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Capa do romance O Silêncio de Uma Morte Anunciada

O Silêncio de Uma Morte Anunciada

Após perder a pequena Sofia para uma febre fatal, Ana enfrenta o desprezo cruel de Pedro. Enquanto a filha morria, o marido ignorava as chamadas sob o pretexto de cuidar da mãe. No hospital, em vez de consolo, Ana é recebida com acusações de negligência e o insulto de assassina proferido pela sogra. Diante do egoísmo e da traição emocional, a dor de Ana se torna clareza. No corredor frio, ela exige o divórcio, iniciando uma jornada árdua para se reconstruir.
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Capítulo 2

Quando o médico me disse que a minha filha, a pequena Sofia, estava morta, o mundo à minha volta ficou em silêncio.

Eu tinha-a levado para o hospital com febre alta.

O meu marido, Pedro, estava em casa da mãe dele, a cuidar dela porque ela tinha torcido o tornozelo.

Liguei-lhe dezenas de vezes.

Ele não atendeu nenhuma.

Agora, olhava para o corpo minúsculo e imóvel da minha filha na cama do hospital, sentindo um vazio que me consumia por dentro.

O médico, um homem de meia-idade com olhos cansados, pousou a mão no meu ombro.

"Lamento imenso, Sra. Almeida. Fizemos tudo o que podíamos."

As palavras dele soaram distantes, como se viessem de debaixo de água.

Com as mãos a tremer, peguei no meu telemóvel e liguei novamente ao Pedro. Desta vez, ele atendeu, a sua voz cheia de irritação.

"O que foi, Ana? Já não te disse que a minha mãe precisa de mim? Ela não para de se queixar das dores. Não posso sair daqui agora."

A sua voz era áspera, sem um pingo de preocupação.

"Pedro," a minha voz saiu como um sussurro quebrado. "A Sofia..."

"O que é que se passa com a Sofia? A febre baixou? Dá-lhe o remédio que o médico receitou. Não faças um drama por tudo."

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ouvi a voz da minha sogra, a Clara, ao fundo.

"Pedro, querido, podes trazer-me um copo de água? E a minha almofada, esta não está boa."

"Já vou, mãe," respondeu ele, com uma suavidade que nunca usava comigo.

Um riso amargo escapou-me dos lábios.

"Pedro," disse eu, com uma calma assustadora que nem eu sabia que tinha. "A Sofia morreu."

Houve um silêncio do outro lado da linha. Durou apenas alguns segundos.

"O quê? Como assim, morreu? Estás a brincar comigo, Ana? Que piada de mau gosto é essa?"

"Não é piada nenhuma," respondi, sentindo as lágrimas a escorrerem-me pelo rosto. "Ela morreu. O nosso bebé morreu."

"Isso é impossível! Era só uma febre! Deves ter feito alguma coisa de errado. Tu nunca cuidaste bem dela!"

A acusação dele atingiu-me com a força de um soco.

"Eu vou para aí," disse ele, a sua voz agora uma mistura de pânico e raiva. "Não te mexas. Não fales com ninguém."

E desligou.

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