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Capa do romance O Temido Cowboy que salvou minha vida

O Temido Cowboy que salvou minha vida

Dolores Ferreira parte em uma jornada rumo ao interior com o objetivo de reaver as terras de sua família. No entanto, ela acaba cruzando o caminho de Zacky Carter, um cowboy de temperamento difícil e presença marcante que se recusa a ceder. Enquanto tenta resolver a disputa, Dolores enfrenta o desafio inesperado de resistir à atração por esse homem orgulhoso. Em um cenário de conflitos, o destino testa sua determinação e seu coração.
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Capítulo 3

Capítulo 3

Maurício se despediu com um toque no chapéu e saiu, deixando Dolores sozinha na cozinha.

Ela soltou um suspiro, pegou novamente a caneca de alumínio e encheu na torneira. A água fresca descia sem barreiras, diferente de tudo que estava acostumada a beber.

- Pelo menos a água é boa - murmurou, levando a caneca à boca mais uma vez.

De repente, escutou um som baixo atrás dela. Passos leves. Não parecia ser uma pessoa. Dolores congelou. Virou-se devagar, e seus olhos se arregalaram.

Ali, parada na porta, estava uma criatura alta, de pelagem dourada e manchas negras, com orelhas pontudas e um olhar atento.

O coração de Dolores quase parou.

- M-meu Deus... um leopardo! - exclamou, dando um passo para trás, derramando parte da água no chão.

Nyra inclinou a cabeça, curiosa, como se se divertisse com o medo da visitante. Caminhou até ela e cheirou a barra da calça de Dolores, que prendeu a respiração, imóvel.

- Zacky! - murmurou, a voz saindo mais fina do que pretendia.

Um riso baixo veio da porta.

- Ah, já conheceu a Nyra. - Zacky encostou no batente, cruzando os braços com um olhar divertido. - Ela só morde quando não gosta da visita.

Ela olhou furiosa para ele.

- Poderia ter avisado que tinha uma onça de estimação!

- Serval - corrigiu ele, com um sorriso. - Criada por mim desde filhote. É mansa... na maior parte do tempo.

Nyra se aproximou e roçou o corpo na perna dele, ronronando como um gato gigante.

Dolores ainda mantinha distância, o coração quase saindo pela boca de tanto medo.

- Mansa. Claro. Aposto que também sabe fazer carinho com as garras.

Zacky riu.

- Relaxa, mocinha. Se ela gostou de você, já está em vantagem.

Dolores olhou para Nyra, que agora a observava com olhos âmbar brilhantes.

"Talvez," pensou, "aquele animal fosse apenas o reflexo do próprio dono: belo, selvagem e completamente imprevisível."

Nyra, se esticou preguiçosamente no chão frio da cozinha, soltando um longo bocejo antes de cochilar bem no meio do caminho, como se o lugar fosse dela.

- Dei uma olhada no seu carro - disse Zacky, encostado no batente da porta com um jeito relaxado e provocador. - Vai precisar de um mecânico. E, pelo que vi, é automático.

- E agora... o que vou dirigir? - ela perguntou, aflita.

- Pode usar qualquer carro da fazenda - respondeu, com um meio sorriso.

Ela corou antes de murmurar:

- Só sei dirigir carro automático.

Ele arqueou uma sobrancelha, divertido.

- Ah, entendi... você não sabe dirigir.

- Claro que sei! - rebateu, ofendida.

Zacky cruzou os braços e se aproximou lentamente, com o olhar zombeteiro.

- Motorista de verdade dirige qualquer carro, mocinha.

Ela o encarou, furiosa, mas ele apenas riu, saindo da cozinha como se tivesse vencido mais uma disputa.

"Ele é insuportável!", pensou Dolores, ainda irritada, enquanto observava o cowboy se afastar com sua arrogância habitual. Então olhou para a tal da Nyra, esticada no meio da cozinha como se fosse dona da casa, elegante, enorme e perigosamente tranquila.

Dolores engoliu seco.

Não sabia o que era pior: seguir o cowboy mal-humorado ou ficar sozinha com o "gato gigante".

- Algo me diz que ela não é tão boazinha... - murmurou, baixinho.

Como se tivesse entendido perfeitamente, Nyra abriu um dos olhos devagar, aquele olho amarelo que parecia ver a alma de qualquer um. Observou Dolores em silêncio, com um ar de superioridade felina, como se julgasse a coragem da mulher.

Depois, sem a menor cerimônia, deitou a cabeça novamente no chão e fez um barulho grave, algo entre um grunhido e um resmungo, como se fosse um: Hum!

E voltou a dormir.

Dolores arregalou os olhos, agarrando a calça.

- Viu só? Ainda resmunga! - sussurrou, atravessando a cozinha de fininho, como se estivesse passando ao lado de uma bomba-relógio prestes a explodir.

Dolores finalmente criou coragem, mais por desespero do que por bravura, e conseguiu seguir o cowboy. Ainda olhava por cima do ombro para garantir que Nyra não vinha atrás, quando quase trombou no vaso. Só Deus sabe de onde isso surgiu.

Ficou parada e arregalou os olhos.

Zacky estava de costas, tirando a camisa xadrez suada. O movimento era lento o suficiente para ela ver cada centímetro daquele dorso largo e definido, músculos marcando desde os ombros até a linha da cintura.

Um calor subiu pelo rosto dela antes mesmo que percebesse que estava encarando.

E encarando muito.

Ele virou o rosto por cima do ombro e a pegou no flagra.

- Perdeu alguma coisa? - perguntou com um sorriso petulante, claramente se divertindo às suas custas.

Dolores piscou rápido, abriu a boca, fechou, abriu de novo. Nada saiu.

Zacky ergueu uma sobrancelha, provocando:

- Ou estava apenas apreciando a vista?

Ela quase se engasgou com o ar.

- Eu... eu só vim... é... ahm... seguir você.

- É, percebi. - Ele largou a camisa no banco do carro e ficou de costas, o que não ajudou em nada.

Dolores virou o rosto tão rápido que quase torceu o pescoço.

- Eu não estava olhando! - mentiu, corando até as orelhas.

- Aham. Fica tranquila. Da próxima vez aviso quando for tirar a camisa. Assim você se prepara.

Ela quase teve um troço.

Ele inclinou o corpo para dentro do carro dela, apoiando uma mão no teto como se tivesse todo o tempo do mundo.

- Ligue para o seu assistente almofadinha - disse com aquele tom irritantemente calmo. - Peça pra ele vir te buscar. E avisa que você não conseguiu o que queria.

Dolores sentiu o mundo despencar.

- Você não vai nem ouvir a minha proposta?

Zacky deu uma risada curta, sem humor, e fechou a porta do veículo.

- Moça... - Ele se aproximou, olhando-a de cima como se ela fosse completamente inofensiva. - Eu não preciso do seu dinheiro.

Ela abriu a boca para retrucar, mas ele continuou:

- Aliás, eu tenho muito mais do que você poderia gastar... mesmo se fosse minha esposa.

Aquilo queimou o orgulho dela.

Dolores engoliu seco, mas ergueu o queixo.

- Arrogante.

Ele deu um sorriso torto, provocante.

- Realista.

Então, ela estava tão nervosa que deu um passo para trás, o salto afundou na terra e crac... quebrou. Dolores ficou paralisada por um segundo.

Zacky ergueu uma sobrancelha, com aquele olhar de quem dizia claramente: Eu te avisei.

Dolores respirou fundo, agachou e tirou os sapatos, ficando descalça. Ele não desviou o olhar. Os olhos dele desceram, observando os pequenos pés dela, as unhas perfeitamente feitas.

- Venha comigo - disse ele, a voz grave, calma demais para quem estava claramente irritado com a presença dela. - Vou arrumar um quarto para você. Acredito que vai querer se refrescar antes do jantar.

Ela hesitou, segurando os sapatos quebrados.

- Sou bem-vinda para o jantar? - perguntou, com orgulho ferido.

Zacky soltou uma risada breve e sem humor.

- Eu nunca disse que você era bem-vinda - respondeu. - Só não quero que desmaie de fome na minha propriedade ou de insolação.

Ele virou de costas e começou a andar, esperando que ela o seguisse.

Dolores apertou os lábios, sentindo a indignação crescer no peito... mas o seguiu. Porque, querendo ou não, aquele cowboy irritante era a única pessoa que podia levá-la até o que ela mais desejava.

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