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Capa do romance O Segredo do Meu Marido, Minha Guerra Silenciosa

O Segredo do Meu Marido, Minha Guerra Silenciosa

No aniversário de casamento, Júlio riu enquanto sua amiga Jade detalhava a intimidade deles. Ao descobrir um grupo secreto, percebi que ele trocava meus anticoncepcionais por placebos há um ano para doar esperma a ela, fingindo me consolar pela infertilidade. Quando ele partiu para celebrar o aniversário dela, ignorando o nosso, decidi agir. Fui atrás deles, determinada a não ser mais a esposa enganada e pronta para destruir o mundo de mentiras dele.
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Capítulo 2

Ponto de Vista de Alice Moraes:

O silêncio da nossa casa espaçosa e minimalista era um rugido ensurdecedor em meus ouvidos. Eram 3 da manhã e eu não tinha dormido. Sentei-me na beirada da nossa cama king-size, a mesma cama onde Júlio tinha virado para o lado e caído em um sono bêbado e sem remorso horas atrás, logo depois que eu sussurrei a palavra "divórcio" na escuridão. Ele nem sequer se mexeu.

Um barulho fraco vindo da cozinha me despertou. Júlio estava de pé. Ele era uma criatura de hábitos. Não importava o quanto bebesse, ele sempre acordava ao amanhecer para seu suco verde e um treino.

Ouvi o zumbido familiar do liquidificador, seguido pelo tilintar de suas chaves e carteira na ilha de mármore. Ele estava fingindo. Fingindo que a noite passada nunca aconteceu. Era seu movimento característico: ignorar o conflito até que ele se dissipasse, até que eu estivesse cansada demais para lutar.

A porta do quarto rangeu ao abrir. Ele estava ali, já vestido em seu terno sob medida, parecendo em todos os aspectos o carismático CEO da nossa empresa de tecnologia, a 'Nexus'.

"Ei", ele disse suavemente, a voz ainda um pouco rouca de sono. Ele se aproximou e tentou beijar minha testa.

Eu me afastei com um sobressalto.

Seu sorriso vacilou, mas ele se recuperou rapidamente. "Olha, Alice. Sobre ontem à noite... você estava cansada, todos nós bebemos demais. Vamos apenas esquecer, ok?"

Ele me alcançou novamente, mas seu celular vibrou na mesa de cabeceira, e sua atenção se voltou para ele instantaneamente. Seu rosto se iluminou com um pequeno sorriso particular enquanto ele digitava uma resposta rápida.

Claro. Era sempre o celular. Sempre uma mensagem dela.

Eu o observei, uma clareza fria se instalando sobre mim. Este era o padrão. Uma briga, minha dor, seu pedido de desculpas displicente, e então um retorno rápido ao status quo, onde meus sentimentos eram um inconveniente e seu vínculo com Jade era sacrossanto.

Uma batida forte ecoou da porta da frente.

"Deve ser A Turma", disse Júlio, guardando o celular no bolso. Ele se moveu em direção à porta sem um segundo olhar para mim. "Estamos saindo para a viagem de aniversário da Jade. Aquela que eu te falei."

Ele não tinha me falado. Eu o ouvi falando sobre isso no telefone uma semana atrás. Um fim de semana "só para amigos". O aniversário dela. Claro. Era sempre sobre ela.

Uma premonição doentia revirou meu estômago. Enquanto ele saía do quarto, seu celular ficou na mesa de cabeceira, esquecido na pressa. Meu coração martelava contra minhas costelas. Eu nunca tinha olhado o celular dele. Nenhuma vez em nossos cinco anos juntos. Eu acreditava que a confiança era a base de um casamento.

Que tola eu fui.

Meus dedos tremeram quando o peguei. A senha dele era nosso aniversário. A ironia era uma pílula amarga na minha língua.

E lá estava. Um grupo de WhatsApp que eu nunca tinha visto. Não aquele em que eu estava, o higienizado com conversas educadas e artigos compartilhados. Este se chamava "O Verdadeiro Nexus".

A mensagem mais recente, enviada momentos atrás, era de Jade.

Jade: "Anda logo, seu lerdo! A aniversariante aqui tá esperando! Mal posso esperar pra ter meu menino só pra mim. A mala sem alça finalmente vai ficar pra trás. "

As palavras ficaram turvas. Uma dor física, aguda e visceral, atravessou meu peito. A mala sem alça. Essa era eu.

Meu polegar se moveu por conta própria, rolando para cima, passando por semanas, meses, anos de mensagens. Era um tesouro digital da traição deles.

Marcos: "Cara, como foi a 'celebração' de aniversário? A rainha do gelo conseguiu dar um sorrisinho?"

Júlio: "Mal e mal. Você sabe como ela é. Acha que uma história de fogueira de uma década atrás é crime capital. Tão sensível."

Outra mensagem de Jade, uma foto de uma bolsa Chanel novinha.

Jade: "Olha o que meu melhor amigo me deu de aniversário! Quem precisa de marido quando se tem um Júlio? "

A resposta de Júlio foi uma série de emojis de coração.

Eles zombavam das minhas contribuições para a empresa, me chamando de "a mulher do dinheiro" que teve sorte. Eles dissecavam minha personalidade, me rotulando como "fria", "chata" e "sem graça". Eles discutiam abertamente o quão melhor Júlio estaria se fosse solteiro, ou melhor ainda, com Jade.

O mundo girou. Minha respiração vinha em arquejos irregulares. O celular parecia queimar minha pele. Isso não era apenas um caso emocional. Era uma conspiração. Uma campanha longa e calculada de desrespeito e engano, com meu marido como o líder voluntário e seus amigos como a torcida.

Lembrei-me então, com uma náusea avassaladora, de como Júlio havia criado um grupo de WhatsApp separado e "limpo" meses atrás, me adicionando com um grande floreio. "Viu, querida? Agora você faz parte da galera!", ele dissera.

Eu nunca fiz parte da galera. Eu era a estranha que eles toleravam, o alvo de uma piada da qual eu nem fazia parte.

Uma raiva incandescente, mais pura e potente do que qualquer coisa que eu já senti, queimou através da dor. Segurei os botões de ligar e de volume, tirando prints. Enviei cada mensagem incriminadora para o meu próprio celular, a evidência se acumulando, um monumento à minha própria estupidez.

Júlio voltou, pegando sua pasta. "Jade e os caras estão esperando. Eu disse a eles que você não estava se sentindo bem e ia ficar em casa. É melhor assim, você não é muito de... acampar."

Olhei para ele, meu rosto uma máscara cuidadosamente construída de neutralidade. "Na verdade, acho que vou."

Ele franziu a testa. "O quê? Por quê? Você odeia acampar."

"O resort para onde eles estão indo, 'Chalés de Luxo na Mantiqueira'", eu disse, minha voz uniforme. "É do Caio. Acho que vou fazer uma visita a ele. Já faz um tempo."

Caio Gomes. Meu melhor amigo de infância. Um homem que respeitava a própria namorada, Carolina, e nunca tinha ultrapassado um limite comigo. Um homem que representava tudo o que Júlio não era.

O rosto de Júlio se contraiu. Ele odiava Caio, odiava a intimidade fácil и platônica que compartilhávamos.

"Você não pode", ele disse, a voz afiada. "É uma viagem 'só para amigos'. Você vai deixar todo mundo desconfortável."

"Desconfortável?" A palavra era tão absurda que quase ri. "Você acha que a minha presença é o que vai deixar as pessoas desconfortáveis?"

"Alice, não comece." Ele deu um passo em minha direção, sua paciência claramente se esgotando.

"Hoje é meu aniversário, Júlio."

As palavras caíram no espaço entre nós como pedras. Ele congelou. Observei a compreensão surgir, seguida por um lampejo de irritação, em seu rosto. Ele tinha esquecido. Claro que tinha esquecido. A viagem de aniversário de Jade tinha tido prioridade.

Vi a escolha em seus olhos antes mesmo que ele a fizesse. Uma vida inteira de escolhas, todas levando a este único momento. Ele poderia ficar, pedir desculpas e tentar salvar os destroços do nosso casamento. Ou ele poderia ir embora.

Uma buzina alta e impaciente ecoou da entrada da garagem. Jade.

Ele se encolheu, sua decisão tomada.

"A gente comemora quando eu voltar", ele disse displicentemente, virando-se para sair. "É só um aniversário."

Ele abriu a porta, mas eu já estava me movendo em direção a ela. Ele tentou bloquear meu caminho, agarrando meu braço. "Alice, fique aqui."

Arranquei meu braço, minha mão batendo contra o batente da porta. Uma dor aguda e lancinante subiu pelos meus dedos, mas não era nada comparada à agonia em meu peito.

Pela porta aberta, eu podia vê-la. Jade, encostada em seu conversível, óculos de sol na cabeça, batendo o pé impacientemente. Ela me viu e seu rosto se abriu em um sorriso largo e triunfante.

Ela subiu os degraus correndo e deu um soco brincalhão no braço de Júlio. "Aí está você! Já ia mandar uma equipe de busca." Ela olhou por cima dele para mim, seus olhos cheios de um desprezo piedoso. "Ela está te dando trabalho de novo?"

"Ela só está sendo emotiva", Júlio murmurou, o braço dele envolvendo a cintura de Jade, puxando-a para junto de seu lado. "Você sabe como ela fica."

Jade riu, estendendo a mão para beliscar sua bochecha. "Meu pobre bebê. Não se preocupe, eu vou cuidar bem de você neste fim de semana."

Eles se viraram e foram embora, suas risadas ecoando no ar da manhã, me deixando parada na porta, minha mão latejando, meu coração estilhaçado em um milhão de pedaços irreparáveis. O ar em meus pulmões parecia ter sido sugado, deixando um vazio oco e dolorido.

Observei até que o carro deles desapareceu pela longa entrada.

Então, calmamente, voltei para a casa silenciosa, peguei meu celular e disquei.

Caio atendeu no primeiro toque.

"Caio", eu disse, minha voz firme, não traindo a tempestade que se formava dentro de mim. "Eles estão a caminho do seu resort."

Houve uma pausa. "Alice? Você está bem?"

"Eu também estou indo", eu disse, cortando-o. "Preciso ver com meus próprios olhos. Preciso assistir meu casamento morrer."

Houve outra batida de silêncio, e então sua voz, firme e inabalável. "Estarei esperando."

Desliguei. A amizade entre Caio e eu era algo quieto e sólido, construído em anos de respeito mútuo e apoio inabalável. Não precisava de palavras floridas, nem de grandes declarações. Apenas era. Era um porto seguro na tempestade que era minha vida.

E eu estava navegando direto para o olho do furacão. Eu precisava ver a implosão final, feia e espetacular com meus próprios olhos. Eu precisava testemunhar a morte desse amor ao qual eu dei tudo, para que eu pudesse finalmente enterrá-lo para sempre.

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