
ÓDIO E DESEJO
Capítulo 2
NARRAÇÃO MANUELA
Merda de semana. A correria nunca termina e para variar, não tiro Alexandre Vieira da minha cabeça. Ele tinha que ser tão sexy e gostoso? Um moreno de tirar o fôlego. Aquela boca dele me atormenta muito, em todos os sentidos. Realmente ele é como meu pai sempre disse. Manipulador! Gosta de se sentir por cima e o dono da porra toda. Mas comigo não Vieira.
Termino a reunião em Nova York, confiante dessa nova conta. É uma rede de supermercados que vem crescendo muito. Se tudo der certo, seremos a construtora de suas futuras instalações. Meu celular toca e o puxo da bolsa enquanto corro para um táxi.
- Alô!
- Senhora, esta tudo confirmado com a secretária do Sr. Vieira. Ele estará no aeroporto, aguardando seu desembarque.
Respiro fundo tentando me convencer de que foi uma boa ideia aceitar essa carona. Indico ao motorista nossa ida para o aeroporto.
- Branca, verifique se essa aeronave dele é segura.
- Já fiz senhora. É um jatinho particular, constantemente vistoriado e nunca houve um problema se quer.
- O piloto?
- Possui qualificação.
Olho o tempo frio em Nova York.
- Minhas malas?
- Lilian estará no aeroporto com elas, senhora.
- Obrigada, Branca!
- Só isso, senhora?
- Por enquanto sim.
- Tenha boa viagem!
*************
Me acomodo no banco e fecho meus olhos. O avião pousa tranquilamente. Quando penso em seguir para o desembarque, uma das comissárias me pede para segui-la. Sigo pela pista e subo em um pequeno carro que nos guia pela pista. Avisto o jatinho. Descemos do carro e vejo Alexandre.
- Manuela!
Diz com sua voz sensual. Estica sua mão e quando a toco, me puxa para seus braços fortes e bato em seu peito. Sua outra mão sobe para o meu cabelo.
- Ainda não esqueci o que me disse no elevador.
Sussurra perto da minha boca, me fazendo suspirar.
- Acho que devo mostra-lo duro para tirar essa ideia errada, de problema de ereção.
Me aperta em seu corpo e posso sentir seu volume crescer em minha barriga.
- Se quiser, posso te foder dentro desse jatinho.
Deus, estou excitada só de pensar nessa possibilidade. Sua boca vem se aproximando e fecho meus olhos, pronta para acolher seus lábios.
- Senhora, chegamos!
Abro meus olhos assustada. O taxista me encara bravo.
- Já chegamos!
Olho em volta e vejo o aeroporto de Nova York. Caramba, foi um sonho. Passo as mãos em meu cabelo, me arrumando e abro minha bolsa pegando minha carteira. Pago o taxista e sigo para o embarque. Tenho que parar de sonhar com esse homem sempre que fecho meus olhos. Nada de envolvimento com homens sem coração e sentimentos. Você precisa focar na empresa Manuela.
Foco...
************
Meu voo esta no horário e sigo para o embarque. Entro no avião e me acomodo em minha poltrona. Relaxo, mas não posso dormir. Não quando um certo homem domina minha mente. Pego meu computador e começo a trabalhar. O comandante anuncia um atraso por causa de uma tempestade. Olho meu relógio e respiro fundo. Duvido que Alexandre vá me esperar. Tenho que pensar em alguma coisa para chegar ao Caribe sem ele. Com um atraso de 50 minutos decolamos.
************
O voo foi tranquilo e consegui trabalhar. Nenhum e-mail do dono da rede de supermercados. Fecho meu computador e observo a paisagem. Meu corpo esta cansado dessa correria. Faz um ano que assumi a empresa e não tive pausa nas correrias. Tivemos um crescimento bom, mas isso me custou à paz de poder fazer as coisas que gosto. Sinto falta das minhas atividades, do meu mundo. Encaro a tela do meu celular e toco a foto do meu pai. Mas tudo isso é por você pai. É anunciado o pouso e coloco meu cinto. Guardo minhas coisas e respiro fundo. Quando me levanto para sair do avião, a comissária vem falar comigo e me pede para segui-la. Saímos para a pista e vejo o pequeno carro.
- Sr. Vieira aguarda a senhora na pista reserva.
Merda... Merda... Merda... Dou um sorriso forçado agradecendo e entro no carro. Isso está muito parecido com meu sonho. Minhas mãos ficam frias e tento não parecer nervosa. O carro para e desço, vendo o jatinho. Dou alguns passos e então ele surge no topo da escada. Caralho, esta lindo e gostoso com um sobretudo preto. Me olha e ergue uma sobrancelha.
- Esta atrasada!
Volta para dentro do jatinho e respiro aliviada. Nada de beijo como no sonho. Subo a escada e entro. O jatinho é aconchegante e quente.
- Estamos aguardando o piloto.
- Então não estou atrasada.
Me observa sentar em uma poltrona.
- Sim, você esta. E sua empregada já deixou sua mala.
- Ela não é minha empregada.
Resmungo irritada com a ignorância dele.
- Que seja.
- Parece que alguém não teve uma ereção hoje.
Seus olhos estão me queimando agora. Merda de boca sem trava. Quando ele pensa em responder, um homem surge.
- Boa tarde! Sou o piloto de vocês, Phill.
- Onde esta o Sebastian?
Alexandre pergunta com uma cara nada boa.
- Problemas de família. Me mandou em seu lugar.
- Detesto imprevistos.
- O senhor pode esperar ele se resolver e ...
- Tudo bem!
O piloto puxa a pequena porta e segue para a cabine.
- Seu mau humor esta me azedando.
Alexandre suprime um sorriso.
- Que bom!
- Vai ser assim a viagem toda?
Bufa e relaxa o corpo na poltrona.
- Acabei de receber um e-mail. Perdi uma parceria importante.
Ai merda!!!! Pego meu celular desesperada, sabendo que ele me observa sem entender. Abro meu e-mail e lá esta à resposta que eu esperava.
- Apertem os cintos que vamos decolar.
- Inferno!
Desligo o celular antes de ler a mensagem. Assim que decolamos e é autorizado, ligo o celular.
Solto um grito sem querer ao ver a resposta favorável do mercado.
- Parece muito feliz.
- Sim...
Digo sem controlar o sorriso.
- Fechei um negócio importante.
- Posso saber com quem?
Assim que digo o nome da rede de supermercados ele me olha com raiva.
- Você...
- Sim...
Respondo satisfeita.
- Você estava em Nova York roubando a minha conta?
- Não...
Digo agora séria e firme.
- Estava em Nova York lutando por uma conta. Vieira, você estava acomodado com eles. Não apresentava nada útil a mais de dois anos.
- VOCÊ ROUBOU MINHA CONTA.
Grita e vê-lo assim só me deixa mais excitada. É um tesão vê-lo bravo e saber que sou o motivo é quase um orgasmo.
- Isso são negócios.
- Você me deve uma conta.
- Para de ser criança.
Solta o cinto e se levanta.
- Criança? Eu aqui te esperando e você enfiando a faca nas minhas costas.
- Não te pedi para esperar e também não te pedi para me levar. Você insistiu.
Me solto da poltrona e fico de frente para ele.
- Você conhece o mundo dos negócios. Foi o primeiro a roubar a conta do meu pai.
Seus olhos se arregalam.
- Eu não roubei.
- Roubou sim... ele tinha tudo para finalizar a parceria e você apresentou um projeto pelas costas dele e ganhou a conta.
- Isso...
Passa a mão pelo cabelo.
- Isso é diferente.
- Não é não.
Dou um passo em sua direção.
- Apenas fiz o que você costuma fazer. Ganhar as contas dos outros.
Passo por ele seguindo para o banheiro e Alexandre me segue bufando. Entro no banheiro e quando tento fechar a porta, impede.
- Essa é a versão que seu pai contou?
- Vieira, me deixa fechar a porta.
Ordeno e ele me olha.
- Não foi assim que aconteceu.
Então o avião tomba e sou empurrada pelo corpo de Alexandre para o fundo do banheiro. Bato minha cabeça com força e sinto tudo rodar.
- Você esta bem?
Apenas sinto suas mãos em meu rosto.
- Não...
Digo sentindo tudo rodar. Levo minha mão à cabeça e sinto algo molhado. Tiro minha mão e vejo sangue.
- Merda...
Alexandre grita tentando se levantar, mas o jatinho continua nos empurrando para o mesmo lado.
- Estamos caindo.
- O que?
Ele me olha assustado.
- O jatinho esta caindo.
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