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ÓDIO E DESEJO

Manuela e Alexandre são rivais no setor da construção, ambos determinados a conquistar o contrato do Hotel Falcon. O projeto de um resort de luxo no Caribe promete lucros imensos, intensificando a disputa entre os dois empresários. No entanto, o destino os força a uma convivência inesperada durante essa batalha profissional. Entre negociações e confrontos, a hostilidade mútua se transforma em uma tensão perigosa, mesclando ódio e desejo profundo.
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Capítulo 3

NARRAÇÃO ALEXANDRE

NÃO ACREDITO QUE ELA ROUBOU A MINHA CONTA! A raiva é tão grande que estou me segurando para não ser completamente estúpido, grosso e sabe Deus o que mais. Metida mimada filhinha de papai. Como ela pode fazer isso assim? Essa mulher não tem limites para suas vontades? Quer essa conta e pronto? Sai de perto de mim, indo para o banheiro. A sigo pois precisa ouvir algumas verdades. Entra e tenta fechar a porta, mas não deixo.

- Essa é a versão que seu pai contou?

- Vieira, me deixa fechar a porta.

Acha que roubei a conta do pai dela? Ele era um amador com projetos sem futuro.

- Não foi assim que aconteceu.

Então o avião tomba e somos empurrados para o canto do banheiro. Meu corpo empurra o dela para o vazo e Manuela bate a cabeça com força. Inferno!!!!

- Você esta bem?

Pergunto segurando seu rosto e vendo se machucou.

- Não...

Leva a mão a cabeça e quando tira, vejo sangue.

- Merda!

Ela esta ferida, tem muito sangue. Tento me levantar para socorrê-la, mas meu corpo ainda é lançado para cima dela. Isso não é bom... Então me lembro das aulas de emergência, no curso de pilotagem.

- Estamos caindo.

Sussurro nervoso.

- O que?

- O jatinho esta caindo.

Me arrasto pelo chão e puxo uma toalha.

- Coloque no ferimento.

- Como assim estamos caindo?

- Essa pressão nos nossos corpos. Isso significa que temos um buraco na aeronave.

Ela me olha assustada.

- Fique aqui...

Digo me arrastando para fora do banheiro. A pressão no meu corpo é grande. Assim que saio do banheiro vejo o motivo da pressão. A porta do jatinho esta aberta. Busco com os olhos o botão de emergência para aperta-lo.

- Quem abriu a merda da porta?

Olho para trás e vejo Manuela.

- Não mandei ficar no banheiro?

- Não confio em você. Poderia pegar um paraquedas e sair daqui me deixando sem nada.

Reviro os olhos.

- Não sou assim. Se bem que você merecia isso.

Acho o botão na parte superior da porta.

- Vou tentar fechar a porta.

Me arrasto pela lateral e vejo-a agarrada a uma poltrona. Me ergo pela parede lateral e vou seguindo até a porta. Meu corpo esta sendo sugado e não tenho nada para me agarrar.

- Merda!

- Segura...

Vejo Manuela segurando o cinto da poltrona e me estendendo o braço.

- Segura...

Grita e encaro sua mão.

- Não vou te soltar.

Me estico e pego sua mão, que me segura firme. Me solto e sou empurrado para a porta. Consigo bater no botão e a porta começa a se fechar, mas meu corpo é sugado ainda mais.

- A outra mão.

Manuela me grita e seguro sua outra mão também. A porta se fecha e caio no chão. O jatinho ainda esta estranho.

- Ainda tem alguma coisa errada.

Digo me levantando.

- Nem o piloto e nem a comissária anunciaram nada.

- Não vi a comissária quando embarcamos. Alias, só vi o piloto e mais ninguém.

- Não pode ser.

Corro para a cabine e ela me segue. Abro a porta e não vejo nada.

- Oh meu Deus!

Grita levando a mão na boca.

- O piloto se jogou do avião?

- Acho que sim.

- Alexandre, o que vamos fazer?

Sigo para a poltrona do piloto e começo a verificar algumas coisas.

- Como não percebemos que estávamos sozinhos com ele?

Sinto um tapa em meu braço.

- A culpa é sua.

- Minha?

- Sim! As pessoas te odeiam e alguém deve ter contratado esse homem para dar um fim em você.

Me levanto irritado.

- A culpa é sua.

Empurro seu corpo para a parede.

- Tinha total domínio da minha vida antes de você.

Bato com o dedo em seu peito.

- É só você aparecer que me esqueço de controlar as coisas e só fico me defendendo de seus surtos.

- Eu não surto.

Grita me empurrando.

- Você deixa qualquer um louco e fora de si. É mimada e cheia da razão. Se não tivesse que ficar me protegendo de você, teria me protegido desse louco. Nunca permitiria que outro piloto surgisse sem antes ver seu histórico.

Manuela me olha com raiva.

- Mas estava preocupado demais com uma certa mulher, que quer foder minha empresa.

- Você é um imbecil.

Diz avançando em mim, batendo em meu peito. Tento segurar suas mãos, mas ela é forte. Lanço meu corpo no dela, a empurrando contra a parede novamente. Nossos corpos estão colados e posso sentir meu membro tremer de raiva.

- Eu te odeio.

Diz ofegante me olhando.

- Não mais do que eu.

Digo encarando seus lábios carnudos. Suas mãos se acalmam, se acomodando em meu peito.

- O que vamos fazer? Não quero morrer.

- Nós não vamos. Vou dar um jeito.

Me afasto, seguindo para a poltrona e ela se senta ao meu lado.

- O que vai fazer?

- Tentar nos levar em segurança para o chão.

Pego os fones de ouvido e tento falar com alguma torre de comando.

- O rádio não funciona, estamos sem comunicação.

Jogo o fone longe.

- Você sabe para onde ir?

- O radar parece funcionar. Estamos seguindo o caminho correto pelo menos.

- Essa coisa tem piloto automático?

- Não.

Ela me olha apavorada.

- Você sabe pilotar essa coisa?

- Sei pilotar helicópteros, mas nunca fiz isso com jatinho.

- Nós vamos morrer.

- Pelo amor de Deus! Pelo menos agora tente ser positiva comigo. Sempre pensa o pior de mim.

- Tudo bem, super piloto. Você consegue!

- Ironia também não ajuda.

Pego a direção do jatinho e nos equilibro. Mantenho o caminho da rota traçada.

- O que eu faço?

Olho para ela que esta agitada.

- Senta, coloca o cinto e cale a boca.

Revira os olhos e puxa o cinto. Então a luz de combustível começa a piscar.

- O que é isso?

Ela aponta assustada.

- Estamos ficando sem combustível.

- Então nos leve para baixo logo.

- Não é tão fácil assim.

- Tenho medo de perguntar o porque.

Respiro fundo.

- Esta vendo o radar?

- Sim...

Observa atenta para onde aponto com a cabeça.

- Aqui somos nós. O que vê em volta de nós?

Manuela se inclina e olha mais de perto.

- Não vejo nada.

- Isso...

Seus olhos questionadores estão nos meus.

- Não temos onde descer. Tudo isso aqui é água Manuela.

- Merda!!!

- Grande merda.

- Quais as chances de sobrevivermos a uma queda na água?

- Acho que nenhuma.

Ela fecha os olhos.

- Então acabou.

Solta o cinto e se levanta.

- Onde vai?

Não diz nada e segue para dentro. Em poucos minutos volta e começa a mexer no celular. Ela esta chorando e não sei o que fazer. Disca e leva o celular ao ouvido. Abaixa a cabeça e mantém o celular no ouvido.

- Atende pai...

Sussurra ainda chorando. O avião começa a balançar e sei que é o fim da gasolina. Ela desliga o celular e o leva ao peito.

- Nunca imaginei morrer assim.

- Nós não vamos morrer.

- Como tem tanta certeza assim?

- Não posso morrer sem antes viver um grande amor e ser feliz.

Digo com uma dor no peito.

- Não seria justo morrer sem saber o que é amar.

Puxa o cinto e o prende se acomodando.

- Só queria dizer ao meu pai que o amo.

- Ele sabe disso.

Seus olhos buscam os meus.

- Ele não sabe. A maior parte do tempo não sabe.

Os motores param de funcionar e o jatinho começa a perder altitude. Os tremores começam e é cada vez mais difícil manter o jatinho estável.

- Me desculpe!

Manuela sussurra.

- Pelo que? Tenho uma lista longa pra você se desculpar.

Ela sorri. Um sorriso doce e encantador.

- Só vou me desculpar por dizer que as pessoas te odeiam, o resto mantenho. Principalmente a parte que te culpa por essa merda toda.

Os barulhos aumentam e não consigo mais controlar o jatinho. Então algo pisca na tela do radar.

- Uma ilha...

Digo empolgado.

- Consegue descer nela?

- Vai ser difícil, mas posso tentar.

- Então nos salve, Alexandre.

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