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Capa do romance O Sacrifício de Seis Anos da Esposa Invisível

O Sacrifício de Seis Anos da Esposa Invisível

Por seis anos, abdiquei da minha vida como esposa e madrasta de um CEO, servindo apenas para quitar dívidas e ser uma sombra da falecida. No nosso aniversário, meu enteado exigiu minha substituição pela assistente do pai. O ápice da crueldade veio quando o garoto matou meu cão, e meu marido o desprezou. Farta de ser tratada como um estorvo descartável, decidi assinar o divórcio. Para mim, aquele animal valia muito mais que essa família sem alma.
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Capítulo 1

Durante seis anos, fui a esposa perfeita de um CEO de tecnologia e madrasta de seu filho, um papel que aceitei para pagar uma dívida. Entreguei minha alma a uma família que me via apenas como uma substituta para sua falecida esposa.

No nosso aniversário, meu enteado de seis anos apontou para o nosso retrato de família e gritou que me queria fora, substituída pela assistente do meu marido.

Mais tarde, num acesso de fúria, ele matou meu cachorro, meu único elo com minha vida antiga. A única reação do meu marido foi chamar o animal moribundo de "praga".

Depois de seis anos de sacrifício silencioso, aquele único ato de crueldade foi a gota d'água.

Enquanto eu assinava os papéis do divórcio, meu marido zombou, incrédulo.

"Você vai jogar tudo isso fora por causa de um cachorro?"

Eu o encarei bem no fundo dos olhos. "Aquele cachorro era mais minha família do que vocês jamais foram."

Capítulo 1

Ponto de Vista: Alina Matos

No nosso sexto aniversário, o retrato perfeito da nossa família finalmente se estilhaçou, e tudo começou com uma única fotografia da qual eu não deveria fazer parte.

Por seis anos, eu interpretei o papel de Alina Bastos, esposa do CEO de tecnologia Heitor Bastos e madrasta de seu filho, Lucas. Seis anos dedicando minha alma a um lar que nunca pareceu meu, para uma família que nunca me enxergou de verdade. Hoje deveria ser um marco. O retrato de família, encomendado meses atrás, finalmente havia chegado. Era perfeito — uma moldura pesada e ornamentada envolvendo um momento de felicidade fabricada.

Levei-o para a sala de estar, meu coração batendo com uma esperança nervosa que eu já deveria saber que não valia a pena alimentar. Heitor estava no sofá, deslizando os dedos pelo tablet, e Lucas construía uma torre de blocos no suntuoso tapete persa. O silêncio na sala cavernosa era um cobertor pesado e familiar.

"Chegou", eu disse, minha voz soando animada demais, ansiosa demais. Apoiei o grande retrato contra uma cadeira vazia, virando-o para que eles pudessem ver.

Na foto, eu estava um pouco atrás do ombro de Heitor, minha mão repousando suavemente nas costas de sua cadeira. Lucas estava sentado no colo do pai, um sorriso raro e fugaz capturado em seu rosto. Parecíamos uma família. Parecíamos reais.

Lucas ergueu os olhos de seus blocos, seus olhos, tão parecidos com os do pai, pousando no retrato. Seu rostinho, geralmente uma máscara de indiferença para comigo, se contorceu em uma carranca.

"Não gostei", ele declarou, sua voz afiada e clara.

A frágil esperança em meu peito se partiu. Forcei um sorriso. "Por que não, querido? Estamos todos tão bonitos."

Ele se levantou, caminhou até o retrato e enfiou um dedo pequeno no meu rosto. "Eu não quero ela na foto."

As palavras me atingiram com a força de um soco no estômago. Senti o ar sair dos meus pulmões. Seis anos de cafés da manhã pacientes que ele se recusava a comer, de histórias de ninar que ele ignorava, de perguntas gentis recebidas com um silêncio de pedra — tudo se resumiu a essa rejeição única e brutal.

"Lucas", comecei, minha voz tremendo um pouco. "Eu faço parte da família."

"Não, não faz!", ele gritou, sua voz subindo. "Você não é minha mãe! Eu quero a Helena na foto! A Helena é minha mãe!"

Helena Soares. A assistente executiva do meu marido. A mulher que tinha uma semelhança impressionante com sua falecida esposa, Gisele. A mulher que Lucas adorava porque ela se parecia com a mãe que ele mal se lembrava. A mulher que era um fantasma constante e sorridente em nosso casamento.

Olhei para Heitor, meus olhos implorando para que ele interviesse, para que dissesse alguma coisa, qualquer coisa. Ele finalmente largou o tablet, seu olhar indecifrável. Ele viu o retrato, viu o chilique do filho, viu a dor gravada no meu rosto.

"Lucas, já chega", disse ele, seu tom sem nenhum calor real. Era a voz que ele usava para pequenos contratempos no escritório. "Alina é sua mãe agora. Comporte-se."

"Ela não é!", Lucas berrou, seu rosto ficando vermelho. "Eu odeio ela!"

Minha compostura cuidadosamente construída estava desmoronando. O cansaço de seis anos me engoliu como uma onda gigante. Seis anos tentando, esperando, fingindo que essa obrigação contratual poderia de alguma forma se transformar em uma família de verdade.

Eu estava tão, tão cansada.

"Chega", sussurrei, as palavras com gosto de cinzas na minha boca. "Eu não aguento mais."

Virei-me e saí da sala de estar, o som dos gritos contínuos de Lucas desaparecendo atrás de mim. Fui para a varanda de vidro, meu santuário, e peguei meu celular. Minhas mãos tremiam enquanto eu discava para Gláucia.

Gláucia Moraes, mãe de Gisele e minha antiga tutora legal. A mulher que, com as melhores das intenções, havia arranjado este casamento.

"Alina? Está tudo bem?", sua voz era ríspida e pragmática, como sempre.

Lágrimas que eu não tinha percebido que estavam se formando começaram a escorrer pelo meu rosto. "Gláucia", engasguei, "eu vou deixá-lo. Vou deixar o Heitor."

Houve uma longa pausa do outro lado. Quando ela falou novamente, sua voz estava pesada com uma culpa que eu sabia que ela carregava há seis anos. "Eu sei. Me desculpe, minha querida. Eu pensei... pensei que seria um lar estável para o Lucas. Que ele acabaria aceitando você."

"Eu fiz isso por você, Gláucia", eu disse, minha voz ganhando um pingo de força. "Eu me casei com ele para te pagar por ter me acolhido. Para dar ao Lucas o lar que você queria para ele depois que a Gisele... depois que ela morreu. Mas eu não aguento mais."

O contrato de seis anos havia acabado. Minha obrigação estava cumprida.

De repente, uma dor aguda me atravessou o estômago. Eu arquejei, dobrando-me. Lucas estava parado na porta, seu rostinho contorcido de raiva. Ele havia jogado o pesado retrato emoldurado em mim. O canto da moldura bateu com força no meu abdômen, me tirando o ar.

"Você é uma mulher má!", ele gritou, suas palavras carregadas de um veneno que era aterrorizante em uma criança de seis anos. "Você deixou o papai bravo! A Helena nunca deixaria o papai bravo!"

Eu me endireitei, ignorando a dor latejante. Meu coração parecia oco. "Eu estou indo embora, Lucas. Você terá a Helena só para você em breve."

"Ótimo!", ele cuspiu.

Virei as costas para ele, minha decisão se solidificando de um sussurro cansado para uma resolução inabalável. Eu estava caminhando em direção às escadas quando Heitor apareceu no final do corredor, seu rosto uma máscara de fúria.

"O que você disse a ele?", ele exigiu, caminhando em minha direção. Ele não perguntou se eu estava bem. Ele nem sequer olhou para a moldura pesada caída no chão. Sua única preocupação era seu filho.

"Ela disse que vai embora!", Lucas choramingou, correndo para o pai. "Ela é uma mentirosa!"

Os olhos frios de Heitor se fixaram nos meus. "Você está perturbando ele, Alina. Você é sempre tão dramática. Por que você não pode ser mais como a Helena? Ela sabe como lidar com ele."

Ele passou por mim, seu ombro batendo forte no meu. Ele pegou Lucas no colo, confortando-o com murmúrios suaves. Eu fiquei ali, invisível, enquanto ele levava seu filho para longe.

Soltei um suspiro trêmulo e comecei a subir as escadas para fazer as malas. Dei uma última olhada no retrato no chão. Meu rosto na foto sorria de volta para mim, uma estranha de uma vida que eu estava agora deixando para trás.

Assim que cheguei ao topo da escada, a campainha tocou. Um momento depois, a voz de Helena, doce como veneno, subiu do hall de entrada.

"Heitor? Lucas? Eu trouxe o bolo prestígio favorito de vocês para a comemoração do aniversário!"

Olhei para baixo. Ela estava lá, uma visão em um vestido branco, segurando uma caixa de bolo impecável. Ela olhou para cima e nossos olhos se encontraram. Um sorrisinho vitorioso brincava em seus lábios. Ela havia vencido.

Ela entrou na sala de estar, e eu fechei a porta do meu quarto, o clique suave ecoando o fim final e misericordioso do meu casamento.

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