele me conhecia. Conhecia meus hábitos, meus gostos, minhas aversões. Ele me conhecia melhor do que ninguém. E ele não me amava. O pensamento foi uma nova punhalada de dor.

O cheiro rico e saboroso da sopa atingiu meu nariz, e meu estômago se revoltou. Uma onda de náusea, mais forte desta vez, me atingiu. Saí da cama às pressas, pegando a pequena lixeira ao lado da minha escrivaninha bem a tempo.

Eu vomitei, meu corpo convulsionando com ânsias secas. Não havia nada no meu estômago para sair.

Quando os espasmos finalmente diminuíram, eu olhei para cima. Arthur estava parado na porta, seu rosto uma máscara de pedra.

— Você está grávida de novo? — ele perguntou, sua voz perigosamente quieta.

Gelo inundou minhas veias. Meu rosto, já pálido, deve ter ficado branco como um fantasma. Era isso. Este era o momento em que ele tiraria meu bebê de mim. Eu não podia deixá-lo. Eu não deixaria.

— Não — eu disse, forçando minha voz a ser firme. Olhei-o diretamente nos olhos, rezando para que ele não pudesse ver o terror em guerra com o desafio dentro de mim. — Não estou.

O silêncio no quarto se estendeu, denso e sufocante. Seu olhar era intenso, perscrutador, e por um segundo aterrorizante, pensei que ele pudesse ver através de mim, direto para a vida minúscula e cintilante que eu estava tão desesperada para proteger.

Mas então, a dureza em seus olhos se suavizou, substituída por algo que eu não conseguia ler. Alívio? Decepção? Eu não sabia. Eu não me importava.

— Bom — ele finalmente disse, sua voz seca. — É melhor assim.

Ele se virou para sair, depois parou na porta.

— Giselle e eu vamos nos casar no mês que vem.

As palavras foram o último prego no caixão do meu amor morto.

— Ok — eu disse, minha voz surpreendentemente calma. Eu estava entorpecida. Não havia mais nada que ele pudesse ferir.

Ele pareceu surpreso com minha falta de reação. Ele esperava lágrimas, súplicas. Ele esperava a garota quebrada que ele havia criado com tanto cuidado. Mas aquela garota se foi.

— Estou cansada, Arthur — eu disse, as palavras pesadas com um cansaço que ia até os ossos. — Estou apenas... tão cansada de tudo isso.

Eu até consegui um sorriso pequeno e triste.

— Parabéns. Espero que você e a Giselle sejam muito felizes.

Eu não iria ao casamento, claro. Mas mandaria um presente. Um generoso. Era o mínimo que eu podia fazer para garantir um rompimento limpo. Um adeus final e educado.

Você pode gostar

Capa do romance A Farsa do Casamento Perfeito
9.2
Lucas construiu um império do nada, mas seu casamento com Clara era uma armadilha. Ao perder um contrato vital, ele descobre que sua esposa e sua mãe adotiva, Sofia, agiam para beneficiar Pedro, o filho biológico de Sofia. Humilhado e usado como ferramenta descartável, Lucas vê seu mundo ruir ao ouvir os planos de sua própria família para destruí-lo. Agora, movido por uma raiva fria e com a ajuda de um aliado misterioso, ele buscará vingança contra todos.
Capa do romance Além de um contrato com o ceo
9.0
Traída pelo noivo com a própria irmã, uma mulher busca refúgio em um bar para esquecer sua dor. Um homem enigmático surge, quita sua dívida alta e assume o controle da situação. Agora, ela deve decidir como pagá-lo: aceitando um cargo de assistente ou cedendo a uma proposta ousada que envolve sua própria inocência. Entre o luxo e o desejo, ela enfrenta um dilema repleto de paixão e dramas intensos, onde cada escolha define seu futuro e seu coração.
Capa do romance Bilionários Proibidos: Quando o Poder Deseja
9.5
Caio Moretti domina o mundo corporativo através da riqueza e influência. No entanto, seu poder falha ao tentar adquirir a companhia de Helena Duarte, que o rejeita publicamente de forma implacável. Enquanto ele se recusa a aceitar a derrota, Helena luta para esconder a forte atração que sente pelo rival. Em meio a embates de ego e negócios, Caio percebe que o desejo é impagável e que enfrentar essa mulher pode custar seu orgulho e seu coração.
Capa do romance Dominador delicioso 2
9.5
Após receber uma promessa sedutora e intensa sussurrada ao pé do ouvido, a protagonista fica paralisada, perdida em pensamentos sobre o que está por vir. O momento de transe é interrompido pela chegada súbita de um senhor imponente, cuja semelhança com os gêmeos é inegável. Tentando recuperar o profissionalismo e conter o nervosismo, ela o cumprimenta cordialmente, enquanto ele busca por Jamie, sem imaginar o clima deixado para trás no escritório.
Capa do romance Justiça Sob os Escombros
8.7
Grávida de sete meses, fiquei soterrada após um terremoto. Enquanto eu lutava pela vida, meu marido, Pedro, escolheu salvar a irmã adotiva em uma área segura, abandonando-me. O trauma me fez perder o bebê, mas recebi apenas desprezo e acusações de sua família. Ao descobrir que ele financiava o luxo de Sofia com nosso dinheiro, decidi agir. Buscarei justiça e um divórcio implacável para destruir aqueles que me trataram como um acessório descartável.
Capa do romance Meu bilionario CEO
8.5
Ao buscar arquivos para seu chefe, Ellie Winters descobre vídeos terríveis no notebook de James, o noivo de sua melhor amiga, Chloe. Horrorizada ao ver a verdadeira face do médico, a quem agora considera a personificação do mal, Ellie percebe o perigo que a doce amiga corre. Consumida pela culpa por não ter notado antes o nervosismo de Chloe, ela decide agir imediatamente para impedir o casamento e salvar a jovem das garras de um criminoso.