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Capa do romance O Senhor do Caos: Um Casamento Forçado

O Senhor do Caos: Um Casamento Forçado

Arrancada do próprio altar, Vittoria De Angelis torna-se o troféu de Vincenzo Lucchese, o herdeiro da máfia siciliana que retornou em busca de vingança. O casamento forçado sela uma nova ordem de poder e punição. Agora prisioneira de um homem dominado pelo rancor, Vittoria vive um jogo perigoso de rendição e ódio. Entre segredos e sangue, ela descobre que fugir é arriscado, mas amar seu captor pode ser fatal. Uma guerra silenciosa onde o desejo é a arma mais letal.
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Capítulo 2

As expressões de surpresa e confusão nos rostos são combustíveis para o homem, incendiando sua determinação a cada passo dado.

Ele caminha com passos lentos, firmes, exalando a presença dominante de quem retornou para reivindicar o que é seu por direito.

— Parece que meu convite se perdeu pelo caminho. — Ele comenta, com leve ironia, enquanto para exatamente diante dos noivos, seu olhar perfurando cada um deles sem precisar elevar a voz.

— Vincenzo…

— Don Vincenzo Lucchese. Pelo visto, você esqueceu até como se fala com quem está acima de você. — Vincenzo declara, cortando a fala de Enzo sem a menor cerimônia.

— Don? — Cesare repete, incrédulo diante da audácia e da ousadia de Vincenzo ao interromper tudo daquela forma.

— É o que se ganha quando se deixa um serviço pela metade. — Vincenzo responde, encarando o homem com firmeza.

Seu olhar percorre o altar como se cravasse uma marca invisível em cada um deles. Ao chegar à Vittoria, inclina levemente a cabeça, com a frieza de quem avalia uma mercadoria.

— Perdeu o juízo, rapaz? O que pensa que está fazendo? — Alfonso dispara, irritado, dando um passo à frente com a postura de quem não admite afronta.

— Tomando o que sempre foi meu por direito. — Vincenzo responde, com o olhar fixo em Vittoria, que prende a respiração, sem saber se recua ou o enfrenta.

E então, sem dar chance para qualquer reação, leva as mãos às costas e puxa uma arma, fazendo gritos alarmados ecoarem pelo jardim, enquanto os poucos soldados presentes sacam as suas.

— Contenham seus homens. Hoje é um dia especial e duvido que queiram transformá-lo no início de uma guerra. — Provoca, com a voz firme e desdenhosa, enquanto engatilha a arma e a aponta para Enzo, que por um instante deixa a postura vacilar.

— Abaixe essa arma, Vincenzo. — Cesare ordena, com a voz firme, enquanto leva a mão ao coldre, preparado para atirar ao menor sinal de perigo.

— Don Moretti, que tal deixar que os mais jovens resolvam como homens? — Sugere, com um tom ácido e calculadamente desrespeitoso, mirando Enzo sem sequer disfarçar o desafio.

Então, em um gesto de provocação deliberada e puro desrespeito, ele deixa a arma escorregar pelos dedos e a estende na direção de Enzo, como se o convidasse para um jogo que já considera vencido.

— Você decide, Enzo. — Declara, balançando a arma diante do rosto dele, como se fosse um brinquedo. — Podemos manter o tratado de paz entre as famílias ou você prefere lidar com o estrago agora? Tanto faz para mim, só quero ver quem irá sangrar primeiro.

— Mas que diabos você está tramando? — Enzo vocifera, tomado pela raiva, enquanto arranca a arma das mãos de Vincenzo e dispara para o alto, fazendo os convidados se encolherem, tomados pelo pânico.

Uma risada sarcástica escapa dos lábios de Vincenzo, divertido com o caos que se instala, especialmente com o estado de choque de Vittoria, que permanece imóvel, incapaz de reagir a tudo ao seu redor.

— Cuidado. — Vincenzo adverte, com um sorriso quase divertido nos lábios. — É de verdade, seria uma pena se você se machucasse com isso.

— Chega de palhaçada. — Enzo vocifera, apontando a arma e avançando com os olhos em brasa. — Com que direito você invade o meu casamento e transforma tudo em um circo? — Continua, a voz firme, mas carregada de indignação, enquanto encosta o cano no peito de Vincenzo, como se tentasse recuperar o controle que já perdeu.

— Assim não, Enzo. — Repreende, segurando o cano da arma e guiando-o até a própria testa, como se o desafiasse a atirar. — Desse jeito, minhas chances de sair vivo caem bastante, mas o estrago que vem depois, ah, esse, você não sobrevive. — Acrescenta, com um sorriso gélido. — Agora seja útil pela primeira vez na vida, decida. — Finaliza, em um tom carregado de desprezo, como se falasse a um menino tentando brincar de homem.

E então, antes que Enzo tenha sequer a chance de respirar, o som seco de passos ritmados rompe o silêncio tenso.

Das sombras que se alongam pelo jardim no início da noite, surgem os soldados, firmes, implacáveis, empunhando suas Tommy guns com os olhos cravados nos alvos.

O metal das armas reluz sob a luz amarelada dos lustres e tochas, enquanto os convidados se levantam em pânico, cadeiras tombam e o altar vira um palco de caos prestes a explodir.

— Todos mantenham a calma. — Vincenzo ordena, a voz firme e imperturbável rasgando o caos ao redor como se nada daquilo fosse inesperado. — Então, Enzo, estou pronto para a sua decisão. — Continua, a voz impassível, como se a arma encostada em sua testa não significasse nada. — Puxe o gatilho, inicie essa guerra e assista sua família ser destruída sem poder fazer nada. Ou dê um passo para o lado e me deixe ocupar meu lugar no altar.

— O quê? — Vittoria pergunta, a voz trêmula, finalmente despertando do transe que a dominava.

O choque estampado em seu rosto denuncia que, até aquele momento, ela mal compreendia o que estava acontecendo.

— Pai? — Enzo murmura, incrédulo, os olhos vacilantes entre a arma e o altar, sem saber se recua, avança ou simplesmente desmorona ali mesmo.

— Patético. — Vincenzo debocha, arrancando a arma das mãos de Enzo com desprezo. — Aposto que o senhor teria adorado vê-lo naquele carro com meu pai, não é mesmo, Don Cesare?

— Você está cometendo um grande erro, jovem. — Cesare adverte, trocando um olhar rápido e carregado com Alfonso.

Ambos exalam fúria contida, mas sabem que, se atirarem ali mesmo, farão exatamente o que Vincenzo quer: dando início a uma guerra da qual só sairão com vida, com muita sorte.

— Estou selando uma aliança. — Vincenzo responde, fazendo um gesto para que Enzo se afaste.

E sem a menor cerimônia, quase o empurrando, toma seu lugar no altar como se fosse o dono da ocasião.

— Mas é claro, sou um cavalheiro. — Acrescenta, com um sorriso torto. — Então, deixo a decisão para você, bella. — Seus olhos encontram os dela com firmeza. — Case-se comigo. — Propõe, travando a arma com um estalo preciso antes de encaixá-la no coldre, como se encerrasse uma negociação que jamais teve oposição real.

— Não. — Vittoria responde, de imediato, sem sequer pensar, como se aquela proposta absurda não passasse de uma piada de mau gosto.

— Nunca que você…

— Ainda não chegou sua vez, sogro. — Vincenzo interrompe, sem desviar os olhos de Vittoria, como se Alfonso sequer existisse. — Vamos tentar novamente, bella. — Murmura, aproximando-se lentamente, eliminando a distância entre eles com uma presença que impõe mais que qualquer arma. — Case-se comigo, se quiser de volta aquilo que você mais ama.

Vittoria se move rapidamente no altar, os olhos percorrendo o ambiente como se buscasse desesperadamente por alguém.

O coração dispara ao não encontrar o que procura, e a respiração falha, presa na garganta, sufocada pelo pânico.

— Giuliano. — Vittoria sussurra, como se o nome lhe roubasse o fôlego, o ar escapando dos pulmões em um único sopro.

Seus olhos voltam lentamente para Vincenzo, agora tomados por um pavor silencioso, ela entende exatamente o que está em jogo.

— Você tem o direito de escolha, não sou um monstro. — Vincenzo declara, com a voz serena e cortante, como uma sentença de morte. — Case-se comigo, e tudo permanecerá em paz.

Inclina-se devagar, o tom quase confidencial, até que sua respiração toque o ouvido dela.

— Mas, se preferir seguir com seu compromisso com Enzo, aceitarei com dignidade. E, como presente de casamento, enviarei seu irmão de volta. Um pedaço por dia, até que o silêncio complete o que restar dele.

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