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Capa do romance O Viúvo e a Babá

O Viúvo e a Babá

Após ser traída pela família, Ayla busca recomeçar como babá em uma nova cidade. Ela logo descobre que seu chefe é o enigmático bilionário que conheceu ao chegar, um viúvo amargurado que negligencia a própria filha. Entre confrontos intensos e segredos sombrios, Ayla desafia a frieza desse homem ferido. Agora, ela deve decidir se foge do perigo ou se arrisca seu coração por alguém que promete ser seu pior pesadelo, enquanto tenta curar as feridas de um passado cruel.
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Capítulo 3

— Alô, você está aí? — a voz dele volta, firme.

Ainda ajoelhada na calçada, respondo rápido:

— Sim! Sim, estou. E aceito. — disparei, sem respirar, como se ele pudesse mudar de ideia a qualquer segundo.

— Certo. Venha amanhã, às... — começa, mas interrompo sem pensar:

— Posso começar agora. — Me adianto. — Assim você economiza tempo me explicando tudo hoje. Imagino que seja um homem ocupado.

Mordo o lábio. O desespero transbordando na voz. Eu sabia. Sabia que parecia desesperada... Porque estava. A verdade? Não tinha onde dormir. Aquele emprego era meu único plano. Morar ali já resolveria metade do meu problema — ou, no momento, o problema: não ter um teto.

O silêncio dele me faz gelar. E se ele mudasse de ideia? Só volto a respirar quando escuto, seco:

— Ok. — E desliga.

Fico olhando pro celular, atônita. Foi fácil... até demais. Mas não ia reclamar.

Recolho minhas coisas molhadas da calçada e pego um táxi, usando os últimos trocados.

De novo, parada diante daquela mansão, suspiro. Última ficha jogada.

— Deixe-me ajudá-la. — o mesmo mordomo aparece e pega minhas malas. — Levarei para seu quarto. O senhor Barrichello a espera. — E some.

Meu corpo inteiro vibra de nervoso enquanto caminho até a porta. A sala, enorme e impecável, parece ainda mais intimidadora agora.

Ele surge no corredor. Alto. Imponente. Rosto impassível. Olhar frio, cravado em mim. Não diz nada, apenas se vira e entra no escritório.

Entendo aquilo como “entre”. E obedeço. Fecho a porta, tentando fingir que não estou prestes a ter um colapso.

— Então... estou pronta. Diga tudo que preciso saber. — forço um sorriso, me esforçando pra parecer no controle.

Ele me olha de cima a baixo, depois aponta com os olhos pro sofá. Sento.

O escritório é exatamente como ele: sóbrio, rígido, impecável... e frio.

— Antes de tudo, senhorita Green... — sua voz preenche o ambiente, firme, intransigente — preciso deixar algo claro: minha filha é meu bem mais precioso. Não admito erros. Nenhum.

Engulo seco.

— Compreendo, senhor Barrichello. Sua filha estará em boas mãos.

Ele não reage.

— Espero que sim. — E começa. — Primeira regra: rotina. Ela tem horários. Não admito atrasos, nem mudanças. Segunda: qualquer problema de saúde, mínimo que seja, me avisa imediatamente. Entendido?

— Perfeitamente. — Tento soar firme.

Ele segue. Mais regras. E mais. E mais. Uma sequência infinita, como se estivesse contratando uma agente da CIA, não uma babá.

— Por ora, é isso. — encerra, seco. — Seu quarto é anexo à casa. Fale com Gomes se precisar.

Me levanto, sustento o olhar dele, e solto, sincera:

— Cuidarei da sua filha com todo meu empenho. Ela estará segura e feliz comigo.

Por um segundo — um único segundo — vejo algo quase... humano no olhar dele. Quase um sorriso. Mas some rápido demais pra ter certeza.

Dou meia-volta. Mas paro. Preciso perguntar. Não dá pra engolir isso.

Respiro fundo, viro, e encaro aquele olhar gélido.

— Se me permite... — começo — por que me escolheu? Havia candidatas mais... qualificadas.

Ele arqueia uma sobrancelha, como se a pergunta o surpreendesse.

— Minha decisão não se baseou apenas em currículos. — responde, firme. — Foi... um instante fugaz que me fez decidir.

— Um instante fugaz? — repito, desconfiada.

Ele se inclina levemente, voz baixa, certeira:

— Da janela, vi quando você ajudou minha filha. Vi como ela sorriu pra você. Foi genuíno. E raro.

Fico em silêncio. A lembrança daquele momento vem, clara. Mas nunca imaginei que... ele estava observando.

— Me perdoe, mas... — ajeito-me, desconfortável — não entendo como isso pode ser decisivo pra algo tão sério.

Ele sustenta meu olhar, inabalável. E então sua voz sai, carregada de aviso:

— Você não entende agora, senhorita Green. Mas entenda uma coisa: assim como te escolhi, posso te dispensar no primeiro sinal de erro.

Sinto um frio na espinha. O ar pesa. Mas não vou recuar.

— Entendo perfeitamente. — respondo, firme. — Aceito o desafio.

Ele me observa por segundos que parecem horas. Até que seus lábios curvam, quase imperceptíveis. Frio. Enigmático.

— Veremos. — E só isso. — Aqui não há espaço pra erros.

E foi assim que, naquela sala carregada de tensão, começou meu novo trabalho.

Um emprego pra cuidar de uma criança.

Sendo que... eu nunca cuidei de uma na vida.

— Meu Deus... o que eu tô fazendo? — sussurro pra mim mesma, encarando meu reflexo no vidro da porta.

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