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Capa do romance O Segredo do Meu Marido, Minha Guerra Silenciosa

O Segredo do Meu Marido, Minha Guerra Silenciosa

No aniversário de casamento, Júlio riu enquanto sua amiga Jade detalhava a intimidade deles. Ao descobrir um grupo secreto, percebi que ele trocava meus anticoncepcionais por placebos há um ano para doar esperma a ela, fingindo me consolar pela infertilidade. Quando ele partiu para celebrar o aniversário dela, ignorando o nosso, decidi agir. Fui atrás deles, determinada a não ser mais a esposa enganada e pronta para destruir o mundo de mentiras dele.
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Capítulo 3

Ponto de Vista de Alice Moraes:

A viagem para os Chalés de Luxo na Mantiqueira foi um borrão de asfalto e memórias. Lembrei-me de Júlio me pedindo em casamento em um parque, seus olhos brilhando com o que eu pensei ser adoração. Lembrei-me de assinar os documentos do empréstimo que colocaram o legado da minha família em risco pelo sonho dele. Lembrei-me das inúmeras noites em que trabalhei ao lado dele, movida a café e uma visão compartilhada, construindo a Nexus de uma startup de garagem a um império bilionário.

Ele era o rosto carismático, o visionário. Eu era o motor, a arquiteta, aquela que transformava suas grandes ideias em realidade funcional e lucrativa. Ele saía nas capas das revistas. Eu ficava com a satisfação de um balanço fechado. Eu disse a mim mesma que era o suficiente.

Os Chalés de Luxo na Mantiqueira eram um oásis de luxo rústico aninhado em um vasto parque estadual. Caio os projetou pessoalmente, uma série de vilas de lona de alta qualidade ao redor de um lago verde-esmeralda intocado. Ele me encontrou na entrada privativa, seu rosto marcado pela preocupação.

"A Carolina está a caminho", ele disse, referindo-se à sua namorada. "Ela está trazendo suprimentos. E por suprimentos, quero dizer tequila."

Consegui um sorriso fraco. Caio, sempre prático.

Ele me levou a uma vila do outro lado do lago, parcialmente escondida por um denso bosque de pinheiros. Oferecia uma vista perfeita e desobstruída da fogueira principal e do aglomerado de vilas onde A Turma estava hospedada. Eu era um fantasma na festa do meu próprio marido.

Do meu poleiro no deck, eu os observava. Eram um quadro de alegria descuidada. Rindo, bebendo, jogando jogos de gramado. E no centro de tudo, Júlio e Jade. Eles eram magnéticos, uma força gravitacional puxando todos para sua órbita.

Ao anoitecer, eles começaram um jogo. Jade, sempre o centro das atenções, se ofereceu para ser vendada para uma partida de Marco Polo, mas em terra.

"Vou te achar, Júlio!", ela gritou, os braços estendidos enquanto tropeçava, a venda torta.

A Turma uivou de rir, deliberadamente dando-lhe direções erradas. Mas sua bússola interna parecia travada em um alvo. Ela se moveu com uma precisão infalível, quase sobrenatural, direto para o meu marido.

Ela se lançou, suas mãos encontrando o peito dele. "Peguei!"

"Tá bom, tá bom, você me achou", Júlio riu, tentando se desembaraçar.

"Verdade ou Desafio, garanhão!", Marcos gritou da lateral.

"Verdade!", Júlio gritou de volta, uma decisão que eu sabia que ele se arrependeria instantaneamente.

O sorriso de Marcos era lupino. "Você tem sentimentos pela Jade?"

A pergunta pairou no ar, pesada e afiada. A atmosfera casual de festa evaporou, substituída por um silêncio denso e expectante.

Jade, ainda agarrada a Júlio, riu e passou o braço em volta do pescoço dele. "Marcos, seu babaca! Não o coloque nessa saia justa!" Suas palavras eram uma repreensão, mas seus olhos, que eu podia ver claramente do meu ponto de vista, brilhavam de antecipação.

"Ah, qual é", outro dos playboys interveio. "É o segredo mais mal guardado do mundo. Apenas admita, cara!"

Jade enterrou o rosto no pescoço de Júlio, um gesto teatral de embaraço. "Vocês são terríveis."

Então, ela se afastou, seus olhos se encontrando com os de Júlio. O espaço entre eles cintilou com uma linguagem privada e não dita. Era um olhar que eu tinha visto mil vezes, um olhar que eu sempre tentei ignorar. O olhar de duas pessoas que compartilhavam um mundo no qual eu não era convidada.

"Desafio você a beijar a cicatriz de novo!", alguém gritou, e a multidão explodiu em concordância.

Os olhos de Jade dançaram com malícia. "Bem, um desafio é um desafio", ela murmurou, sua voz um sussurro sedutor destinado apenas a ele. Seu olhar desceu para a cintura dele, e sua mão se moveu do pescoço dele, lenta e deliberadamente, para baixo em seu peito.

Seus dedos se atrapalharam com o fecho do cinto dele.

Júlio riu, um som nervoso e sem fôlego. Ele segurou a mão dela, mas não havia força em seu aperto. Ele estava entrando na brincadeira. Ele estava gostando.

No meio da luta paqueradora deles, o pé de Jade escorregou em um trecho solto de cascalho. Ela gritou, tropeçando para trás. Júlio, sempre o herói, se lançou para pegá-la. Eles caíram em um emaranhado de membros, aterrissando na grama macia com Júlio meio em cima dela.

A queda levantou o vestido curto de Jade, expondo a longa extensão bronzeada de suas coxas. Sem perder um segundo, a mão de Júlio se moveu para cobri-la, seu braço envolvendo protetora e possessivamente sua cintura. Ele alisou o vestido dela com uma ternura que não me mostrava há anos.

Eles ficaram ali, congelados, olhando nos olhos um do outro. A fogueira lançava um brilho quente e romântico em seus rostos. Eram um retrato perfeito de paixão, uma cena de filme. E eu era a plateia, assistindo das sombras frias e escuras.

A Turma foi à loucura.

"JUNTOS! JUNTOS! JUNTOS!"

O canto era uma força física, uma onda de som que se chocou contra mim, me deixando ofegante. Parecia que meu coração estava sendo arrancado do meu peito, o músculo cru e sangrando exposto ao ar frio da noite. Eu era uma ladra, escondida nas sombras, espionando uma felicidade que deveria ser minha.

Ao meu lado, o rosto de Caio era uma nuvem de tempestade. Suas mãos estavam cerradas em punhos brancos. "Aquele filho da puta", ele sibilou, começando a se levantar.

"Não", eu sussurrei, minha mão disparando para agarrar seu braço. "Não. Ainda não."

Minha própria mão tremia tanto que mal conseguia segurar meu celular. Com os dedos trêmulos, encontrei o contato de Júlio e disquei. Eu precisava ouvir. Eu precisava ver sua escolha final.

Do outro lado do lago, eu o vi se mexer. Ele enfiou a mão no bolso e tirou o celular. A tela lançou uma luz azul em seu rosto. Eu o vi ler meu nome.

Ele ignorou.

O telefone continuou a tocar, um apelo desesperado e não atendido na noite. Observei enquanto ele pressionava o botão vermelho, me silenciando. Ele nem sequer olhou para cima.

Ele fez de novo. E de novo. No quarto toque, ele olhou para a tela, uma expressão de pura irritação no rosto. Ele ainda estava deitado em cima dela, a mão ainda pousada na cintura dela.

Jade se apoiou nos cotovelos. "Quem é? Sua mãe ligando pra saber se tá tudo bem?", ela provocou.

Então, ela fez algo que fez o último resquício de ar deixar meus pulmões. Ela se esticou, pegou o celular da mão dele e, com um movimento do polegar, recusou minha chamada e depois desligou o aparelho completamente.

Ela o jogou na grama ao lado deles.

"Sem esposas neste fim de semana, lembra?", ela disse, tocando a ponta do nariz dele com o dedo. "É sobre os parceiros. E você sabe a regra."

Júlio sorriu, um sorriso lento e preguiçoso, cheio de adoração. Ele apertou o aperto em sua cintura, puxando-a para mais perto.

"Eu sei a regra", ele disse, sua voz baixa e íntima, atravessando a água parada. "Amigo em primeiro lugar, antes de qualquer um."

Ele a escolheu. Da maneira mais pública e definitiva possível, ele a escolheu.

Senti um tremor percorrer todo o meu corpo. Tinha acabado. A negação, a esperança, a barganha desesperada — tudo evaporou naquele momento único e brutal.

Meu olhar, frio e afiado como um caco de gelo, encontrou o de Caio.

"Você tem câmeras de segurança aqui?", perguntei, minha voz desprovida de toda emoção.

Ele entendeu imediatamente. "Em todo lugar. Alta definição. Áudio e vídeo. São ativadas por movimento e salvam diretamente em um servidor na nuvem."

"Ótimo", eu disse, meus olhos ainda fixos nas duas figuras entrelaçadas perto do fogo. "Salve. Salve tudo."

Meu coração era uma ferida aberta, uma caverna de dor. Mas sob a dor, algo novo começava a se formar. Algo frio, duro e afiado.

Ele queria jogar pela regra de "amigo em primeiro lugar". Tudo bem.

Eu o ensinaria o que acontece quando ele faz de sua esposa uma inimiga.

Eu queimaria seu mundo inteiro até o chão.

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