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O Sétimo Aniversário Que Virou Adeus

No sétimo aniversário de casamento, Juliana espera Pedro em um jantar luxuoso, mas ele não aparece. Ao voltar para casa, ela o encontra chegando com sua assistente, Ana, que exala o perfume que Pedro dera à esposa. Diante da traição e da frieza do marido, Juliana não reage com fúria, mas com um desapego cortante. Decidida a encerrar esse ciclo de desrespeito, ela ignora as manipulações de Pedro e liga para Marcos em busca de um advogado de divórcio.
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Capítulo 2

Era o nosso sétimo aniversário de casamento, e também Dia dos Namorados.

Eu reservei o restaurante aéreo mais caro da cidade com três meses de antecedência, o lugar que Pedro sempre quis ir.

Esperei por ele por três horas.

O restaurante estava prestes a fechar, mas Pedro não apareceu.

Liguei para ele, e a chamada foi direto para a caixa postal.

Voltei para casa sozinha, a casa que dividíamos. As luzes estavam apagadas, e o silêncio era profundo.

Sentei-me no sofá da sala, sem acender a luz, e esperei em silêncio.

Não sei quanto tempo passou.

A porta finalmente se abriu.

A luz do corredor entrou, e com ela, a figura alta e familiar de Pedro.

Mas ele não estava sozinho.

Atrás dele, havia uma mulher, sua assistente, Ana.

O cheiro de álcool misturado com o perfume dela encheu o ar.

Era o mesmo perfume que Pedro me deu no meu aniversário, mas que eu nunca usei.

Ele ligou a luz, e seus olhos me encontraram no sofá. Ele pareceu surpreso por um momento, mas logo sua expressão voltou ao normal.

"Juliana, por que você está sentada no escuro? Quase me assustou."

Sua voz era a mesma de sempre, cheia de uma autoridade natural.

Ana, atrás dele, parecia um pouco nervosa. Ela baixou a cabeça e disse com uma voz suave.

"Senhora Juliana, o Presidente Pedro bebeu um pouco demais. Eu só o trouxe para casa por segurança."

Eu olhei para ela, depois para Pedro.

Uma calma estranha tomou conta de mim.

Eu não gritei, não questionei.

Apenas disse calmamente.

"Obrigada pelo trabalho duro. Já é tarde, você pode ir."

Ana olhou para Pedro, buscando sua opinião.

Pedro franziu a testa, claramente insatisfeito com minha atitude.

"Juliana, que tom é esse? Ana se preocupou comigo. Você deveria agradecê-la."

Eu sorri levemente.

"Eu agradeci. Ou você quer que eu me curve para ela?"

O rosto de Pedro escureceu.

"Você..."

Ana rapidamente interveio, puxando a manga de Pedro.

"Presidente Pedro, não brigue com a Senhora Juliana por minha causa. A culpa é minha. Eu deveria ter ido embora antes. Senhora Juliana, me desculpe."

Ela parecia frágil e inocente, como se eu fosse a vilã que estava intimidando-a.

Esse era o truque dela.

Nos últimos anos, eu já tinha visto o suficiente.

Eu me levantei.

Meu olhar passou por cima deles, sem emoção.

"Já que você sabe que a culpa é sua, por que ainda não foi embora?"

O rosto de Ana ficou pálido, e lágrimas brotaram em seus olhos.

Pedro imediatamente a protegeu, olhando para mim com raiva.

"Juliana, já chega! Peça desculpas a Ana!"

"Pedir desculpas?"

Eu ri, um riso frio e distante.

"Pedro, você sabe que dia é hoje?"

Ele pareceu confuso.

"Que dia?"

Claro, ele não se lembrava.

Sete anos de casamento, e ele esqueceu nosso aniversário.

Meu coração, que antes doía, agora estava completamente entorpecido.

"Não é nada. Estou cansada. Vou dormir."

Eu me virei e subi as escadas, sem olhar para trás.

Eu podia sentir o olhar furioso de Pedro nas minhas costas, mas não me importava mais.

Naquela noite, deitada na cama grande e fria, tomei uma decisão.

É hora de acabar com isso.

No dia seguinte, quando acordei, Pedro já tinha saído.

A casa estava vaz-ia, como se a cena da noite anterior fosse apenas um pesadelo.

Mas eu sabia que não era.

Peguei meu telefone e disquei um número que não ligava há muito tempo.

"Marcos."

A voz do outro lado da linha estava cheia de surpresa.

"Juliana? Aconteceu alguma coisa?"

Marcos era meu amigo de faculdade. Depois que me casei com Pedro, perdi o contato com a maioria dos meus amigos, incluindo ele.

"Estou bem. Só queria te pedir um favor."

"Pode falar. O que precisar."

Sua resposta foi rápida e sem hesitação.

Um calor que eu não sentia há muito tempo surgiu no meu coração.

"Você conhece algum bom advogado de divórcio?"

Houve um silêncio do outro lado da linha.

Depois de um longo tempo, a voz de Marcos soou novamente, um pouco rouca.

"Você... decidiu?"

"Sim."

Minha resposta foi firme.

"Entendi. Vou te enviar o contato mais tarde. Se precisar de mais alguma coisa, me avise."

"Obrigada, Marcos."

Desliguei o telefone e senti um alívio imenso.

Era como se um peso enorme tivesse sido tirado dos meus ombros.

Fui para a empresa.

Nossa empresa foi fundada por mim e por Pedro juntos. Eu era responsável pelo mercado internacional, enquanto ele cuidava dos negócios domésticos.

Nós éramos o casal modelo aos olhos de todos, com uma carreira de sucesso e uma família feliz.

Que piada.

Assim que entrei no meu escritório, vi Ana.

Ela estava sentada na minha cadeira, usando meu computador e bebendo da minha caneca personalizada.

A caneca tinha uma foto minha e de Pedro, tirada na nossa lua de mel.

Ela me viu, mas não se levantou. Em vez disso, sorriu docemente para mim.

"Senhora Juliana, você chegou."

Sua atitude era como se ela fosse a dona do lugar.

Eu caminhei até ela.

Meu olhar caiu sobre a caneca em sua mão.

"Você gosta desta caneca?"

Ela seguiu meu olhar e sorriu ainda mais.

"Sim, eu gosto. O Presidente Pedro disse que eu posso usar o que eu quiser no escritório."

Ela estava me provocando, testando meus limites.

No passado, eu poderia ter explodido.

Mas hoje, eu estava calma.

"Se você gosta, pode ficar com ela. Mas a cadeira, eu ainda preciso dela."

O sorriso no rosto de Ana congelou.

Ela não esperava que eu reagisse assim.

Ela se levantou relutantemente, e eu me sentei.

Liguei o computador e comecei a trabalhar, ignorando completamente sua existência.

A humilhação silenciosa era mais eficaz do que qualquer briga barulhenta.

Ana ficou ali por um tempo, o rosto alternando entre vermelho e branco, e finalmente saiu batendo os pés.

À noite, havia um jantar de negócios importante.

Pedro insistiu que eu fosse com ele.

"Juliana, você sabe o quão importante este evento é. Nossa imagem como casal é crucial para a empresa. Não faça cena."

Ele me avisou no carro.

Eu não disse nada.

Apenas olhei pela janela para a paisagem urbana que passava.

O local do evento estava cheio de luzes e pessoas importantes.

Pedro me segurou pelo braço, um sorriso perfeito no rosto, cumprimentando os convidados.

Eu era como uma marionete, sorrindo e acenando conforme necessário.

Então, eu vi Ana.

Ela estava usando um vestido branco, parecendo pura e inocente.

Ela caminhou em nossa direção, e muitos olhos a seguiram.

"Presidente Pedro, Senhora Juliana."

Ela nos cumprimentou com um sorriso.

Pedro franziu a testa ligeiramente.

"O que você está fazendo aqui?"

"Eu... eu só queria vir e ver..."

Lágrimas encheram seus olhos novamente.

Pedro suspirou e se virou para mim.

"Juliana, não seja tão dura com ela. Ela é jovem."

Eu quase ri.

Jovem? Ela era apenas alguns anos mais nova que eu.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, um repórter se aproximou com um microfone.

"Presidente Pedro, Senhora Juliana, vocês são conhecidos como o casal perfeito no mundo dos negócios. Qual é o segredo do seu casamento feliz?"

Pedro pegou o microfone, o sorriso de sempre no rosto.

"O segredo é a confiança e a compreensão mútua. Minha esposa, Juliana, sempre foi meu maior apoio..."

Eu não conseguia mais ouvir.

Peguei o outro microfone da mão de um assistente.

Todos os olhos se voltaram para mim.

"Na verdade", eu disse, minha voz calma, mas clara o suficiente para todos ouvirem, "não há segredo. Porque estamos nos divorciando."

Um silêncio chocado caiu sobre o salão.

O sorriso de Pedro congelou em seu rosto.

Ele me olhou incrédulo.

"Juliana, do que você está falando?"

Ele tentou pegar o microfone da minha mão, mas eu me afastei.

Ana também ficou pálida, olhando para mim com pânico.

Eu a ignorei.

Meu olhar encontrou o de Pedro.

"Estou falando da verdade. Uma verdade que você tem escondido por muito tempo."

Eu me virei para os repórteres.

"O motivo do divórcio? Acho que vocês podem perguntar ao Presidente Pedro e sua assistente, a senhorita Ana, aqui presente."

Os flashes das câmeras explodiram, capturando o pânico no rosto de Pedro e a expressão chocada de Ana.

Ana se aproximou de mim, sua voz um sussurro agudo.

"Você é louca? Você vai arruinar tudo!"

"Arruinar o quê? Seu sonho de se tornar a Senhora Pedro?"

Eu sorri para ela.

Pedro finalmente reagiu. Ele me agarrou pelo braço, sua voz baixa e furiosa.

"Cale a boca, Juliana! Vamos conversar em casa!"

Eu olhei para a mão dele no meu braço.

Tirei o grampo de cabelo que ele me deu no nosso primeiro aniversário de namoro. Um simples grampo de prata.

Eu o segurei por um momento e depois o joguei na lata de lixo mais próxima.

O som do metal batendo no plástico foi pequeno, mas pareceu ecoar pelo salão silencioso.

"Não há mais nada para conversar."

Eu me soltei de seu aperto.

"Você me trouxe aqui esta noite apenas para usar nossa imagem de 'casal perfeito' para encobrir o escândalo de você e sua amante serem flagrados juntos noite passada, não é? Para proteger o preço das ações da empresa."

O rosto de Pedro ficou branco como papel.

"Você me vê apenas como uma ferramenta para seus negócios. Mas, Pedro, eu não sou mais essa ferramenta."

Eu me virei e caminhei em direção à saída, sob o olhar de centenas de pessoas.

Meu passo era firme.

No momento em que saí do salão, peguei meu telefone.

Abri o aplicativo da companhia aérea e comprei a primeira passagem para fora do país.

Qualquer lugar servia.

Desde que fosse longe daqui.

Longe dele.

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