
O Último Adeus, Uma Marca Duradoura
Capítulo 2
Ponto de Vista de Aline Bastos:
Meus dedos tremiam enquanto eu enviava as mensagens, um coquetel de fúria e náusea se agitando no meu estômago. Eu era Aline Bastos, uma designer gráfica que criava beleza a partir do caos, uma esposa que construiu sua vida em torno do amor e da confiança. Eu não era o tipo de mulher que se encontrava em uma troca de mensagens sórdida e noturna com a amante do marido. Eu nunca pensei que seria.
Os três pontos na bolha de bate-papo de Karina desapareceram e reapareceram. Ela estava elaborando sua resposta, escolhendo suas palavras com a mesma precisão que provavelmente usava em seus projetos.
Finalmente, uma mensagem apareceu. Era simples, assustadoramente direta.
`Karina: Venha ver por si mesma.`
Um endereço se seguiu. Era de um prédio de apartamentos de luxo no centro, uma daquelas novas torres de vidro ultramodernas que Caio havia elogiado recentemente em uma revista de arquitetura.
Meu coração martelava contra minhas costelas. Isso era um desafio. Uma luva atirada ao chão.
Sem pensar duas vezes, levantei-me de um salto. O movimento súbito me causou uma onda de tontura, e tive que me segurar no encosto do sofá para me firmar. Ignorando o protesto do meu corpo dolorido, tropecei até o quarto, vestindo o primeiro par de jeans e um suéter que encontrei. Não me preocupei com maquiagem; a mulher pálida e de olhos fundos que me encarava no espelho era uma estranha de qualquer maneira.
O trajeto até o centro foi um borrão de ruas molhadas e semáforos sangrando na penumbra do amanhecer. Minha mente era uma tempestade caótica de perguntas. O que eu diria? O que eu faria? Uma parte de mim, a parte racional e cansada, gritava para eu voltar, para lidar com isso com dignidade, para esperar até que Caio chegasse em casa e oferecesse qualquer desculpa patética que ele tivesse inventado.
Mas a parte ferida de mim, a parte que acabara de ver sua vida queimar em uma série de JPEGs, precisava ver a incendiária.
Parei no estacionamento de visitantes do prédio estéril e imponente. Enquanto caminhava em direção ao saguão, um sedã preto elegante parou na calçada. A porta de trás se abriu e Caio saiu.
Ele não estava sozinho.
Karina Lopes surgiu depois dele, uma visão de energia juvenil. Ela usava um casaco sob medida que acentuava sua figura esguia, e seu cabelo, uma cascata de seda escura, balançava a cada passo. Ela estava radiante, saudável, vibrante — tudo o que eu sentia que não era.
Ela riu de algo que ele disse, um som brilhante e despreocupado que o vento trouxe diretamente para mim. Caio sorriu de volta, um sorriso genuíno e desprotegido que eu não via dirigido a mim há uma eternidade. Ele estendeu a mão e afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, seu toque demorando uma fração de segundo a mais.
A intimidade casual do gesto foi como um golpe físico. Era mais condenatório do que qualquer fotografia.
Meus pés se moveram antes que meu cérebro pudesse processar a decisão.
"Caio!"
Minha voz estava rouca, falhando no ar frio.
Ambos congelaram, virando-se para o som. O sorriso de Caio desapareceu, substituído por uma máscara de choque e, em seguida, inconfundivelmente, de irritação. A expressão de Karina era mais difícil de ler, mas quando seus olhos encontraram os meus, um brilho de algo triunfante, um lampejo calculado de vitória, apareceu em suas profundezas.
"Aline? O que você está fazendo aqui?" Caio perguntou, seu tom seco e frio. Ele deu um meio passo à frente, posicionando-se sutilmente entre mim e Karina. Um protetor. Só não o meu.
"O que eu estou fazendo aqui?" repeti, minha voz subindo com incredulidade. "Eu deveria estar te perguntando a mesma coisa, Caio. Estou te ligando a noite toda. Pensei que algo tivesse acontecido."
Ele teve a decência de parecer momentaneamente envergonhado, seu olhar caindo para o pavimento. "Meu celular descarregou. Foi uma noite longa com a equipe, comemorando o novo projeto."
"A equipe?" Lancei um olhar para Karina, que agora assistia à cena se desenrolar com uma curiosidade distante, como uma espectadora em uma peça particularmente interessante. "Ela é 'a equipe'?"
Karina ofereceu um sorriso pequeno e adocicado. "Aline, certo? O Caio me falou tanto de você."
A condescendência em sua voz era espessa o suficiente para sufocar.
Caio colocou uma mão apaziguadora no braço dela. "Karina, talvez seja melhor você subir." Ele a estava dispensando, mas parecia que a estava protegendo, abrigando-a de minhas emoções bagunçadas e inconvenientes.
"Não", eu disse, minha voz ganhando um tom cru de desespero. "Ela pode ficar. Eu quero saber o que está acontecendo. Aqui e agora."
"Aline, você está fazendo uma cena", ele sibilou, seus olhos percorrendo a rua vazia como se os paparazzi estivessem prestes a descer. Sua imagem pública. Sempre sua primeira prioridade.
"Eu estou fazendo uma cena?" Minha risada foi frágil, sem humor. "Meu marido desaparece a noite toda, e eu recebo fotos dele com sua... protegida, e sou eu quem está fazendo uma cena?"
A fachada de inocência de Karina rachou. Ela soltou um suspiro delicado e teatral. "Caio, talvez você devesse resolver isso. Ela parece... instável."
Aquela palavra — instável — incendiou o que restava do meu autocontrole.
"Não se atreva a falar da minha saúde", rosnei, aproximando-me.
Caio colocou a mão no meu peito, não com gentileza, mas com firmeza, me empurrando para trás. "Já chega, Aline. Você está histérica. Vá para casa. Conversamos mais tarde."
A força de seu empurrão me desequilibrou. A injustiça daquilo — seu toque, antes meu porto seguro, agora usado para me afastar em favor dela — fez algo estalar. Eu o empurrei de volta, minha palma conectando-se com a parede dura de seu peito. "Não me toque! Não se atreva."
Ele tropeçou, seu rosto uma mistura de choque e fúria. "Qual é o seu problema? Você está agindo como uma louca."
"Louca?" gritei, a palavra rasgando minha garganta. "Você me abandona, você mente para mim, você fica aqui com ela, e sou eu quem está louca?"
Ele não respondeu. Apenas me olhou, sua expressão endurecendo em uma de fria indiferença. Ele me deu as costas, colocando uma mão gentil no ombro de Karina. "Vamos. Eu resolvo isso."
A finalidade daquela ação, dele a escolhendo tão decisivamente, me quebrou. Ele nem olhou para trás enquanto a guiava para o saguão reluzente, deixando-me sozinha na calçada fria e molhada.
Através das portas de vidro, vi Karina olhar para trás por cima do ombro. Ela não estava mais sorrindo. Estava apenas me observando, seus olhos frios e avaliadores, como se eu fosse um problema que já havia sido resolvido.
Vi meu reflexo no vidro escuro do prédio. A mulher que me encarava era um fantasma — pálida, magra, com olhos selvagens e rastros de lágrimas manchando suas bochechas. Instável. Talvez eles estivessem certos.
O caminho de volta para casa foi uma névoa de luto. Não me lembro do trânsito ou do percurso. Só me lembro de estacionar o carro e entrar em nosso apartamento silencioso.
Ele ainda não estava lá.
A dor no meu corpo, que era uma dor surda, agora se aguçou em uma agonia latejante. Afundei no sofá, meu olhar caindo sobre a orquídea no vaso na mesa de centro. Suas pétalas estavam marrons e murchas, o caule caído tristemente. Eu havia esquecido de regá-la. Nós dois havíamos esquecido.
Lembrei-me de quando Caio me deu, anos atrás. "É como você, Line", ele havia dito, seus dedos traçando a curva delicada de uma pétala. "Elegante, linda, mas precisa de um pouco mais de cuidado para realmente florescer."
Agora, estava morrendo. Assim como todo o resto.
Uma necessidade desesperada e primal de conforto me invadiu. Eu precisava da minha mãe. Precisava que ela me dissesse que tudo ficaria bem, que me envolvesse em um abraço e fizesse o mundo parar de doer por um minuto.
Minhas mãos tremiam enquanto eu discava o número dela.
"Aline? Querida, está tudo bem? É tão cedo."
"Mãe", solucei, a palavra mal audível. "Posso... posso ir aí? Só por um tempinho?"
Houve uma pausa do outro lado da linha. Eu podia ouvir a hesitação.
"É sobre o Caio?" ela perguntou, sua voz suavizando, mas com um cansaço familiar. "Vocês brigaram de novo?"
"É mais do que isso, mãe. É..."
"Aline, me escute", ela interrompeu gentilmente. "Caio é um bom homem. Ele é um provedor maravilhoso. Todo casamento tem suas fases difíceis. Você precisa ser mais compreensiva. Ele está sob muita pressão no trabalho. Não seja difícil. Apenas vá para casa, descanse um pouco, e as coisas parecerão melhores pela manhã."
Suas palavras não foram um consolo. Foram uma demissão. Ela não estava ouvindo minha dor; estava gerenciando minhas expectativas, suavizando as rachaduras para preservar a imagem perfeita do casamento bem-sucedido de sua filha.
"Mas mãe-"
"Tenho que ir, querida. Seu pai e eu temos um jogo de golfe cedo. Conversamos mais tarde. Seja uma boa menina."
A linha ficou muda. Eu estava sozinha. Total e completamente sozinha, abandonada pelas duas pessoas que deveriam me amar mais.
---
Você pode gostar





