
O Romance Secreto do CEO
Capítulo 2
Talvez eu esteja frio por causa de um passado recente. Avisei para que não chegasse mais perto, pois não iria encontrar o que estava procurando. Esperava não ser julgado, pois tudo que sei é como ser eu mesmo. Esperei que, quando começasse a me tocar, estivesse ciente da nossa situação.
— Brandon, abra a porta!
Ouço uma voz feminina me chamar do outro lado da porta. Amber está em silêncio, com os braços cruzados, carregando uma expressão indiferente que jamais havia visto. Não esperava que, depois de uma das milhares de vezes em que esquecemos de tudo para focar no desejo, isso se tornaria um drama.
— Não vai atender sua namorada? — Amber pergunta, enquanto me visto.
— Jennifer não é minha namorada — respondi depois de devidamente vestido.
Olho para seu rosto outra vez e ela permanece indiferente. Amber não só comeu meu coração como também meu cérebro. Duas partes de mim não concordam: uma quer abraçá-la e não deixá-la ir, e a outra simplesmente não se importa.
Por um momento escolho chegar mais perto e envolvê-la em um abraço. Primeiro ela reluta, depois me abraça também. Encosta a cabeça no meu peito e sinto meu coração acelerar enquanto ela me aperta com força.
— Porra, eu te quero tanto!
— Eu também te quero, Amber. Fica comigo — peço, afundando as mãos por debaixo de sua camisa. — Por favor!
— Quer como?
— Assim, exatamente como estamos — ela suspira audível.
— Então você não me quer, pois do jeito que estamos, é impossível que eu seja sua.
Peguei-a nos braços e andei até sentá-la na mesa. Com ela sentada, dou um beijo em sua testa, depois lambo seus lábios de modo vulgar e ela se afasta. Ela sorri, jogando os cabelos para trás, e pensei que esse fosse um sinal de que ficaria, mas o que faz é descer e caminhar até a porta.
— Adeus, querido — falou antes de abrir a porta, dando passagem para Jennifer entrar. — Boa tarde, senhorita!
— Amber? Eu não sabia que estava aqui — ouvi Jennifer dizendo enquanto esfrego o rosto em um gesto de descontentamento.
— Sim, estava, mas já vou indo!
Ouço a porta sendo fechada e depois o som de saltos batendo no piso. Sem minha autorização, Jennifer abre a cortina, deixando a luz do sol entrar para minha maior irritação, e em seguida vem ao meu encontro.
— Brandon, como você não compareceu à reunião, tomei a liberdade de apresentar nossos novos projetos aos investidores... — começou a dizer antes de parar na minha frente e me olhar da cabeça aos pés. — O que vocês estavam fazendo? Você está horrível.
— Com que liberdade fez a apresentação? Lembro bem de ter pedido ao meu secretário para cancelar a reunião — respondi, caminhando até a grande parede de vidro, que me dá uma visão panorâmica da cidade de cima do prédio.
— Bom, eu... Ninguém, mas, Brandon, depois de você, sou quem melhor conhece o projeto. Além disso, vamos nos casar e seu pai me deu carta branca — respondeu.
Contrariado com a resposta, virei-me para olhar seu rosto pela primeira vez desde que entrou. Como sempre, ela está divinamente impecável, cabelos presos em um belo penteado e maquiagem leve que combina com seu blazer rosa claro.
Jennifer é uma das mulheres mais belas que já vi. Meses atrás cogitamos a possibilidade de nos casarmos por conveniência. Seria bom para os negócios, já que seus pais são nossos principais associados e a senhorita Lobato se encaixa em todos os padrões para ser mulher de um grande executivo.
Nunca tivemos um relacionamento de fato; tudo faz parte de um grande marketing perfeito para ambas as empresas. Antes de marcarmos a data, começamos a aparecer em eventos como casal para que a mídia espalhasse boatos.
No entanto, desde que encontrei Amber nos corredores da Sparkle, não consigo pensar em outra coisa além dela. Provei do fruto proibido e agora não consigo tirá-la dos meus pensamentos. Não foi fácil me aproximar; Amber, muito profissional, não queria se envolver com o dono da empresa que a contratou para uma campanha.
Mas eu insisti até que ela se entregasse a mim.
Desde o início tudo foi muito intenso; nos tornamos dependentes um do outro, e ninguém mais pode nos saciar. Eu estava satisfeito com como estávamos lidando com o nosso caso, mas Amber começou a falar de amor.
Disse para que não dissesse que me ama, pois não seria recíproco. Pedi para que não precisasse de mim, pois não precisava disso. Avisei para não dizer que me queria, pois quando a gente terminasse de transar, eu estaria completamente sozinho.
Como agora, quando tudo que resta é seu cheiro e as marcas em meu corpo. Quando ela sai, é como se ficasse faltando um pedaço de mim que só é preenchido quando nos encontramos outra vez.
— Jennifer, entenda uma coisa: meu pai não tem permissão para dar carta nenhuma. Quem manda nessa merda sou eu. Não interessa o que ele diga, quem manda aqui sou eu e somente eu — respondi, dobrando as mangas da camisa. — Não passe por cima da minha palavra outra vez. Está entendendo?
— Sim, me desculpa! — pediu envergonhada.
— E falando sobre o nosso casamento, acho que estamos indo rápido demais. Não vamos fazer isso por agora; decidi que quero desmarcar.
— Olha, Brandon, quanto ao seu pai, eu até te entendo, mas ainda assim isso não anula o fato de que estou qualificada para falar por você, então não vejo problema — argumentou, caminhando até minha cadeira e se sentando no meu lugar. — Não se precipite por tão pouco.
— Mas eu vejo. Minha empresa, minhas regras. Mesmo se nos casássemos, essa empresa continuaria sendo apenas minha e de mais ninguém — retruquei sem me mover.
— Se?
— Se! E, por favor, saia da minha cadeira — pedi, vindo a seu encontro. Ela sorri azeda e franze o cenho.
— Está realmente pensando em desistir do nosso casamento?
Não respondo, apenas estendo a mão para ajudá-la a se levantar.
— É por causa da Amber, não é? — disse já de pé.
— Não subestime minha inteligência, Brandon. Conheço o rolo de vocês. Seu secretário até tentou disfarçar, mas eu ouvi tudo que aconteceu aqui. Olhe bem para você... Suas roupas estão destruídas, seus cabelos suados e sua pele cheia de marcas de chupões, sem falar do cheiro nojento de sexo da sua sala. É assim que um CEO se comporta?
— A forma como me comporto não diz respeito a nenhum de vocês. Que fique claro: se alguém estiver incomodado, é simples de resolver: demita-se! — respondi, sentando-me no meu posto. Jennifer agora se senta na beirada da mesa. — Sabe? O único cheiro que está me incomodando é o do seu perfume barato.
— Eu não me importo com seu caso nojento, mas não vou deixá-lo estragar nosso futuro por causa de uma modelo fotográfica de quinta. Tem muita coisa envolvida nisso. Vamos nos casar no próximo mês e fim.
— E vai me obrigar de que forma? — questionei com um sorriso debochado e desafiador.
— Eu disse para não subestimar minha inteligência, querido — estendeu a mão para tocar meu rosto. — Simples de entender: apareço na mídia como a pobre moça que foi enganada e abandonada pelo amor de sua vida porque ele é infiel. E entraria com o rompimento daquele contrato.
— Você não ousaria! — rosnei.
— Eu não mereço ser trocada por aquela mulher — disse, forçando um choro.
Irritado, fecho o punho e dou um soco na mesa. Jennifer está rindo da minha reação, como se tivesse concluído seu objetivo. É a primeira vez que a boa moça mostra sua verdadeira face, e esta não me agrada nem um pouco. Por esse motivo, me coloco de pé para expulsá-la da minha sala.
— O que houve, senhor Ribeiro? Parece irritado. Cuidado, as veias do seu pescoço parecem prontas para estourar — debochou. — Não pense que é do meu agrado ter você como meu marido, mas você é bonito e rico o suficiente para aparecer comigo nas capas das revistas.
— Quero que saia da minha frente, AGORA!
— Querido, o que está fazendo? — começou a dizer em voz alta, provavelmente para ser ouvida do lado de fora.
— SAIA DAQUI, VADIA! — exclamei furioso.
— O que está fazendo? Não me machuque, por favor, eu te amo!
Cansado de assistir ao papel ridículo a que ela está se prestando, seguro seu braço com força moderada para obrigá-la a sair do meu escritório.
— Desapareça da minha frente! — exigi, chegando perto da porta.
— Amor, você está me machucando!
Não voltei a respondê-la, apenas abri a porta e a empurrei para fora, com cuidado para não machucá-la. Meu secretário me encara de olhos arregalados por alguns segundos, abaixando a cabeça em seguida.
Jennifer simula um choro, que ignoro. Deixo-a do lado de fora e bato a porta, me trancando na sala que ainda cheira ao perfume de Amber. É sempre assim; ela se vai, mas deixa uma parte sua para meu declínio.
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