
O Segredo do Covil: A Fúria da Noiva
Capítulo 3
Ponto de Vista de Elisa:
Acordei com um sobressalto, os últimos resquícios de um pesadelo ainda agarrados a mim. Davi não estava ao meu lado. Meu coração deu um salto, um pavor familiar e nauseante me invadindo. Eram 3 da manhã. Ele tinha sumido de novo.
Meus dedos, dormentes de medo, navegaram até "A Toca". O site carregou rapidamente, um buraco negro de depravação. E lá estava ele. O lobo. E ao lado dele, a coelha. A mesma coelha de antes.
Desta vez, meus olhos procuraram a cicatriz, aquela marca distintiva. E lá estava ela, tênue, mas inegável, uma linha branca contra a pele pálida da parte inferior de suas costas, visível logo acima do cós de sua máscara. Minha respiração ficou presa na garganta. Não havia como negar agora. Nenhuma autoilusão a que se agarrar. Era Davi.
Meu olhar se voltou para o bate-papo, os comentários rolando rapidamente. "Olha esses dois! Tão quentes juntos", dizia um. Outro: "Eles estão nisso há meses, não é? O melhor show da Toca!" Meses. Não um caso. Não um erro. Um caso de longa data.
Então, uma voz. A voz dela. A mulher com máscara de coelha. "Nossa, Davi", ela ronronou, seu tom tingido com um choramingo familiar. "Essa cicatriz sempre atrapalha."
Meu mundo girou. Aquela voz. O jeito que ela disse "Davi". O jeito que ela choramingou. Era Carina. Minha melhor amiga. Minha madrinha de casamento. A mulher para quem eu tinha acabado de confessar minhas suspeitas.
O chão pareceu ter desaparecido sob meus pés. Um grito agudo ficou preso na minha garganta, vibrando contra minhas cordas vocais, mas nenhum som escapou. Era impossível. Carina, minha Carina, que tinha sido minha sombra, minha confidente desde que tínhamos cinco anos? A garota que sabia todos os meus segredos, que tinha chorado comigo por joelhos ralados e corações partidos? Aquela em quem eu confiava implicitamente?
Lembrei-me de seu "choque" quando lhe disse que suspeitava de Davi. Sua "preocupação". Sua menção casual do "presente surpresa de boas-vindas". As palavras ecoaram na minha cabeça, zombando de mim. O presente de boas-vindas era nossa casa de casados, a que Davi e eu tínhamos escolhido juntos. A que eles estavam profanando.
Minha infância, meu passado, meu presente — tudo parecia uma frágil boneca de porcelana espatifada em um milhão de pedaços. O ar ficou denso, pressionando-me, tornando impossível respirar. Agarrei meu peito, um grito desesperado e animalesco rasgando meu silêncio.
Triiim! Triiim! Meu celular, esquecido na mesa de cabeceira, vibrou. Era Davi. Minha mão disparou, derrubando-o no chão. O som de seu toque encheu o quarto, depois parou abruptamente.
Na tela, o lobo e a coelha continuavam sua dança, alheios. O bate-papo rolava, um fluxo constante de adoração pela dupla. "Melhor casal da Toca!" "Eles têm tanta química!"
Meus olhos ardiam, mas nenhuma lágrima veio. Estava além das lágrimas. Era uma dor fria e oca que se espalhou por todo o meu ser. Meu corpo parecia pesado, desconectado. Eu era uma marionete, e minhas cordas haviam sido cortadas.
Eu sabia com uma clareza arrepiante o que tinha que fazer. A dor era insuportável, mas uma determinação de aço se solidificou dentro de mim. Não havia volta. Não havia perdão para isso.
Encontrei meu celular, a tela rachada pela queda. Abri meu aplicativo do banco, depois procurei por "detetive particular". Uma ligação rápida, uma breve explicação — o suficiente para ele começar. O nome dele era Sr. Montenegro. Ele prometeu discrição. E rapidez.
Então, abri meu e-mail pessoal. Redigi uma mensagem para uma mentora em Florianópolis, uma aclamada designer de interiores que eu sempre admirei. "Interessada em uma parceria... me mudando... novas oportunidades." Era um tiro no escuro, um mergulho desesperado em direção a um futuro que de repente estava completamente em branco.
O sol estava apenas começando a pintar o céu quando Davi finalmente voltou. Ele cheirava levemente ao perfume barato de Carina, mascarado por uma colônia mais forte. Ele se moveu silenciosamente, com cuidado, como se para não me acordar. Ou talvez, como se para não perturbar a frágil ilusão que ele havia construído.
Ele se deitou na cama, seu corpo quente contra o meu. Ele me abraçou de conchinha, um conforto familiar que agora parecia o abraço de uma víbora. "Tudo bem, anjo?" ele murmurou, sua voz grossa de sono, ou de inocência fingida.
Fiquei imóvel, meu coração uma pedra no peito. O "porquê" ainda ecoava, mas agora era acompanhado por uma nova e mais potente emoção: uma fúria absoluta e avassaladora. Fechei os olhos, imaginando o lobo e a coelha. Carina. Davi. Eles haviam orquestrado isso. Eles haviam tentado me destruir. Mas não conseguiriam. Não mais. O jogo tinha apenas começado.
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