Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance O Roteiro da Redenção

O Roteiro da Redenção

Após dedicar dez anos ao chef João Costa e ser rotulada como a vilã da história dele com Ana Martins, Maria Oliveira perdeu tudo. No fim da vida, ela descobre que era apenas uma coadjuvante em um roteiro cruel. Misteriosamente, Maria desperta três anos no passado, diante do acordo de rescisão que selou sua queda. Com uma calma gélida e sem a obsessão de antes, ela assina o papel. Agora, livre do destino traçado, ela renasce para escrever sua própria jornada.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

A vida de Maria Oliveira se desfazia em fragmentos, como um espelho quebrado. Em seus últimos momentos, as memórias passavam rapidamente, cada uma mais dolorosa que a outra, uma torrente de humilhação e desespero que a consumia. Ela se lembrou do brilho nos seus olhos quando foi aclamada como a mais promissora designer de moda de sua geração, uma paixão que foi brutalmente arrancada dela, seu nome agora manchado e sinônimo de escândalo. Ela se lembrou de João Costa, o famoso e genial chef de cozinha, o homem que ela amou com uma devoção cega, um amor que a transformou em uma piada nacional, uma vilã de novela, a sombra perseguidora em seu romance de conto de fadas com a doce e inocente Ana Martins. Cada manchete, cada foto humilhante, cada olhar de desprezo do público, tudo isso a levou à ruína, culminando naquele momento, em uma cama de hospital fria, onde seu corpo finalmente cedia.

Ela amou João por dez anos. Dez anos de uma perseguição unilateral, de um amor não correspondido que a transformou em uma pessoa ressentida e amarga, irreconhecível para si mesma. Sua carreira foi destruída, sua reputação virou pó, e sua família foi arrastada para a lama por causa de sua obsessão. E por quê? Por um homem cujo olhar nunca a viu de verdade, um homem que só tinha olhos para Ana.

Enquanto a escuridão a envolvia, uma voz fria e mecânica, desprovida de qualquer emoção, ecoou em sua mente.

[Ativação do sistema. O enredo da personagem coadjuvante vilã, Maria Oliveira, foi concluído. Causa da morte: falência múltipla de órgãos. Fim da história.]

A voz era um choque elétrico em sua consciência que se desvanecia. Sistema? Personagem coadjuvante vilã? Enredo? De repente, a névoa de dor e confusão se dissipou, substituída por uma clareza aterrorizante. Sua vida inteira, suas paixões, suas dores, seu amor desesperado, nada daquilo era real, era apenas um papel pré-escrito, um roteiro no qual ela era a vilã destinada a realçar a pureza da heroína e o amor do herói. Ela era um degrau para a felicidade de João e Ana. A percepção a atingiu com a força de um golpe físico, e com esse último pensamento amargo, Maria Oliveira fechou os olhos.

Mas em vez da escuridão eterna, ela foi cegada por uma luz forte. Maria piscou, desorientada. O cheiro de desinfetante do hospital desapareceu, substituído pelo perfume suave de lírios, seu favorito. Ela se sentou, o coração batendo descontroladamente. Ela não estava em um hospital, estava em seu apartamento, o luxuoso apartamento que João lhe dera anos atrás como um prêmio de consolação, uma gaiola dourada. O sol da tarde entrava pela janela, iluminando a poeira no ar. Tudo parecia surrealmente familiar.

Seu olhar caiu sobre a mesa de centro de vidro. Sobre ela, um documento e um cheque. O sangue gelou em suas veias. Ela reconheceu aqueles papéis. Era um acordo de rescisão de relacionamento. Um acordo que João lhe oferecera três anos antes da sua "morte", oferecendo-lhe uma quantia generosa para que ela desaparecesse de sua vida e da de Ana para sempre.

Na sua vida passada, a visão daqueles papéis a tinha levado a um acesso de fúria. Ela os rasgou em mil pedaços, gritou com o assistente de João, atirou o cheque no rosto dele e iniciou uma guerra que só acelerou sua própria destruição.

"Senhorita Oliveira?"

A voz de um homem a tirou de seu transe. Carlos, o assistente leal de João, estava parado perto da porta, com uma expressão cautelosa, esperando a explosão que ele sabia que viria.

Naquele momento, Maria sentiu uma calma gélida tomar conta de si. A raiva, o desespero, o amor obsessivo, tudo parecia ter sido deixado para trás, em outra vida. Ela se levantou, caminhou até a mesa, pegou a caneta e, sob o olhar chocado de Carlos, assinou seu nome na linha pontilhada. Sua caligrafia estava firme.

"Está feito", disse ela, sua voz soando estranhamente calma aos seus próprios ouvidos. Ela empurrou o contrato assinado e o cheque de volta para ele. "Eu não preciso do dinheiro. Apenas diga a ele que eu concordo. De agora em diante, não temos mais nada a ver um com o outro."

Carlos ficou boquiaberto, incapaz de formular uma resposta. Ele esperava gritos, lágrimas, ameaças, mas não aquela aceitação fria e decisiva.

Maria o ignorou. Ela pegou seu celular, as mãos tremendo levemente, não de raiva, mas de urgência. Ela discou o número do seu pai. Na sua vida anterior, uma semana depois daquele dia, João, irritado com sua persistência, usou seu poder para levar a empresa de sua família à falência, como um aviso.

"Pai", disse ela assim que ele atendeu, sua voz firme. "Venda todas as ações da empresa. Agora. Não me pergunte o porquê, apenas confie em mim e faça. Liquide tudo o que puder."

Antes que seu pai pudesse protestar, a porta do apartamento se abriu com um estrondo. João Costa entrou como um furacão, seu rosto bonito contorcido em uma máscara de fúria. Seus olhos escuros a fuzilaram, ignorando completamente o assistente chocado ou os papéis sobre a mesa.

"Maria, o que você fez com a Ana desta vez?", ele rosnou, sua voz cheia de acusação.

Ele nem sequer esperou por uma resposta. Atravessou a sala em passadas largas e a agarrou pelo braço, seu aperto forte e doloroso.

"Venha comigo. Você vai se desculpar com ela agora mesmo."

Ele a arrastou para fora do apartamento, ignorando seus protestos. A força dele era esmagadora. Ele a empurrou para dentro de seu carro esportivo e acelerou pelas ruas da cidade em direção ao hospital. A cena era terrivelmente familiar, um eco de inúmeras outras vezes em que ela fora arrastada para limpar uma bagunça que não criara, para ser a vilã da história de outra pessoa.

No quarto do hospital, Ana estava deitada na cama, pálida e frágil, com um acesso intravenoso no braço. Ao ver Maria sendo arrastada por João, seus olhos se encheram de lágrimas e ela encolheu-se como um animal assustado.

"João... não a culpe... fui eu que caí da escada... foi um acidente", ela sussurrou, sua voz fraca, mas cada palavra calculada para inflamar a raiva de João contra Maria.

O rosto de João suavizou instantaneamente ao olhar para Ana, mas endureceu novamente quando se virou para Maria. "Fique aqui", ele ordenou, empurrando-a para um canto do quarto como se ela fosse uma criminosa. "Não se atreva a sair até eu dizer que pode."

Ele então se sentou ao lado da cama de Ana e começou a descascar uma maçã para ela com uma ternura que Maria nunca recebera. Seus movimentos eram cuidadosos e cheios de devoção. A cena era tão perfeitamente doméstica, tão cheia de um amor que a excluía, que era quase ridícula.

Maria ficou parada junto à porta, uma espectadora forçada daquela peça. Ela ouviu duas enfermeiras sussurrando do lado de fora.

"É ela, a noiva do Chef Costa. Tão malvada, sempre machucando a pobre da Ana."

"E a Ana é um anjo. Ele a ama tanto. Que pena que ele está preso a essa mulher terrível."

As palavras, que antes a teriam apunhalado no coração, agora flutuavam sobre ela sem causar dor. Elas eram apenas a confirmação. A confirmação do seu papel, do seu roteiro. Ela era a vilã. Eles eram o casal principal. Era simples assim.

Observando João colocar um pedaço de maçã na boca de Ana, um cansaço profundo, vindo de uma vida inteira de luta inútil, a dominou. A luta tinha acabado. Ela não queria mais participar daquele jogo. Desta vez, ela não iria lutar, não iria gritar, não iria chorar.

Ela iria sair do palco.

"Eu desisto", ela sussurrou para si mesma, uma promessa silenciosa. "Desta vez, eu vou escrever minha própria história."

Você pode gostar

Capa do romance A Escrava Mais Odiada Do Rei
9.2
Há muito tempo, dois reinos conviviam em paz. O reino de Salem e o reino de Mombana... Tudo correu bem até o dia em que faleceu o rei de Mombana e um novo monarca assumiu, o príncipe Cone, que estava sempre sedento por mais e mais poder. Depois da sua coroação, ele atacou Salem. O ataque foi tão inesperado que Salem nunca se preparou para isso. Foram apanhados desprevenidos. O rei e a rainha foram assassinados, o príncipe foi levado para a escravidão. As pessoas de Salem que sobreviveram à guerra foram escravizadas, suas terras foram saqueadas, e suas esposas foram transformadas em escravas sexuais. Tudo foi perdido. O mal caiu sobre a terra de Salem na forma do príncipe Cone, e o príncipe de Salem, Lucien, na sua escravidão, estava cheio de tanta raiva que jurou vingança. *** *** Dez anos depois, Lucien, de 30 anos, e seu povo lançaram um golpe e escaparam da escravidão. Eles se esconderam e se recuperaram. Treinaram dia e noite sob a liderança do intrépido e frio Lucien, que foi impulsionado com tudo o que havia nele para recuperar sua terra e tomar a terra de Mombana também. Levou cinco anos até que eles armassem uma emboscada e atacassem Mombana. Mataram o príncipe Cone e reivindicaram tudo. Enquanto gritavam sua vitória, os homens de Lucien encontraram e imobilizaram a orgulhosa princesa de Mombana, Danika, filha do príncipe Cone. Enquanto Lucien olhava para ela com os olhos mais frios que alguém poderia possuir, sentiu a vitória pela primeira vez. Ele caminhou em direção à princesa com o colar de escravo que tinha sido forçado a usar por dez anos e com um movimento rápido, o amarrou ao pescoço dela. Então, ele inclinou o queixo dela para cima, olhando para os olhos mais azuis e o rosto mais bonito já criado, lhe deu um sorriso frio. "Você é minha aquisição. Minha escrava. Minha escrava sexual. Minha propriedade. Eu lhe pagarei por tudo o que você e seu pai fizeram comigo e com meu povo", disse ele secamente. O puro ódio, a frieza e a vitória era a única emoção no seu rosto.
Capa do romance A FORÇA DO AMOR
9.2
Zack Huang é um imperador impiedoso que prioriza o poder acima de tudo. Enquanto muitos o temem, o respeitado general Max Xu foca em proteger Amanda, sua irmã caçula, de todas as ameaças. O perigo espreita dentro da própria família: Félix Xu, conselheiro imperial e meio-irmão de Max, nutre um ódio profundo por seus parentes e planeja ascender ao trono. Em um mundo de crueldade e ambição, resta saber se o amor superará a sede de domínio de Zack.
Capa do romance A Jornada do Último Guerreiro: O Destino de Castian
7.8
Castian, um jovem de dezesseis anos, vive na isolada vila de Liang, dividido entre a segurança de sua família e o desejo de explorar o que há além das montanhas. A chegada de um viajante misterioso com contos de aventura desperta nele a percepção de um destino grandioso. Agora, ele precisa confrontar segredos ocultos sobre seu passado e futuro para decidir: manter a rotina pacífica ou arriscar tudo em uma jornada épica pelo desconhecido, seguindo seu coração.
Capa do romance A Menina Salva pelo Alfa
9.8
Amelia suportou dores inimagináveis até que a rejeição de seu companheiro a levou ao limite. Buscando paz, ela salta de um penhasco, esperando pelo fim ao lado de sua loba, Katia. No entanto, o destino intervém quando membros da matilha Glowing River presenciam a queda. Ao resgatarem seu corpo ferido e marcado por cicatrizes, o Alfa descobre, em choque, que a garota quebrada diante dele é sua alma gêmea. Agora, ele precisa salvá-la de um passado cruel.
Capa do romance A Segunda Chance de Laura
8.1
Após cinquenta anos de dedicação, Laura descobre no leito de morte de João que ele sempre amou sua irmã, Clara. Humilhada e exausta por uma vida de sacrifícios não valorizados, ela deseja uma nova chance para mudar seu destino. Inexplicavelmente, Laura desperta no dia de seu casamento, jovem e radiante. Diante do altar e ciente da traição futura, ela decide que não repetirá os mesmos erros. Agora, o passado é sua arma para reconstruir seu próprio futuro.
Capa do romance Em Busca Do Alfa - Série A Ascensão Da Lua
8.5
Violet vive mergulhada no luto após o Rei Vampiro destruir a alcatéia de seu parceiro. Contudo, para salvar sua irmã e melhor amiga, ela aceita um casamento forçado com o próprio inimigo. No castelo, cercada por sombras e segredos, Violet descobre que seu Alfa pode ter sobrevivido e estar escondido por perto. Agora, ela deve enfrentar perigos mortais para proteger quem ama e tentar resgatar o homem que acreditava ter perdido para sempre.