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Capa do romance O Zumbido do Arrependimento

O Zumbido do Arrependimento

Após uma briga cruel, Maria ignora a última ligação de Pedro antes de sua morte brutal. Consumida pela culpa, ela não sabe que ele recebeu uma chance sobrenatural de voltar por cinco dias para ouvir um 'eu te amo'. No entanto, Pedro encontra Maria manipulada pelas mentiras de João, seu amigo invejoso. Entre rejeições e humilhações, o tempo de Pedro se esgota. Após ser repelido pela amada, ele desiste, dando início à jornada de vingança e redescoberta de Maria.
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Capítulo 3

"Dizer que te amo? Depois de tudo?", Maria riu, um riso seco e sem humor, que cortou o ar como vidro quebrado. "Você aparece aqui, depois que todos pensaram que você estava morto, e a primeira coisa que me pede é isso? Você é inacreditável, Pedro." Ela se afastou dele, buscando refúgio ao lado de João, que a envolveu com um braço protetor. Olhando para João, com uma doçura que Pedro raramente via, ela disse: "João, obrigada por estar aqui. Não sei o que faria sem você." As palavras foram um soco no estômago de Pedro. Ela estava oferecendo a João a gratidão e o carinho que negava a ele.

Pedro sentiu o sangue ferver. Ele avançou, tentando afastar a mão de João do ombro de Maria. "Tire as mãos dela!", ele rosnou. Maria se colocou na frente de João, protegendo-o. "Parou, Pedro! Chega! Foi por causa desse seu ciúme doentio que nós terminamos! Você não mudou nada! Nem a morte te conserta!", ela gritou, empurrando-o com força. Cada palavra dela era uma acusação, um lembrete doloroso de seus erros passados, que agora eram usados como armas contra ele.

Naquela noite, a tortura de Pedro continuou. João, com a desculpa de que Maria não deveria ficar sozinha, ficou para o jantar. Pedro foi forçado a sentar-se à mesa e assistir à cena grotesca. João servia Maria, contava piadas que a faziam sorrir, limpava uma lágrima imaginária de seu rosto. E Maria, cega pela dor e pela manipulação, aceitava tudo. Pedro era um fantasma naquela mesa, uma presença invisível e indesejada, testemunhando o homem que o invejava roubar seu lugar, seu amor, sua vida. O silêncio de Pedro era um grito de dor que ninguém podia ouvir.

Mais tarde, enquanto Maria tomava banho, Pedro passou pelo quarto de hóspedes e ouviu a voz de João, baixa e conspiratória. Ele se aproximou da porta e escutou. "O plano deu certo", dizia João ao telefone. "Ele está morto. Mas... algo estranho aconteceu. Ele apareceu aqui. Não sei como, mas ele voltou. Se ele descobrir a verdade... resolva isso. Não quero que ele respire o mesmo ar que eu por muito mais tempo." O coração de Pedro gelou. Um plano? Verdade? A morte dele não foi um acidente. Foi um assassinato. E João era o mandante. Nesse momento, Pedro, sem querer, esbarrou em um vaso no corredor. O som do objeto caindo no chão ecoou pela casa.

A porta do quarto se abriu abruptamente. João apareceu, o telefone já guardado, com uma expressão de pânico que rapidamente se transformou em medo calculado. "Pedro! O que você está fazendo? Me espionando?", ele gritou, alto o suficiente para Maria ouvir do banheiro. Ele agarrou o próprio braço, como se Pedro o tivesse atacado. "Ele está me ameaçando, Maria! Ele disse que vai me matar!", João gritou, com lágrimas de crocodilo nos olhos. Maria saiu correndo do banheiro, enrolada em uma toalha, e viu a cena: João encolhido, parecendo a vítima, e Pedro parado, chocado e furioso. Sem hesitar, ela correu para o lado de João. "O que você fez com ele, seu monstro?", ela gritou para Pedro, a confiança em seus olhos completamente destruída.

Naquela noite, Pedro dormiu no sofá, se é que se pode chamar aquilo de dormir. A dor física da solidão se misturava com a dor emocional da traição. Ele ouvia os sussurros de Maria e João no quarto, o som abafado de risadas. Cada som era uma facada em seu peito já ferido. Ele se levantou e foi até o banheiro, procurando por analgésicos. Encontrou um kit de primeiros socorros. Abriu e viu que estava sendo usado para tratar um arranhão superficial no braço de João, o mesmo braço que João afirmava que Pedro havia machucado. A farsa era tão óbvia, mas Maria não via.

De repente, a porta do banheiro se abriu. Era Maria. Seus olhos estavam cheios de fúria. "O que você está fazendo?", ela perguntou, a voz gélida. Ela o agarrou pelo colarinho da camisa, empurrando-o contra a parede. "Eu te odeio, Pedro. Você entende? Eu te odeio por ter me feito te amar. Eu te odeio por ter me destruído. E eu te odeio por ter voltado para me atormentar mais uma vez." Ela o sacudiu, o rosto a centímetros do dele. "Nunca. Nunca mais espere ouvir 'eu te amo' da minha boca. Para mim, você já está morto e enterrado." As palavras dela foram a sentença final daquele dia, deixando Pedro completamente quebrado, sozinho na frieza do banheiro.

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